Mine

1 Capítulo 1


— Eu e Darcy vamos nos casar.

Elisabeta ouviu as palavras, sem processá-las. Encarou Darcy, e depois Susana, e então voltou seus olhos para o noivo. Buscava algum sinal de indignação no olhar dele, mas Darcy parecia conformado, como alguém que ouve uma sentença esperada. Susana exibia um olhar triunfante, alegre.

E ela não soube como reagir diante daquela notícia, muito menos de onde veio o riso que ecoou em seu interior, e então se expandiu para o ambiente a sua volta. Veio em forma de uma gargalhada alta, quase exagerada, que trouxe lágrimas aos seus olhos. Sentou-se no sofá, tentando apoiar-se em algum lugar.

— Você está forçando Darcy a se casar com você, em troca da minha liberdade? – Elisabeta perguntou, entre risos.

— Ora, sua petulante! – Susana bufou. – Não estou forçando Darcy a nada, não é mesmo?

Darcy se manteve imóvel, observando Elisabeta, que ainda tentava controlar seu temperamento.

— Ah não, Susana. Com certeza não está chantageando Darcy. Prefere que eu acredite que nestes dois dias em que estive presa, Darcy se apaixonou perdidamente por... você?

— E o que tem de errado nisso? Todos sabem que sou uma mulher muito mais interessante do que você, sua ratazana. – Susana se aproximou, fazendo Elisabeta levantar-se.

— Susana! – Darcy ralhou. – Saia daqui, por favor.

— Não, meu querido. Temos muitas coisas para planejar, Lady Margareth está ansiosa pelo casamento.

— Susana, eu acho que você não entendeu. – Elisabeta se aproximou da mais velha, fazendo-a recuar. – Não haverá nenhum casamento. Darcy é meu noivo.

Susana a encarou com irritação. E então, recompondo-se, deu um sorriso irônico e virou as costas, retirando-se da casa de Julieta Bittencourt.

— Elisabeta, você não deveria ter feito isso. – Darcy suspirou. – Minha tia tem o poder em suas mãos, o poder de te manter naquele lugar.

— Darcy, meu amor. – Elisabeta sorriu, passando as mãos pelo rosto dele. – Sente-se.

— Eu não quero arriscar, meu amor. Eu faria qualquer coisa por você.

— Darcy, eu entendo que você não tenha conseguido pensar direito enquanto eu estava presa. Eu também ficaria desesperada se fosse você naquela prisão. – ela sorriu, roubando um selinho dele. – Mas sua tia não vai nos separar, ela não tem esse poder.

— Eu não tenho escolha, Elisabeta. – ele passou a mão pelo rosto dela, em desespero. – Minha tia jurou que te colocaria lá novamente se eu não fizer o que ela quer.

— E você vai fazer, Darcy. – Elisabeta sorriu, diabólica. – Assim como Camilo e Jane se casaram com um padre falso, você vai fazer o mesmo.

— O que? – Darcy surpreendeu-se. – Do que você está falando?

— Darcy, eu te amo e você me ama. Nós vamos nos casar. Hoje, saindo daqui. E então você pode planejar seu casamento falso com Susana, enquanto nós procuramos provas da minha inocência.

Darcy manteve seu olhar fixo nos olhos de Elisabeta, procurando qualquer sinal de dúvida. Mas não havia nada além de certeza, e antes que ele pudesse raciocinar, um sorriso brotou em seus lábios. E então, tal como ela fizera minutos antes, o riso tomou conta de Darcy.

— Meu amor, essa prisão deixou você completamente maluca. – Darcy roubou um beijo da noiva.

— Eu sempre fui louca por você. – Elisabeta sorriu, puxando Darcy pelo colete. – Agora vamos, precisamos nos casar.

##

Elisabeta costumava ter medo do casamento. Medo do que significava ser esposa de alguém, de todos os sonhos que imaginava ter que abrir mão. Mas naquele momento, quando sua assinatura brotou naquela página, ao lado da de Darcy, tornando-a oficialmente a Senhora Williamson, sentiu-se apenas aliviada.

E o alívio a acompanhou quando Darcy, ao invés de leva-la para o cortiço, a levou para o hotel, o mesmo em que Lady Margareth estava hospedada. Riu do olhar de desafio dele ao caminhar de mãos dadas com ela, e ainda mais da forma ousada que ele a segurou no colo, antes de entrar no quarto.

— Eu nem acredito que você é minha esposa. Meu Deus. – ele sorriu, ao depositá-la na cama, lentamente.

— Darcy, eu sou sua em tantas formas, você não deveria se surpreender. – Elisabeta riu, acariciando o rosto dele.

— Meu amor, eu sempre vou ficar surpreso ao acordar ao seu lado, sempre vou agradecer pela sorte que eu tive. – ele sorriu, passando o nariz pelo dela.

— Darcy, eu é quem tenho que agradecer por ter um homem maravilhoso como você na minha vida. Um homem que seria capaz de abrir mão da própria vida para que eu pudesse ser livre. – uma lágrima escapou. – Em pensar que eu temia tanto que o casamento me tirasse a liberdade.

— Eu prometo fazer você feliz, Elisa. Todos os dias da sua vida, e além deles.

— Eu também prometo fazer você feliz, meu amor. – Elisabeta sorriu.

— Você já faz. Já faz.

Darcy a beijou lenta e profundamente, suas mãos primeiro no rosto de Elisabeta, e então descendo por seu corpo. Elisabeta sentiu o peso dele por cima dela, a língua áspera tocar na sua, o cheiro de Darcy ocupando todo o espaço. Sorriu quando ele mordeu seu lábio, e então se afastou, beijando seu pescoço com voracidade.

Ela entregou-se ao momento, como sempre fazia com ele. Deixou que Darcy a acariciasse, a beijasse a cada peça de roupa que retirava, fazendo o mesmo com ele. Eles, que costumavam ser urgentes, foram calmaria. Beijaram-se como se suas vidas dependessem disso, e amaram-se com cuidado, como se a qualquer momento o mundo pudesse desmoronar novamente.

Elisabeta acordou horas depois, nos braços dele, e notou que Darcy a observava.

— Oi. – ela sorriu.

— Oi. – Darcy roubou um beijo.

— Você parece preocupado.

— Eu estou, meu amor. Tenho medo que nossa atitude só gere mais ódio em Lady Margareth.

— Você está arrependido? – ela encarou os olhos dele.

— É claro que não. – Darcy sorriu. – Mas eu não quero ser o responsável por você voltar para aquela prisão.

— Darcy, a única responsável por tudo isso é sua tia. E não vamos jogar o jogo dela.

— Como você consegue ser tão corajosa? – Darcy acariciou seu rosto.

— Eu tenho a sua força, meu amor. E eu não vou deixar sua tia tirar você de mim. Muito menos perder você para a Susana. – Elisa revirou os olhos.

— Ah, é mesmo?

— É mesmo. – Elisabeta sorriu, travessa, sentando-se por cima de Darcy. – Você é meu, Darcy Williamson.

— Acho que se você falar alto o suficiente, minha tia e Susana talvez escutem. – ele sorriu.

— Eu vou gritar para todo mundo ouvir. – ela piscou, o puxando para um beijo intenso.

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