Minha...
1 Minha...
Notas iniciais
Hoje, na véspera do aniversário de Sindria, todos estavam agitados e muito ocupados com os diversos preparativos para a enorme festa que aconteceria no dia seguinte.
Sharrkan por sua vez, estava sem nada para fazer. Sentado em um cadeira de um bar próximo ao palácio, o mesmo pensava que teria de reencontrar seu irmão, o irmão que agora era líder de sua terra natal, os Heliohapts, o povo de onde fora expulso.
O espadachim realmente não dava-se bem com seu irmão e reencontra-lo depois de tantos anos embrulhava o estomago do albino.
Foi então que Sharrkan viu um ser branco pousar na frente do bar, e de sima de dele descer uma pequena garota de cabelos dourados, na qual correu até o mesmo carregando algo em suas mãos.
-Sharrkan, tenho que ajudar na decoração da praça. Poderia levar isso até a Yamu? — Falou Pisti entregando-lhe o pacote que carregava.
-Por que tem que ser eu? Sabe muito bem que não muito bem com aquela… — Sharrkan fora interrompido pela loira que despedia-se alegremente enquanto sobia em seu pássaro branco novamente. — Tsc, baixinha maldita. Fica jogando seu trabalho para cima dos outros.
O albino fitou o pacote de cor azul celeste, o que será que ele guardava?
Logo desinteressou-se ao chegar a conclusão que deveria ser alguma coisa para um feitiço de Yamuraiha. Suspirou derrotado e então pôs-se a caminho dos aposentos da azulada, aonde a mesma deveria estar.
Ao chegar ao quarto da maga, Sharrkan bateu na porta e espero que a mesma a abrisse. No entanto, nada sucedeu as batidas que dera na madeira escura da porta do quarto, então bateu novamente, só que dessa vez mais forte.
-Pode entrar! — A voz da azulada estava distante, mas como lhe ordenara, o mesmo adentrou o quarto.
Quando entrou e fechou a porta atrás de si, o espadachim não viu se quer o rastro a maga, que parecia ter evaporado em apenas alguns segundos.
-Trouxe, o que lhe pedi, Pisti? — Quando o albino virou-se para seu lado direito, viu uma porta que tinha no cômodo se abrir e de dentro dela sair Yamuraiha acompanhada apenas de uma toalha e vapor.
Instantaneamente ambos ao se fitarem paralisaram-se e coraram, pelo fato da azulada estar vestindo apenas um curta toalha branca.
-O…o que está fazendo aqui?! — Gritou a maga, arremessando alguns livros que estavam ao seu alcance no homem a sua frente.
-Você que me mandou entrar! — Gritou de volta o espadachim defendendo-se com o pacote que encontrava-se em suas mãos.
-Achei que fosse a Pisti! — Arremessou mais alguns livros, na intenção de acertar o invasor. — Saia logo daqui!
-Tá bom, tá bom! — O albino retirou-se do quarto o mais rápido que pode, levando com sigo o pacote azul celeste.
Após alguns segundos, Yamuraiha abriu a porta e ainda um pouco corada fitou o homem que encontrava-se ainda do outro lado.
-O que quer? — Perguntou a azulada desviando o olhar dos olhos esverdeados do albino.
-Pisti me pediu para lhe entregar esse pacote. — Sharrkan estendeu-lhe o objeto para que pegasse.
Yamuraiha segurou o pacote e olhou de volta para o homem a sua frente.
-Isso não é um pacote, seu idiota!
-E como é que eu iria saber? — Perguntou o espadachim.
-Bom, pelo menos sei que nem se deu ao trabalho de espiar o que era. — Sorriu a maga.
-Então, se não é um pacote, o que é? — Sharrkan já havia se entediado com a conversa.
-É um tecido — Disse a azulada estendendo-o no ar. — É para a minha roupa do teatro de amanhã.
O albino o fitava sério, até que caiu na gargalhada.
-Você em um teatro?! — Gargalhou mais. — Vai espantar todos os convidados! — Fez questão de gargalhar mais alto ainda.
A maga inflou as bochechas e deu um tapa na cara do albino.
-Idiota!!! Agora nem que queira vou deixar ver a roupa! — Gritou batendo a porta na cara de Sharrkan.
O espadachim jurou ter visto uma lágrima cair do olho de Yamuraiha antes da mesma bater a porta. Mas isso não era problema dele. Pelo mesmo foi isso que pensou antes de sair andando de volta para o bar.
Naquela noite, Sharrkan encheu a cara e após o bar fechar acabou por dormir na praia de Sindria, pensando na lágrima que fez a azulada derramar mais cedo.
No dia seguinte, o espadachim acordou com as águas do mar chocando-se contra sua pele morena, causando-lhe um arrepio. O mesmo levantou-se e sentiu uma forte dor de cabeça, certamente era o resultado do excesso de bebido da noite anterior. Entretanto, a dor em sua cabeça fora totalmente esquecida quando Sharrkan sentiu um forte aperto em seu peito. Ele precisava, necessitava falar com a maga, contar a ela o que realmente sentia e se desculpar por tudo do dia anterior.
Ele levantou-se das areia brancas da praia de Sindria e correu em direção ao dormitório da azulada. abriu a porta inspirando o máximo de oxigênio que podia e então gritou:
-Yamuraiha, eu te am… — O albino paralisou-se, totalmente sem reação calou-se. E isso tudo, por conta do que vira.
A azulada estava em frente a um grande espelho vestida com uma enorme cauda de peixe azul celeste que parecia brilhar ao ter a luz do sol que entrava pela janela chocando-se contra as escamas presas no tecido.
-O que faz aqui?! — Gritou a mesma muito irritada. — Não bastou eu ter te mandado embora ontem, tenho que fazer isso hoje também?!
-Q..que roupa é essa Yamu? — Perguntou perplexo.
-É a roupa para o teatro, mas isso não é da sua conta, senhor gargalhada! De o fora já!! — A maga usando seu cetro conjurou um feitiço e fez diversas bolhas acertarem o albino que voou para fora do quarto tendo a porta fechada em sua cara novamente.
Sharrkan ao se levantar do chão levou sua mão ao seu peito, sentindo seu coração bater cada vez mais forte e rápido.
Ainda sem reação, a única coisa que conseguiu fazer foi correr para o mais longe que pode.
Ao chegar aos limite da ilha de Sindria, o espadachim estufou os pulmões e gritou o mais alto que pode. Estava totalmente descompensado, inteiramente atormentado, e completamente perdido em pensamentos.
Como podia tudo aquilo estar acontecendo? Uma sereia, o ser pela qual se apaixonara pela primeira vez em que a vira quando era criança. A lenda que era contada aos jovens Heliohapts, na qual fez o coração dele e de seu irmão baterem tão forte juravam que ele poderia pular para fora da boca de ambos.
A lenda da deusa do mar, que vinha trazer ao povo a água que tanto faltava a eles. Desde que ambos viram a imagem da deusa nas ruínas de um templo, eram apaixonados por ela. Entretanto como não existia tão ser, não passava de apenas um amor platônico. Mas agora, a poucos minutos, ele a vira em carne e osso, deusa com quem sempre sonhara. Ou não? Na verdade era apenas a tempestuosa Yamuraiha, a maga que ele amava irritar.
Mesmo que não fosse a tal deusa que vira quando era criança, certamente lembrava muito ela. E agora, mais do que nunca tinha certeza de seus sentimentos pela azulada, e diria isso a mesma o mais rápido que podia.
Sharrkan virou-se e correu de volta a cidade, no entanto, chegou somente quando o teatro já acabara, pode ver somente seu irmã na plateia, pasmo olhando fixamente Yamuraiha, enquanto a mesma agradecia ao publico.
Merda. Pensou o mesmo ao lembrar que seu irmão viria para Sindria. O albino deu meia volta e saiu imediatamente do local, com medo de que o irmão o visse.
Já de noite, quando a verdadeira festa havia começado na praça de Sindria, Sharrkan voltou. Ele estava a procura de Yamuraiha, desesperado pelo que Pisti lhe contara a poucos minutos. “Yamuraiha esta conversando alegremente com seu irmão”.
Maldita loirinha. Pensou o albino. Ela sabia exatamente como irrita-lo, quase todos ao redor do espadachim sabiam que o mesmo não se dava bem com seu irmão, e Pisti conhecia muito bem os sentimentos que Sharrkan sentia por Yamuraiha. Deve ter feito de proposito.
Enquanto isso, em uma mesa próxima a fogueira aonde todos dançavam alegremente, Yamuraiha e Armakan, irmão de Sharrkan, conversavam descontraidamente. A azulada ainda estava zangada com o espadachim e como todos todos os oito generais de Sindria ela sabia que o mesmo odiava intensamente o irmão,e por conta disso decidiu irrita-lo um pouco.
Enquanto conversava com Armakan, ela percebeu o olhar dele sobre ela, parecia muito interessado, para ser sincero totalmente hipnotizado, e a maga resolveu aproveitar-se disso.
Os olhos de Yamuraiha rolavam de um lado para o outro procurando em todos os cantos um certo albino irritante que queria provocar, mas tomando cuidado para que o outro albino a sua frente não percebesse tal ato.
Ao ter seus orbes azuis focados em um certo homem que tanto procurava, ela logo se inclinou e abraçou Armakan da forma mais carinhosa que podia, e o mesmo correspondeu ao abraço.
Sharrkan por sua vez, viu seu sangue ferver quando a cena de Yamuraiha e seu irmão abraçados passou por diante de seus olhos.
Não conseguiu se segurar. Marchou até a mesa em que se encontravam e bruscamente separou seu irmão da azulada, envolvendo a mesma em seus braços.
-Tire suas mãos dela!! Ela só minha!!! — Gritou o espadachim com o sangue mais quente do que nunca.
Um silêncio instalou-se entre os três, e aos poucos Armakan viu o rosto da maga assumir uma coloração que daria inveja a centenas de tomates. E o líder dos Heliohpts apenas deu um curto sorriso, enquanto recebia o forte olhar de ira de seu irmão mais novo.
-C…como a…assim s…sua…? — Gaguejou Yamuraiha ainda intensamente corada.
Sharrkan olhou para o rosto da azulada em seus braços e então corou ao perceber o que havia dito.
Ao fundo, os três começaram a ouvir uma baixa risada. quando olharam Pisti gargalhava sem conseguir parar, a loira já parecia ficar até roxa por falta de oxigênio.
Foi então que caiu a fixa de ambos, a loirinha armara tudo.
-Pisti!!!! — Gritaram correndo atrás da pequena, deixando Armakan a observar o resto da festa.
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