Tédio.

No almoço, os adultos conversavam sobre trabalho. Ariel e eu estávamos mudos, cercados por adultices, sem nenhuma sêmita por onde pudéssemos seguir para desviarmos daquilo.

Na minha cabeça, se houvesse alguma, Ariel viria comigo.

Minutos passaram. O almoço acabara. Estavam indo embora.

Meu sonho permaneceria sonho.

“Faça algo agora mesmo. ”, repeti mentalmente até levantar da mesa e berrar um tanto desafinado, gaguejando.

“A-A-Ariel... Não quer ver meu piano? ”

“Posso, pai? ”, perguntou e ouviu que podia. “Só não volte tarde. ”

Foram embora. Ariel ficou.

Fomos juntos para o quarto.

Entramos.

“Seu quarto é lindo”, ouvi.

Meu coração acelerou.

Notas finais
A palavra do dia foi "sêmita"! Sem dúvidas, foi a mais difícil de encaixar no contexto da história, mas parece ter dado certo!