Minha Doce Loucura
5 Algo Mais
Notas iniciais
Enfim, nesse capítulo... Não, não vou dar nem uma introdução, melhor você lerem kkk
Esse capítulo é especialmente dedicado à Rê Lovegood ;3
Boa leitura!
Eu andava... Sei lá, não tem nem adjetivo para isso. Pensando na garota, pronto falei. Ah, o sorriso; ah, os olhos; ah... O animal que ela não tinha.
Estava na aula de filosofia. Eu pessoalmente gostava de filosofia. O professor dessa matéria era um daqueles que não implicavam comigo.
E a aula era muito legal, o professor deixava a gente se sentar onde quisesse, para que conversássemos e “debatêssemos as ideias” como ele dizia. Mas na verdade, quando me sentava junto com os outros garotos, a única coisa que fazíamos era debater o tamanho do bumbum das garotas.
De repente, alguém abriu a porta. Era uma daquelas mulheres da secretaria que não fazem nada. De novo.
- O senhor F... – ela ia chamar o meu nome, mas o professor disse:
- Hey, ninguém pode ir entrando nas salas assim, sem bater!
- O que professor? – a mulher disse, não entendendo.
- Saia, bata na porta, entre e dê o seu recado.
- Ah professor, isso é uma... – e ele a interrompeu de novo.
- Vocês que deviam servir de exemplo para os alunos...
- TUDO BEM, eu faço isso – ela disse irritada. Como eu gostava daquele professor.
Ela saiu e fechou a porta. Bateu lentamente, o professor abriu e ela entrou. Disse bem alto e com ironia ao máximo:
- Bom dia professor, o dia está lindo não? – ela falou.
- Sim, um dia excelente – ele respondeu sorridente – o que deseja?
- Eu gostaria de chamar o senhor Fred Fishman – ela se virou para mim – o diretor quer vê-lo na sua sala.
- Aqui é a minha sala – eu falei.
- Na sala dele, quer dizer. Ah, você já tinha entendido pirralho, vamos de uma vez! – ela gritou.
Me levantei devagar. Dois dias seguidos para a sala do diretor. Que ótimo. Andei até a porta e encarei aquela mulher feia e arrogante. Tinha um sapo atrás dela, bastante adequado aliás.
Saí da sala e ela fechou a porta. “De novo não é senhor Fred? Você nunca vai aprender?”
- Aprender o que?
- A se comportar conforme os outros! A nós, que somos normais.
- Ah, eu tenho certeza que nunca vou aprender a me comportar como um babaca sem cérebro.
- Olha o respeito mocinho! – ela falou, brava.
- Onde? Não vi ele, deve ter passado correndo.
Ela resmungou algo, e continuamos andando até a sala do diretor. O que será que eu havia feito de errado? Isso era importante, eu não havia feito nada de errado de ontem para hoje! Pelo menos, não havia feito nada que eu saiba que é errado.
Chegamos na sala. Entrei na sala careta de sempre. O diretor estava sentado atrás de sua mesa, com o dragão atrás dele. Uma das cadeiras do outro lado da mesa já estava ocupada, mas não me preocupei pra ver quem era. Sentei na outra e olhei para o lado. Era ele: Anthony. Ele ia dizer alguma coisa, mas falei antes com ironia:
- Ah meu Deus, lá vamos nós de novo com mais um capítulo de “Eu Não Fiz Nada, a Culpa É Dele”.
- Mais respeito na minha sala Fred! – disse o diretor e fiquei calado, olhando torto para ele – senhores – ele começou a falar para nós dois – eu quero saber o real motivo da briga de vocês ontem.
- Briga? Nós não brigamos – eu disse.
- Ah, brigamos sim – Anthony disse – ou melhor, você brigou comigo!
Só virei a cabeça e não respondi nada. Era melhor escutar primeiro todas as mentiras dele para depois contar minhas verdades.
- O que aconteceu Anthony? – perguntou o diretor.
- É, o que aconteceu Anthony? – eu repeti, virando para ele e o encarando.
- Eu estava andando tranquilo quando me encontrei com este sujeito aqui presente – “Ah. Meu. Deus. Estamos num tribunal? Exijo meu advogado” pensei, mas não disse, quando um burro fala o outro abaixa a orelha – e comecei a conversar tranquilamente com ele.
- Sobre o que conversavam? – perguntou o diretor.
- Ah... – Anthony hesitou, praticamente se entregando que estava mentindo. Mas o diretor era cego – conversávamos sobre os... Rumos da escola, as eleições para diretor que são esse ano e tudo mais.
- E como o senhor é bonzinho – eu falei para o diretor – vou votar em você, pode contar comigo – eu falei com ironia para o diretor.
- Continue Anthony.
- Então Fred, quer dizer, esse sujeito aqui do meu lado começou com umas acusações contra a minha pessoa, e começou a dizer que ele é algum tipo de “dono” desta escola.
Não dava pra acreditar. Anthony sabia mentir bem, tenho de admitir.
- Olha diretor, não é verdade – eu comecei a falar, mas Anthony me cortou.
- Não é verdade? Meus amigos estão de prova! Ambrósia, vá chamar eles! – ele falou olhando para trás.
Quem era o louco aqui mesmo? Eu não tinha percebido que aquela mulher que havia me trazido estava na sala. E, como assim o nome dela era Ambrósia? Cada vez que eu entrava naquela sala careta escutava nomes estranhos? A mulher saiu, e eu disse ao diretor.
- Professor, se são amigos dele, certamente vão defende-lo.
- É, em parte você...
- E eu também quero minhas testemunhas aqui! – falei.
- Testemunhas o berimbau! – “o berimbau”? Nunca tinha ouvido essa – Você estava sozinho quando começou a falar aquelas bobagens.
Me calei. Nesses casos é sempre melhor ficar calado; pelo menos para mim é.
Logo chegaram dois dos amigos de Anthony, que me cercaram daquele jeito no dia anterior. Eles confirmaram a história e até acrescentaram mais detalhes, como: “Fred nos olhava com fúria e ódio nos olhos, eu conseguia enxergar esse sentimento no fundo da alma dele”, “Tudo o que eu queria era sair dali, as palavras de Fred feriam cada vez mais nossa honra e nossa humilde consciência e também a nossa honra”, e “Sentia que ele ia me dar uma bofetada a qualquer instante, que iria descontar toda a sua raiva em meu corpo que já estava doendo por conta de seus terríveis palavrões”.
Esses caras eram bons na hora de fazer drama. Ah se eu pudesse atuar assim...
- Já posso contar o que realmente aconteceu agora? – eu perguntei.
- Ainda não – disse alguém que entrou pela porta. Era o policial, que havia parado a briga naquele dia. Excelente, ele sabia o que tinha acontecido mesmo.
Ele ficou de pé atrás do diretor, que perguntou:
- Senhor policial – provavelmente, a palavra “senhor” nunca tinha sido usada tantas vezes – é verdade que os jovens usavam uma linguagem extremamente agressiva e inapropriada?
- Sim, é verdade. Quando eu cheguei lá, esse daqui – ele apontou para mim – estava xingando a mãe do outro de... Desse xingamento que é bastante conhecido.
O que eu fiz pra merecer isso? Jesus, vão acabar me crucificando.
- E se não bastasse me xingar e me dar uns tapas que não doeram – disse Anthony – teve uma hora em que eu disse:
“’Ninguém é dono dessa escola, essa escola é do povo!’ e ele respondeu: ‘se essa escola é do povo, eu sou Napoleão!’ e é por isso que ele veio vestido assim hoje!”
- Tapas? Não, a briga não chegou no nível de agressão física – disse o policial. Finalmente um ponto pra mim.
- Mas foi porque você chegou depois! – disse um dos cães, quer dizer, amigos de Anthony. E assim começou um a falar junto com outro, e aquilo virou uma confusão. Até que eu gritei:
- Gente! – e todos se calaram – por que estamos aqui? É só uma briguinha de adolescentes nada de mais! São tantas coisas para serem resolvidas e estamos aqui!
- É... Você tem razão... – disse o diretor.
- Então! – eu me levantei e caminhei lentamente até a porta. Esse era um dos únicos jeitos de sair ileso da sala do diretor – Olha senhor polícia, vai prender bandidos de verdade. Diretor, melhor começar a fazer campanha eleitoral hein? Anthony e “Au-Aus”, a gente se vê por ai. Tenho de voltar pra aula de filosofia, quero saber como o filho de Platão, o Sócrates nasceu.
- Sócrates não era filho de Platão! – disse a mulher Ambrósia, enquanto eu saia.
- Ah sim, e eu sou Napoleão – respondi, saindo da sala.
***
Realmente não sei como eu conseguia sair da sala do diretor assim, mas sempre dava certo desse jeito. Eu ia voltar para a sala, mas olhei no relógio e a aula de filosofia já tinha acabado provavelmente.
Fiquei parado no meio do saguão, pensando no que eu ia fazer. Eu não queria assistir a uma aula chata de história. Depois que a professora Caroline tinha ido embora... Comecei a detestar História.
- Sabe o que você pode fazer? Ir atrás da garota – disse uma voz. Era uma loucura minha, com certeza, pois o saguão estava completamente vazio.
Era uma boa ideia. Mas ela estava em aula provavelmente, e eu não queria incomodar. Se bem que ficar assistindo aula é uma coisa chata as vezes, então decidi procurar a Claire.
Fui andando pelo lado das janelas das salas de aula. Todas as salas tinham janelas, e passei em cada uma olhando os alunos que estavam nelas. Claire parecia nova, devia ser do 1º ano, por isso fui nas salas dos 1ºs.
1º B era a sala dela. Vi ela pela janela, e ela estava... Do mesmo jeito de antes. Linda, e sem nenhum animal a acompanhando. Estava quietinha em sua carteira, quase dormindo e desenhando no caderno. Era uma aula de História. Ah, não me admirava muito ela estar quase dormindo. Fiquei olhando para ela, e tive uma ideia.
Dei a volta naquele bloco, e parei na frente da porta da sala dela. Bati e esperei o professor abrir. Ele abriu, me olhou com uma cara de “o que você está fazendo aqui?” e eu disse:
- Ah, preciso falar com uma aluna.
- Impossível, estamos em horário de aula!
- Mas é urgente! – tentei fazer uma cara que correspondesse à aquilo mas não me sai muito bem. Mesmo assim o professor disse:
- Com quem precisa falar? – ele foi mais pra trás, me dando um espaçinho para olhar os alunos. Vi a garota.
- Com a... Claire – eu disse. Ela fez uma cara de “Hã? Eu?” e se levantou da carteira.
Veio até a porta, saiu da sala e o professor fechou a porta. Ah, não sabia o que dizer para ela.
- O que você quer? – ela perguntou.
“Nada, só queria ficar junto com você alguns instantes de novo” essa era a verdadeira resposta, mas não a usei claro.
- Eu... Estava andando pelo colégio, vi que você estava numa aula muito chata e decidi... tirar você dela – eu falei, com uma mão coçando a cabeça. Ah que ideia ruim. Ela me olhou com uma cara estranha e falou:
- Mas... Eu estava gostando da aula.
- O que?! Droga, eh, desculpe, mas... – e ela começou a rir.
- É brincadeira, a aula estava muito chata mesmo.
- Não me assuste assim! Isso não se faz menina! – eu falei, rindo também.
Andamos juntos pelo colégio. Contei das coisas que haviam acontecido, das brigas com Anthony e tudo mais. Andamos por todos os lados do colégio. Ela tinha uma conversa legal e interessante, e era uma boa ouvinte. Ela também falava bastante, sobre as matérias que gostava, os jogos que jogava, e os desenhos que fazia.
Chegamos na área que ficava atrás do ginásio do colégio. Aquela área era conhecida por ser o lugar dos estudantes... Ficarem. Não que eu quisesse ficar com Claire, mesmo ela sendo linda, tendo aqueles cabelos perfeitos e aqueles lábios carnudos...
Era um lugar que tinha grama e uma árvore não tão grande, mas grande o suficiente para ficar em baixo dela; nos dois sentidos. Claire se sentou na grama perto da árvore, e eu sentei do lado dela.
- Eu gosto tanto de desenhar, é como uma... Terapia pra mim – ela falou, com uma folha de árvore nas mãos.
- Eu também, mas não desenho tão bem – falei. Até que eu desenhava bem, mas não com muita frequência.
- Sério? É tão legal, dá pra expor muito nossos sentimentos e tudo mais...
Ela tirou seu celular do bolso e mostrou algumas fotos de seus desenhos. Jesus, ela desenhava realmente bem. Eram desenhos de todos os tipos, desde histórias em quadrinhos, até desenhos surreais, cheios de cores e sem sentido nenhum.
- Nossa, você desenha bem mesmo! – disse, impressionado.
- Obrigada – ela falou sorrindo.
- Você podia me dar umas aulas não é?
- Por que não? – ela riu.
Fui passando os desenhos até que apareceu um com qual me assustei. Não podia ser. Deixei o celular dela cair, e tremi todo. Não acreditei no que vi. Peguei o celular de novo, olhei novamente o desenho e continuei assustado. Aquele desenho...
- O que aconteceu? – ela perguntou, percebendo que fiquei alterado.
- Como você fez esse desenho? Por quê? Qual a inspiração?
- Eu... Não sei direito. Esse é estranho, só fui desenhando o que vinha na minha cabeça, pura inspiração...
Continuei olhando o desenho. Claire era uma menina... Estranha não, mas especial. Tinha algo mais nela, e eu tinha de saber o que ela tinha, porque com toda certeza, não era uma garota normal. Pois não tinha nenhum animal atrás dela, e ela tinha feito um desenho estranho, que mostrava uma coisa que só eu vi todos os dias: um pavão na frente da minha casa, com números romanos nas penas do rabo.
Notas finais
Ah sim, tem uma mensagem escondida nesses números e eu não vou contar qual é u.u kkk
Vale dizer pra... Não levem muito em conta os detalhes do desenho, ele foi feito hà muito tempo atrás e não especialmente para a fic (assim como os outros desenhos futuros) OPS kkk
Gostaram do capítulo (e do desenho?)
Até o próximo!
(Para os que se preocuparam, melhorei sim da minha gripe kk)
;*
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