Mine

8 Capítulo 08


Capítulo 08

Tsuna recebeu a notícia sobre o atentado contra Dino enquanto tomava café no domingo de manhã. A ligação de Romário surpreendeu até mesmo Reborn, que não conseguiu impedir que seu pupilo tomasse a única decisão que parecia a mais cabível naquela situação. O Décimo Vongola correu para entrar em contato com seu braço direito, não somente para avisá-lo sobre sua repentina viagem, mas para ter um amigo para conversar naquela situação. Sua voz tremeu durante toda a ligação, e em alguns momentos Tsuna precisou se policiar ou acabaria chorando. Gokudera, entretanto, manteve-se extremamente paciente e ouviu a tudo sem nenhum sinal de abatimento. Era sua função ser o pilar sólido e seguro onde seu Chefe poderia confiar sem hesitações.

A viagem à Itália foi marcada para a tarde, e somente ao pisar em Roma no dia seguinte foi que o Décimo conseguiu respirar mais aliviado. Sua segurança pessoal contava com seus Guardiões da Tempestade e da Chuva, além do pequeno Acorbaleno. Tsuna teve tempo apenas de avisar sua mãe e Kyoko. Ryohei ficou responsável por entrar em contato com Chrome e Hibari. Este último não estava no Templo quando o Guardião do Sol foi em pessoa comunicar o ocorrido, e ao ouvir tal notícia na madrugada de segunda para terça-feira, o Décimo Vongola suspirou aliviado.

Só havia um lugar onde o taciturno Hibari Kyouya estaria, e isso deixava Tsuna muito mais aliviado.

A visita a Mansão dos Cavallone foi marcada para o final da tarde de terça-feira. Gokudera insistiu que o Jyuudaime dormisse pelo menos durante aquele dia e adiasse a visita para a quarta-feira, mas o Décimo estava irredutível. Pois mesmo com as horas de sono diminuídas e o cansaço por causa da viagem, ele precisava ver que um de seus melhores amigos estava vivo.

A segunda parte daquele encontro seria um pouco mais séria. Quando eles tivessem de lidar com a forma como resolveriam esse assunto, então o quanto antes Tsuna soubesse o que aconteceria, com mais tranquilidade ele dormiria.

Seu braço direito e esquerdo o acompanharam naquela visita.

Reborn também fazia parte do grupo, e quando a limousine enviada por Dino entrou através do largo jardim da Mansão, o Décimo Vongola corou. Não importava quantas vezes ele visitasse o louro, a sensação de fazer parte de um filme estrangeiro era extremamente forte. O jardim, o chafariz, a arquitetura da enorme Mansão... Comparada a pequena e familiar casa que Tsuna morava, a vida do Chefe dos Cavallone parecia existir em uma dimensão completamente oposta à sua.

Romário recebeu os quatro visitantes, respondendo com um sorriso as preocupadas perguntas do jovem Décimo. O braço direito dos Cavallone garantiu que seu Chefe estava melhor graças aos medicamentos, seu Anel e o tratamento que estava recebendo em casa.

Reborn não poupou perguntas, mas as suas não eram diretamente relacionadas ao estado de saúde de seu ex-pupilo.

- O Chefe vai recebê-los na biblioteca, fiquem a vontade. Eu vou preparar a mesa para que todos possam tomar chá.

- M-Mas, Dino-san pode andar? Q-Quero dizer, não queremos incomodar, e se isso significar que ele tenha que se locomover, então...

- Não se preocupe. — O braço direito dos Cavallone riu baixo, parando em frente à larga porta de madeira escura da biblioteca — Eu não permitiria que o Chefe estivesse perambulando pela casa se não acreditasse que ele estivesse realmente se recuperando. Seu estado melhorou muito de domingo até hoje, alias, deveria agradecer aos Vongola pelo empréstimo. Agora não façam cerimônias, entrem, entrem...

A porta foi aberta, e mesmo sem entender muito bem o que aquelas palavras significavam, Tsuna viu-se empurrado por um risonho Yamamoto para dentro da larga e robusta biblioteca.

Gokudera ralhava com o Guardião da Chuva, avisando que se ele empurrasse o Jyuudaime novamente, as coisas ficariam feias. Reborn entrava por último, comunicando que se os três não calassem a boca, então algo sério aconteceria.

- Hahaha vocês parecem animados como sempre.

Dino estava sentado atrás da mesa que ficava em uma das extremidades da biblioteca. Havia uma série de papéis e livros à sua volta, mas nada disso pareceu impedir Tsuna de se aproximar com passos rápidos, parando com os olhos cheios d' água em frente a mesa de seu amigo.

As palavras lhe faltaram por alguns segundos, e foi preciso que Reborn subisse na mesa para que o clima se tornasse um pouco mais casual e menos triste. Nenhum dos presentes pareceu esquecer o motivo que fazia com que o italiano estivesse usando uma tipóia no braço direito, e que sua aparência não parecesse tão saudável.

- C-Como você está, Dino-san? — O Décimo Vongola tinha as mãos sobre a mesa. Sua voz saiu baixa.

- Estou melhor, não se preocupe. Já estou até trabalhando, vê? — O louro apontou para os papéis à sua frente — Como foram de viagem? Fico feliz de ver todos por aqui.

Os olhos do Chefe dos Cavallone pousaram nas figuras atrás de Tsuna. Yamamoto e Gokudera estavam lado a lado, e por um rápido momento o Guardião da Tempestade corou, desviando o olhar para o outro lado ao ver um meio sorriso de Dino em sua direção.

Mesmo tendo ficado entre a vida e a morte aquele homem conseguia entender muito bem o andamento das coisas.

- Tenho certeza de que está recebendo ajuda. — O Arcoleno encarou um dos papéis e sorriu — Hibari está no andar de cima?

A pergunta fez com que o italiano e Tsuna corassem.

O louro não esperava aquele nível de sutileza, e o Décimo estava evitando aquele assunto desde que soube por Ryohei que o único lugar que seu Guardião da Nuvem poderia estar era na Itália. Porém, ouvir diretamente que aquilo havia acontecido soava extremamente embaraçoso.

Tsuna nunca pretendeu invadir a privacidade de seus amigos, mesmo sabendo que algo similar acontecia com outros dois de seus Guardiões.

- Ele disse que não quer vê-los. — O Chefe dos Cavallone coçou a nuca com a mão esquerda — Aquela velha história sobre multidões e mordidas até a morte.

- Hm... Faz sentido. — Reborn pareceu ponderar — Apenas dê meus cumprimentos a ele quando tiver a chance. Acredito que a opinião dele será extremamente valorosa quando formos discutir o que será feito daqui em diante.

- R-Reborn!

O Décimo Vongola olhou sério para a pequena figura ao seu lado.

Durante o caminho da casa que Tsuna se hospedava até a Mansão dos Cavallone, os dois travaram uma longa e cansativa discussão sobre o assunto. O Hitman afirmava que o estado de Dino era importante, mas irrelevante já que ele estava vivo e bem, e que todos deveriam se focar em como solucionar a situação o quanto antes, ou melhor, antes que outro importante Chefe fosse vítima. Quando a conversa chegou nesse assunto, Gokudera concordou com Reborn, imaginando que algo similar poderia acontecer com seu precioso Jyuudaime.

Tsuna teria ficado sozinho se Yamamoto não o defendesse, afirmando que ambos os assuntos eram importantes, mas que a única pessoa que deveria decidir o rumo daquela conversa era o próprio Dino.

- Não se preocupe Tsuna, Reborn está certo. — O Chefe dos Cavallone desfez o sorriso. — Eu conversei um pouco com Romário e alguns outros Chefes pela manhã, mas ainda não cheguei a um consenso. Esperava que você pudesse fazer parte da reunião que pretendo realizar em alguns dias. Nós sabemos quem foi o agressor, mas não podemos simplesmente atacá-lo.

- E-Entendo... — O Décimo meneou a cabeça, visivelmente preocupado. Ele não entendia na verdade.

- Mas por hora não se preocupe com isso, Tsuna. — Dino ficou de pé — Romário deve ter preparado a mesa, então por que não conversamos enquanto tomamos uma xícara de chá e comemos algumas torradas?

- A ideia soa muito interessante. — O Arcobaleno pulou em um dos ombros do Décimo.

- Hahaha acho a ideia muito boa. — Yamamoto começou a andar, apenas para ser puxado pela gravata por um irritadíssimo Gokudera, que implorava por um pouco de compostura por parte do sorridente Guardião da Chuva.

Um Tsuna um pouco duvidoso e bastante temeroso seguiu lado a lado com o italiano até a saída da biblioteca. Dino não parecia forçar simpatia ou um bem-estar inexistente, e foi exatamente esse sentimento que fez com que o homem de cabelos castanhos se sentisse um pouco mais aliviado ao sentar na longa e farta mesa de jantar dos Cavallone.

Os únicos que não pareciam intimidados com a quantidade de comida e decoração eram Reborn e Yamamoto, mas dificilmente algo surpreendia esses dois.

Hibari que atravessava o corredor do segundo andar, apenas apertou os olhos ao ouvir as vozes que vinham do andar abaixo.

Ao entrar novamente no quarto de Dino, sua atenção foi para a figura de Romário que arrumava os novos comprimidos que seu Chefe tomaria naquela noite.

- Eu posso trazer uma xícara de chá se desejar, Hibari.

- Não, obrigado. — O Guardião da Nuvem aproximou-se da mesa de Dino do outro lado do quarto — Mas gostaria de fazer uma ou duas perguntas, Romário.

O braço direito dos Cavallone ajeitou os óculos, encarando os inúmeros frascos na cômoda ao lado da cama. Seu corpo virou-se devagar, e ele aproximou-se de Hibari com passos curtos, mas firmes e decididos.

- Então você sabe sobre o plano do Chefe?

- Ouvi algo aqui e ali. — O moreno olhou o homem ao seu lado por um breve momento, voltando a encarar a mesa — Ele não me contará nada que possa soar perigoso, então gostaria que me dissesse o que você acredita que eu deva saber.

- E o que me oferece em troca dessa valiosa informação? — Romário sorriu. Ele já sabia a resposta.

Hibari ficou alguns segundos em silêncio. Quando seu olhar voltou a encarar o do braço direito dos Cavallone, havia muito mais do que a normal indiferença que sempre o acompanhava.

- Eu não deixarei que aquele idiota se coloque em perigo novamente. Eu dou minha palavra de que vou protegê-lo.

Romário sorriu. Desde o inicio ele tinha intenção de comunicar Hibari sobre a situação, sabendo que Dino tinha o hábito de omitir as partes que pudessem ser perigosas. Ao ver a forma como o Guardião da Nuvem se dedicava ao seu Chefe nos últimos dois dias, seria extremamente ingrato de sua parte deixá-lo às escuras.

x

Hibari permaneceu recluso até que Tsuna e seus Guardiões deixassem a Mansão. A vontade de ver Reborn era grande, mas isso significava ter de se encontrar com o resto, o que não lhe agradou nem um pouco.

Dino retornou ao seu lado assim que a limousine deixou o jardim, mas como das outras vezes, a comunicação entre eles parecia não estar funcionando muito bem. Com exceção do horário de dormir, o Chefe dos Cavallone não permitia nenhum tipo de aproximação por parte do moreno. Poucos olhares, poucos sorrisos, poucas palavras... O louro estava visivelmente se policiando quando estavam a sós, e naquele fim de tarde não seria diferente.

O Sol começava a se pôr, colorindo o quarto com o alaranjado do céu. O dia havia sido parcialmente quente, mas a recuperação do italiano parecia estar indo muito bem. Vez ou outra ele precisava de auxílio e essas ajudas extras só aconteciam quando era necessário pegar ou segurar algo pesado.

- Reborn mandou seus sinceros cumprimentos a você, Kyouya. — Dino aproximou-se de sua pequena estante, procurando um exemplar com os olhos — Você deveria ter descido por alguns minutos. O chá estava delicioso.

- Eu posso tomar chá aqui em cima, obrigado. — Hibari lançou um olhar rápido para o outro lado do quarto, levantando-se da cama. A maneira como o louro pareceu ficar em guarda quando ele se aproximou fez com que o moreno apertasse os olhos. Aquilo era ridículo.

- Eu sei, eu sei. — O Chefe dos Cavallone fez menção de esticar o braço para pegar um livro, mas a dor em seu braço o fez parar automaticamente.

- Eu não me importo que esteja me evitando, mas pense no seu bem estar em relação aos seus subordinados.

O Guardião da Nuvem deu um passo à frente, ficando na ponta dos pés e pegando o livro que o italiano tanto queria. Esse pequeno gesto fez com que seu corpo se encostasse levemente ao de Dino. O contato durou segundos, mas fez com que o italiano agradecesse baixo e se afastasse no mesmo instante, visivelmente transtornado.

- Eu não o estou evitando, Kyouya. — O louro andou um pouco, ficando de costas. Dino era tão transparente como uma criança. Era incrivelmente adorável.

- Eu disse que não me importo.

Hibari caminhou para perto da mesa. Ele não estava insatisfeito com as noites nos braços do italiano, nem das poucas conversas que ambos travavam durante o dia. Porém, o Chefe dos Cavallone não era daquele jeito. Dino tinha a natureza exagerada, e levou anos para que o Guardião da Nuvem se acostumasse, aceitasse e aprendesse a amar todos os excessos daquele homem. Ele não havia atravessado o globo somente para ser um enfermeiro. O que o moreno queria era o seu Dino de volta, com todos os seus defeitos e qualidades.

- Se você não quer permanecer ao meu lado eu não vou forçá-lo, mas seja claro quanto a isso. — Hibari passou a ponta dos dedos sobre a belíssima mesa de madeira — Não preciso lembrá-lo que a ideia de dividirmos a mesma cama não partiu de mim.

O Chefe dos Cavallone permaneceu alguns segundos em silêncio. Suas mãos apertavam o livro, e era clara a maneira como aquelas palavras o haviam atingido em algum ponto delicado.

Para alguém como ele, que amava tocar e sentir Hibari, a distância entre eles era seu maior desafio.

- Como eu disse, eu não estou evitando nada. — O italiano virou-se devagar. Seus olhos encaravam o tapete. Ele tentava mentir. — Mas se dividir a mesma cama comigo o incomoda tanto, gostaria de lembrá-lo que essa casa possui outros 15 quartos disponíveis para hóspedes. Sinta-se a vontade para utilizar qualquer um.

- Estou satisfeito com o local onde durmo. Eu gosto da cama e da companhia. — O moreno desviou os olhos. Dino o encarou. — Eu só estou indagando sobre o inevitável fato de que cedo ou tarde nós teremos de nos tocar. Eu percebo o quão difícil é para você manter-se comportado durante a noite, Cavallone.

O comentário fez com que o louro corasse. Seus lábios tremeram levemente, e por mais que ele pensasse em uma resposta, nada muito convincente ou satisfatório cruzava sua mente.

Era difícil brigar verbalmente com Hibari. O Guardião da Nuvem tinha a fascinante mania de sempre quebrar seus argumentos com comentários sinceros e diretos. Por que ele não era assim com relação aos seus próprios sentimentos?

Quando a briga interna do italiano terminou, o moreno ergueu levemente uma sobrancelha ao vê-lo jogar o livro no sofá enquanto caminhava em sua direção.

Dino aproximou-se devagar. Hibari sentiu a mesa encostar-se ao alto de sua perna, mostrando que não haveria para onde fugir, mesmo que ele quisesse. A ideia de evitar aquela situação não passava por sua mente. Ele queria aquilo. Ele queria um pouco mais de proximidade e intimidade.

O Guardião da Nuvem estava a alguns dias na Itália, e o máximo de contato que ele e o italiano tiveram, ou melhor, tinham, era quando dormiam. O Chefe dos Cavallone permitia a presença do moreno em sua cama, mas não houve nenhuma tentativa de aprofundar aquela proximidade.

Os lábios de Hibari se entreabriram, antecipando o momento. O louro estava a sua frente, e ao sentir uma das mãos de Dino em seu rosto, o Guardião da Nuvem precisou encostar-se a mesa. A total ausência de contato físico começava a subir-lhe a cabeça. Desde a briga ridícula no quarto de Hotel o moreno não sabia o que era sentir novamente o simples toque do italiano.

O Chefe dos Cavallone aproximou o rosto, mas afastou-se em seguida. Suas sobrancelhas se juntaram, e ele teria realmente se afastado se Hibari não o segurasse pela camisa, fazendo-o virar-se novamente.

O corpo sobre a mente. Aquilo nunca acontecia ao Guardião da Nuvem, mas ele não sabia que perderia a cabeça mais de uma vez durante o tempo que permaneceria na Itália. O louro virou-se e o moreno delicadamente tocou seu rosto e o trouxe até seus lábios.

Um caminho tão curto e insignificante. Um gesto aparentemente banal e cotidiano. Nada disso se aplicava a um beijo iniciado por Hibari Kyouya.

E o Chefe dos Cavallone sabia disso.

O beijo não começou calmo ou gentil. Apesar das semanas afastados, os lábios de ambos pareciam sentir a distância. O Guardião da Nuvem deixou que sua língua invadisse a boca do italiano assim que suas bocas se encontraram, evitando que Dino tivesse tempo de pensar ou ponderar. A resposta para aquele gesto foi imediata. O moreno sentiu quando suas pernas foram afastadas sem nenhuma delicadeza, deixando com que o louro ocupasse aquele intimo pequeno espaço.

Por longos minutos a conversa foi muda. Os curtos momentos em que o ar parecia faltar eram preenchidos por insignificantes pausas. Nenhum dos dois parecia disposto a encerrar o beijo, como se o gesto tivesse um significado maior do que o ato em si.

Quando o inevitável momento chegou, Hibari levou as mãos para a borda da mesa, apertando-a. Seu corpo tremia, sua respiração estava alta, e ele podia sentir claramente o volume em seu baixo ventre. Um beijo. Um único beijo e ele não teria se importado se o louro o despisse ali mesmo e o possuísse sem nenhum tipo de gentileza.

O Chefe dos Cavallone manteve o rosto próximo por alguns segundos. Os dois homens se encaravam com a mesma fome e necessidade. O Guardião da Nuvem conseguia ver claramente as roupas espalhadas, os toques ousados e toda a série de caricias que receberia. Os olhos cor de mel que o encaravam pareciam transbordar desejo. Ele conhecia Dino melhor do que nenhuma outra pessoa. Ele sabia que se o convidasse o louro não o negaria.

Porém, antes que o convite surgisse, o italiano deu um passo para trás. Daquela distância as mãos do moreno não o alcançariam.

- E-Eu tenho que resolver algumas coisas. — O Chefe dos Cavallone passou as mãos nos cabelos. Seu rosto estava vermelho, e quanto mais ele se afastava, mais certeza Hibari tinha de que sua chance de diminuir a distância entre eles havia passado.

O louro deixou o quarto as pressas, e quando viu a porta ser fechada, o Guardião da Nuvem suspirou, abaixando o rosto.

Ele não conseguia se mover daquela posição. Seu corpo ainda vibrava por causa do beijo.

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Hibari não teria que esperar muito para que o inevitável acontecesse.

Após o beijo inicial, foi impossível não repeti-lo naquele mesmo dia, e a iniciativa dessa vez partiu de Dino. Os momentos que passavam juntos aumentaram, e foi difícil para o Guardião da Nuvem não compará-los com o que aconteceu anos atrás quando os dois começaram aquele relacionamento. As tardes no sofá do Comitê Disciplinar ou na cama de Hotel. Um perdido nos braços do outro em intermináveis beijos. Quando um parecia terminar, outro mais profundo e convidativo começava a ponto das horas passarem sem serem notadas.

E junto com as horas passaram-se também os dias.

O fim de semana trouxe a reunião que o Chefe dos Cavallone teria com alguns importantes Chefes da Máfia. Tsuna era um deles, e foi a primeira vez que Hibari precisou dar sinal de vida desde que chegou à Itália. O italiano pediu que o moreno não se envolvesse naquele assunto, a não ser que o Décimo Vongola pedisse.

Obviamente aquele comentário fez o Guardião da Nuvem apertar os olhos e lançar uma série de comentários negativos, mas no final Dino deixou a Mansão na direção do Hotel, conseguindo um tímido menear de cabeça do moreno. A limousine deixou o jardim aos olhos de um vigilante Hibari que estava na janela do quarto. Ele poderia ter insistido em acompanhar o italiano, mas sabia que estaria pisando em um território particular. Era trabalho. E trabalho sempre viria em primeiro lugar.

O resultado da reunião foi relatado pelo próprio Chefe dos Cavallone horas depois naquele mesmo quarto. Dino estava sentado em sua mesa, repassando alguns relatórios enquanto comunicava ao Guardião da Nuvem sobre o que pretendia fazer.

O italiano ofereceria uma espécie de baile no próximo fim de semana. Os convidados seriam basicamente grandes Chefes da Máfia, incluindo a Família que o havia ferido. Foi de consenso geral que as chances de uma nova tentativa de ataque seriam mínimas com a quantidade de pessoas importantes presentes, além dos aliados dos Cavallone espalhados por todo o local. Tsuna estaria presente, trazendo alguns de seus Guardiões.

- Você precisa ser muito corajoso para atacar seu inimigo em sua própria casa. — O louro assinou um dos papéis. Graças ao atributo do Sol, o ferimento havia cicatrizado quase por completo naquela semana. Os pontos foram retirados há alguns dias, e Dino conseguia mexer o braço sem problemas.

- Eu não teria problemas com isso. — Hibari não gostou nada daquele plano. Primeiro porque a casa ficaria cheia. Segundo porque a casa ficaria cheia. E terceiro porque a ideia era idiota e muito arriscada.

- Eu sei, mas eles não são você. — O louro sorriu — Você nunca teria atacado as escondidas em uma praça cheia de mulheres e crianças. Eles são covardes e usaremos essa vantagem a nosso favor. Alias, eles não sabem que foram vistos naquele dia.

- Então você sabe quem o atacou? — O Guardião da Nuvem que estava sentado sobre a cama, aproximou-se devagar. Aquilo era novo para ele.

- Sim, mas não direi. — O Chefe dos Cavallone ergueu o rosto ao ver o moreno ao seu lado — Eu o conheço, e sei que no primeiro minuto em que eu estiver distraído você dará um jeito de escapar por entre meus dedos e ir pessoalmente resolver o problema. Infelizmente não posso deixar que faça isso, Kyouya.

- Eu voltaria antes que você sentisse minha ausência e tudo estaria terminado. — Hibari apertou os olhos. Aquela conversa estava seguindo em uma perigosa direção.

- Isso acabaria se tornando um problema ainda maior, não somente para você, mas também para Tsuna. Indiretamente você é um dos Guardiões dos Vongola, e iniciar um atentado à outra Família por vingança só geraria mais vingança. É um ciclo interminável que eu jamais permitiria que acontecesse. — Dino segurou uma das mãos do moreno, levando-a até seus lábios — E o que você disse não é verdade, pois eu sinto sua falta em todos os momentos, então as chances de você escapar são nulas.

- É mesmo? — O Guardião da Nuvem estremeceu com o doce beijo nas costas de sua mão. Era sempre assim. Um mero toque por parte do louro e todo seu corpo vibrava. — Então é melhor que você mantenha os olhos bem abertos, Cavallone.

- Não adianta tentar subornar Romário ou qualquer outra pessoa. — A ponta da língua do italiano correu por entre os dedos do moreno — Eles estão terminantemente proibidos de repassar qualquer informação a você. E sim, eu sei que Romário vem conversando com você às escondidas. Ele mesmo me contou.

Se o ousado toque em sua mão não estivesse roubando totalmente sua atenção, Hibari certamente teria ficado bravo com aquela realização. Como sempre, nada acontecia sem que Dino tivesse conhecimento.

Os beijos em sua mão cessaram. Os olhos cor de mel do Chefe dos Cavallone ergueram-se. O moreno retirou a gravata, deixando-a no chão. Aquele era seu limite. Por dias ele se contentou com longos e deliciosos beijos, mas era impossível continuar daquela forma. O louro não tinha o direito de provocá-lo daquela maneira, mesmo sabendo que no fundo Dino queria aquilo tanto quanto ele ou até mais.

O italiano ficou de pé. Suas mãos abriram e retiraram o cinto da calça que ele vestia sem que seus olhos se desviassem do olhar do moreno. Os dois estavam um de frente para o outro em uma ridícula distância.

Um passo à frente. Um passo a frente foi tudo o que o Chefe dos Cavallone precisou fazer para que não houvesse mais nada entre eles.

Aquele não foi um simples beijo. A forma sincronizada e perfeita com que ambos caminharam até a cama, retirando a cada passo uma peça de roupa, mantendo os lábios grudados parecia parte de uma dança ensaiada.

Nada fora combinado. Terno. Camisa com camisa. Calça com calça. Roupa de baixo com roupa de baixo. Uma trilha de peças que levavam a um único lugar.

E quando Hibari sentiu suas costas tocarem o macio cobertor, ele soube que o momento finalmente havia chegado. Não foi por causa da maneira feroz e faminta com que Dino parecia devorar seus lábios. Não foi a extasiante sensação que seu corpo apreciava ao sentir ambas as ereções juntas, esfregando-se em um erótico movimento. Não foi a maneira como seu bom senso parecia ir embora quanto mais eles se perdiam em apertos e abraços.

Ele apenas sabia. E teve certeza disso quando os lábios do italiano murmuraram meia dúzia de palavras sórdidas em seus ouvidos, fazendo-o gemer com o simples pensamento do que o Chefe dos Cavallone faria com ele em cima daquela cama. As palavras entraram por sua mente, embriagando-o. O moreno não teria coragem de dizer aquelas coisas, e normalmente teria mordido o italiano até a morte por isso, mas naquele momento nada pareceu mais excitante do que ouvi-las.

A mão de Dino masturbava ambos os membros enquanto seus lábios mordiam com força o ombro do Guardião da Nuvem. A dor misturava-se com prazer. As mãos dos dois perdiam-se entre si, aumentando o ritmo, e diminuindo a necessidade que sentiam um do outro.

Não. Somente aquilo não era suficiente.

Hibari estava do seu lado da cama, e uma das primeiras providências que tomou ao instalar-se na Mansão foi a de tirar certas coisas da gaveta do lado em que o louro dormia. Não era agradável a ideia de que Romário pudesse dar de cara com tubos de lubrificante quando procurasse os remédios para seu Chefe.

Levando para o seu lado aquele tipo de coisa, partiu do moreno a iniciativa para intensificar o contato entre eles. Os beijos não cessaram. As caricias continuaram, e com uma velocidade espantosamente torturante seus dedos abriram a gaveta e agarraram de maneira desajeitada um dos tubos de lubrificante.

O Chefe dos Cavallone o segurou com a mesma pressa. Seus lábios afastaram-se o suficiente para que ele pedisse para que Hibari se virasse.

O Guardião da Nuvem não retrucou. Seu rosto corado afundou-se no travesseiro, escondendo a vergonha que sempre sentia quando estava naquela posição. Entretanto, até mesmo a timidez parecia insignificante naquele começo de noite.

Aquela poderia ser a posição mais embaraçosa, mas era também a que lhe proporcionava mais prazer, e ao sentir um dos dedos de Dino penetrá-lo, o moreno percebeu o quão sensível estava. O gemido saiu alto e pedante. Uma de suas mãos correu para sua ereção, masturbando-a conforme outro dedo o invadia apressado e forçoso, arrancando mais gemidos através de lábios que na maioria das vezes eram mudos.

Os dois dedos tornaram-se três, antecipando uma invasão ainda maior. E se Hibari ainda tinha algum vestígio de timidez, bom senso ou autopreservação, todos esses detalhes desapareceram quando o italiano substituiu os dedos por seu membro, penetrando-o por completo e com um pouco mais de força do que seria necessário.

A resposta do corpo do Guardião da Nuvem foi o orgasmo, que veio acompanhado de um gemido ainda mais alto do que o primeiro. Duas lágrimas escorreram por seus olhos, não pela dor, mas pelo intenso prazer que ele acabara de sentir. Seus cotovelos precisaram servir de apoio para o peso de seu corpo, que se tornou trêmulo. As estocadas que recebia não ajudavam, e em poucos minutos sua ereção reapareceu. Ele sabia que o quarto era a prova de som, e mesmo que não fosse, naquela altura do campeonato preocupar-se com o volume de sua voz era a última coisa que se passava pela mente do moreno.

O Chefe dos Cavallone sempre foi um bom amante. Poderia ser aquela velha e conhecida citação sobre "os italianos serem os melhores amantes do Mundo" ou apenas porque Dino se empenhava ao máximo em agradar seu parceiro, mas a verdade era que grande parte do sucesso do louro se devia em parte pela sensibilidade que ele tinha as sensações que Hibari experimentava enquanto estavam juntos.

Da posição em que estava, o italiano não conseguia ver as expressões no rosto de seu amante, mas ele podia entender as mensagens que o corpo embaixo do seu transmitia. Quando o quadril do moreno começou a mover-se para trás, no mesmo ritmo em que Dino movia-se para sempre, ele soube que poderia ser um pouco mais forçoso. As estocadas tornaram-se mais rápidas e fortes. A própria voz do Chefe dos Cavallone começou a ser ouvida, alta e rouca, e foi impossível para ele não sorrir satisfeito ao ver Hibari chegar ao clímax pela segunda vez. O gemido erótico chegou aos seus ouvidos, os músculos do moreno estreitaram-se ao redor de sua ereção, e o louro apertou a cintura de seu amante ao chegar ao orgasmo.

O Guardião da Nuvem não conseguiu manter os joelhos firmes, e teria desabado se o italiano não o tivesse virado para o seu lado da cama. Os dois se encararam. Lábios entreabertos, olhos semicerrados, peles brilhando por causa do suor... Nada disso evitou que eles se beijassem tão apaixonadamente como há alguns minutos atrás. Aquela noite não acabaria daquela forma. Dino não havia feito metade das intenções sórdidas que assoprara aos ouvidos do moreno.

- Você está bem? — Os lábios de Hibari encostaram-se em um dos ouvidos do louro. Ele viu a cicatriz no braço direito e sua mente o lembrou momentaneamente de que talvez Dino não pudesse continuar.

- Eu estou ótimo. — O Chefe dos Cavallone riu e corou com aquela estranha pergunta. Geralmente era dele aquele tipo de preocupação — E é melhor que você esteja bem, Kyouya, porque eu não vou parar até que eu tenha feito uma verdadeira bagunça com você, e eu digo isso da pior maneira possível.

O moreno sorriu, mordendo os lábios ao ver Dino afastar suas pernas e posicionar-se entre elas, pegando um dos muitos travesseiros que estavam ao redor da cama e colocando-o embaixo do quadril do Guardião da Nuvem. A outra posição poderia ser mais prazerosa, mas quando estavam um de frente para o outro, Hibari poderia ter a melhor das visões. Ver-se penetrado o deixava excitado, imaginando como era possível que seu corpo aceitasse e aguentasse aquele tipo de invasão. A resposta era sempre imediata. Sua cabeça foi para trás, suas costas se arquearam levemente na cama, e dessa vez ele precisou morder as costas de uma de suas mãos para não gritar. A intensidade não havia diminuído com os orgasmos.

A tentativa de abafar a voz não funcionaria naquele dia. Com as mãos na cintura do moreno, Dino começou a se mover. As estocadas já começaram em um ritmo forte e rápido, e sem ter que se preocupar em preparar seu amante, o italiano podia simplesmente perder-se no ato em si.

A voz de Hibari voltou a ser ouvida. Suas mãos não poderiam calá-lo. Elas estavam ocupadas demais o masturbando, levando-o a um nível ainda maior de prazer, que parecia impossível de ser obtido. Nada poderia ser melhor do que aquilo, e mesmo com esse pensamento, como o moreno pôde esquecer-se disso nas semanas anteriores? As horas que ambos passaram afastados poderiam ter sido muito melhor aproveitadas. Não era o sexo em si. Era a realização de que o homem em seus braços poderia deixar de existir nesse mundo, e a última coisa que ele teria lembrado não seriam das horas que compartilharam perdidos um nos braços do outro, mas sim as costas largas e indiferentes que Dino mostrou em sua última visita ao Templo.

Aquilo era triste. E tristeza não tinha espaço entre eles. Nunca teve. Como alguém conseguia sentir-se triste ao estar ao lado do louro? Como alguém não conseguiria se sentir amado e desejado quando os olhos cor de mel que o encaravam transmitiam não somente um insaciável desejo, mas também um amor tão forte e inegável?

Até quando ele continuaria a machucar a única pessoa que o amava e o aceitava sem pedir nada em troca?

Era isso.

Hibari fechou os olhos e sorriu. Ele havia finalmente entendido as palavras que o Chefe dos Cavallone lhe dissera, e justamente em um momento como aquele.

- N-Não pare... — O Guardião da Nuvem abriu os olhos. Ele sentiu quando Dino diminuiu o ritmo. Uma rápida olhada no rosto um pouco acima para perceber que seu amante estava preocupado.

O Chefe dos Cavallone não parou. Na verdade, nenhum dos dois chegou a parar naquela noite. As posições mudaram, mas o desejo não parecia ser saciado.

Nenhum deles contava mais orgasmos. A cama estava uma bagunça, eles estavam uma bagunça. Hibari deixou o corpo cair para trás quando chegou ao clímax horas depois, sentindo seu abdômen e o do italiano tornarem-se quentes e pegajosos. Seus olhos se fecharam e ele caiu para o seu lado da cama. Os lençóis e cobertores estavam no chão, e provavelmente nunca mais poderiam ser utilizados. Havia um único travesseiro usável, e era justamente o dele. A consciência do moreno voltou aos poucos, e ele sentiu quando o italiano arrastou-se até ele, abraçando-o por trás enquanto beijava com vontade seu pescoço.

Os cabelos louros estavam tão molhados quanto o corpo de ambos, e a exaustão fazia com que cada movimento acontecesse devagar, quase de maneira gentil. A mão que desceu por seu ombro, foi a mesma que contornou sua cintura e ergueu uma de suas pernas.

Hibari apertou uma das pontas do travesseiro. Sua voz — quase inexistente — proferiu um abafado gemido ao sentir-se penetrado. Aquela era a quinta vez? Sexta, talvez? Como seu corpo ainda conseguia manter-se consciente? Como ele ainda conseguia ter uma ereção? O moreno sentia-se seco, como se não fosse capaz de continuar, mas não sabia explicar porque então ele se tocava, esperando o aliviado para a estimulação que recebia do Chefe dos Cavallone.

As estocadas de Dino não estavam tão rápidas. Os movimentos eram vagarosos, mas certeiros. Seus dentes deixavam marcas profundas no ombro de seu amante, sentindo o gosto salgado do suor.

O italiano moveu-se mais algumas vezes até chegar ao orgasmo. Sua mão soltou a perna de Hibari, e com o resto de força que ainda tinha, ele ajudou o moreno a atingir o clímax. O Guardião da Nuvem perdeu totalmente a consciência no segundo seguinte.

Dino tinha realizado o que prometera aos ouvidos do Guardião da Nuvem e muito mais.

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Os dois amantes dormiram abraços durante o restante da madrugada, e metade do dia seguinte.

O Sol do meio-dia brilhava no céu italiano quando o moreno arriscou abrir os olhos. Sua visão estava embaçada, sua garganta arranhava e era impossível ignorar o fato de que por mais que ele estivesse acordado, seu corpo simplesmente não se movia.

- Kyouya?

A doce voz vinha de alguma direção que ele não conseguia identificar. Atrás? Em cima? Do outro lado do quarto? Alguns segundos de silêncio e o dono da voz ajoelhou-se a sua frente. Dino não parecia mal como ele. O louro estava vestindo um conjunto de moletom vermelho, os cabelos visivelmente lavados e escovados, e o que era aquilo no canto de sua boca? Açúcar? Aquele maldito estava tomando café enquanto ele mal conseguia se mover?

- Acho que nós exageramos ontem à noite. — O Chefe dos Cavallone desviou os olhos momentaneamente, corando de maneira adorável.

- Por que eu estou vestido? — Hibari tinha a voz baixa. Uma rápida olhada em si mesmo e ele pôde ver que usava um dos pijamas de Dino.

- Eu acordei há algumas horas e tentei arrumar o quarto. — Não havia vestígio algum de lençóis sujos ou manchados. A roupa de cama havia sido trocada e o moreno tinha a impressão de que cheirava a colônia e sais de banho — Você realmente precisava de um banho, Kyouya, e eu juro que tentei acordá-lo, mas você simplesmente não acordou. — O louro moveu-se um pouco para trás. Provavelmente o que viria em seguida seria irritante o bastante para fazê-lo procurar uma distância segura — Eu não fiz nada, somente o coloquei na banheira por alguns minutos, mas acredite quando eu digo, você precisava daquele banho.

O Guardião da Nuvem virou-se na cama. Seus olhos fecharam-se. A dor era geral. Quadril, pernas, braços, abdômen... Tudo. Cada centímetro de seu corpo parecia ter sido vitima de uma surra épica.

Uma de suas mãos tocou o espaço vazio ao lado da cama. O espaço que pertencia a Dino. Automaticamente o moreno voltou para a posição anterior. O outro lado não era interessante. Quem ele procurava estava bem diante de seus olhos, afastado por temer alguma represália e olhando-o assustado. Longe. Eles estavam longe novamente.

- Eu acredito em você. — Hibari piscou. Seu estomago deu sinal de vida. O que quer que o idiota a sua frente estivesse comendo, ele também queria.

- Você deve estar com fome. Eu acordei faminto. — Dino aproximou-se, ficando surpreso ao ver um dos dedos do moreno tocar o canto de sua boca, limpando o açúcar e depois lambendo-o — Eu posso trazer o café na cama, alias, acho que este vai ser seu lugar favorito por algum tempo. — O louro coçou a nuca, envergonhado.

- É melhor que assuma a responsabilidade por isso. — O Guardião da Nuvem fez menção de ficar sentado, mas aquilo era claramente impossível por enquanto. O Chefe dos Cavallone estava ao seu lado antes que ele caísse, auxiliando-o e deixando-o bem sentado e confortável com dois travesseiros em suas costas.

- Claro que assumirei. — O italiano pegou um copo d' água que estava ao lado da cômoda e o esticou na direção do moreno. Havia três comprimidos na outra mão — Vai ajudar contra a dor.

Hibari não pestanejou, aceitando os remédios e permitindo-se ser mimado durante todo o café. Dino sentou-se a sua frente e ambos dividiram a larga e farta bandeja cheia de pães, sucos e frutas. Era incrível como um homem daquele tamanho não conseguia comer sem se lambuzar todo com açúcar, fazendo com que o Guardião da Nuvem tivesse de ter sempre um guardanapo em mãos.

Aqueles preciosos minutos de conversas bobas e sorrisos eram suficientes para fazer com que o moreno se sentisse melhor. Seu corpo logo estaria curado, e saber que poderia ver novamente Dino olhá-lo de maneira tão gentil e apaixonada era tudo o que ele realmente precisava.

O Guardião da Nuvem não desperdiçaria aquela chance.

E quando a oportunidade surgisse, ele diria tudo o que o italiano merecia ouvir, mesmo que fosse uma única vez. Mesmo que seu orgulho e timidez o impedissem de repetir o discurso em um outro momento.

Sentimentos feridos não eram nada se comparados a uma vida sem que Dino fizesse parte. Uma vida em que aqueles momentos e sorrisos não existissem.

Continua...