Minha Doce Menina.
59 A surpresa indesejada.
A ira tomou conta de seu ser. Não pensava em nada além da sede de sangue que tinha sobre aquela mulher. O que ela estava tentando fazer? Manchar seu nome? Envergonhá-lo publicamente? O que se passava pela cabeça de Raiden ao concordar com algo deste tipo? As respostas já não lhe eram mais interessantes, pois a raiva apenas fazia com que ele a quisesse ferir.
Chegou à casa de Raiden e sem muito esperar bateu a porta, onde uma empregada humana assustou-se ao ver aquele youkai com os olhos vermelhos. Não demorou muito até que Raiden aparecesse.
– Vejo que já soube das novidades. – O youkai disse em um tom frio.
– Sim e vim para reclamar meus direitos. – Ele disse desafiante. – Agora você não tem mais poderes sobre ela e eu irei decidir o que será feito de seu futuro e o desta criança.
– Não ouse...
– Raiden. – Uma doce voz chamou e Raiden olhou para onde ela vinha. Yosuke ao ouvi-la teve uma sensação estranha em seu peito. – Por favor, deixe-me conversar com ele.
O youkai concordou e saiu da sala, até que Yosuke levantasse seus olhos e encontrasse os olhos negros de Nobuko. Ela desceu as escadas e se colocou a sua frente e ambos se encaravam sem hesitação. Os olhos negros da humana olhavam amargamente para os olhos azuis do youkai que a correspondia com um olhar de raiva.
– Eu sei que você deve estar muito chateado...
– Se sabe acabemos com isto de uma vez. – Ele a interrompeu, porque queria parar com aquilo. Sentia que seu coração o trairia, pois sua raiva sumiu apenas por ouvir sua voz.
– Yosuke eu sei que o que fiz foi errado, mas eu sinceramente acho que isto não lhe dá o direito de exigir qualquer coisa sobre mim. Você me traiu e não tem direito a nada. – Ele arqueou uma sobrancelha. Além de achar estranho o fato de ela aparecer sem ser chamada quando queria esconder a gravidez, ele sequer teve a oportunidade de falar, o que não dava sentido aquelas palavras.
– Não estou exigindo nada de você Nobuko e muito menos tentando livrar-me da acusação de infiel. O que quero aqui é apenas meu herdeiro que está em seu ventre. – Ele disse calmamente.
– Não?! Você não irá me levar para sua casa, onde eu seria obrigada a ser sua esposa novamente? – O tom que Nobuko utilizara mostrava frustração. Deixava claro que era isso o que ela esperava, mas que não aconteceria.
– Não. Sei que ama a Raiden e o tem como seu marido. Não pretendo trazê-la para viver ao meu lado depois de tudo o que aconteceu e principalmente depois de saber que você daria outro pai ao meu filho sendo eu ainda vivo simplesmente por vingança.
Nobuko ficou um pouco raivosa. As coisas não saiam como ela planejara, mas algo tinha de dar certo.
– Então ainda não sei qual será a sua proposta. – Ela disse com um tom de voz diferente.
– É simples. Quando esta criança nascer, eu a levarei para viver comigo.
Ao ouvir aquelas palavras Nobuko sentiu seu corpo gelar. Gerar um filho e não viver ao seu lado era impossível, era inaceitável.
– Você não será capaz de...
– Não serei capaz de quê? Você mesma não faria isso comigo?
– Por favor, Yosuke não seja cruel a esse ponto. Você me trai e agora quer me tirar a única coisa que eu realmente tenho. – Ela usava um tom que aos ouvidos do youkai parecia fingido.
– Nobuko...
– Raiden! – A humana gritou e quando o youkai se aproximou ela agarrou-o em um abraço e afundou seu rosto no peito dele. – Ajude-me, ele quer roubar o meu precioso. O meu filho!
Yosuke olhou para mulher a frente, aquelas palavras eram totalmente equivocadas e sem sentido. Ele nunca disse que não permitiria que ela fosse mãe. Nunca disse que o afastaria dele para sempre, apenas disse que levaria seu filho para morar consigo.
– Acho que você não me entendeu Nobuko, todavia o recado foi dado. Quando esta criança nascer, eu a levarei para morar comigo.
Yosuke deu-lhes as costas e caminhou em direção a porta, segundos depois ele já não estava mais ali. Nobuko então olhou no fundo dos olhos de Raiden e os seus estavam cheios de lágrimas.
– Porque ela está fazendo isto comigo Raiden? Ela quer roubar o meu filho. Primeiro ela me tirou o marido e agora o meu filho! Porque Akiyo me faz essas coisas? Eu não entendo!
Ela voltou a enterrar o rosto no peito de Raiden que continuou sério. Ele não falava nada e ela sabia muito bem que aquelas palavras apenas o deixavam com mais ódio e repulsa da ex-esposa.
– Eu ainda não acredito que você irá partir amanhã, Sesshoumaru. – Dizia Rin, ainda envolta em um lençol. O youkai que se vestia não disse uma palavra, apenas continuou o que estava fazendo. – Quando será à hora da partida?
– Quando amanhecer. – Rin ainda o olhava com a expressão pesarosa. Precisava do youkai ao seu lado.
– Espero que não demore a voltar. – Ela disse cabisbaixa. Sesshoumaru não respondeu.
– Eu voltarei Rin, não se preocupe tanto.
– Mas é uma guerra. – Ela disse tentando convencê-lo do tamanho da gravidade do problema.
– Batalhas para youkais são perfeitamente normais.
– Disse bem, para youkais. Eu sou uma humana. – Ela ainda tentava convencê-lo.
–Já disse que não deve se preocupar. Provavelmente não terei de enfrentar soldados, o que realmente quero é matar aquele que ousa desafiar minha força e inteligência. Meus generais são competentes e não haverá falhas.
– Mas sempre...
– Rin, não haverá falhas. – Ela entendeu que aquela conversa acabava ali. O olhar de Sesshoumaru lhe dizia isto. Ficou quieta e apenas se encolheu na cama, não diria mais nada.
Quando começara a anoiteceu Rin descia as escadas de sua casa para ir até a sala de negócios onde Sesshoumaru estava, mas se surpreendeu ao ver Jaken repreender uma visita em sua sala. Decidiu se aproximar do local, até que seus olhos cruzaram-se com olhos que ela jamais imaginou ver novamente.
–Y... Yoi! – Disse espantada e a youkai sorriu para ela.
– Olá Rin. Surpresa em me ver novamente? – Sesshoumaru chegou até a sala e seus olhos estavam fixos na youkai a sua frente.
– Está atrasada. – Ele disse com seu tom frio e Rin o olhou imediatamente. Então ele sabia que ela iria até ali.
– Eu chego sempre na hora certa. – Ela lhe disse abrindo um enorme sorriso.
– Não aceitarei bobagens por sua parte. Se necessário eu a matarei. – Ela alargou mais o sorriso.
– Matar-me? Você pode até me matar, mas não da maneira que supõe. – Disse a youkai com muita malicia em sua voz.
– Sesshoumaru, o que ela esta fazendo aqui? – Perguntou Rin.
– Veio para receber ordens e para saber quais é sua área de atuação. – Rin arregalou os olhos.
– Não me diga que...
– Sim. – Yoi intervêm na conversa. – Eu irei para guerra ao lado de seu marido.
Notas finais
Beijo e até a próxima.
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