Mind Readers
36 Capítulo XXXV
Notas iniciais
1) Uma leitora me perguntou ontem se eu tinha abandonado a fic. Se mais alguém pensou a mesma coisa, então vou tranquilizá-los: MR NÃO será abandonada. Eu lamento muito pela demora, de verdade, mas há coisas maiores do que eu que me impediram de escrever :/
2) Pessoal, eu comecei a usar minha conta no Twitter. Por favor, FALEM COMIGO! Se vocês acharem que tem alguma coisa errada, se tiverem alguma reclamação, ou qualquer coisa assim, podem me mandar mensagens privadas, ou menções no Twitter (@_lovemyway). Se vocês tiverem vergonha de deixar reviews, ou algo do tipo, podem falar comigo por lá :) Talvez eu deixe dicas de vez em quando, e se quiserem olhar, procurem nos favoritos, ok?
3) Eu escrevi esse capítulo da madrugada de ontem para hoje. Eu gostei do resultado final, mas vocês vão notar que a narração da Quinn está muito longa. Haverá partes em que eu vou dar um espaço maior entre uma narração dela e outra, apenas para não ficar tudo muito junto e cansativo.
4) Obrigada à Mhell pelo comentário maravilhoso que ela deixou, e pela terceira recomendação da fanfic :D
5) Obrigada a vocês pela paciência e, principalmente, obrigada a todas as 71 pessoas que marcaram essa história em seus favoritos *-*
Leiam as notas finais, ok? E sem mais delongas... Espero que gostem! :D
Capítulo XXXV
Brittany Pierce
A porta se abriu, mas ninguém entrou por ela.
Deve ter sido apenas o vento comentou Wonder.
Contudo, eu podia ver que sua testa estava franzida, e eu a conhecia bem o suficiente para perceber o olhar de preocupação estampado em seu rosto. Talvez Rachel também tenha percebido, ou talvez ela só estivesse assustada, mas a baixinha apertou a minha mão com uma força que eu não pensei que ela pudesse ter, fazendo-me soltar um baixo gemido de dor. Rachel se desculpou, e sua voz saiu quase tão alta quanto um sussurro. Respirei fundo algumas vezes, tentando controlar meus batimentos cardíacos. Será que eu era a única que estava com uma sensação muito ruim sobre tudo aquilo? Será que eu era a única que achava que toda aquela história estava extremamente mal explicada por ambas as partes? Sim, eu confiava em Wonder, mas era da minha droga de vida que estávamos falando, e eu teria um pé atrás com qualquer merda que jogassem para cima de mim.
Só que eu não sabia que merda fazia mais sentido. Balancei a cabeça, e tentei colocar os pensamentos em ordem. Eu, Wonder e Quinn somos capazes de ler mentes. Rachel tem esse tal de "Potencial". O Governo está atrás da gente. Nós estamos fugindo de Shelby porque ela supostamente trabalha para o Governo. Mas por que ela está sozinha? Se ela está em missão de nos caçar, então por que não há ninguém para ajudá-la? Eu não sei de quantas pessoas esse departamento do Governo dispõe, mas tenho certeza que Shelby não seria mandada sozinha a uma missão. Ou talvez até fosse, mas ao menos que eles a estivessem usando como isca.
Mordi o lábio inferior com força. Merda! Por que eu não pensara nisso antes? Talvez fosse isso mesmo! Talvez Shelby fosse apenas uma maldita isca! Mas se esse era o caso, então do que eles estavam realmente atrás? De Wonder? Não. Eles já sabiam sobre a estadia de Wonder em Lima, e essa história de terem chegado até ela por um site de Internet parece ser quase uma desculpa. Por que eles estariam atrás dela, afinal de contas? Eles já não têm Shelby? Ou talvez Wonder também seja uma distração. Talvez haja algo maior por trás de tudo isso, e nós apenas não estamos conseguindo enxergar. O que poderia ser? O que o Governo poderia querer?
Brittany? sussurrou Rachel, desviando minha atenção de meus próprios pensamentos.
Sim? perguntei.
Você escutou isso?
Franzi o cenho e olhei ao redor. A expressão preocupada no rosto de Wonder tinha sido substituida por uma de medo, e embora ela estivesse encostada na parede com os braços cruzados sobre o peito, eu tinha quase certeza de que ela queria sair correndo. Forcei minha audição, tentando prestar atenção ao barulho que Rachel mencionara. Eu levei alguns segundos para escutar. Um zumbido baixo vinha do lado de fora do armazém, e parecia ficar mais alto a cada segundo.
Acho que está chovendo comentei.
Rachel não parecia tão convencida. Ela enfim soltou a minha mão e levantou da cadeira, dando alguns passos para frente e estreitando os olhos, olhando ao redor. Aquilo apenas me deixou mais confusa. O que ela esperava ver? Não havia ninguém ali além de nós três, certo? "Nós três, e mais aqueles dois caras", pensei. Só então me lembrei que Philipe e Max os cúmplices de Wonder ainda estavam ali. Focalizei meu olhar na porta pela qual eles saíram, mas ela ainda estava fechada.
O que foi, Rachel? perguntei em voz baixa.
Eu estou com um péssimo pressentimento sobre isso murmurou ela em resposta.
Se ela estava com um "péssimo pressentimento sobre isso", então com certeza alguma coisa não estava certa. Eu conhecia Rachel bem o suficiente para saber que ela tinha um maldito sexto sentido, e que ela estava sempre irritantemente certa sobre quase tudo. Levantei-me também e parei ao seu lado, passando o braço sobre seus ombros e trazendo-a para perto de mim. Porque diabos eu estava fazendo aquilo, eu não tinha a menor ideia, mas algo dentro do meu peito me pedia ou melhor, implorava para que eu protegesse Rachel. Proteger do que, eu ainda não sabia, mas tinha a sensação de que em breve ia descobrir.
Hum... Garotas? chamou Wonder.
O que? disse.
Acho melhor nós sairmos daqui.
Por quê? perguntou Rachel desconfiada, afastando-se de mim e caminhando na direção de Wonder com os braços cruzados. Você sabe alguma coisa que não sabemos?
Mas o que Wonder ia dizer, eu nunca pude descobrir. As poucas luzes que iluminavam o armazém foram cortadas, e tudo caiu na completa escuridão. Inconscientemente, dei alguns passos na direção de Rachel, buscando tocar qualquer parte do seu corpo. Não a encontrei. Os pelos dos meus braços se arrepiaram quando uma brisa gelada tocou minha pele, e meu coração batia tão rápido dentro do meu peito que chegava a ser doloroso. Eu só percebi que estava chorando quando as lágrimas alcançaram minha boca, e seu gosto salgado me fez fazer uma careta. Eu só percebi que estava tremendo quando meus passos cambaleantes cessaram, e minhas pernas mal conseguiam me manter em pé. Eu só saí do meu torpor quando era tarde demais, e eu só percebi que era tarde demais quando escutei um grito agonizante ecoar por todo o salão. E quando eu percebi quem estava gritando, minhas pernas finalmente cederam, e eu caí de joelhos no chão.
O grito era meu.
Quinn Fabray
É uma sensação na boca do seu estômago de que alguma coisa não está certa. Você a ignora, é claro, porque acha que é a coisa mais sensata a se fazer. Afinal, todas as vezes em que você se deixou levar pela emoção, você quebrou a cara. Entretanto, aquela queimação que estava fazendo meu coração se tornar cada vez menor a cada segundo não movida pelos meus sentimentos, mas pelos menos instintos. E os meus instintos me diziam que eu nunca estivera correndo tanto perigo quanto naquele momento.
Shelby levou aproximadamente uma hora e meia para cumprir o trajeto. A Lua já iluminava o céu, mas não havia o menor sinal de estrelas. Respirei fundo e tentei ignorar a maldita superstição. Rachel não era uma estrela, afinal de contas, então a ausência destas no céu não significava absolutamente nada. Certo. Aquilo não estava me convencendo. Passei a mão pelo rosto e tentei pensar em alguma coisa qualquer coisa que não envolvesse uma Rachel Berry ferida. Imaginei-a sentada em uma cadeira com os braços cruzados e um biquinho adorável no rosto. Ela estava chateada e frustrada por tudo o que estava acontecendo, e discutia com Wonder ou Alexia, seja lá qual for o nome dessa vadia sobre as péssimas condições em que se encontrava no momento. Ou talvez elas estivessem apenas falando sobre o clima. Aquele pensamento me fez rir. Contudo, a risada morreu assim que Shelby estacionou o carro.
Cortaram a luz disse ela, apreensiva.
Ela estava certa. Passei as mãos pelo rosto e tentei controlar um tremor que eu nem sequer sabia que estava tendo."Ela está bem", disse-me. "Nós vamos ter uma conversa pacífica. Nós vamos resolver essa situação. Vai ficar tudo bem". Repeti aquelas frases diversas vezes enquanto abria a porta do carro e tentava acompanhar os passos rápidos e precisos de Shelby, o que era difícil, já que eu não parecia ter controle o suficiente sobre meu corpo para manter minhas pernas firmes do jeito que eu gostaria de estar. Entretanto, assim como eu, elas esperavam apenas um sopro de vento para desmoronar.
Você está escutando alguma coisa? perguntou Shelby.
"Eu estou escutando nosso coração bater".
"Eu juro que posso ouvir nossa respiração descompassada".
"O salto de Shelby arrastando contra o concreto".
"Isso é uma coruja?"
Fechei os olhos e tentei escutar com mais atenção. Aquilo definitivamente não era uma coruja. Parecia mais um zumbido... Mordi o lábio inferior, deixando-me levar pela preocupação. Diabos! Eu queria entrar logo naquele maldito armazém, arrancar minha namorada e minha amiga de lá, e me mandar para o mais longe de toda aquela loucura possível. Mas aquela voz irritante no fundo da minha mente que eu tanto tentava ignorar dizia-me para ir embora. Talvez eu devesse tê-la escutado. Eu fui ingênua por achar que podia proteger Rachel de tudo isso, e fui muito mais ingênua por pensar que aquele meu "dom" não me traria problemas. É claro que nem em um milhão de anos eu poderia imaginar que algoassim fosse acontecer, mas eu deveria ao menos ter desconfiado de que alguma coisa daria errado. Só que, como a grande idiota que sou, eu apenas ignorei meus instintos, como sempre. E, por ser essa idiota tão grande, eu simplesmente não consegui proteger a garota que eu amava de tudo aquilo. Eu tinha fracassado. Balancei a cabeça com força e tentei espantar todos os pensamentos negativos. Talvez eu tenha ignorado meus instintos por todo aquele tempo, mas eu não cometeria os mesmos erros novamente.
Quando abri os olhos novamente, Shelby já estava parada na frente da porta do armazém. Ela acenou com a mão em minha direção, pedindo-me para que eu me aproximasse. Foi exatamente o que fiz. Sua testa estava franzida, e eu podia ver a expressão preocupada estampada em seu rosto, como possivelmente também estava presente no meu. "Concentre-se, Quinn. Não perca o foco", pensei. Respirei fundo algumas vezes e afastei os pensamentos impróprios de minha mente. Aquela não era a hora de me culpar pelos meus erros, ou de agir por impulso. Aquela era a hora de usar o cérebro, e arrumar uma forma sair daquela situação da melhor maneira possível.
O que você acha que é esse barulho? perguntei.
Shelby fez uma careta por eu não ter abaixado o tom de voz. Mas de que adiantava sussurrar? Se houvesse mesmo alguém ali dentro e eu tinha certeza que havia , então provavelmente já estavam cientes de nossa chegada por conta do barulho do carro. A mãe de Rachel soltou um pequeno suspiro, parecendo chegar a mesma conclusão que eu e olhando ao redor, apenas para se certificar de que não havia ninguém por perto.
Não sei admitiu Shelby. Eu tenho a sensação de que esse barulho é familiar... Uma máquina, talvez? Não sei. Mas seja como for, vamos precisar entrar.
O que estamos esperando? perguntei ansiosa.
Você tem uma lanterna? perguntou-me. Lá dentro está escuro como breu.
Não resmunguei. Isso importa? Se nós não podemos enxergar, então eles também não podem.
Pode ser uma armadilha retrucou Shelby.
É uma armadilha disse, revirando os olhos. Por que outro motivo Wonder nos traria para o meio do nada? Acho que poderíamos ter uma conversa civilizada dentro de Lima. Aqui, nós estamos longe de qualquer ajuda.
Por nossa própria conta e risco concordou Shelby.
E isso pareceu preocupá-la ainda mais. Bufei. Adiantava ficar discutindo o óbvio? E então, mesmo contrariando Shelby, entrei no armazém escuro e caminhei lentamente em linha reta. O único som que eu podia escutar eram os meus próprios passos, e minha respiração parecia estar presa em minha garganta. Havia uma luz, entretanto. Ela era fraca, e não iluminava praticamente nada, mas eu conseguia distinguir algumas formas assim que meus olhos se acostumaram à escuridão. No centro da sala, eu achava ter visto o contorno de duas cadeiras. Andei decidida em sua direção, e quando estava há alguns metros de alcançá-las, tropecei em algo pesado e caí no chão.
Merda! murmurei.
Foi só então que eu percebi que a luz vinha do flash da câmera de um celular. Forcei minha vista, tentando ver alguma coisa ao seu redor, e estiquei meu braço para apanhá-lo. Mas assim que o peguei e passei a luz pelo chão ao meu redor, senti meu coração bater rápido demais contra meu peito e as lágrimas caírem como cascata de meus olhos. Minhas mãos começaram a tremer violentamente e, de joelhos, avancei na direção do corpo estirado no chão, imóvel.
E um grito escapou de minha garganta quando eu percebi que ele pertencia à Brittany Pierce.
Uma faca. A única coisa que eu conseguia enxergar era o cabo de madeira. Meu corpo todo tremia violentamente, e eu não tinha coragem de estender a mão e checar sua pulsação. Eu estava simplesmente paralisada, sentindo aquelas navalhas rasgarem meu peito, e deixando as lágrimas descerem feito cascatas pelo meu rosto. Eu queria morrer. Eudevia morrer. Se eu não era capaz de defender uma das únicas amigas que tive em tanto tempo, então eu não era capaz de fazer mais nada. Eu tinha perdido. Onde estava Rachel, agora? Será que seu corpo estaria estendido ao lado do de Brittany? Será que ela também tinha uma faca enfiada em seu estômago? Será que ela estava morta? A dor em meu peito tornou-se insuportável, e eu abracei minhas pernas com força, balançando-me para frente e para trás, tentando impedir de ter meu coração arrancado tão brutalmente de meu peito. Porque se o corpo de Rachel estivesse mesmo ao lado do de Brittany, então eu não ia querer morrer, então eu não deveria morrer, eu precisava morrer. Eu não era forte o suficiente para viver sem ela. Eu não era forte o suficiente para sequer pegar a maldita lanterna e checar se ela realmente estava ali. Eu não queria saber.
Senti uma mão tocar meu ombro, e nem sequer me desviei. Talvez fosse Shelby. Talvez fosse Wonder. Talvez fosse alguém do Governo. Peguei-me desejando ardentemente que fosse a última opção, porque se eles quisessem me matar, então eu nem tentaria resistir. Eu era fraca demais até para isso. O aperto em meu ombro se tornou mais forte e, logo em seguida, senti dois braços me envolverem num abraço e deixei escapar os soluços de agonia que estavam presos em minha garganta. Por que logo eu que leio mentes? Por que eu não podia ter continuado como uma garota normal? Por que aquilo estava acontecendo comigo? Seria aquele algum castigo de Deus? Talvez fosse. Talvez eu merecesse. Embalei-me com mais força, apertando ainda mais meus braços ao redor de minhas pernas e mordendo meus lábios com força, controlando-me para não gritar.
Quinn sussurrou alguém perto de meu ouvido.
Mas eu não queria escutar. Tudo o que eu queria era desaparecer para sempre; tudo o que eu queria era ficar longe de tudo e de todos. Talvez eu fosse amaldiçoada e, por isso, as pessoas ao meu redor sofriam. Talvez por isso minha mãe fosse tão infeliz; talvez por isso meu pai sempre estivesse bêbado; talvez por isso minha irmã tenha sempre sido uma vadia comigo. Talvez eu mereça. Talvez eu apenas mereça tudo de ruim que acontece comigo. Talvez eu...
Quinn?
Meu coração saltou no peito quando eu reconheci aquela voz. Os braços que tentavam me consolar arrancaram o celular de minha mão e o flash da câmera foi direcionado ao rosto de Brittany. Seus olhos estavam abertos. Ela estava viva. Um pequeno sorriso triste surgiu em seu rosto, e com dificuldade, ela ergueu a mão para tocar a minha. As lágrimas caíam do mais intensidade agora, mas eu finalmente consegui sair de meu torpor. Segurei a mão de Brittany com força, e pedi à Deus que não a deixasse partir. Se alguém precisava morrer, então eu preferia que esse alguém fosse eu.
Eu sinto muito, Q., mas eu não pude evitar...
A voz dela estava fraca, e ela parecia fazer esforço para falar. Balancei a cabeça em sinal negativo, implorando para que ela parasse de falar. Puxei o celular bruscamente da mão de Shelby, e soltei um urro ao perceber que ele estava sem sinal.
Eu tentei isso sussurrou Brittany.
O que aconteceu? perguntou Shelby.
Eu não sei disse Britt. Em um minuto, tudo estava bem. No outro, as luzes foram desligadas e eu fui...
Rachel perguntou Shelby num tom urgente. Onde ela está?
Eu sinto muito murmurou Brittany. E-eu não s-sei, eu n-não vi nada. E-e-estava muito escuro, e-eu não vi o que aconteceu. Eu s-sinto muito.
Está tudo bem, Britt-Britt disse, beijando-lhe a testa e acariciando seus cabelos. Nós vamos procurar ela, está bem? Nós vamos cuidar da Rachel, mas você precisa ficar forte, certo?
D-dói muito choramingou Brittany.
Eu sei sussurrei. Mas você precisa me prometer que não vai desistir. Por mim. Por Rachel. Por Santana. Prometa que vai ser forte, Britt-Britt.
Eu prometo murmurou Britt. Se você me prometer que vai salvá-la.
Eu vou salvá-la prometi.
E-eu v-vou me m-anter respirando prometeu Brittany. Vá atrás dela, Qu-Quinn. Vá a-atrás da sua namorada, antes que...
Shiii disse Shelby, tocando levemente no ombro de Brittany e fazendo-a se calar. Apenas fique parada, ok? Acho que lá fora eu consigo sinal. Eu vou ligar para uma ambulância.
Não murmurei. Você precisa levá-la daqui.
Rachel...
Eu cuido dela disse. Se você chamar uma ambulância, eles vão demorar o dobro de tempo. Mas se você for primeiro, então você pode ajudar Brittany mais rápido, e ainda chamar o reforço policial.
Eu não vou deixar você sozinha! protestou Shelby. Ela é a minha filha, Quinn!
Eu sei disse. Mas... Mas se você estiver certa, então é a mim que Wonder quer. Não adianta nada você ficar e eu ir. É a melhor opção, Shelby. Você precisa confiar em mim, assim como eu confiei em você.
Eu pude ouvir Shelby respirar fundo. Ela sabia que eu estava certa, aquela era a única opção que tínhamos. Eu daria minha vida para salvar a de Rachel, e eu precisava que Shelby acreditasse nisso.
Eu confio.
E ela acreditou.
Não foi fácil levar Brittany para o carro. Uma de minhas mãos estava ocupada segurando o celular e apontando o flash para a saída, e a outra segurava firmemente as costas de Brittany. Shelby é quem tinha o maior peso sobre si, e mesmo tomando todos os cuidados, eu ainda podia ouvir Brittany arfar ou morder os próprios lábios para se impedir de gemer de dor. Senti as lágrimas inundarem meus olhos novamente. Diabos! A garota tinha sido esfaqueada, e tentava não demonstrar que estava sentindo dor para que eu não ficasse pior. Brittany tinha que sobreviver. Ela era boa demais para partir desse mundo. Alguns minutos depois, conseguimos chegar em segurança ao carro. Shelby acomodou Brittany no banco de trás, e eu beijei novamente sua testa antes de fechar a porta.
Você acha que eles ainda estão aqui? perguntei, indicando o armazém com a cabeça.
Estão concordou Brittany com um fio de voz. Não havia nenhum outro carro quando chegamos, e não há mais nenhum além desse e da van.
Que van? perguntou Shelby.
Dentro do armazém.
Havia mais alguém com vocês? perguntei.
Eu sabia que Brittany não podia falar muito, mas obter aquelas informações era essencial. Wonder estava trabalhando sozinha? Ela mesma fizera aquilo com Brittany? Ou ela estava mesmo cercada de agentes do Governo prontos para entrar em ação? Não, eu sabia que não era esse o caso. De fato, eu estava ficando cada vez mais convencida de que o maldito Governo não tinha nada a ver com aquela situação. Afinal, aquele fora um trabalho enorme para capturar três adolescentes, e ainda mais para ter uma delas esfaqueada. Talvez Shelby estivesse certa quanto Wonder estar querendo se vingar dela. Talvez fosse mesmo algo pessoal. Mas se esse fosse o caso, então porque Brittany tinha se machucado, e não Rachel? Será que Wonder imaginava que deixaríamos a loira para trás sem cuidados? Talvez ela imaginasse que Shelby fosse ficar, e não eu. Passei a mão pelo rosto e massageei as têmporas.
Dois homens disse Brittany.
O que eles fizeram? perguntou Shelby.
Trouxeram a gente aqui, e depois desapareceram por uma porta nos fundos.
Talvez estejam no segundo andar disse Shelby.
Mas se sabem que estamos aqui, então por que não vieram atrás de nós? perguntei.
Mas eu sabia a resposta. Aquela era mesmo uma armadilha. A questão era: quem era a presa, Shelby ou eu? A mãe de Rachel me surpreendeu com um abraço, que eu mal pude retribuir. Seus olhos estavam marejados, e eu sabia o quanto deveria ser difícil para ela deixar a filha novamente, mas aquilo era o melhor a se fazer. Shelby entrou no banco do motorista e ligou o motor.
Não esqueça da sua promessa disse à Brittany.
Não esqueça da sua murmurou ela em resposta. Cuide-se, Q.
Você também, Britt.
Shelby acenou com a cabeça em minha direção. Observei o carro voltar à estrada e me virei para o armazém. Eu não tinha mais tempo a perder.
Não foi difícil encontrar a porta que Brittany mencionou. Ela ficava na mesma posição que a porta de entrada, exatamente do lado oposto do salão. Caminhei até lá a passos rápidos, e rezei para que nada tivesse acontecido com Rachel. Eu não me perdoaria se fosse tarde demais. É claro que eu tinha perdido um tempo valioso ajudando Brittany, mas aquela era a minha obrigação. Eu já a envolvera demais naquela história, e o mínimo que eu podia fazer era impedir que minha amiga morresse por conta de uma estupidez. Aquilo não deveria estar acontecendo com ela. Aquilo não deveria estar acontecendo com nenhuma de nós.
Subi os degraus com cautela, e assim que cheguei ao topo, meu coração parecia querer pular do meu peito. Minhas mãos tremiam, mas eu não iria desistir. Ergui a cabeça, e entrei na sala que era quase tão grande quanto a do primeiro andar. Ela estava vazia. As paredes também eram pintadas de bege e pareciam desbotadas. O chão de madeira rangia quando eu pisava, e as telhas no teto não pareciam firmes, como se fossem desabar a qualquer momento. Entretanto, o lugar estava decorado. Havia uma lareira centralizada na outra extremidade que ficava de frente para mim, e eu podia ver que suas chamas estavam acesas. De frente para ela, havia uma cadeira simples de madeira em cima de um tapete vermelho, e à sua esquerda, eu podia ver uma porta. Caminhei até a lareira o mais silenciosamente que pude, tentando me manter afastada da luz e forçando minha visão para procurar qualquer vulto humano.
A porta se abriu. Senti o ódio ferver em meu corpo quando vi Wonder andando lentamente em direção a cadeira, e a confusão quando ela se inclinou para frente e pareceu falar alguma coisa. Só então eu reparei na corda. Só então eu percebi o que realmente estava acontecendo. As lágrimas caíram de meus olhos novamente, mas daquela vez não era de tristeza ou nem de medo. Era de alívio. Porque eu tinha certeza absoluta que era Rachel quem estava ali. Rachel estava viva. Foi preciso usar todo o meu auto-controle para não sair correndo e me atirar em cima de Wonder. Brittany alertara de que ela não estava sozinha, e aquela não era uma coisa sensata a se fazer. Talvez um dos brutamontes estivessem apenas a espreita, esperando para me atacar se eu fizesse um movimento em falso. Respirei fundo algumas vezes, controlei minhas emoções e caminhei o mais silenciosamente que pude para mais perto de onde elas estavam.
Você é uma vadia escutei Rachel dizer.
A voz dela soava fraca, mas eu preferia não pensar no que aquilo significava. Wonder soltou um longo suspiro e apertou a corda que envolvia Rachel, fazendo-a soltar um gemido baixo de dor. Senti a raiva subir à cabeça, e fechei a mão em forma de punho, apertando-a com toda força que conseguia arrumar.
Você não entende sussurrou Wonder em resposta. Eu não tive escolha.
Claro respondeu Rachel sarcasticamente. Tenho certeza de que você não escolheu ser uma vadia. É uma pena você ter nascido assim.
Você está brigando com a pessoa errada, Berry disse Wonder. Eu espero, para o seu próprio bem, que não seja Quinn que venha atrás de você. Ninguém mais precisa se machucar nessa história.
Do que você está falando? perguntou Rachel. Você apenas me entregou para o Governo?
Eu não entreguei você a ninguém resmungou Wonder. Agora fique calada, não quero que ninguém nos ouça.
Por que eu deveria me preocupar com isso? Eu já estou aqui mesmo retrucou Rachel irritada.
Apenas confie quando eu digo que você não vai querer irritar a pessoa errada.
E então, eu dei um passo a frente.
E que pessoa errada seria essa, Alexia? perguntei.
A cor sumiu completamente do rosto de Wonder. Caminhei na direção dela, e estava tão cega pela minha raiva que nem sequer escutei a porta se abrir novamente.
Essa pessoa seria eu.
Virei-me assustada na direção da voz, e parada bem na minha frente, estava a última pessoa que eu esperava ver.
Notas finais
Essa outra é uma one shot que escrevi enquanto o bloqueio para escrever MR não passava... O nome é "Apaixonada por você", então se quiserem ler... ^^
http://www.fanfiction.com.br/historia/248953/Apaixonada_Por_Voce/
Eu sei que mencionei que faria continuação de MR. Entretanto, eu ainda não estava certa se isso ia ou não acontecer. Mas eu já tenho em mente o que quero no último capítulo e no Epílogo, e eu vi que eles deixam uma brecha enorme pra continuação. Eu só não sei quando eu vou postar, mas vou :)
É isso, pessoal. O que acharam? *-*
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