Mindless

2 Apenas Um Sonho?


Notas iniciais
Olá, leitor! Passei um booom tempo sem postar porque a história foi ficando esquecida diante da escola e situações pessoais... mas pretendo postar com mais frequência daqui para frente! Por isso comente! Boa leitura!

Abri devagar meus olhos e me deparei com a pior situação possível: estava com os braços amarrados atrás do corpo e sentado no banco de passageiro em um carro afundando em água!

Olhei para todos os lados na busca de um modo de me livrar das cordas, então comecei a me contorcer na esperança de que elas escorregassem... mas acho que essa ideia acabou com minhas chances de sair daqui com vida: quando me debati acabei esbarrando o cotovelo na maçaneta, a qual desceu o vidro do carro suficiente para água invadir. Meu pânico só aumentava à medida que o líquido já atingia minha cintura. Chutei todas partes do veículo que minhas pernas alcançavam... mas já era tarde demais. Eu inclinei ao máximo minha cabeça para cima aproveitando o pouco de ar que restava até o carro ser preenchido completamente. Por algum motivo, apenas fitei um objeto que simbolizava a Rosa dos Ventos pendurado no retrovisor até perder a consciência.

—Acorda, vacilão!

Despertei rápido com Mattew derramando água no meu rosto. Dei um tapa na mão dele para fastá-lo e descolei meu rosto da banca molhada, irritado.

— Não tem nada melhor para fazer? – encarei o moreno.

— Cara, você perdeu toda a aula de física! O professor ficava olhando feio para você a cada minuto, mas disse para ninguém te acordar. Acho que ele foi comentar com o diretor ou algo assim. – ele respondeu e tentou jogar a garrafa no lixo, mas errou. – Boa forma de começar o ano.

— Nossa... – passei a mão no rosto, decepcionado.

— Pega leve, Matt! – reclamou Evelyn dando um tapinha na nuca dele. – Relaxa, como o espertão aqui disse: o ano está só começando, você vai compensar essa aula.

— É, prefiro pensar assim. – disse me levantando. – Vamos sair.

Nos sentamos no gramado da imensa Florida International University, minha universidade desde hoje.

— Já disse o quanto gosto dessa sua heterocromia, Bryan? – comentou Evelyn me admirando. – Principalmente seu olho verde.

— Obrigado. Sei lá, às vezes penso que as pessoas acham bizarro já que é mais comum dois olhos claros de cores diferentes, não um preto e outro bem claro. – respondi seguindo com uma mordida no sanduíche.

— Isso te torna especial. – disse em um tom baixo, ficando levemente vermelha, o que valorizava suas varias sardas no rosto.

— Vão me deixar de vela? – resmungou Matt, olhando de lado.

— Claro que não, seu ciumento! – ela exclamou passando os braços em volta dos nossos pescoços e nós três caímos na grama aos risos.

Não falamos nada por um tempo, apenas contemplando as nuvens passando pelo céu. Eu afastei alguns fios do cabelo ruivo dela, e a mesma comentou:

— Sabe, fico tão feliz de estar com vocês novamente.

— Garota, não foi tanto tempo assim! Só saímos do colégio para universidade. – disse Matt.

— É, mas foi muita sorte ficarmos na mesma faculdade. Vocês sabem que desde que perdi meu irmão são poucas as pessoas que eu confio no mundo...

— Entendemos isso, Eve... – murmurei afagando sua bochecha, o que fez ela sorrir.

Antes que pudéssemos conversar mais, o intervalo já havia acabado e tivemos que correr para sala novamente. Lá, todos aguardavam o professor conversando.

— Se liga, chegaram dois caras novos! – Mattew quase gritou além de apontar.

— Não aponte! – abaixei a mão dele, mas um dos garotos já tinha percebido e se dirigiu em nossa direção.

— Tem algo errado comigo? – falou com uma voz rouca e abrindo os braços pra demonstrar raiva. O rapaz tinha a pele muito clara, o que valorizava suas olheiras que eram bem avermelhadas, seu cabelo liso e castanho claro estava sob um boné de marca.

— Não, meu amigo só comentou que você é novo por aqui. – tomei a fala tentando desfazer o mal entendido.

— Oh, claro. – o rapaz me fitou com seus olhos intensamente verdes. – Bom, não quero ter inimigos aqui já no primeiro dia. Me chamo Troy White, sou novo na cidade.

— Prazer, sou Bryan Walker e ele se chama Matt Newman. – observei que Matt apenas sorriu sem graça enquanto Troy nos olhava em silêncio.

— Até mais. – disse virando e retomando sua banca.

Sentamos sem mais comentários pouco antes do professor adentrar a sala e a aula se iniciar.

Eram umas 18 horas quando as aulas acabaram. Enquanto arrumava minha bolsa Evelyn veio toda empolgada dizendo:

— Você já falou com o cara novo? Ele é tão maravilhoso!

— Ainda não tive essa prazer. – admiti saindo com ela. – Também porque as garotas não largaram ele desde que entrou na sala.

— Oportunidade não vai faltar. Ele comentou que veio aqui para Miami porque seus pais vão abrir um grande negócio e tal, coisa de gente rica.

— Então ele é um riquinho esnobe? – indaguei desinteressado enquanto chegávamos na saída da universidade.

— Não mesmo! Ele é bem humilde até.

— Sei. – ajeitei a bolsa nas costas e peguei minha bicicleta. – Poderia oferecer carona se você morasse no caminho.

— Não esquenta, eu volto com umas amigas. Até amanhã, olho verde! – ela acenou e seguiu seu caminho.

Dei um sorriso torto e montei na bicicleta, mas antes que eu pudesse andar alguns metros, um carro veio rapidamente por outra rua e freou bruscamente na minha frente. Ainda bati o pneu da bicicleta na porta do carro, em choque. Olhei perplexo enquanto o motorista baixava sem pressa o vidro.

— O que deu em você?! Podia ter causado um acidente! – reclamei com o coração explodindo.

— Ainda posso causar um acidente se não mudar o tom de voz ao falar comigo. – disse sério, mas sorriu em seguida ao perceber que eu não mudei a expressão. — Brincadeira! Você é tão sério.

— O que você quer? – indaguei, analisando aquele familiar carro preto.

— Nada, só fazer um susto. – respondeu seco ao virar para tocar uma pequena Rosa dos Ventos pendurada no retrovisor. – Espero não ter acabado com minhas chances de ser seu amigo, Bryan.

— C-claro que não... – sussurrei destraído tentando lembrar onde havia visto aquele objeto. – Já vou indo.

— Até amanhã, então. – Troy se despediu e pisou fundo no acelerador do seu carro, e eu segui desconfiado para casa.

Guardei minha bicicleta na garagem e entrei em casa.

— Boa noite, pai! – cumprimentei quando o encontrei assistindo televisão na sala.

— Boa noite, filho. – respondeu apenas virando o rosto sorridente para me ver e virou de volta. – Deixei seu jantar na mesa.

— Obrigado. – agradeci pegando a comida e comecei a subir as escadas.

— Não vai me falar do seu primeiro dia na faculdade?

— Podemos deixar para amanhã? Estou bem cansado. – perguntei parado nos degraus aguardando sua resposta.

— Tudo bem, filho. Tenha uma boa noite. – pude perceber o leve desapontamento na sua voz.

— Tenha uma boa noite também.

Joguei a bolsa na cama e liguei a luz. Antes de dormir eu sempre seguia um padrão: após comer eu tomava banho e após o banho eu me preparava para algo que definiria como seria o dia seguinte. Me sentei diante do meu notebook e, enquanto ele ligava, direcionei minha mão esquerda atrás do ouvido esquerdo, nessa região meu cabelo negro foi levemente raspado... com pouco esforço, eu retiro um pequeno chip, o qual batizei Gallery, de uma minúscula região metálica da minha cabeça. Ah, apenas posso dizer que depois de certo incidente que sofri quando tinha sete anos, ganhei uma certa peculiaridade.

— O que?... – sinto uma leve tontura e olho ao redor sem reconhecer o cômodo. Porém, antes de tomar qualquer outra medida, vejo um pequeno diário com uma frase colada na capa: “Instruções caso não saiba o que está acontecendo”. Ao abri-lo me deparei com uma mensagem intrigante:

“Você é Bryan Walker, um rapaz de 18 anos. Sempre que você retira o pequeno chip localizado atrás da sua orelha esquerda você perde suas memórias (de até 4 anos atrás). Mas não se preocupe! Aqui você vai encontrar suas anotações sobre o que fazer nesse caso.”

1. Com pendrive inserido no computador, abra em “O dia atual”;

2. Aperte play e você assistirá um vídeo contendo todo o seu dia a partir seu ponto de vista. (Em outras palavras, é como se você fosse uma câmera gravando um filme que é armazenado em tempo real nesse chip e pode ser reproduzido no notebook);

3. Após assistir, você pode decidir quais momentos do dia deseja APAGAR (você não se lembrará delas ao colocar o chip novamente, a menos que as restaure da lixeira, que é onde estão as lembranças apagadas) e os que quer SALVAR (estes permanecem na gravação e, após você concluir, eles ficaram salvas no chip e em sua memória);

4. Aperte em “OK” e tire o chip;

5. Coloque o chip no encaixe metálico atrás de sua orelha esquerda e volte ao normal.

Coloco o chip associado a um pendrive no notebook e segui as instruções. Era estranho de ver, mas logo senti mais segurança quando Mattew e Evelyn apareceram na gravação, os quais sei que conheço desde os dez anos. Com o avançar do vídeo, escolhi excluir o momento que conheci Troy, já que não foi uma primeira boa impressão.

— Posso te conhecer de novo amanhã, Troy White.

Ao fim, só havia excluído o momento que o conheci e quando ele quase me matou do coração na frente da faculdade, mas optei por guardar uns dois segundos de vídeo em que vi aquela Rosa dos Ventos, que era bem familiar. Segui os dois últimos passos e só sentia a dor com as informações de 4 anos retomando minha mente.

Me joguei na cama e quanto mais o sono chegava, mais uma pergunta me perturbava:

“Será que aquele sonho foi um tipo de premonição?”

Notas finais
E então, o que achou? No próximo capitulo, vou indicar os modelos que inspiraram os personagens para facilitar sua imaginação. See ya!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.