Mind Readers
18 Capítulo XVII
Notas iniciais
Fiquei tão empolgada que no lugar de estudar para a minha prova, vim escrever isso pra vocês UHAUAHUAH, espero que gostem!
Capítulo XVII
Quinn Fabray
–– Você está brincando comigo – disse Sam, arqueando a sobrancelha.
–– Não, eu não estou – disse, balançando a cabeça.
–– Sim, você está.
Dei um soco de leve em seu ombro e ele riu.
–– Deixe-me ver se eu entendi. A sua irmã roubou seu namorado...
–– Ela não o robou, só dormiu com ele – retruquei.
–– Você a humilhou, veio para Lima, tornou-se uma líder de torcida e sofreu um acidente de carro ao salvar a vida de uma pessoa?
–– Resumidamente... Sim, é isso aí.
–– E quem foi que você salvou? – perguntou Sam.
–– Não faço ideia – disse, dando de ombros. – Eu desmaiei logo em seguida. Quando acordei, já estava no hospital.
–– Você sabe que isso é um pouquinho inacreditável, não sabe?
–– Mas é verdade! – protestei, cruzando os braços e fechando a cara.
–– Então talvez você deva explicar tudo de novo. E dessa vez, faça o favor de terminar suas frases. Eu não leio mentes, sabe – brincou Sam, dando uma piscadela em minha direção.
Ah, quando ele souber! Deus, essas piadinhas com certeza só vão ficar piores.
–– Muito bem, Evans, já que você é lento demais para acompanhar tudo, eu vou começar de novo.
Ele revirou os olhos, mas sua expressão não era mais divertida ou risonha. Na verdade, eu nunca o vira tão concentrado antes, como se ele estivesse disposto a entender muito mais do que minha história. Como se ele estivesse disposto a me entender.
–– Meus pais eram felizes juntos. Meu pai era um cara gentil, e minha mãe não costumava ser tão egoísta. Meu pai me disse que quando Blair nasceu, minha mãe se transformou em outra pessoa. Sempre atenciosa, muito mais carinhosa. Ele se apaixonou cada vez mais por ela. Três anos depois da Blair, eu nasci. Acho que mamãe esperava um menino, e ficou realmente desapontada por eu ter nascido mulher. Embora, é claro, eu seja gay, o que é realmente irônico.
"Depois que eu nasci, mamãe voltou a ser a mesma que sempre foi. E, bem, meu pai simplesmente se cansou. Mas eles continuaram juntos, porque os dois vinham de famílias cristãs, e o casamento era algo sagrado para eles. Mas teve uma época que meu pai não a aguentou mais. Eu tinha dez anos. Eles se separaram, e eu e Blair moramos com a minha mãe por dois anos. Foi aí que meu pai me levou para Chicago com ele, e deixou Blair para trás. Talvez porque eu não me desse muito bem com a minha mãe, ou talvez porque Blair fosse parecida demais com ela. De qualquer forma, eu morei com ele por dois anos."
Respirei fundo antes de continuar a minha história. Eu não gostava das lembranças que ela trazia, mas se eu ia contar meu segredo ao Sam, eu precisava explicar absolutamente tudo. Ou talvez eu não precisasse, mas era bom ter alguém para me ouvir.
–– Foi nessa época que Blair ferrou com a Rachel. E assim que ela fez essa merda, ela veio correndo para Chicago. Acho que ela tinha medo que mamãe descobrisse que ela estava tendo um caso com uma garota, ou sobre a aposta que ela tinha feito. Blair, além de uma grande vadia, é uma verdadeira medrosa. Mas a convivência com a minha mãe fez ela ficar muito pior. Manipuladora, egocêntrica, falsa... Eu não conhecia esse lado dela. Um dia, eu simplesmente descobri que ela dormira com meu namorado. Aquilo foi demais para mim. Arrumei minhas malas naquele mesmo dia, e voltei para Lima.
"Acho que mamãe ficou desapontada por ter sido eu, e não a Blair. Mas foi nessa época que tivemos uma relação quase casual. Eu entrei para as líderes de torcida, tornei-me popular e completamente desprezível. Acho que isso é algo com o que minha mãe pode se relacionar. Eu tinha jurado a mim mesma que não deixaria mais ninguém pisar em mim. Eu não humilhava as pessoas, mas eu as desprezava. Certo dia, quando eu estava voltando do treino das líderes de torcida, eu vi algo realmente estranho."
Parei um pouco para tomar um pouco de ar, e logo em seguida voltei para a minha narração.
–– Havia uma garota – disse, olhando para o céu. – Eu não a vi direito, porque ela estava de costas para mim. Por algum motivo, ela estava parada no meio da rua, e não viu que um carro se aproximava em alta velocidade. Acho que foi aí que minha máscara de desprezo caiu. A verdade é que eu realmente me importava com as pessoas, mas fingia não me importar porque era muito mais fácil assim. E quando eu a vi ali, prestes a ser atropelada, eu sabia que não podia deixar aquilo acontecer.
"E então, eu agi sem pensar. Eu simplesmente corri e empurrei a garota para a calçada, e antes que eu pudesse sair do caminho também, o carro bateu em mim. Fiquei em coma por duas semanas. Quando acordei, não conseguia mais andar"
–– Meu Deus! – exclamou Sam. – Você perdeu o movimento das pernas?
–– Sim – concordei. – Os músculos atrofiaram por passarem muito tempo sem uso, então precisei fazer fisioterapia para recuperar os movimentos. Foi horrível voltar ao colégio, porque dessa vez eu era a desprezada. Nenhum dos meus "amigos" veio atrás de mim, e eu não fui atrás de nenhum deles. Assim que eu me recuperei por completo, eu decidi que estava na hora de mudar novamente.
–– Voltar a ser a mesma Quinn que era antes?
–– Não – disse, soltando um pequeno suspiro. – Na verdade, antes eu era a Lucy. É o meu primeiro nome, sabe. Mas depois eu me transformei na Quinn... Ice Queen. Sim, eu virei mesmo a Rainha do Gelo. E quando eu fui transferida para o McKinley, eu resolvi não me aproximar de ninguém.
–– Mas isso não faz sentido! Você não deveria ter procurado fazer amigos, ou qualquer outra coisa do tipo?
–– Do que adianta fazer amigos se você sabe que eles vão te decepcionar?
–– Mas você não sabia disso – disse Sam, franzindo o cenho.
–– Na verdade, Sam, eu sabia sim.
–– E como? – perguntou ele incrédulo.
–– Porque desde que eu acordei no Hospital, depois do acidente, algo muito estranho aconteceu comigo.
–– Sim, você perdeu o movimento das pernas – disse Sam impaciente. – Mas isso não...
–– Não, não foi isso – cortei-o. Sam me encarou confuso.
–– O que foi, então?
–– Sam, desde o meu acidente, eu sou capaz de ler mentes.
E foi aí que Sam começou a rir.
–– Você lê mentes? – perguntou ele entre risos. – Meu Deus, Fabray! Eu pensei que você fosse me contar alguma coisa séria, importante.
–– Mas é verdade! – exclamei. – Eu leio mesmo mentes!
–– Então prove! – disse ele, ainda rindo.
–– Se você parar de rir – retruquei irritada.
Ele enxugou as lágrimas do rosto e parou.
–– Muito bem, eu vou pensar em uma cor, e você me diz qual é.
Verde.
–– Isso é patético – disse, revirando os olhos. – Verde, sua cor favorita.
–– Certo, essa é fácil. Qualquer um que me conhece teria acertado. Vejamos uma mais difícil... O nome da minha irmãzinha.
Stacy.
–– Você bebeu, Evans? Eu conheço a sua irmãzinha! Nem preciso ler essa sua mente estúpida para saber que o nome dela é Stacy.
–– Certo – retrucou ele, fechando a cara. – O nome da minha guitarra.
Lenny.
–– O nome da sua guitarra é Lenny? – perguntei rindo. – Parece nome de cachorro!
–– É em homenagem ao Kravitz – disse ele. – Bem, essa também não é difícil. Devo ter comentado com você lá em casa.
–– Então pense em alguma coisa melhor, mais desafiante – disse, revirando os olhos.
–– Meu personagem de Harry Potter preferido.
Dumbledore.
–– Dumbledore? Meu Deus, como você é gay!
–– Olha quem fala – retrucou Sam. – Meu animal favorito!
Cachorro.
–– Cachorro.
–– Meu primeiro beijo.
Jennifer. 13 anos.
–– Jennifer, 13 anos.
–– Quando eu perdi a virgindade!
16 anos.
–– 16 anos.
–– Uma garota que eu acho gostosa.
Quinn Fabray.
–– Você me acha gostosa, Evans? – perguntei rindo. Ele me ignorou.
–– A senha do meu Facebook!
stacyminhabaixinha
–– Stacy minha baixinha. Que fofo, Sam!
Ele estreitou os olhos em minha direção.
–– Muito bem, como você está fazendo isso? Quem te deu as respostas?
–– Você, idiota. Eu estou falando a verdade.
–– Bem, é o que veremos.
–– Já disse: pergunte-me algo que só você saiba.
–– Você não disse isso – retrucou ele emburrado.
–– Bem, estou dizendo agora.
–– Ótimo.
–– Ótimo!
–– Muito bem, essa é difícil. Você nunca saberia, porque eu nunca contei para ninguém.
–– Diga logo, Evans.
–– Uma pessoa do McKinley com quem eu tive sonhos eróticos.
Rachel Berry.
–– Rachel Ber... EI, MAS QUE PORRA É ESSA? VOCÊ TEVE SONHOS ERÓTICOS COM A MINHA GAROTA?
Sam arregalou os olhos, e eu me levantei do banco num pulo, meu punho extremamente perto do rosto dele. Filho da mãe! E eu achando que ele era uma boa pessoa!
Meu Deus, ela lê mesmo mentes! Calma aí, Quinn, não me bate, é brincadeira! Eu nunca tive sonhos eróticos com a Rach!
–– NÃO MINTA PARA MIM, EVANS! – gritei, usando todo meu auto-controle para não quebrar a cara dele.
Tudo bem, então eu tive mesmo um sonho erótico com a Rach... Mas ei, não foi nada demais, ok? Além do que, ela não era sua garota na época. Agora eu a vejo apenas como uma irmã. E ela é baixinha demais para mim. Acho que seria até considerado pedofilia, você não acha? Ela sendo menor, e tal.
–– Essa piada não teve a menor graça! – disse, encarando-o irritada.
–– Fala sério, claro que teve! – defendeu-se ele. – Vamos, sente de novo e me conte como diabos você consegue ler mentes.
E mesmo contrariada, eu me sentei. Mas me virei para ele e apontei meu dedo bem no meio de sua cara, pronunciando as palavras com uma fúria que nem eu mesma conhecia.
–– Se você tiver sonhos impróprios com a minha baixinha de novo, eu juro que corto suas partes, e faço você desejar nunca ter nascido.
–– Tudo bem – disse ele, levantando as mãos em sinal de rendição. – Eu concordo. Mas se eu não posso ter sonhos eróticos com a Rachel, eu posso ter com você? Ou com vocês duas? Porque isso ia ser realmente muito...
E ao ver a expressão no meu rosto, ele parou de falar.
–– Eu estava brincando – disse-me, os olhos arregalados. – Eu juro que estava brincando. Agora me explique como você pode ler a minha caixola.
Bufei, tentando controlar a minha raiva.
–– Eu não sei. Eu nunca entendi como isso aconteceu.
–– Então você simplesmente acordou no Hospital lendo a mente de todo mundo?
–– É por aí.
–– Então você pode ler a minha mente.
–– Obviamente – disse, lançando-lhe um olhar irritado.
–– E a da Santana?
–– Também.
Eu estava tão irritada que nem ao menos sabia onde ele queria chegar. Tudo o que eu podia fazer era contar mentalmente até dez, e esperar não perder o controle. Vamos Fabray, não é nada demais. Você já teve sonhos eróticos com ela também, e ela nem era sua namorada na época. Admita: Rachel é muito gostosa. E Sam provavelmente não foi o único com esses sonhos impuros. E no lugar de me acalmar, isso apenas me deixou mais irritada. Se eu descobrisse que mais alguém tinha pensamentos impróprios sobre a minha baixinha, fosse homem ou mulher, essa criatura não viveria para ver o amanhecer do próximo dia.
–– A da Mercedes?
–– Também.
–– Kurt?
–– Sim.
–– Qualquer um?
–– Exatamente.
–– E então você também pode ler a mente da Rachel?
A pergunta de Sam me pegou desprevinida. Ele nem sabia que estava tocando exatamente na casca da ferida, que eu levara tanto tempo para cicatrizar.
–– Não posso ler a mente dela – neguei, encostando-me no banco e me sentindo exausta.
–– Por que não? – perguntou ele surpreso. – Pensei que você tivesse dito...
–– Qualquer um, exceto ela. Eu não faço a mínima ideia do motivo.
–– E você já pensou em perguntar?
–– Ah, sim, claro! "Ei Rach, tudo bem? É o seguinte: eu leio mentes. Só que você é tão bizarra, que eu simplesmente não consigo ler a sua. E então, como você acha que podemos resolver isso?"
–– Você não precisava ser tão sarcástica – resmungou Sam.
–– Você acabou de admitir que teve sonhos eróticos com a minha garota.
–– Assim como já tive com Sue Sylvester. E ela nunca me castrou por causa disso.
–– Com a treinadora? – perguntei enojada. – Credo! E ela nunca te castrou porque ela nunca descobriu.
–– Exatamente, credo! Isso só prova que eu não tenho controle em relação aos meus sonhos. Com tantas garotas bonitas por aqui, você acha que eu ia escolher sonhar justo com a Sylvester? A propósito, a imagem dela em uma lingerie me assombra até hoje.
Suspirei. Ele estava certo, é claro. Mas isso não me deixava menos irritada.
–– Nós precisamos descobrir.
–– Descobrir o que?
–– Porque você não consegue ler a mente da sua namorada.
–– Não tem como descobrir, Sam.
–– Correção: você não tinha como descobrir sozinha. Agora você tem a mim, e eu vou te ajudar. Talvez a gente ache alguém que também possa ler mentes.
–– E o que você sugere? – perguntei, arqueando a sobrancelha.
–– Google – disse ele, dando de ombros. – É ridículo, mas é um começo. E então, você está dentro?
Respirei fundo. Afinal, o que eu tinha a perder?
–– Pode contar com isso.
E eu ia descobrir de uma vez por todas porque diabos eu não conseguia ler a mente de Rachel Berry.
Santana Lopez
A aposta com Quinn Fabray fora uma jogada de mestre, e matava dois coelhos com um tiro só... Ou seria um disparo? Bem, não faz diferença se o coelho morrer no final. Eu precisava de uma distração, e a peça que a Fabray iria pregar era essencial. Se ela conseguisse arrancar o diretor Figgins da sala dele por vinte minutos, eu tinha certeza absoluta que conseguiria entrar no lugar sem ser notada, e roubar as provas de Trigonometria. Deus sabe o quanto Brittany precisa de ajuda, e eu não sou lá uma das pessoas mais inteligentes do mundo. Então, se tivermos a prova em nossas mãos, tudo ficaria muito mais fácil. Portanto, assim que o sinal do primeiro tempo bateu, eu andei pelos corredores arriscando ser vista por algum inspetor, e fui até o armário do Hudson. Quando cheguei, ele estava pegando seus livros.
–– Finnútil – disse, aproximando-me dele.
–– Ah, ei Santana! Tudo bom?
–– O quanto você gosta da ManHands?
–– O que? – perguntou ele, parecendo confuso. Mas afinal, quando Finn Hudson não parecia confuso?
–– A Berry, seu tapado – disse, revirando os olhos. – Você gosta dela, não é?
–– Sim – disse ele, dando um sorrisinho bobo.
–– Bem, se eu fosse você, eu corria e me declarava para ela.
–– Por quê?
–– Oh! Você não sabe? Todos estão comentando. Parece que a Ice Queen finalmente abraçou o lado rosa da força e resolveu sair do armário. Dizem que ela comprou um Aslam de pelúcia para a Berry, e que ela cantou uma canção da Katy Perry para a hobbit.
–– Uma canção da Katy Perry? Deus, estou perdido! – exclamou Finn.
–– Exatamente – concordei. – Não dá pra competir com "I Kissed A Girl". Então corre e se declara também, porque pelo menos a Rachel vai poder pensar com quem ela quer ficar.
–– Eu deveria comprar um Aslam de pelúcia também?
–– Não, a não ser que você também vá sair de Nárnia.
–– Sair de Nárnia?
–– Sim, Finn – disse impaciente. – Nárnia é em um armário.
–– Ah! Entendi. Mas... Como eu faço isso, Santana? Eu não sei ser romântico!
–– Compre um hobbit de pelúcia para ela e cante uma canção melosa, dizendo como não há uma sala suficientemente grande para caber o nariz dela, ou como ela deveria ser barrada de entrar em um parque de diversões por não ter altura apropriada para nenhum brinquedo.
–– Isso é cruel – disse Finn, lançando-me um olhar irritado.
–– Bem, quem vai se declarar é você. Se não quiser minha opinião, então a peça. E a propósito, você precisa se declarar hoje.
–– Hoje!? Você enlouqueceu?
–– Não. A Fabray foi suspensa, e só vai estar de volta sexta-feira. Mas duvido que, assim como eu, ela não vai estar por perto o tempo todo. Então se declare para a ManHands o mais rápido possível. De preferência hoje, no Glee Club.
–– É, eu vou fazer isso – disse Finn animado. – Vou escolher uma música, cantar para ela, e... Droga, eu não pratiquei!
–– Isso não importa! – exclamei irritada. – Só se declare, seu idiota!
–– Certo, certo – disse Finn num sussurro. – Vou fazer isso.
Sorri vitoriosa. Aquela aposta já estava ganha.
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