Notas iniciais
Olá!
Tudo bem com vocês?
Ai está mais um capítulo!!
Espero que gostem, mais tarde respondo os reviews de vocês ok? Não entrem em pânico! kkkk
No finzinho do capítulo, vai ter o link da... O link de um vídeo u-u vejam pra vocês entenderem como o Fred e a Marcy (...) < ~le eu tentando não dar spoiler! kkkkkk
Boa leitura, e feliz ano novo pra todos vocês!! (:

— Mas diferente da Lucy, eu... Reconheço as pessoas às vezes, sei lá, não fico em só um dia. Às vezes percebo que passaram vários e vários, mas não me lembro de nada que aconteceu neles.

Estávamos na mesma conversa legal e animada. Parecia que nós dois, eu e Marcy, nos conhecíamos há bastante tempo. Tínhamos vários gostos em comum. Estávamos sentados na grama, e era de tarde. Já tínhamos almoçado um refeição incrivelmente saudável, muito pro meu gosto.

— Então, me diga – perguntei pra ela – há quantos dias você está aqui?

— Hum... – ela pensou, pensou e pensou – Uns... Acho que um ano mais ou menos.

— Um ano? Um ano inteiro nesse lugar? Nessa rotina monótona?

— Ah, às vezes chove. E a gente fica naquela quadra coberta. Escutando música.

— Será que eu vou ficar aqui todo esse tempo também?

— Ai depende do que você fez... Porque está aqui?

Não, eu não gostava de lembrar de tudo. Anthony, Claire, a loucura naquele banheiro, a traição de todos... Mas parecia um bom momento pra desabafar. Contei para Mary tudo: o dia que eu conheci a Claire, o dia da noite do pijama, as brigas com Anthony, e muitas de minhas loucuras. Depois de ouvir toda a minha história, ela não parecia surpresa nem nada.

— Você praticamente matou o garoto? Então desconfio que ficarás um bom tempo aqui hein! – Ela falou, colocando a mão no meu ombro.

— Ah, mas aqui tem bastante gente legal não é? Não será tão difícil aturar esse manicômio – Falei, olhando pros bancos onde os pacientes sentavam.

— É, e até que enfim chegou alguém que pode ser meu amigo, – ela falou – eu quase nunca converso com ninguém.

— Por que não? – Senti um pouco de pena dela.

— Você sabe neh? Eu me esqueço das pessoas, das conversas, acabo falando sempre sobre os mesmos assuntos com elas...

— Não fica assim não, eu vou conversar contigo. Todo dia – falei, colocando minha mão no ombro dela. Ela apertou minha mão e deu um sorriso.

***

Todos arrumados em fila para entrarem nos determinados quartos. O sol estava começando a se pôr. Como sempre, um guarda chamava os pacientes e os ajeitava na fila, enquanto outro vigiava os que já estavam nela.

Esse guarda passou do meu lado, e eu o reconheci: era aquele que disse pra mim falar com ele as 19 horas. Que horas eram agora?

— Se você quiser fugir – disse o guarda, cochichando no meu ouvido – pegue este celular e ligue para o único número da agenda.

Ele disfarçadamente colocou um celular na minha mão. Quando ele se afastou, guardei o celular para que ninguém visse. Não perguntem onde eu guardei.

A fila começou a andar, e eu cheguei no meu quarto. Trancaram a porta e eu deitei na cama. O dia tinha sido bom, divertido até, com as conversas legais com a Marcy. Será que ela esqueceria de mim de novo?

Logo peguei o celular e procurei a agenda. Era um modelo bem velho, estilo tijolão. E só havia um número na agenda mesmo, o nome era “Fuga”. Disquei, e coloquei o tijolo no ouvido. Chamou uma... Duas... Três vezes... E alguém atendeu.

— Alô?

— É... Alô? – Falei de volta.

— Alô.

A voz era de um homem velho. Eu não sabia o que dizer. Será que era uma pegadinha?

— Senhor, é, bem, me deram esse telefone e...

— Ligue amanhã e no horário certo!

E ele desligou. Porcaria.

Devia ter dito logo que queria fugir de um manicômio. Mas... Para quem eu tinha ligado? Esse alguém seria capaz de me tirar daqui mesmo?

Fiquei acordado por mais um bom tempo. Serviram um jantar (um miojo vagabundo) e assim que terminei de comer, deitei novamente. Devagar, eu caí no sono.

***

- Marcy? – Eu vi a garota entrando no meu quarto – Você não pode entrar aqui!

— Posso sim!

Ela disse isso e pulou em cima de mim. Ela estava diferente, mais baixa, loira... Parecia até a...

— É que eu amo você Fred, demais demais – Ela disse, esfregando a cabeça no meu peito.

— Você vai me trocar mesmo Fred? Na minha frente? – Uma outra garota disse. Era Claire. Estava de pé do lado da cama.

Não, eu não podia trocar ela daquele jeito. Mesmo com tudo que ela fez... Ela começou a chorar e chegou a ficar de joelhos.

— Por favor Fred, eu ainda te amo muito!

***

Fazia tempos que eu não sonhava. E aquele, tinha sido um pouco bizarro... E perturbador. Graças aos céus, um sinal tocou e eu acordei. Esse sinal sempre tocava de manhã, para que todos acordassem. Me olhei no espelho. Eu estava... Horrível. Meus olhos estavam um tanto vermelhos, não penteei o cabelo nem uma vez nesses últimos dias e estava bastante magro. Escovei os dentes, e ouvi um barulho lá fora.

Parecia que estavam jogando pedras na janela. Olhei por ela, e estavam caindo mesmo diamantes do céu. Diamantes brilhantes que reluziam ao Sol. Só 5 minutos depois percebi que não havia Sol, e que era só uma chuva.

Serviram o café, e eu tomei com bastante gosto. Estava com fome. Quantos dias eu ficaria ali? Marcy estava ali há 1 ano só por ser esquecida daquele jeito. Segundo os meus cálculos, eu ficaria uns 9 anos ou mais.

Peguei o celular que eu tinha deixado de baixo do travesseiro. Tentaria ligar de novo mais tarde. “Ligue amanhã e no horário certo!” o velho tinha dito. Qual é o horário certo? Não pensei muito naquilo, pois a porta do quarto logo abriu e um guarda me chamou para fora. Como sempre, para me posicionar na fila e ir lá fora.

Não demorou muito para o guarda que havia me entregue o celular passasse do meu lado. Sussurrei baixinho:

— Qual é o horário certo?

— 23 horas, quando as luzes lá fora apagam – Ele falou, e continuou andando.

No primeiro dia, não estava conseguindo dormir, e uma hora as luzes lá de fora apagaram. Devia ser exatamente nessa hora.

A fila começou a andar. Só que tomamos um caminho diferente, e ao invés de irmos para fora, fomos para dentro da quadra coberta. O chão era de madeira, as paredes eram azuis e haviam várias luzes. Mas não havia uma grande mesa como lá fora, e sim mesinhas individuais de plástico. Como um restaurante, embora só metade da quadra tivesse aquelas mesinhas.

Sentei em uma e fiquei observando os outros pacientes. Todos sentavam às mesas devagar. Um velho ficou de pé, parecia caçar alguma coisa com uma arma invisível. E pela primeira vez reparei numa mulher com o cabelo igual ao de Marilyn Monroe.

— Oi gatinho, como você vai? – Uma mulher sentou à minha mesa. Era aquela tarada.

— Ah... Vou bem e você?

— Melhorando a cada dia. Que chuva boa não é?

— Sim... Muito... – Falei, procurando por Marcy.

— Eu adoro fazer certas coisas na chuva sabe? Um dia eu e meu...

— Depois nos falamos ok? – Disse pra ela, levantando. Tinha visto Marcy sentada numa mesa sozinha.

— Ok, tudo bem – Ela falou, e não sei de onde tirou uma revista e começou a lê-la.

Andei até a mesa dela. Parecia deprimida.

— Oi Marcy – Falei, pegando uma cadeira e sentando-me.

— É... Oi.

— Você lembra-se de mim? Fred? – Perguntei olhando nos olhos dela.

— Hum... É... Desculpa, mas...

— Tudo bem. Eu falei contigo ontem, e você me falou que não lembra das coisas. Conversamos bastante, como grandes amigos.

Ela ficou olhando pra mim, como se não acreditasse. Mas logo mudou de expressão.

— Verdade? Desculpa, é que eu tenho esse problema de memória e...

-Tudo bem, tudo bem, não esquenta – Falei, sorrindo pra ela.

Começamos a conversar, mas a conversa não durava. Ela não confiava em mim, parecia não acreditar que eu já a conhecia. Mas não, eu não ia perder a única amiga que eu tinha aqui.

Quando ficamos em silêncio pela vigésima vez, escutei uma valsa tocando. Vi que aquele velho que tinha um rádio de algum jeito, conectou o rádio a umas caixas de som potentes que estavam por ali.

— A maioria das pessoas pode achar brega, mas eu gosto de dançar uma valsa – disse pra ela.

— Eu também, mas não danço muito bem...

Até que uma ideia me passou pela cabeça.

— Você quer dançar?

Ela me olhou estranho, mas não conseguiu recusar. Sorriu, e fomos para a parte da quadra onde não havia mesinhas. Ficamos um de frente pro outro, nos olhando. A música tinha acabado, e esperávamos a próxima.

Até que um riff antigo de guitarra tocou. A música que veio me pegou de surpresa, mas é claro que eu dançaria do mesmo jeito.

Marcy riu quando a música começou a tocar, mas logo começou a se mexer. Logo, nós dois estávamos dançando juntos e perfeitamente. Uma cena digna de Tarantino.

***

O dia tinha sido muito bom. Dançar com Mary tinha sido muito bom, e depois da dança conversamos normalmente, do jeito legal de sempre. Rimos muito. Não conseguia tirar ela da cabeça, o jeitinho estranho e louco dela, o sorriso, o cabelo, o carisma...

Não, eu não podia me apaixonar. E Claire? Ela tinha me traído legal, mas eu não me sentia a vontade pra...

As luzes apagaram. Peguei o telefone de baixo do travesseiro e disquei o único número da agenda.

Chamou três vezes, e o velho atendeu. Não tive tempo de falar alô. Ele só disse uma única frase, e desligou o telefone:

— Deixa as mágoas para trás, ô rapaz!