Minha Doce Menina.

57 A grande ajuda e a grande descoberta.


– Como está se sentindo?

– Não muito bem, ainda sinto meu corpo dolorido, mas estou muito melhor que ontem.

– Deite-se na cama, o repouso é necessário para a melhora completa.

Ele estava sendo muito cuidadoso, embora nada mais pudesse fazer por ela. Já havia usado seus poderes algumas vezes e havia dado certo, mas agora as coisas eram diferentes. Ele continuou a olhando e ela desviou seu olhar do céu para fitar-lhe. Abriu um sorriso.

– Não se preocupe Yosuke. Logo eu ficarei bem e hoje meu bebê está quietinho. – A humana passou a mãe pela barriga de cinco meses de gestação e sorriu. Seu filho crescia dentro de si forte e saudável.

Quatro meses haviam se passado e todo o exército de Sesshoumaru estava preparado para a guerra, somente Rin, Akiyo e Nobuko não estavam. Não querem abrir mão de seus youkais.



Com muita dificuldade Rin abriu os olhos. O sol já iluminava seu quarto. A barriga de sete meses de gestação pesava e ela achava que a qualquer momento aquela criança sairia de dentro de si. Aquela foi uma boa noite de sono, não tinha muitas, pois a maioria das vezes seu filho era inquieto. Parecia-lhe que youkais adoravam a noite.

Levantou-se e como de costume foi se banhar, mas não tinha mais animo de se arrumar ou seu olhar no espelho. Mesmo que por fora, a moça parecesse perfeitamente bem, por dentro estava horrível. A cada mês que se passava a dor que sentia era enorme, pois a energia demoníaca da criança também crescia.

Retirou a roupa e a pôs sobre a cama, tentou não olhar o espelho a sua frente mais foi impossível. Com pesar, olhou diretamente para a barriga. Passou as mãos sobre ela e se entristeceu.

O processo final da gravidez incomodava muito. Os pés inchados, o andar mudado, as dores nas costas. A única coisa em que pensava era deitar-se para dormir ou apenas para colocar travesseiros sobre suas costas.

Sesshoumaru entrou no quarto enquanto Rin se olhava no espelho, quando percebeu sua presença ali tratou de colocar logo uma roupa, mas o youkai estava muito sério e ela esperou sua reação.

– Abra. – Disse simplesmente.

– Abra o que meu amor? – A voz não saiu como deveria.

– Abra sua roupa Rin. – Com muita relutância ela obedeceu.

Ao abrir o quimono, Rin deixou à mostra a barriga que era o alvo de Sesshoumaru. Um vinco em sua testa se formou, não gostava da forma como aquilo estava acontecendo. Ela sentia-se completamente desconfortável, não queria ter de mostrar aquilo a ele e tentou fugir disto por várias vezes, mais uma hora ou outra aquilo acabaria acontecendo.

– Há quanto tempo está assim?

– Há um bom tempo.

O motivo de Rin não querer mostrar seu corpo era que manchas terríveis formavam-se sobre sua barriga, manchas roxas que contrastavam com sua pele branca. O olhar de Sesshoumaru era furioso, porque pela primeira vez ele nada podia fazer. Ela estava muito incomodada com aquilo.

– Sesshoumaru, eu posso fechar? – Ela olhava para o lado.

– Deveria ter me contado. – Ele disse a repreendendo.

– Não queria que ficasse preocupado, eu consigo agüentar. – Ela disse firme, fechando o quimono.

– Não é algo com que deva enfrentar sozinha Rin, até mesmo porque não está mais sozinha.

Aquelas palavras de Sesshoumaru a ela fizeram seu coração se despedaçar de amor por ele. Sem rodeios ou cerimônias ela se aproximou e o abraçou com força.

– Eu te amo Sesshoumaru.

– Farei o que puder para que fique bem Rin. – Ele disse também a envolvendo.

– Eu sei. Você sempre me protegeu, sempre cuidou de mim e eu sempre me sentirei segura ao seu lado. – Levantou o rosto e depositou um beijo em seus lábios.

Após se beijarem ela foi para o banho e ele olhou para o céu, onde pensava em uma forma de fazer com que a mulher que amava não sofresse mais. Ele já sabia quem poderia ajudá-lo e antes de partirem para a guerra a ajuda seria trazida.



– Terei de ir ao castelo agora. – Disse Yosuke sério a Akiyo.

– Porque vai sair? Logo terá que ir a guerra. Gostaria que ficasse. – Ela dizia de forma meiga. Precisava da companhia do youkai.

– Mesmo que queira ficar, fui chamado por Sesshoumaru-sama, então não posso desobedecê-lo.

– Tudo bem. Yosuke, se não se importa eu também gostaria de sair.

– Aonde irá? – Ela vacilou o olhar e também demorou um pouco para responder.

– Eu irei ver Raiden. – Ela disse por fim.

– Faça isso, afinal ficaremos por tempo indeterminado longe. – Ele a incentivou e ela sorriu.

– Obrigada. – E ele se aproximou da mulher, dando um beijo na testa.

– Tenho cuidado no caminho. Até mais tarde. – E o youkai saiu rapidamente da presença da humana.

Ao chegar ao castelo, Yosuke foi imediatamente levado até a sala de negócios de Sesshoumaru.

– O que deseja de mim, meu senhor?- Disse o youkai reverenciando a Sesshoumaru.

O youkai estava sentado e mirava seu servo a frente.

– Faça com que criança que está no ventre de Rin pare de machucá-la. Acredito que seja o único que possa fazer isso.

– Sim senhor, quando quiser.

– Mandarei que ela desça, então comece imediatamente.

– Sim, Sesshoumaru-sama.

Rin foi chamada em seu quarto e desceu as escadas. Deparou-se com os olhos de Yosuke sobre si e não gostou muito disto. Mesmo que fosse infantil de sua parte, ela não confiava no youkai pelo que aconteceu a sua amiga. Ele a olhava com curiosidade o que a fazia o encarar.

–Bom dia, Yosuke. – Cumprimentou a jovem.

– Bom dia, Rin-sama. – Ele fez reverência a ela e deixou um leve sorriso escapar.

– Rin, sente-se no sofá e faça tudo o que Yosuke mandar. – Ela o olhou sem entender.

– Mas por quê?

– Eu irei ajudar a aliviar as dores que sente Rin-sama. Como bem sabe Akiyo está grávida e passa pelo mesmo processo que a senhora, entretanto com minha ajuda ela sofre menos. – Ele tentou explicar a Rin.

– E como exatamente você faria isso? Que tipo de poder você tem? Não vai me dar nenhuma poção, vai?! – Um sorriso escapou pelos lábios do youkai e Sesshoumaru apenas exclamou um “humpf”.

– Eu sou um youkai de poderes psíquicos, Rin-sama. Posso confundir a mente de um youkai e fazer com que ele mesmo se mate. Como também posso fazer com que ele cheire uma rosa e saia dançando. – Ele tentou falar na linguagem que ela entendesse e ela entendeu porque abriu um enorme sorriso ao imaginar Sesshoumaru fazendo o que ele dissera por ultimo. – Assim sendo, eu pretendo entrar no consciente desta criança e bloquear o uso de sua energia sinistra, mas não por muito tempo. Isso é apenas uma técnica usada para inutilizar um youkai em batalha e não acarreta em mal algum. O feto continua desenvolvendo-se normalmente.

Ela pareceu analisar a situação e as palavras do youkai atentamente depois de alguns momentos de silêncio, ela resolveu se pronunciar.

– Se Sesshoumaru concorda com isto... – Ele continuou a olhando e ela sabia muito bem que aquilo era um sim. – Não vou me opor.

– Então, por favor, Rin-sama. Sente-se e não fique preocupada ou mesmo nervosa. – Ela respirou fundo, enquanto ele se aproximava. – Com sua licença.

Yosuke colocou a mão sobre a barriga de Rin que se sentiu desconfortável com aquilo, mas ele não havia feito algo a mais, apenas fechou os olhos para conhecer o feto e abriu um sorriso de lado.

– Ele é forte, por isso a machuca tanto. – Aquelas palavras fizeram Rin abriu um enorme sorriso e Sesshoumaru sorrir discretamente.

Então Yosuke começou um processo de concentração maior e arrastou o dedo indicador e o médio até a esquerda da barriga de Rin, bem próximo a seu quadril. A humana pode sentir que ele encontrará a mente de sua criança e todas as dores que sentia naquele momento pararam.

Ela ficou espantada. Boquiaberta. Como aquilo poderia acontecer? O poder dos youkais era algo surpreendente.

– Yosuke... Eu não... Sinto nada. – Ela disse sem acreditar.

– Sim senhora e nem sentirá por algum tempo.

– Quanto tempo. – Perguntou Sesshoumaru.

– O tempo normal seria por dois meses, mas não sei como será com esta criança.

– Yosuke muito obrigada. – Disse Rin realmente agradecida.

– Estou a seus serviços Rin-sama. – Ele disse a reverenciando.

– É uma pena que vai a guerra, pois eu o escolheria como meu empregado pessoal, assim não sentiria mais incomodo algum. – Ambos sorriram e Sesshoumaru ficou sério.

– Caso sinta alguma dor, ou mesmo coisa pior tenha em mente que não é somente isto que a fere. O veneno que a criança desenvolve também.

– Entendo. – Disse Sesshoumaru. Rin fez uma cara de confusão, afinal o veneno não corria dentro da criança?

– Por exemplo, Akiyo caiu desmaiada, após balançar-se compulsivamente outro dia. Ainda não sei ao certo o que foi, pois a empregada que viu a cena ficou em choque. O que consegui extrair de sua mente foi a forma como ela ficou paralisada e tremia para depois desmaiar. Parecia que havia levado um choque. Assim como as crianças humanas chutam a barriga de suas mães, as crianças youkais também fazem isso, só que com pequeníssima parcela de seus poderes. Que a nossos olhos são parcelas inúteis. Pesquisei muito sobre o assunto e descobri que em algumas raríssimas vezes cargas maiores de poder podem ser liberadas. Porque afinal são crianças, não sabem e nem podem usar seus poderes a um nível tão alto.

– Esta criança... – Disse Sesshoumaru.

– Provavelmente. – Confirmou Yosuke.

– Então por isso às vezes passo tão mal a ponto de achar que vou morrer. – Rin concluía.

– Provavelmente. Mas logo passará Rin-sama, não demorará muito até esta criança nascer.

Ela sorriu.

– É mesmo. Logo ele irá nascer.



Depois de caminhar lentamente admirando o céu, Akiyo chegou até sua antiga casa. Respirou fundo e olhou atentamente para a porta que antes tinha livre acesso a entrada. Pensou nas palavras de Raiden ao dizer que não mais a queria por perto e a dor a fez querer voltar, mas algo muito maior a deu coragem para seguir em frente.

Chegou até a porta, onde bateu e foi recebida por sua antiga empregada Seiko, que a cumprimentou como se fossem ainda senhora e serva.

– Por favor, Akiyo-sama entre. – Disse a empregada.

– Obrigada. – Disse a menina.

– O que a senhora deseja?

– Gostaria de falar com Raiden. Ele está?

– Sim senhora. Irei avisar que a senhora está aqui.

– Obrigada Seiko.

A humana se sentou e passou a mão sobre o sofá. Teve lembranças maravilhosas e dolorosas invadindo sua mente e que a fizeram querer chorar mais uma vez. Mesmo que ali não fosse mais sua casa, poderia ver um pouco de si na decoração, mas era muito pouco. Nobuko havia mudado muita coisa.

– Akiyo-sama? – A humana dirigiu o olhar até a voz que chamara. – Ele a espera na sala de negócios. Eu a levarei até lá.

As duas chegaram até a sala de negócios e ao baterem a porta, ouviram a voz do youkai mandar entrar. Quando a humana entrou na sala, sem muitos rodeios ele decidiu acabar de uma vez com aquilo.

– O que quer aqui. – Sua voz era fria e muito dura.

– Eu apenas queria saber como está e dizer que estou muito triste por ter que partir. – Ela foi direta também, mas sua voz era doce com ele.

– Se era só isso, pode se retirar. – Era sempre assim, sempre a queria longe de si.

– Raiden, você não tem a curiosidade de saber nem mesmo como seu filho está? – Ela perguntou um pouco magoada.

– Não existe nada que me ligue a você Akiyo.

Os olhos da moça arderam pelas lágrimas. Ele se levantou e foi ate a janela, detestava quando ela começava a chorar.

A humana andou em direção a ele e parou a suas costas. Ele se virou e ambos se encararam por um bom tempo até que ela o abraçou fortemente.

– Raiden, eu te amo. – Algumas lágrimas escaparam.

– Mesmo depois destes quatro meses, ainda insiste em viver a mentira de um sentimento. – Ele olhava para frente. Seus braços estavam nas laterais do corpo. Não se importava mesmo com a humana.

– Não é mentira e você sabe que eu o amo, não quero que você vá. Não quero que tenha que partir. Quero que fique por perto. Quero que fique perto de mim. – As lágrimas quentes já não deixavam que ela controlasse seu tom de voz.

– Suas palavras são inúteis, não irão me comover.

Ela o abraçou ainda mais forte e ele não correspondeu. Sendo assim ela o olhou nos olhos e selou seus lábios aos do youkai, que permaneceu da mesma maneira em que estava. De olhos abertos, mirando um ponto fixo a sua frente.

– Raiden?- Uma doce voz se fez notar e Akiyo instantaneamente olhou para trás. Notou a mulher que chamara pelo nome do youkai e não pode deixar de ficar completamente surpresa com o que vira. — Akiyo?!

A humana de cabelos lisos espantou-se ao reparar nos olhos cor de mel que a encaravam com surpresa. Nobuko estava completamente nervosa. Nunca aparecia quando as visitas de Raiden estavam em casa e conseguira se esconder durante estes quatro meses, mas tinha de ser com ela. Tinha de ser justo ela a descobrir. O espanto nos olhos de mel não negava a constatação dos fatos.

Era absurdo, era inaceitável. Era tão impossível a seus olhos que as palavras de fugiram a mente. Piscou várias vezes, mas ainda não acreditava.

– Não posso acreditar... Nobuko você... Nobuko você está grávida!


Notas finais
Parece que a Akiyo descobriu o segredinho de Nobuko e Raiden. E a Rin, hein?! Será que terá outra visão de Yosuke a partir de agora?
Beijo e até a próxima.
Obs.: Teremos outro confronto em breve.