Mind Readers

3 Capítulo II


Notas iniciais
Mais um :D

Capítulo II

Quinn Fabray

A reação da Berry quase me fez rir. Ela estava completamente branca de susto, e a expressão em seu rosto era hilária. Uma de suas mãos estava contra o seu peito, e ela tentava normalizar sua respiração.

–– Este é o meu armário – menti, apontando para o armário logo atrás dela. – Você estava bloqueando a passagem.

–– Desculpe – murmurou Rachel, corando levemente.

–– Sem problemas – disse, dando de ombros. – Você é nova aqui, não é?

Rachel arqueou a sobrancelha, e eu quase me chutei por ter feito aquela pergunta. Eu escutara a conversa dela com o Hummel e a Jones, e eu sabia que ela já havia percebido os meus olhares. Achei um pouco engraçado eles mencionarem minha sexualidade, e tive que me controlar para não aparecer bem naquela hora. Deus, a expressão deles seria impagável! Eles gaguejariam até a morte, com certeza. Mas infelizmente Rachel estava incluída, e se eu quisesse me aproximar dela, eu não podia intimidá-la daquela maneira... Pelo menos não por enquanto.

–– Sou sim – respondeu Berry, franzindo o cenho.

Mais uma vez a curiosidade corroeu meu peito. Senti uma urgência maior de me aproximar dela. Eu precisava saber o motivo de não escutá-la. Aquele silêncio não era natural. Porque ler mentes é a coisa mais natural do mundo –– pensei sarcasticamente.

–– É... Sabe, você me lembra muito uma pessoa – inventei. Afinal, eu precisava de uma desculpa para não tirar meus olhos dela. – Você tem alguma prima, ou algo do tipo?

–– Não, não tenho.

–– Ah... – murmurei. Caralho, ela não ajuda!

–– Você não me disse seu nome – comentou Rachel.

Foi a minha vez de arquear a sobrancelha. Rachel deu um passo para trás. Conti o riso e estendi a mão.

–– Quinn Fabray. Acho que também não sei o seu.

–– Rachel Berry – disse.

E então, ela apertou a minha mão estendida. E então, eu percebi o quanto ela era quente. Uma pequena descarga elétrica atravessou todo meu corpo, e senti os pelos da minha nuca se arrepiarem. Segurei a mão de Rachel um pouco mais forte. Pensei que isso fosse assustá-la, mas ela apenas retribuiu, apertando a minha com um pouco mais de força também. Eu sorri.

–– É um prazer conhece-la, Rachel Berry. E eu acho que estamos atrasadas para a aula.

–– Igualmente – disse Rachel sem, contudo, soltar minha mão. – Mas como podemos estar atrasadas se o sinal ainda não bate...

E antes que ela terminasse de falar, o sinal tocou. Rachel soltou minha mão e arqueou a sobrancelha. Não pude deixar de sorrir. Dei-lhe as costas e saí andando. Quando percebi que ela não se mexera, virei-me para ela.

–– Você não vem?

Virei-me de costas novamente e saí andando. E daquela vez, Rachel me seguiu.



Rachel Berry

Eu quase enfartei ao dar de cara com Quinn Fabray bem na minha frente. Minha mão estava sobre meu peito, e eu tentava controlar minha respiração. Será que ela estava lá há muito tempo? Será que ela escutara o que eu, Kurt e Mercedes estávamos conversando? Aparentemente não. Esse pensamento me acalmou. Na verdade, ela tinha uma expressão amigável no rosto. Como se não tivesse passado semanas me encarando –– pensei maldosamente. E por alguns segundos, observei-a de cima a baixo. Ela era mais alta que eu, o que não era bem surpresa. Seus cabelos eram curtos e loiros, embora grande parte estivesse pintada de rosa. Ela tinha um corpo perfeito, e as pernas... Meu Deus! Que pernas eram aquelas? Mordi levemente meu lábio inferior.

–– Este é o meu armário – disse Quinn, tirando-me de meus devaneios. – Você está bloqueando a passagem.

–– Desculpe – murmurei, corando levemente.

–– Sem problemas – disse ela, dando de ombros. – Você é nova aqui, não é?

Não pude deixar de arquear a sobrancelha. Ela estava mesmo me perguntando isso? Três semanas, ela passara três semanas me secando, e ainda perguntava se eu era novata? É claro, Rachel, o que você esperava que ela dissesse? “Oi! Eu sei que você é nova aqui, porque eu tenho te secado nas últimas semanas. Quer conversar?”. Repreendi-me mentalmente.

–– Sou sim – respondi, e então franzi o cenho. Por que diabos ela estava falando comigo, afinal?

–– É... Sabe, você me lembra muito uma pessoa. Você tem alguma prima, ou algo do tipo?

–– Não, não tenho – disse. Será que isso é verdade ou ela só inventou para justificar as olhadas?

–– Ah... – disse ela baixinho.

–– Você não me disse seu nome – comentei.

Sim, eu sabia o nome dela. Mas ela não sabia disso. Se Quinn Fabray estava sendo educada, o máximo que eu podia fazer era o mesmo. Ela sorriu e estendeu a mão.

–– Quinn Fabray. Acho que também não sei o seu.

–– Rachel Berry – disse, apertando sua mão estendida.

E foi como se descargas elétricas percorressem todo o meu corpo. Não pude deixar de sentir arrepios. Senti a mão de Quinn apertar a minha um pouco mais forte, e institivamente fiz o mesmo. Ela sorriu.

–– É um prazer conhece-la, Rachel Berry. E acho que estamos atrasadas para a aula.

–– Igualmente – disse. – Mas como podemos estar atrasadas se o sinal ainda não bate...

Mas antes que eu terminasse de falar, o sinal tocou. Soltei a mão de Quinn e arqueei a sobrancelha. Ela deu um sorrisinho misterioso e se virou para ir embora. Quando já estava na metade do corredor, ela se virou para mim novamente.

–– Você não vem?

E por algum motivo, eu a segui. Ela andava a passos rápidos e eu tinha que correr para acompanhar o passo dela.

–– Você não vai pegar seus livros? – perguntei.

Ela parou de repente, e virou de frente para mim. Eu não consegui parar a tempo, e acabei trombando com ela. Quinn caiu, puxando-me pela cintura. Ela acabou deitada no chão, comigo por cima dela. Levantei os olhos –– e só então reparei como seu rosto estava tão próximo do meu.

Sam Evans

–– Droga, droga, droga – murmurei irritado.

O sinal já havia tocado e eu estava atrasado para a aula. Eu corri pelos corredores tentando ainda chegar a tempo, mas parei assim que vi duas garotas caídas no chão. Meu primeiro impulso foi andar até elas e ajuda-las, mas ao ver a troca de olhares entre as duas, resolvi não me meter.

A garota loira que estava por baixo tinha os braços envoltos ao redor da cintura da morena, que estava por cima. Elas se encaravam como se fossem... Bem, como se fossem namoradas. Eu me senti um verdadeiro intruso, e mesmo sabendo que elas não estavam me vendo, não pude deixar de corar.

–– Ei Evans, o que você está fazendo aí?

Levei um susto tão grande que quase derrubei meus livros no chão. A garota morena, que estava de costas para mim, se levantou num pulo. A loira me encarou, como se avaliasse a situação, e eu corei novamente. A sensação de estar sendo um intruso apenas aumentou,

–– Ei Sam!

–– Se mandem – disse baixinho, gesticulando, rezando para que elas me entendessem.

A loira entendeu. Ela se levantou num pulo e saiu puxando a morena pelo braço, que se deixou levar sem grande dificuldade. Agradeci mentalmente por estar na bifurcação do corredor, e quem quer que fosse não teria visto nada. Se fosse para se meter em encrenca por não estar na sala de aula, era melhor de meter sozinho. Além do que, não ia ser nada agradável se mais alguém encontrasse as duas naquela situação. Eu não me importava se as duas fossem namoradas –– mas tinha minhas dúvidas se o resto do McKinley pensaria o mesmo.

–– Ei cara, você está me escutando?

Senti uma mão tocar meu ombro e me virei.

–– Finn! Cara, que susto! Pensei que fosse algum inspetor – disse, revirando os olhos.

–– Foi mal, cara! Atrasado para a aula?

–– É... Você também?

Finn deu de ombros, como se pouco lhe importasse se estava ou não atrasado. E para enfatizar seu desinteresse, ele bocejou. Revirei os olhos. Finn era um jogador de futebol brilhante, mas definitivamente não era um dos caras mais espertos do mundo.

–– E aí, tá a fim de matar aula? Puck e eu vamos pro ginásio.

–– Fazer o que? – perguntei, franzindo o cenho.

–– Beber? – disse Finn, como se fosse óbvio.

–– Não, obrigado – disse. – Tenho que ir. Vejo você mais tarde no treino.

E sem dizer mais nada, virei-me para o mesmo corredor em que encontrara as garotas e saí andando. Porque ao contrário de Noah Puckermann e Finn Hudson, eu me importava com o meu futuro.


Quinn Fabray

Maldição, maldição, maldição! –– pensei irritada. Eu estava praticamente correndo e puxando a Berry comigo. Mas assim que chegamos ao final do corredor, eu vi a Pillsbury, conselheira do McKinley, certificando-se de que ninguém estava matando aula.

Por aqui não tem ninguém –– pensou ela. –– Acho melhor checar o banheiro feminino mais próximo. Será que devo verificar o do vestiário feminino? Não... É muito nojento. Ninguém em sã consciência se esconderia lá, arriscando-se a pegar um monte de doenças por causa das inúmeras bactérias daquele lugar.

Revirei os olhos. Ler mentes tinha seus inconvenientes – e esse não era um deles. Eu nunca fora pega cabulando aula porque eu sempre sabia exatamente para onde ir. Mas então me lembrei que eu não estava sozinha, e que minha mão ainda estava fechada em torno do braço de Rachel Berry. Ela estava estranhamente calada, apenas observando. Virei-me para ela.

–– Não podemos mais ir para sala, podemos? – disse Berry baixinho.

–– Não – respondi-lhe. – E se nos pegarem, estamos fodidas.

–– E não tem nenhum lugar onde possamos nos esconder? – perguntou Rachel, franzindo o cenho. – Meus pais vão ficar furiosos se eu levar uma suspensão.

–– Tem sim, o vestiário do ginásio. Ninguém nunca entra lá.

–– Então vamos – disse Rachel decidida. – Antes que mais alguém nos pegue por aqui.

E quando ela terminou de falar, eu já estava na metade do corredor.


Rachel Berry

–– Agora eu entendo porque ninguém vem aqui – resmunguei.

Quinn riu, mas eu mantive minha cabeça abaixada. A verdade é que eu ainda estava constrangida pelo que tinha acontecido no corredor. E o rosto dela estava tão próximo do meu... Por alguns segundos, eu podia jurar que ela ia me beijar. O que é uma completa loucura, porque eu nem sei se ela é mesmo lésbica, e porque acabamos de nos conhecer – bem, de realmente nos conhecer.

–– Não é o lugar mais limpo e organizado do mundo – disse ela, dando de ombros. – Mas o masculino é pior.

–– Como você sabe? – perguntei, arqueando a sobrancelha.

Ela corou. É claro que ela não ia te beijar, sua idiota. Ela provavelmente deve ter um namorado, e eles já devem ter dado o maior amasso dentro do vestiário.

–– Mas então – disse a loira, visivelmente mudando de assunto. – O que está achando do McKinley?

Dei de ombros.

–– Até que é legalzinho.

–– Que bom que você acha – disse ela rindo. – Porque eu simplesmente detestei quando cheguei.

–– Você nem sempre estudou aqui? – perguntei interessada.

–– Não – respondeu-me, balançando a cabeça.

–– E você não fez nenhum amigo?

Assim que terminei de falar, eu me arrependi. Droga, Rachel! Você fala demais! –– pensei irritada. Mas Quinn não fez nada além de me encarar, como se considerasse a minha pergunta.

–– Não tenho amigos – disse ela por fim. – Acho que as pessoas têm medo de se aproximar de mim. Posso ser intimidadora quando quero – disse ela, dando de ombros.

–– Há quanto tempo você está aqui?

–– Um ano.

–– E em um ano você não fez um amigo sequer? – perguntei chocada. – Como você aguenta?

Quase bati minha cabeça no armário. Como eu conseguia ser tão burra? Mas Quinn apenas riu, como se eu tivesse acabado de contar a piada mais engraçada do mundo.

–– Você não faz ideia.

Mas antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa, nós duas ouvimos um barulho. Levantei-me do banco de um pulo, e meu coração só faltou saltar do meu peito. E então, a porta do vestiário se abriu.


Notas finais
Obrigada a todos que estão acompanhando, e espero que esteja correspondendo às suas expectativas :D