Minha Canção Favorita
23 Último Solo
Dor.
A sensação era a de ter a cabeça perfurada em uma trepanação. O pior de tudo: o tempo passou rápido e logo chegara a meia-noite.
Em meio a desconfortos no peito e uma geleira na barriga, fiz dezoito anos.
Apesar de estar mais perto da adultez, sentia que minha maturidade estava regredindo em meio a todo aquele caos que eu mesmo estava criando.
Passei a madrugada inteira acordado. Quando me dei conta, era de manhã. A manhã do meu aniversário.
Ariel sempre me visitava durante a tarde. Nosso primeiro encontro fora à tarde. Não seria diferente naquele dia. Eu tinha esse tempo para arrumar meus pensamentos. Tinha até a tarde para me resolver comigo mesmo ou sumir.
Fui até a cozinha. Sem ouvir vozes ou qualquer som que indicasse que havia mais alguém por ali, peguei um analgésico e voltei para o quarto.
Sentei ao piano.
Música.
Tudo era música.
Tudo em minha vida começava pela música. Só ela poderia me salvar da minha guerra contra mim mesmo.
Toquei o primeiro acorde. O som já não era desagradável.
Toquei o segundo. O terceiro.
Toquei.
Toquei e senti minha alma nadar em um mar de respostas.
“Vai ficar tudo bem”.
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