Mind Readers
12 Capítulo XI
Notas iniciais
Capítulo XI
Don't you know now
Is the perfect time
We can make it right
–– Pretty Young Thing, Michael Jackson.
Rachel Berry
Eu estava nervosa. Meus pés me faziam andar de um lado para o outro do quarto, e minha mente fazia questão de relembrar de cada segundo do que tinha acontecido. Mas se havia algo realmente gravado em minha mente era a expressão furiosa de Quinn, quando ela tirou Santana de cima de mim. Não pude conter um pequeno sorriso. Peguei minha bolsa, que estava jogada em cima da cama, e procurei por meu celular. Será que eu deveria ligar? Não, talvez ela ainda estivesse conversando com o diretor. Quero dizer, vai saber quanto tempo ele levou para acalmar os ânimos do Diabo da Tasmânia? Então resolvi passar apenas uma mensagem, e assim que ela pudesse, ela iria me responder.
Hey Q., é a Rach! Bem, você provavelmente sabe disso porque tem meu número gravado no seu celular. O que aconteceu? Você está bem? A Santana tentou te machucar? O diretor Figgins te suspendeu? Ou pior, ele te expulsou? NÃO, ELE NÃO PODE FAZER ISSO. Eu falo com ele!!!! Ele não pode fazer nada com você, a culpa foi toda minha, e...
Tentei escrever mais, contudo o limite de caracteres tinha acabado. Respirei fundo e enviei a mensagem apreensiva. Ele não a expulsaria por isso, expulsaria? Não, não expulsaria. Ela melhorara muito recentemente, e não tirava nenhuma nota menor que B-. Além do que, ela realmente não se metia mais em confusão, e frequentava todas as aulas. Antes que eu pudesse enviar outra, meu celular tocou.
Você fica tão fofa toda preocupada *-*, mas não se preocupe, está tudo bem. Estou chegando na sua casa, aí a gente conversa direito. E sim, linda, eu sei que é você.
Meu coração deu um salto no peito quando eu li o "linda" e senti meu rosto corar. E corei ainda mais quando percebi que ficara vermelha por causa de uma coisa escrita em uma mensagem de texto. Deus, eu estava mesmo perdendo a cabeça! Suspirei e peguei meu violão. Eu não era nenhuma expert, mas tocava razoavelmente bem. Eu tivera aulas quando era mais nova, e meu pai, Hiram, ensinara-me um pouquinho de piano. Então eu não era uma completa ignorante no quesito instrumento musical, embora fosse isso o que muitas pessoas pensassem. Toquei os primeiros acordes que me vieram a mente, e levei um susto ao escutar uma batida na porta.
–– Pode entrar – disse, parando de tocar.
–– Como você está? – disse Sam, entrando e dando um sorriso tímido.
Indiquei a minha cama com a cabeça e ele sentou ao meu lado.
–– Melhor, obrigada, e desculpe por ter sido uma idiota com você – disse, lançando-lhe um olhar culpado.
–– Você só estava com ciúmes, tudo bem – disse ele, dando de ombros. – Além do que, você e a Fabray formam o casal perfeito.
–– Você acha mesmo? – perguntei, mordendo o lábio inferior. – Quero dizer, eu nem sei se ela está interessada.
–– Mas eu sei – disse Sam, dando uma piscadela. – Não tenha medo de se entregar aos seus sentimentos, Rach.
–– Eu tenho medo de me magoar – admiti. – Já aconteceu antes. A garota pela qual me apaixonei me ferrou legal.
–– Como foi isso? – perguntou Sam curioso.
–– O nome dela era Elizabeth, mas eu a chama de B.
–– B.?
–– De Blair – disse, dando um pequeno sorriso. – Era o segundo nome dela. Veja bem, eu tinha quatorze anos, nunca me apaixonara antes, e Blair era a garota mais linda que eu já vira em toda a minha vida. E por um milagre, ela gostava de mim tanto quanto eu gostava dela. Nós nos tornamos muito amigas, mas eu sentia que eu não queria só amizade. Então Blair se declarou para mim, disse que estava apaixonada por mim, e eu acreditei.
"Acho que esse foi o meu maior erro. Ela nunca se apaixonou por mim. Ela fazia parte do clube de teatro, e eu devia saber que ela podia fingir muito bem quando queria. Acho que eu só nunca imaginei que a pessoa que eu praticamente idolatrava fosse me foder de uma maneira daquelas. Então nós começamos a namorar, escondidas, claro. Eu ainda era muito nova, ainda não entendia muito bem o que estava acontecendo. Mas Blair parecia tão disposta a me ajudar... Eu não percebi que ela estava era jogando coisas em minha cabeça, que ela estava me confundindo."
Suspirei, balançando a cabeça. Lembrar de Blair doía, e doía mais ainda saber como eu fora idiota.
–– Era uma aposta.
Sam me olhou confuso. Coloquei o violão em cima da cama e cruzei as mãos no meu colo, encarando-as como se fossem a coisa mais interessante do mundo.
–– Ela queria ir pra cama comigo – comecei, tentando esconder o quanto aquilo me envergonhava. – E eu disse não. Mas ela insistiu. Então certo dia estávamos no quarto dela, e ela deitou por cima de mim. E eu disse "Blair, já chega", mas ela não queria me ouvir. Então eu a empurrei com um pouquinho de força e ela caiu da cama. E eu escutei uma risada.
"Eu não estava entendendo nada, é claro. Ela tinha rido? Não, ela nem sequer abrira a boca. Mas eu sabia que tinha escutado alguma coisa, então eu me levantei. A porta do armário dela estava entreaberta, e eu meio que por instinto fui até lá. E quando eu abri, vi que tinha um garoto parado, com uma câmera na mão. No dia seguinte, eles jogaram o vídeo da gente se pegando na Internet, e editaram a parte que eu a empurrava. Eu precisei mudar de escola, porque as pessoas não paravam de zoar comigo. Foi simplesmente horrível. Nunca mais a vi depois disso."
Coloquei a mão sobre o rosto. Sam me abraçou.
–– Ela não vai fazer isso com você, Rach, e sabe por quê?
Balancei a cabeça, e Sam me apertou um pouco mais forte.
–– Porque ela realmente gosta de você. Eu vejo o jeito que ela te olha, ou como ela não para de olhar para você um segundo sequer. Quando ela foi na minha casa, nós conversamos muito, e principalmente falamos sobre você.
–– Sobre mim? – perguntei surpresa, tirando as mãos do rosto.
–– Sim Rach, sobre você. Sobre como ela deveria deixar de ser uma idiota e te dizer o que ela realmente sente. Acho que ela teria feito isso hoje, se não fosse por conta do que aconteceu. Mas sejamos francos, não há prova de amor maior do que enfrentar uma fera indomável como Santana Lopez, e isso vale tanto para ela quanto para você.
Não pude deixar de sorrir.
–– Obrigada, Sam. De verdade.
–– De nada, Rach. De nada.
Quinn Fabray
Não foi uma atitude muito digna, mas ninguém poderia me culpar, não é? Eu não peguei a estória do começo, mas o que eu ouvi foi o suficiente para me deixar fervilhando de raiva. Como assim uma vadia tentara se aproveitar da minha Rach? Sorte dessa filha de uma mãe que eu não a conhecia, porque se conhecesse, encheria ela de porrada. Ninguém mexe com a minha garota e saí ilesa disso. Ninguém. E isso era algo que Santana Demente Lopez acabara de aprender.
A conversa do Sam e da Rach tomou um rumo tão inesperado que me pegou desprevinida. Aquele desgraçado estava praticamente se declarando por mim! Mas eu honestamente não me importava, porque eu sabia que o sentimento era recíproco. Eu sabia que Rachel Berry também estava apaixonada por mim.
Bati levemente na porta do quarto, que estava aberta, fazendo os dois tomarem o maior susto. Fiz uma cara de inocente, mas acho que Sam sabia que eu estava escutando. Filho da mãe! Eu não podia deixar de agradecer depois.
–– Vou deixar vocês sozinhas – disse Sam, dando-me uma piscadela. – Até mais, garotas. Se precisarem de alguma coisa, é só me ligar.
Sam saiu do quarto, fechando a porta atrás de si. Rachel sorriu, e eu fiz o mesmo.
–– Fui suspensa – contei, sentando-me ao seu lado na cama.
–– Meu Deus, eu sinto muito! – exclamou Rachel.
–– Não tem problema – disse, dando de ombros. – Mas caso o Figgins pergunte, você é minha namorada.
Rachel arqueou a sobrancelha e eu conti o riso.
–– E posso saber o motivo?
–– Foi o que eu disse a ele – menti, e dei de ombros. – Disse que a Lopez tinha atacado minha namorada porque ela é preconceituosa e não suporta nossa relação.
–– Mas isso não é verdade – disse Rachel, lançando-me um olhar acusador.
–– E nós não somos namoradas, mas você não pareceu se importar quando o professor disse que éramos – comentei.
Rachel corou intensamente, e dessa vez eu não consegui segurar o riso. Ela deu um tapinha no meu braço.
–– Você está bem, Rach? – perguntei, franzindo o cenho. – Você realmente parecia mal. Ela te machucou?
–– Não – disse ela, sorrindo. – Eu só estava preocupada.
–– Com o que?
–– Não com o que, com quem.
–– E com quem você estava preocupada?
E mesmo não conseguindo ler sua mente, eu sabia exatamente a resposta. Os olhos de Rachel encontraram os meus, e eu senti as borboletas se agitarem em meu estômago. Seu rosto estava tão próximo... Seus lábios eram tão convidativos. E bastava eu me inclinar alguns centímetros para tocá-los com os meus. Levantei os olhos e me surpreendi ao ver quão próximas estávamos.
–– Com você – sussurrou Rachel, lançando-me um olhar intenso que me fez derreter por dentro.
–– Rachel – sussurei, tentando manter o contato visual, mas falhando miseravelmente. Seus lábios pareciam ímãs, e eles atraíam meus olhos.
–– Não diz nada – pediu ela. – Só me beija.
E foi exatamente isso o que eu fiz. Tomei o rosto de Rachel na palma de minhas mãos e encostei nossos lábios, só para constatar que eles se encaixavam perfeitamente. Meu coração batia muito rápido, minhas mãos tremiam e eu sentia como se milhares de borboletas voassem em meu estômago –– mas quando a língua de Rachel invadiu minha boca e se entrelaçou com a minha, todo o meu nervosismo passou, e eu me senti a pessoa mais feliz do mundo. Porque daquele momento em diante, Rachel Berry seria apenas minha.
Notas finais
Espero de coração que tenham gostado. Mereço reviews? UEHUEHUEHUEH :D
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