Mind Readers
27 Capítulo XXVI
Notas iniciais
Mas eu queria agradecer especialmente aos leitores que deixam reviews. Sem vocês, essa estória não teria passado nem do Prólogo. Obrigada por sempre me incentivarem e por serem leitores incríveis *-*
Tive um surto de inspiração, então aqui vai mais outro pra vocês. Espero que gostem! :D
Capítulo XXVI
Rachel Berry
"O que você está fazendo aqui?" perguntei irritada.
E lançando um olhar culpado em minha direção, estava Shelby Corcoran, a minha mãe biológica. Oh meu Deus! Será que os problemas nunca iam terminar de aparecer? Aparentemente, a resposta era não.
"Eu estava procurando alguém" disse Shelby. "Desculpe, Rachel, eu não sabia que você estudava aqui"
Ouvir isso foi como levar um soco na cara. Eu conhecera Shelby alguns meses antes daquilo acontecer. Nós tínhamos uma relação amigável, mas quando tudo se tornava difícil, ela simplesmente desaparecia. Depois do que aconteceu, eu nunca mais a vi. E lá estava ela, parada na minha frente, dizendo que entrara no meu colégio e nem ao menos era para me ver, ou pedir desculpas por ser uma tremenda filha de uma mãe.
"Eu quero ir para Yale" disse, cruzando os braços sobre o peito.
"O que?" perguntou Shelby educadamente. Senti vontade de meter a mão nela, mas eu não podia fazer isso. Querendo ou não, ela ainda era a minha mãe.
"Eu quero ir para Yale" disse. "Só para o caso de você resolver aparecer, encontrar-me por lá e dizer que não tinha a mínima ideia da Universidade para a qual sua filha queria ir, assim como você não tinha a mínima ideia, pelo menos não até agora, de em qual colégio eu estudava"
"Rachel..."
"Poupe-me, Corcoran. Não quero ouvir nada que venha de você. Agora, se você me der licença, eu tenho mais o que fazer"
Shelby me impediu de fazer minha saída dramática, postando-se na minha frente e cruzando os braços sobre o peito, assim como eu. Não pude deixar de notar como éramos parecidas, não só nos gestos ou na aparência, mas também na forma de pensar. Bufei irritada.
"Será que dá para sair do meu caminho?"
"Primeiro, trate-me com mais respeito. Querendo ou não, eu sou a sua mãe. Segundo, onde fica a sala do diretor?"
"Primeiro, eu vou tratá-la do jeito que eu quiser. Você não é minha mãe, nunca foi, e nunca vai ser. Se você quiser meu respeito, então conquiste-o. Mas como você é incapaz de ficar tempo o suficiente em um só lugar, ou talvez em um lugar comigo, eu acho que respeito é algo que você nunca mais vai conseguir de mim. Segundo, ache a diretoria sozinha. 'Quem tem boca vai a Roma', não é? Bem, acho que o caminho para a diretoria McKinley é bem menor e menos distante. Agora, se você me der licença, eu tenho algo realmente importante para fazer, e não posso perder meu tempo com gente que não merece nem mesmo um segundo da minha atenção"
Dei-lhe as costas e peguei um caminho alternativo. Shelby Corcoran acabara de descobrir que ela não podia mexer com Rachel Berry.
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"Onde você estava, Rachel?" perguntou o senhor Schuester. "Você está atrasada"
"Desculpe, senhor Schue, não foi minha intenção" disse, sentando-me ao lado de Sam, que sorriu amigavelmente para mim. Retrubuí o sorriso.
"Está tudo bem?" perguntou ele só para eu ouvir.
"Você não vai acreditar em quem eu acabei de encontrar no corredor" murmurei em resposta.
"Quem?" perguntou Sam interessado.
Mas antes que eu pudesse responder, Shelby entrou na sala do coral e cumprimentou o senhor Schuester. Minha boca foi até o chão. Shelby me encarou surpresa, e eu retrubuí o olhar com intensidade. O que ela pensava que estava fazendo?
"Pessoal, essa é Shelby Corcoran. Ela é uma das melhores treinadoras de corais, e estava de passagem pela cidade. Eu a convenci a nos dar uma ajudinha nos treinos para as Regionais. Quem ia apresentar o dueto hoje?"
"Kurt e Tina" respondeu Finn.
Concordei com a cabeça.
"Senhor Schuester, será que podemos apresentar amanhã?" perguntou Kurt. "Tina precisou ir embora mais cedo. Dentista, acho. Finn e Rachel, vocês podem apresentar hoje?"
"Tudo bem para você?" perguntou Finn.
"Claro" disse, abrindo um grande sorriso falso.
Finn se levantou e eu o segurei pela manga da camisa. Ele me encarou intrigado.
"Será que podemos trocar a música?"
"Hum... Claro. O que você quer cantar?"
"Fix You, do ColdPlay"
"Eu adoro essa música" disse Finn, abrindo um maior sorriso.
Dividi as partes da música com ele. Finn disse ao pianista o que iríamos cantar, e nós dois nos posicionamos na frente da sala. Shelby sentou no lugar em que eu estava, e eu não consegui evitar de ficar irritada. Por que sentar justo no meu lugar? Não era o único vazio! Percebi que os outros membros do clube tinham notado meu olhar nada amigável na direção de Shelby. O senhor Schuester franziu o cenho. E foi aí que Brad começou a tocar.
Finn:
When you try your best, but you don't succeed,
When you get what you want, but not what you need,
When you feel so tired, but you can't sleep
Stuck in reverse
Rachel:
And the tears come streaming down your face
When you lose something you can't replace
When you love someone, but it goes to waste
Could it be worse?
Finn/Rachel:
Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try, to fix you
Não olhei para a Shelby quando cantei. Na verdade, eu não queria olhar para ela nunca mais. Senti a mão de Finn apertar a minha e lancei um olhar grato em sua direção. Aquele garoto grande, insistente, bobo e gentil. Eu realmente gostava dele. E pensar que Quinn o achava um idiota!
Finn:
And high up above or down below
When you're too in love to let it go
Rachel:
But if you never try, you'll never know
Just what you're worth.
Finn/Rachel:
Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try, to fix you.
Finn fez um sinal para o pessoal, indicando que eles deveriam cantar conosco o resto da música. Sam sorriu, e eu sorri de volta para ele. E pensar que eu ficara com medo de não encontrar amigos de verdade. Quem se importava se minha mãe me rejeitara? Eu tinha uma família. Eu tinha os melhores amigos do mundo. Não deveria fazer diferença, certo? Então porque eu ainda sentia aquele aperto no peito?
Tears stream down your face,
When you lose something you cannot replace
Tears stream down your face
And I...
Tears stream down your face,
When you lose something you cannot replace
Tears stream down your face
And I...
Finn/Rachel:
Lights will guide you home
And ignite your bones
I will try to fix you...
Finn e eu cantamos a última parte juntos, e fomos aplaudidos de pé por todos. Só então meu olhar encontrou o de Shelby, e ela parecia extremamente culpada. Ergui a cabeça. Eu tinha duas opções: ou me lamentava pelo que não poderia ter, ou agradecia pelo que eu tinha. E eu resolvi agradecer.
Quinn Fabray
Vinte minutos. Eu estava parada há vinte minutos na porta da minnha casa, sem ter a coragem de entrar. Minha mãe tinha me ligado e me pedido para ir mais cedo, e eu tinha um sentimento estranho com relação a isso.
Vamos Quinn, bata na porta, qual o pior que pode acontecer?
Como é que eu vou saber? Tratando-se da Blair e da minha mãe, eu posso esperar de tudo.
Você não acha que talvez esteja exagerando?
Não, não estou.
Sim, você está. Não que isso seja surpreendente, afinal de contas, Rachel Berry é sua namorada.
Disso eu não posso discordar.
Bata na porta.
Nem pensar.
Bata logo.
Não mesmo.
Bata lo...
E então, a porta de casa se abriu. Minha mãe suspirou aliviada.
"Graças a Deus, já estava começando a ficar preocupada!" exclamou ela, puxando-me para um longo abraço. "Vamos, entre"
Minha mãe me guiou até o sofá onde Blair estava sentada. Ela se sentou em uma cadeira na minha frente, e eu sabia o que estava por vir. E, por algum motivo, eu não senti a menor vontade de fugir. Eu finalmente estava pronta para ouvir o que elas tinham a me dizer, mesmo que não fosse me agradar.
"Você pode nos ouvir?" perguntou Blair.
"Por favor, Quinn" pediu minha mãe.
"Tudo bem" disse, soltando um pequeno suspiro. "Uma hora isso teria que acontecer"
Blair concordou lentamente com a cabeça. Ela passou a mão pelos cabelos, respirou fundo e me encarou.
"Eu fui uma idiota, Quinn. Você sabe disso, eu sei disso, e nem sequer vou me dar ao trabalho de negar. Você era minha irmãzinha caçula. Sempre tão perfeita! Papai era louco por você, e eu tenho que admitir que bem lá no fundo eu sentia um pouco de inveja. Não por você receber mais atenção, mas por saber que eu não poderia ser como você. Isso sempre me afetou muito. Eu cresci vendo as pessoas te amarem incondicionalmente, e a maioria sequer ligava para mim. Nossos parentes, os amigos da família, até mesmo os meus amigos... Todos eles preferiam você. E durante muito tempo, tudo o que eu senti foi orgulho. Mas quando Josh te escolheu, eu senti raiva"
Encarei Blair surpresa. Eu nunca imaginei que ela tinha inveja de mim. Por Deus! Ela sempre fora perfeita aos meus olhos! Mas eu não podia negar que ela estava certa. Eu realmente sempre fui a favorita, mas nunca pensei que isso pudesse tê-la incomodado tanto, ainda mais porque ela era mais ligada com a nossa mãe.
"Eu nunca te contei... Eu me apaixonei pelo Josh antes de vocês namorarem. Nós ficamos algumas vezes, e então você veio de Lima, e ele escolheu você. Eu fiquei com tanta raiva, Quinn. Ele brincou comigo, mas também brincou com você. Ele a traiu mais de uma vez comigo. Ele me enganava, sempre dizendo que ia terminar com você e que finalmente poderíamos ficar juntos. Um dia, ele finalmente conseguiu me levar para cama. Eu me senti tão bem no momento! Finalmente eu tinha te superado em alguma coisa, finalmente alguém preferia a mim do que a você... Mas no dia seguinte ele me deu o fora, e eu queria que você se sentisse da mesma forma que eu estava me sentindo: dilacerada. Eu sempre tentei manter a pose de vadia, e acho que a mantive por tanto tempo que foi no que acabei me tornando. Mas antes de você voltar para Lima, você gritou comigo. Ah, Quinn, você estava completamente certa!"
Escutar aquilo foi como levar socos repetidos no estômago. Eu a fazia se sentir diminuída? A culpa daquilo tudo de certa forma era minha? Não, eu sabia que não. Blair que lidara com tudo errado, e acabara fazendo muita merda. Mas ao contrário do que eu pensava, ela não era uma vadia. Senti meu coração apertar no peito e consegui segurar as lágrimas. Eu não ia chorar. Pelo menos não agora.
"Eu namorei o Sam" soltou Blair.
"Você o que?" perguntei incrédula. "Que Sam?"
"O seu amigo, Sam Evans"
"Você está brincando" disse, balançando a cabeça.
"Não estou" disse Blair. "Ele é fofo, meigo e tão delicado! Depois que você foi embora, eu tive que segurar as pontas e arcar com as consequências de meu erro. E então, veio o Sam. Eu me apaixonei perdidamente por ele, mas o Josh começou a querer colocar coisas na cabeça dele. E no final das contas, Sam acreditou em absolutamente tudo. Josh me beijou e fez questão que Sam visse. Eu tentei explicar, mas ele não acreditou"
"Josh sempre foi um imbecil" e isso foi tudo o que eu consegui dizer. Talvez porque tudo soasse inacreditável, ou talvez porque eu queria que ela continuasse. Acho que era um pouco dos dois.
"Eu fui para a Universidade. Um dia, eu fiquei muito bêbada em uma festa. Eu ainda estava na fossa. Eu ainda me sentia péssima, então eu simplesmente dormi com um desconhecido, e um mês depois, descobri que estava grávida. Quando eu estava com três meses, eu perdi o meu bebê. Foi aí que eu fiz o maldito teste para o filme de Hollywood. Eu não tinha nada a perder, de qualquer forma. E para a minha surpresa, eu consegui uma pontinha que me rendeu um pouco de fama. Logo depois me chamaram para esse trabalho, e eu simplesmente aceitei. Fugir dos meus problemas, dos meus erros, foi muito mais fácil até agora. Mas eu não quero continuar a fazer isso, Quinn"
E antes que eu pudesse dizer alguma coisa, minha mãe se pronunciou. Encarei-a surpresa. Eu esquecera completamente que ela ainda estava ali.
"Perdoe-nos, Quinnie" disse minha mãe, lançando-me um olhar triste. "Sua irmã não foi a única que cometeu erros. Eu não fui a mãe que deveria ser. Eu não estava lá por vocês quando precisaram, e eu sempre fui muito fraca. Mas isso mudou. Eu quero ter uma nova oportunidade de conhecer vocês, de conhecer sua namorada, de saber sobre o seu clube do coral. Eu quero que você me conte como foi o seu dia na escola, o que você aprendeu, as músicas que você ensaiou para a coreografia das líderes... Por favor, Quinn, eu só quero tê-la como filha"
Eu mal consegui processar o que minha mãe havia me dito. Quero dizer, como ela sabia sobre o clube do coral? Sobre a Rachel? Eu não me lembrava de ter comentado com ela. Blair segurou minha mão e só então eu me toquei que deveria ter sido ela. Institivamente, afastei-me. Blair me lançou um olhar magoado, e aquilo me machucou mais do que mil navalhas cortando meu coração.
"Eu nem sei dizer o quanto eu sinto, Quinn" disse Blair, chorando compulsivamente. "Eu fui uma idiota, e sei perfeitamente disso, mas eu já paguei pelos meus erros, eu já sofri demais. Tudo o que eu quero é uma chance de poder recomeçar. Tudo o que eu quero é ter outra chance de sermos uma família. Por favor, Quinn, por favor..."
Blair se jogou em meus braços e começou a soluçar. Encarei minha mãe, mas ela estava de cabeça baixa, enxugando as lágrimas de seus próprios olhos. Eu podia ver em seu rosto. Eu podia ler em seus olhos. Ela também estava arrependida. Ela também queria uma segunda chance. Mamãe levantou a cabeça e sustentou meu olhar.
"Nós te amamos, Quinn. Acredite nisso" disse ela.
Tanto tempo, e em tudo o que eu pensei foi em mim. Na dor queeu sentia. Nas consequências que aquilo trouxera para mim. Em como tudo sempre me derrubava. Será que se alguma vez eu tivesse parado para pensar nas pessoas ao meu redor, tudo teria sido diferente? Se eu tivesse usado meu dom para ver na minha da minha mãe e da minha irmã o que eu via agora, será que eu ainda sentiria uma raiva tremenda delas? Eu sabia que não, e talvez por isso eu tenha evitado aquela conversa por muito tempo. Mas eu finalmente estava pronta.
Blair me abraçava com força e seu corpo tremia levemente em meus braços. Eu nunca imaginei o quanto aquilo também a machucava. Eu nunca imaginei o quanto ela me amava. Sim, ela tinha feito as escolhas erradas, mas ela acabara pagando por cada uma delas. Fora Blair que ficara sozinha nos momentos mais difíceis de sua vida. Fora ela que vira tudo o que ela se tinha desaparecer diante de seus olhos por causa de erros bobos, e fora ela que fugira dos seus sentimentos por tanto tempo porque tinha medo de enfretá-los. Eu finalmente a entendia. Ela não me procurara antes porque, assim como eu, ela não estava pronta. Contudo, nada mais era o mesmo. Blair mudara. Minha mãe mudara. Eu mudara. E talvez, só talvez, todas nós pudéssemos ter um novo começo. Afaguei as costas da minha irmã e segurei sua mão com força. Ela não estava mais sozinha, porque eu finalmente conseguira. Eu a perdoara.
"Vai ficar tudo bem" disse num sussurro, tentando impedir as lágrimas de caírem do meu rosto. "Eu prometo, vai ficar tudo bem. Eu estou aqui, eu estou aqui"
Minha mãe segurou nossas mãos, e pela primeira vez em toda a minha vida, eu realmente senti como se fôssemos uma família de verdade. E, naquele momento, nós realmente éramos.
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