Minha única paixão
32 Felicidade
Notas iniciais
POV Lucy
Me deito no sofá e cubro minha cara com uma almofada. Já eram duas horas da tarde e ate agora eu só tinha feito meu cabelo. Eu estava na casa de Erza para me arrumar, já que agora ela sabe fazer lindos penteados e belas maquiagens, então ela fez questão de me arrumar no dia do meu casamento.
– Lucy Heartfilia Dragneel! — ela grita — Levante desse sofá agora!
Me levanto do sofá e fico parada na frente dela. Eu continuava mais alta que ela.
– São apenas duas horas da tarde e...
Ela solta um suspiro.
– E seu casamento é as cinco horas! — ela agarra meu pulso e começa a me levar para o quarto dela — Eu tenho que fazer maquiagem em você e te ajudar a colocar o vestido! E tenho que me arrumar também!
Hoje era o dia do meu casamento e ela estava mais nervosa do que eu. Ela e Jellal seriam meus padrinhos e Gajeel e Levy seriam os padrinhos de Natsu. Eu gostaria que Juvia e Gray fossem meus padrinhos — ou que ao menos fossem ao casamento — mas eles estavam no Ártico e a vinda deles seria praticamente impossível.
Ela abre a porta do quarto dela e entramos. Acabamos nos deparando com um Jellal de calça social e nada mais. Não fiquei com vergonha nem nada, porque já tinha ate me acostumado.
– Erza, — ele diz — pare de ser chata e deixe a garota em paz.
– Eu tenho que arrumar ela e ninguém pediu sua opinião.
Me sento numa cadeira em frente a uma cômoda cheia de maquiagem, joias e enfeites.
– Não tem problema Jellal. — digo a ele — Ela ainda vai sofrer muito comigo.
Ele ri e Erza me da um beliscão. Se passaram anos e ela continuava a mesma — exceto quando estava trabalhando.
Ele vai ate Erza e da um beijo em sua bochecha, a fazendo se desmanchar todinha.
– Vou esperar na sala.
Jellal sai do quarto, deixando eu e a maníaca da Erza sozinhas.
Ela passa uns dez minutos fazendo uma maquiagem e não me deixou olhar uma única vez. Espero que ela não tenha se vingado de mim me deixando pronta pra matar o Batman.
– Terminei! — senti uma pontada de orgulho na voz dela.
Olho para meu reflexo no espelho.
Eu não iria matar o Batman, eu ia matar Natsu, porque eu tinha ficado maravilhosa.
POV Natsu
Coloco o terno e me encaro no espelho. Eu mal podia acreditar que estava colocando um terno para me casar ao invés de ir para um evento relacionado ao basquete.
Desde o dia em que eu a pedi em casamento eu tenho ficado paranoico. Todos os dias antes de dormir penso em mil e uma maneiras de ela dizer "Não" ou nem aparecer na cerimonia porque ela fugiu com jogador e basquete melhor que eu. Mas eu paro com esse pensamento assim que lembro que eu sou o melhor.
– Droga!
Essa é a terceira vez que tento arrumar minha gravata e não da certo!
Alguém bate na porta e logo depois entra. Era minha mãe. Ela e meu pai tinham vindo para passar um tempo comigo e com Lucy aqui em casa.
– algum problema? — ela pergunta.
– Não consigo arrumar a gravata.
Ela sorri e vem ate mim. Ela arruma minha gravata em questão de segundos.
– Nervoso?
– Com certeza.
Ela solta uma pequena risada.
– Todo mundo fica assim no dia do casamento. — ela se senta na minha cama — Se lembra de como seu irmão ficou no dia do casamento dele, não é?
Começo a rir ao lembrar daquele dia.
– Sim. E estou com medo de que me aconteça a mesma coisa ou pior.
Quando meu irmão e Mavis se casaram, Zeref chegou todo suado na igreja e ainda tropeçou no carpete da igreja, ele também gaguejou na hora de responder ao padre. Estou com medo de que aconteça algo parecido ou de a noiva vazar.
– Não se preocupe. — ela da um beijo em minha cabeça e me abraça — Vai dar tudo certo.
Passamos alguns minutos assim. Agora me sinto um idiota por pensar que Lucy, a mulher da minha vida, poderia me deixar.
POV Lucy
Faltam cinco minutos para as cinco horas e eu estava quase chegando na igreja. Eu passei a sofrer de ansiedade e agora estava prestes a esganar Erza só para descontar minha ansiedade.
– Lucy, esta tudo bem? — pergunta Erza.
Respiro profundamente.
– Acho que sim.
Ela coloca a mão em meu ombro e sorri.
– Vai dar tudo certo.
Devolvo um sorriso para ela. Podíamos brigar, nos xingar e quase nos matar, mas ela é e sempre será a pessoa com quem eu poderei contar a minha vida inteira.
Saio do carro com cuidado para não sujar o vestido. Sting estava parado em frente a porta da igreja conversando com meu pai.
Erza e Jellal já iriam entrar para avisarem que eu tinha chegado.
Ando ate Sting, que estava virado de costas para mim. Meu pai me viu e antes que ele pudesse fazer alguma outra coisa, faço um sinal com a mão para ele ficar calado.
Quando chego perto o bastante, abraço Sting por trás e dou um leve beijo em sua bochecha. Ele se surpreende e vira para mim.
– Lucy! — ele me olha de baixo para cima — Achei que iria morrer antes de te ver vestida de noiva.
Dou um leve tapa em seu braço.
– Idiota. — digo — Pai!
Ele me abraça e logo me solta.
– Tao linda, minha filha. — ele sorri — Agora eu tenho que entrar.
Seguro seu braço.
– Mas você não vai entrar comigo? — pergunto.
– Sting entrara com você, querida.
Meu pai entra, deixando somente Sting e eu do lado de fora.
Sting faz um gancho com o braço e sorri para mim. Coloco meu braço no seu, fecho os olhos e respiro profundamente.
– Pronta? — ele pergunta.
Abro os olhos.
– Sim.
As portas se abrem e começa a tocar a marcha nupcial que Natsu e eu escolhemos. Era Wonderwall do Oasis. Nos queríamos uma do AC/DC mas concordamos que não seria conveniente uma musica deles na hora da cerimonia.
Começamos a passar pelo tapete vermelho e logo sorrio. Olho para as pessoas ali presentes.
Mavis fora uma de minhas primeiras amigas, já que ela é minha prima. Ela gostaria de ser minha madrinha, mas ela achou que Erza ficaria melhor. Tao gentil.
Zeref era meu porteiro/sindico. Primeira vez que cheguei a ter uma conversa de verdade com ele foi quando estávamos na delegacia por conta de eu ter salvado a vida dele e deixado um bandido manco.
Meus pais tinham os olhos brilhantes, principalmente minha mãe, já que ela estava chorando. Tudo que eu tenho agora é graças a eles. Eu os amo incondicionalmente.
Varias outras pessoas olhavam para mim, com sorrisos no rosto.
Quando estava chegando no altar, vejo Erza e Jellal. Erza é minha melhor amiga, ela é como uma irmã para mim. Nunca me arrependerei de ter levado uma facada por ela. Nunca.
Jellal virou meu amigo no basquete, embora eu o conhecesse antes. Sempre soube que ela era apaixonado pela Erza, mas nunca soube o amigo incrível que ele poderia ser.
Gajeel e Levy estavam de mãos dadas. Conheci Levy tropeçando nela, e graças a isso tive a oportunidade de tê-la como amiga.
Confesso que não gostava muito de Gajeel, mas quando o conheci melhor e soube que ele estava namorando Levy, minha opinião sobre ele mudou drasticamente.
Subimos no altar e Sting me deixa pra Natsu. O dois se cumprimentaram e Sting lhe disse algo.
– Se não cuidar dela, te faço engolir todos os seus troféus. — ele diz num sussurro, para somente Natsu e eu escutarmos.
Sting vai se sentar num banco e então, Natsu e eu nos viramos para o padre. Nunca estive tão nervosa em toda a minha vida.
*
Depois de todo o falatório do padre e a troca de alianças, chegou na parte que eu temia. O final.
– Quem não concorda com a união desse casal, — anuncia o padre — fale agora ou cale-se para sempre!
Logo apos isso, Natsu chega perto de meu ouvido e sussurra.
– Protesto. — ele sussurra para mim — Acho que a noiva esta com muita roupa.
E ele continua o Natsu por quem me apaixonei. Tenho que me controlar para não rir num momento serio.
– Os declaro agora, — o padre faz um movimento com as mãos — marido e mulher. O noivo ja pode beijar a noiva.
Natsu e eu nos viramos de frente um para o outro e logo sorrimos. Ele me puxa pela cintura e me da um beijo, suave e apaixonado.
*
– Vamos nos sentar aqui, esposa. — ele enfatiza a palavra esposa.
Ele puxa a cadeira e me sento. Iriamos ficar na mesma mesa que Gajeel, Levy, Erza, Jellal, Rogue e Marry. Eu gostaria que Sting sentasse conosco, mas ele queria ficar com a namorada.
– Obrigada, esposo. — enfatizo a palavra esposo.
Ele se senta ao meu lado.
– Então, — diz Gajeel — qual a programação?
– Vejamos... — digo — Natsu e eu vamos dançar, depois jogarei o buque, jantaremos e por ultimo será o bingo.
Levy ergue sua sobrancelha direita.
– Bingo? Num casamento?
– Será legal, confiem em mim.
Escuto o barulho de um microfone sendo ligado a uma caixa de som. Era Sting, e ele estava no palco do salão.
– Gostaria de avisar para os dois pombinho que esta na hora da dança.
Natsu e eu nos levantamos e vamos ate o centro do salão. Algumas luzes se apagam e os convidados fazem uma roda ao nosso redor, para ver a dança.
Natsu coloca sua mão esquerda na minha cintura e a outra se junta com a minha.
– Lucy, e se eu errar?
– Nós não ensaiamos todos aqueles dias para você errar, meu querido.
Ele sorri de canto.
– É ótimo ver que minha esposa — ele enfatiza a palavra esposa — minha deixa tão seguro.
Dou um sorriso e um beijo em sua bochecha.
– Vai dar certo. É tão fácil quanto jogar basquete.
A musica começa. Era Dance of the Sugar Fairy, do Tchaikovsky. Nunca fui fã de musica clássica, mas essa me faz lembrar do Quebra-Nozes e também, ela me conquistou.
Dançamos no ritmo da musica e, graças a Deus, deu tudo certo.
Quando terminamos, ele me deu um beijo, muito melhor do que o da cerimonia.
– Agora, — digo quando termino o beijo — vou arremessar o buque!
Erza me entrega o buque. Ele era composto por rosas e margaridas, todas naturais, nenhuma artificial.
Ando ate o pequeno palco, com cuidado para não tropeçar no vestido. Farei como me disseram: Chutar e andar. Subo no palco e me viro de costas.
– Um! Dois! Três! — e atiro o buque.
Escuto alguns grito e exclamações vindos do pessoal. Viro-me para ver quem pegou, e era a namorada de Sting, a Yukino.
Ela ficou toda feliz e um pouco corada. Procuro Sting em meio a multidão e vejo que ele se engasgou com o champanhe que estava tomando. Logo começo a rir.
Pego o microfone.
– Sting, meu caro amigo! — falo para ele e o resto do pessoal — Agora você não escapa! — ele fica vermelho e o convidados riem — Se eu não for a madrinha lhe sento a mão na cara. Muito obrigada.
Desligo o microfone. Desço do palco e volto para a minha mesa. Quando chego o pessoal esta cochichando e com as feições sérias.
– Não estraguem o dia dela com... — Levy para de falar assim que me vê.
Me sento na cadeira ao lado de Natsu.
– Do que estão falando? — pergunto.
– Não é nada. — Erza coloca a mão em meu ombro — Apenas coisas da delegacia.
Não estava sentindo mentira em sua voz, mas tenho certeza de que estão me escondendo algo importante. Resolvo ignorar, afinal, a comida já iria ser servida.
*
– O primeiro numero é... — Sting retira uma bolinha — O numero o noivo... 24!
O pessoal cai na gargalhada com essa piadinha de Sting, menos Natsu, porque ele lançou uma pequena ameaça.
O bingo ja havia começado e Sting era quem retirava os números e os anunciava.
Se passaram mais alguns minutos e então surge o primeiro vencedor. Era Marry, e ela havia conseguido na vertical.
– Venha aqui receber seu premio! — chama Sting.
Ela vai ate ele, toda contente com seu vestido escuro " Das trevas". Quando ela chega nele, Sting lhe entrega o premio.
– Um saco de laranja fresquinhas!
Levy me cutuca.
– Agora entendi o porque do bingo. — ela ri.
– A ideia foi de Natsu. — digo — Mas a ideia do ultimo premio foi minha, então aguarde.
Conforme o tempo e os números foram passando, chegou o segundo ganhador. Era meu pai e ele ganhou um frango de plástico e uma garrafa de Fanta.
Depois foi o ultimo ganhador, e era o Gajeel. Ele se levantou e foi receber seu glorioso premio. Sting lhe entregou uma caixa de tamanho médio e pediu para ele abri-la, claro que ele ficou desconfiado, mas abriu do mesmo jeito. No momento em que ele abriu, um galo saiu voando a pulando de dentro da caixa, fazendo com que Gajeel quase tivesse um treco ai no salão.
– Agora com o final do bingo, vem a parte mais interessante. — Sting olha para mim — Os discursos!
–O que?! — exclamo. Isto não estava programado.
– Para começar, quero chamar a noiva Lucy Heartfilia!
Saio andando com as pernas bambas. Eu não planejei discurso nenhum e não tinha nada em mente, porque no momento eu só estava pensando em esganar Sting.
Quando subo no palco ele me faz sentar numa cadeira.
– Fale para nós como conheceu seu, ainda vivo, marido. — e ele me entrega o microfone.
– Você ainda me paga por isso — digo para ele — Vejamos... Bem, nos conhecemos na escola. Eu tinha fugido de Erza para me inscrever no teste para o time de basquete. Quando cheguei, a fila estava enorme e logo me desanimei, mas então, eis que Natsu surge e eu quase quebro sua mão! — o pessoal ri — Ele disse coisas machistas e eu ficava cada vez com mais raiva dele. Depois eu consegui entrar no time e Natsu e eu acabamos virando amigos. Aconteceram algumas coisas e então ele se confessou para mim, o que me deixou surpresa, mas depois acabei me tocando que eu também gostava dele. Depois de muitos xingamentos e chiliques, acabamos ficando juntos.
Termino de falar. Eu estava suando, por estar nervosa.
– Lindo... — diz Sting — Agora, o que tem para dizer a ele?
Sting aponta para Natsu.
– Gostaria de dizer que sem ele, eu nunca teria acordado par a vida. Eu o achava um arrogante idiota, mas depois percebi que não poderia viver sem ele. Meus órgãos vitais funcionariam muito bem sem ele, mas acho que vocês entenderam.
O pessoal ri dessa minha piadinha, que não passava da verdade.
– Também te amo! — Natsu grita.
*
Quando a festa acaba, Natsu e eu vamos para casa, porque daqui algumas horas teríamos que pegar um voo para a nossa lua de mel em Paris.
– Finalmente casados. — ele diz.
Dou um beijo em sua bochecha.
– Finalmente. Mas Natsu, o que era aquilo que vocês estavam cochichando?
Ele gagueja.
–Nã-não era nada, Lucy
–Natsu, eu não quero brigar com você.
Ele solta um suspiro e acaba cedendo.
– A delegacia ligou para Erza e disse a ela que encontraram o corpo de Lisanna... carbonizado.
Engulo em seco. Ela morreu? Ela me fez tanta coisa no passado, mas agora já não faz mais diferença. Não desejava o mal para ela, mas se bem que pelo menos mais alguns tapas ela deveria ganhar.
– O que aconteceu?
– Ela soube que hoje eu iria me casar e tentou ir ate a igreja para impedir. — ele estava serio — Mas o carro perdeu o controle e despencou morro abaixo e explodiu.
*
Algumas horas mais tarde fomos para Paris, e quando chegamos, nos dirigimos diretamente para nosso hotel que ficava em frente a torre. Quando entramos, ficamos parados na sacada do hotel, observando.
– A torre é linda. – diz Natsu e logo depois olha para mim – Mas você é mais.
Dou um sorriso e o volto a olhar a torre.
Natsu me abraça por trás e da um beijo em minha bochecha.
– Eu te amo, Lucy Heartfilia.
Fale com o autor