Minha Doce Menina.

89 A dor de um amor.


Notas iniciais
Eu sei que sou a pior autora do mundo! Mil desculpas! Mas agora o capítulo está aqui. Espero que vocês gostem e que sintam tudo o que eu senti quando estava escrevendo.

Boa leitura.

Sofrer sempre levou o ser humano a desapreciar tudo a seu redor. Era como se somente a sua dor tivesse vida, tivesse cor e mesmo as mais belas paisagens não lhe eram capaz de fazer sorrir. Sentia-se completamente mal.

Ele estava a suas costas, apenas observando-a e temendo o que estava por vir. Mas aquilo era o melhor a ser feito e mediante toda aquela situação ele não poderia voltar atrás. Sentiu o cheiro de mais uma das inúmeras lágrimas que molhavam seu rosto rosto rolar e entendeu que já era o momento.

– Nobuko. — A voz do youkai chamou e ela continuou a olhar para o nada.

– Sim.

– Arrrume-se e me encontre na sala. Precisaremos sair.

– Está bem. — Ela disse simplesmente, sua voz estava longe assim como seus pensamentos.

Longos minutos se passaram e ela enfim desceu. Estava com os cabelos lisos soltos e vestia um quimono rosa. Ao pôr os olhos nela, Raiden sentiu seu coração apertar. Parecia-lhe tão doce e meiga, mas a dor a estava castigando violentamente.

Ele se aproximou dela e a pegou no colo, para que chegassem a seu destino mais rápido. Ela reconheceu o lugar quando ele a colocou no chão e ela enfim pôde enxergar com clareza.

Fazia muito tempo que não ia aquele local e uma lembrança dolorosa a atingiu. Foi ali que ela e Raiden conversaram pela primeira vez quando se juntaram e foi ali que ela sentiu a saudade de Yosuke lhe apertar o peito.

– Este lugar lhe trans muitas lembranças? — Ele perguntou, um pouco atrás dela.

– Sim. — Disse simplesmente.

– Lembranças boas ou ruins?

– Lembranças dolorosas. — Ela se sentou no banco que ficava em baixo da cerejeira e olhou o rio que ali passava calmamente.

– Quero que me diga tudo o que sente. Sem ocultar algo.

– Como assim o que sinto?

– Quero que diga tudo o que pensa e o que sente quando o nome Yosuke lhe vem a mente.

Ela não entendia o porquê daquilo, muito menos o que pretendia fazer, mas ele sim. Era necessário, para que a solução pudesse ser alcançada.

– Yosuke... — Ela levantou os olhos e estes brilhavam. — Quando penso nele, meu coração parece não caber no peito. Algo dentro de mim se move de tal forma que me deixa completamente nervosa e sem saber o que fazer. Seus olhos cinza me hipnotizam e me levam a crer que ele só pode ser um anjo. Mas porquê este lindo anjo partiu meu coração? — Agora os lindos olhos castanhos da mulher perderam o brilho. — Quando sinto algo por Yosuke, Raiden, desejo não ter sentido. Você nunca poderá imaginar o quanto eu fiquei feliz quando me declarei e ele me beijou. Quando me pediu em casamento, quando me tocou pela primeira vez...

– Nobuko...

– Não Raiden! — Ela se exaltou. Os olhos inundados pelas lágrimas. — Agora eu quero falar. Eu tive tanto medo, eu fiquei tão apreensiva. Eu ensaiei inúmeras vezes as palavras e quando ele pôs os olhos em mim eu comecei a falar sem parar. Eu repetia que o amava para que ele entendesse que não era uma simples paixão, mas ele não entendeu. — A voz de Nobuko falhou naquele momento, pois ela começou a chorar. — Uma vez ele fez amor comigo. Uma única vez e sabe porquê?! Porque todas as tardes ele fazia amor incansavelmente com Akiyo. E imagine que desta unica noite de amor, Kenichi foi gerado. Ele ia me deixar assim que você voltasse e descobrisse, mas nunca imaginou que teria um compromisso eterno comigo. Agora me diga o porquê de tudo isso Raiden?! O que eu fiz de errado? O que eu tenho de errado para ele nunca ter me amado? Para não querer estar comigo? Para ter me deixado?

– Acredite, minha querida. Você não tem nada de errado.

– Tenho sim! Tenho sim porque eu fui incapaz de fazê-lo me amar. Eu preferia que ele tivesse me negado, que não tivesse aceitado minhas palavras de amor a me magoar deste jeito.

– Você o ama ainda mais do que amava antes. — O youkai analisou com pesar.

– E como se não bastasse me ignorar, passar por cima de todos os meus sentimentos, me trair, ele descobre que eu estou grávida. A mulher que ele tanto desprezou carregava seu primeiro filho e a proximidade que isto nos trouxe machucou ainda mais. Porque eu tinha de suportar vê-lo pensando em Akiyo, se preocupando com ela quando deveria ser eu quem ele deveria amar. — Ela soluçou alto. — Seis anos de falsas esperanças, ilusões, mentiras e mesmo assim eu ainda o amo de um jeito que não posso mensurar, enquanto ele só fez me magoar.

– Eu nunca tive esta intenção Nobuko. — Ao ouvir o som daquela voz, Nobuko sentiu todo seu ser paralisar. Olhou para Raiden que tinha os olhos fixos nela e no mesmo instante se levantou e virou-se para trás. Ele a olhava seriamente, como se analisasse o profundo do seu ser.

– O que está acontecendo Raiden? — Ela perguntou agora nervosa, por pensar em qual parte de sua conversa ele começou a ouvir.

– A marca que Yosuke lhe deu está reagindo a você, como ele lhe deu somente ele pode tirar. — O youkai relâmpago respondeu.

– E é isso o que você quer Yosuke? Retirar a minha marca? — Ela perguntou séria.

– Sim. — Instantaneamente a dor aumentou. — Eu vou retirar minha marca de seu corpo, pois não é você a fêmea que amo.

Era indescritível a sensação que a tomou. Como se houvesse sido golpeada, a marca em seu ombro começou a sangrar e as pernas da humana bambearam. Ela caiu de joelhos e tentava respirar, pois até isto em seu corpo foi afetado.

– Yosuke... — Raiden tentou alertá-lo.

– Você precisa entender que eu nunca te amei, que nunca desejei viver ao seu lado e que não pretendo fazer isto novamente. Esta marca foi um erro assim como nosso relacionamento.

A dor na humana apenas piorou e ela sentiu todo o seu ser reagir aquelas palavras. Era como se algo dentro de si quisesse sair, mas estivesse em constante luta contra aquele que queria segurá-lo.

– Deste jeito você vai matá-la.

– Ela precisa entender que não a quero, Raiden.

O youkai se aproximou de sua antiga esposa e tocou seu ombro esquerdo da mesma maneira que havia tocado quando a marcou. Deixou que as cinco garras perfurassem sua pele e retirou. A mesma luz que a testou estava saindo agora. A dor era insuportável e ela já estava perdendo a consciência quando um fio de luz passou por seu rosto e a levou para a escuridão de vez.

*

Caminhava por um lindo jardim, com a estranha sensação de que já havia passado por ali antes. Como não se lembrava quando, resolveu deixar sua desconfiança de lado e voltou a caminhar.

Era um jardim imenso com lindas flores que perfumavam todo o local. Um caminho havia sido feito e era por ele que ela andava, até que sentiu alguém tocar seu braço. Virou-se para trás e o susto foi inevitável.

– Mas o que você...

– Shiiii... — Ele disse colocando dedo indicador sobre os lábios da mulher. — Lembra-se de quando nos encontramos aqui antes? Você estava confusa e tinha a sensação de que se esquecia de alguma coisa, mas parece que se lembra agora.

– Eu acho que não...

– Não diga nada, apenas me beije... — E Akira, o irmão mais velho de Akiyo, aproximou-se de seu rosto para beijá-la. Ela o impediu e deu-lhe as costas.

– O que você está tentando fazer? Terminou comigo e agora pensa em voltar. Não é tão simples assim. Eu sou casada, tenho um filho.

– Você era casada. Não se lembra que ele a deixou?

– Ele não me deixou, ele apenas...

– Ele pode até não ter te deixado, mas permitiu que você vivesse sua vida com outra pessoa. Nós nos amávamos tanto... Porquê não se entrega a mim? O que aconteceu com seu coração.

– Ele não pertence a você. — Ela disse firme. — Mesmo sofrendo, eu o amo Akira e sempre vou amar Yosuke.

Naquele mesmo instante, todo o cenário se desfez e a mesma luz que a testou para que se apossasse de seu corpo agora estava a sua frente.

– Mais uma vez provou o seu amor a Yosuke mediante uma nova oportunidade de viver uma vida ao lado de alguém que um dia seu coração pertenceu. Você é merecedora de minha presença, Nobuko.

– Mas de que adianta isto agora? Yosuke não mais quer isto.

– Você foi uma mulher forte. Mesmo depois de tudo o que passou ainda assume amar aquele que não pretende amá-la. Yosuke não quer que eu faça parte de seu corpo agora, mas seu amor por ele não me permite sair. Por isto e somente por isto me unirei a seus sentimentos e lutarei contra a tentativa de me retirar daqui, mas isto pode ser um preço muito alto a ser pago.

– Que preço? — Ela perguntou.

– A morte. — Ela arregalou os olhos. — Unir-me a seu corpo e lutar contra aquele a quem pertenço exige muito do hospedeiro. Se eu sair você morre e se eu ficar você tem chances de morrer. O que me diz Nobuko? Você vai lutar? — Ela abriu os lábios para responder, mas a maca a impediu. — Antes, quero que veja se realmente vale a pena.

E então começou a grande retrospectiva de sua vida ali a frente. O momento em que viu Yosuke pela primeira vez, quando ficou a seus cuidados, quando descobriu que o amava, quando fizeram amor pela primeira vez, quando descobriu a traição, quando descobriu a gestação, como ele cuidava dela enquanto gerava seu filho, quando estava prestes a dar a luz e ele segurou sua mão e sorriu.

Viu quando ele começou a viajar para encontrar Akiyo e a deixar com saudades por ficar dias sem vê-lo. E viu até pouco tempo, as palavras que ele usara e que tanto a machucaram.

– Tem certeza de que ainda quer que eu permaneça? — A marca perguntou.

– Sim. Se é para morrer, quero morrer o amando. — E então a luz a atingiu novamente e ela recuperou a consciência.

*

Ao realizar tal coisa, entendeu porque aquilo poderia matá-la. Era exigir demais de um corpo humano.

Um filete de sangue escorreu por sua boca, os olhos estavam pesados e tudo a sua volta parecia girar, mas ela tinha que lutar contra si mesma se quisesse sobreviver.

Ele já havia conseguido retirar uma pequena parte, mas de repente uma força maior começou a puxá-la para dentro. A confusão passou por sua mente e logo a solução também.

– O que está acontecendo? — Perguntou Raiden se aproximando.

– Ela está lutando para que eu não consiga realizar o processo de desmarcação.

– Pare com isto agora. Você vai matá-la.

– Se a marca voltar, ela também terá chances de morrer.

– Pare com isto agora! — Raiden se exaltou. — Ela vai morrer!

– Não... — A voz fraca da humana foi ouvida. — Continue... Tentando...

Os minutos se passaram e ele não conseguia. O corpo imóvel de Nobuko começava agora a ficar frio. Os batimentos cardíacos começavam a diminuir e seus olhos, aqueles seus lindos olhos perderam seu brilho.

– Yosuke... Você vai matá-la...

– Eu tenho que continuar.

Até que um longo suspiro foi dado. Raiden arregalou os olhos e correu na direção de Yosuke. Segurou sua mão para que ele parasse, mas de nada adiantava.

– Pare! — Os olhos do youkai já estavam completamente vermelhos.

– Não posso parar agora.

– Então eu vou ter de interferir. — No mesmo instante uma onde eletrica passou do corpo de Raiden para o de Yosuke através do toque de sua mão, fazendo com que o youkai soltasse a marca e esta voltasse ao corpo da humana.

Nobuko sentiu a volta, pois o baque foi grande. O corpo já sem forças pendeu a frente e ela sentiu toda a energia de seu ser esvair. Logo os olhos fecharam e uma voz pôde ser ouvida.

– Parabéns Nobuko. Nós conseguimos. — Um sorriso fraco saiu dos lábios da humana para depois sumir.

Antes que tocasse o chão, Yosuke a amparou e virou-a de frente para si. Embora estivesse daquela maneira, seu rosto estava em paz. Ele sentiu seu coração pulsar mais forte e a marca que ela possuía também.

– Você foi longe demais. — Disse Raiden já controlado.

– Não queria ter lhe dito todas aquelas palavras, mas eu precisava saber o quanto eu tinha poder sobre ela. — Ele disse limpando o rosto da mulher.

– Ela acreditou e agora veja o resultado.

Ele não tirava os olhos da humana, acariciava seus cabelos e teve vontade de ir mais além.

– Você realmente me ama apesar de tudo.

– Nenhuma outra fêmea lhe dará o amor que ela lhe deu Yosuke. Nenhuma outra fêmea será capaz de amá-lo como ela o amou.

– Eu sei Raiden e a única coisa que posso fazer agora é acreditar que este amor que ela nutre por mim, não vai deixá-la morrer.

Ele continuava olhando aquele rosto e sentia vontade de levá-la para casa, cuidar de suas feridas até que ela se recuperasse, assim como fez no dia em que Kagura a lançou em direção a árvore.

Mas desta vez era diferente. Ele mesmo a destinara a morte.

Notas finais
Será que o amor é capaz de fazer alguém viver? Mesmo este amor não sendo correspondido, sendo negado e oprimido?

Beijo e até a próxima.