Minha Doce Loucura

18 Loucura Pouca é Bobagem


Notas iniciais
OLÁ leitores!
Tudo bem com vocês?
Bem, aí está o capítulo novo!!!
Ele é dedicado à Kathy Tets, a fofa da leitora nova :333
Espero que gostem
Boa leitura!

Eu estava maluco mesmo. Quem em sã consciência faria aquilo que eu fiz?

Agora, eu estava lá, numa cama de hospital. Assistindo aquele canal divertidíssimo de noticiários.

Vocês provavelmente devem estar se perguntando o que aconteceu. Bem, foi o seguinte:

Eu peguei o alicate e me tranquei no banheiro para arrancar de vez meu aparelho. Incomodava um tanto e já estava me enchendo o saco, o aparelho. Já estava chegando no tempo de tirar mesmo, não faria tanta diferença.

Com força, comecei a puxar os aramezinhos entre os quadrados grudados nos dentes. Mas aqueles arames não estavam querendo sair, de jeito nenhum. Então vi que os elastiquinhos coloridos impediam o arame de sair. E com uma pinça, comecei a tirar os elásticos um por um.

Agora sim, podia retirar os arames. Abri bastante a boca e vi uma coisa nela. Dentro dela, em cima da língua haviam vários bichinhos verdes, roxos, bichinhos muito loucos e que deviam me incomodar. Mas não me incomodei, e resolvi continuar retirando o arame.

Tirei todo aquele araminho. Meus dentes já estavam um tanto doídos, de tanto puxar puxar e puxar toda aquela parafernalha que os dentistas fazem. Agora só faltavam os quadradinhos, que eram colados nos dentes.

Tentei puxar o da frente, mas não saía de jeito nenhum. Puxei para cima, para baixo, pros lados, tentei torçer, mas aquilo parecia já fazer parte do dente, de tão colado que estava. Consegui mover aquele quadradinho só alguns milímetros e olhe lá.

O que eu faria agora? Não conseguiria tirar todos os quadradinhos, e deixar assim era feio demais.

— Use algo para fazer os quadradinhos deslizarem! – disse algo do meu lado.

Uma loucura, com certeza. Do meu lado, estava um cachorro azul. Falante.

— É sério! Jogue algo que faça a cola descolar! – disse o cachorrinho.

Tentei não dar bola, mas aquela até que não era uma má ideia. Eu podia pegar algo como... Água, que faria os quadradinhos soltarem. Mas o que poderia pegar? Com água eles não soltavam...

— Fred! – o cão latiu.

— O que?

— Use mercúrio!

— Mercúrio? Aquele líquido vermelhinho que fica nos termômetros?

— Esse mesmo! Um passarinho verde me contou que ele tem a habilidade de fazer as coisas se soltarem – o cachorro parecia feliz em poder dizer aquilo; em poder me ajudar.

Eu não tinha outra opção não é?

Saí daquele banheiro e perguntei para Richard (que estava assistindo televisão. Um canal de filmes, onde estava passando o filme Ulisses, o Cozinheiro Dançarino) se ele tinha algum termômetro. Ele disse que na gaveta do armário da cozinha tinha um. Fui até lá, abri todas as gavetas e encontrei dois termômetros na última que abri, em baixo de um monte de papéis.

Peguei os dois termômetros e um copo, e me tranquei no banheiro de novo. Lá dentro, dei um jeito de quebrar os dois e deixar o mercúrio dentro do copo. Não tinha muito mercúrio, só um tiquinho, mesmo os dois misturados. Mas tinha de dar.

Virei um pouquinho do mercúrio na boca, e fiz ele passar em todos os meus dentes. Tinha um gosto meio enjoado... Mais precisamente, suco de uva estragado, se tivesse sido feito em 1415 e o prazo de validade fosse até 1430. E eu estava bebendo aquilo agora, em pleno século 21.

Mas era bom, podia me acostumar a tomar aquilo. E podia me acostumar com a irritação na boca que aquilo me deu também.

Meus dentes estavam vermelhos, e eu tentei puxar os quadradinhos de novo. O primeiro deslizou mais facilmente, e consegui retirá-lo. Tentei o do lado, e já estava mais dificil. Deslizei com ele só um pouquinho, até não conseguir mais.

Tomei mais um pouquinho do mercúrio. Tinha de aproveitar bem, afinal pelos meus cálculos só havia mais um gole de mercúrio. Passei o elemento nos dentes e senti aquele gosto novamente. Tentei soltar o quadradinho novamente, e ele deslizou só um pouco e quase saiu, só faltaram alguns milímetros.

Bebi o que era o último gole de mercúrio, e minha boca começou a arder mesmo. Já estava ardendo antes, mas agora estava latejando de dor. Tentei destrancar a porta do banheiro, mas no ato, de algum jeito, bati a cabeça na porta e cai de bunda no chão.

O resultado de tudo isso?

Agora, eu estava lá, numa cama de hospital. Assistindo aquele canal divertidíssimo de noticiários.

Segundo o médico, eu não tinha “me quebrado” por causa da queda, nem nada. Ele disse para mim exatamente isso: “Geralmente quem foi intoxicado pelo mercúrio pode apresentar sintomas como dor de estômago, diarreia, tremores, depressão, ansiedade, gosto de metal na boca, dentes moles com inflamação e sangramento na gengiva, insônia, falhas de memória e fraqueza muscular, nervosismo, mudanças de humor, agressividade, dificuldade de prestar atenção e até demência. Mas pode contaminar-se também através de ingestão. No sistema nervoso, o produto tem efeitos desastrosos, podendo dar causa a lesões leves e até à vida vegetativa ou à morte, conforme a concentração”.

Aí é que eu comecei a me assustar. Não por causa da vida vegetativa, depressão ou as outras bobagens. Mas sim por conta do gosto de metal na boca. Eu não tinha sentido esse gosto. Ou melhor, acho que havia sim, mas o gosto de metal não devia ser como eu imaginava. O gosto de metal seria de suco de uva de 1415 estragado?

Eu ainda estava com aquele gosto na boca... Será que iria ficar para sempre? É com isso que eu me preocupo.

Olhei para a televisão e tentei prestar atenção nas noticias.

“A partir de hoje, graças à OMSPCPC — Organização Mundial de Substantivos Próprios Compostos e Pessoais do Caso Reto – o café no mundo todo será conhecido apenas como Café Caro. A organização exigiu que o café tenha apenas um nome em todo o planeta por dois motivos: ele tem/tinha vários nomes (Café Curto; Expresso; Ristretto; Expresso Brasileiro; Expresso Italiano; Café Carioca; Café Longo; Café Americano; Cafezinho; Chafé; Café com Leite; Mocha; Cappuccino; Pingado; Média; Café Cortado; Macchiato; Café com Panna; Café com Chantilly; Café Breve) sendo que todos esses são praticamente a mesma coisa, pois são café. O outro motivo é que todos são caros. Por isso, todos esses tipos de café a partir de hoje serão chamados apenas de ‘Café Caro’.”

Já não bastavam as minhas loucuras.

Provavelmente logo eu sairia desse hospital, afinal o próprio doutor disse que eu não tinha... Me intoxicado tanto com o mercúrio. Logo poderia voltar para a casa do Richard, e continuar... Normal? Normal não.

“Anteontem três protestantes foram detidos na frente da Câmara dos Deputados. Eles protestavam contra o regime que impede que autores escrevam fanfics de bandas e com pessoas reais. ‘Salvem as fanfics de bandas!’ eles diziam ‘escrevemos fanfics, não livros!’. O protesto teve tão poucos participantes porque, afinal, os outros não ligam para...”

— Senhor Fred – disse o médico, entrando no quarto – vamos dar alta para você.

— Mesmo? Pensei que era mais grave ingerir mercúrio – respondi.

— Se você achasse grave não teria ingerido não é mesmo?

— Eu não ingeri, só... Passei nos dentes.

— Onde você viu que passar mercúrio nos dentes é bom? – ele perguntou, sentando na cama.

— Prefiro não comentar – respondi pra ele.

Ele fez uma cara enjoada e me liberou. Aliás, ele antes também havia tirado os quadradinhos dos meus dentes, com uma cola que “você encontra em qualquer farmácia” como ele havia dito.

Richard e Paul estavam me esperando do lado de fora do quarto. Me olharam com cara de “esse Fred é maluco, nunca mais vou pagar lanche pra ele”.

Falando em lanche, no dia seguinte eu já tinha um apelido garantido no colégio.

Fred Mercúrio.

Notas finais
Gostaram?
E eu voltei a responder os reivews de vocês, viram? EEE kkkkkk
ok parei
E vou continuar respondendo ^^
Até mais!