Mind Games (interativa)
15 Capítulo 14 - Me daria essa dança?
Notas iniciais
– É hoje, Helena! — Um John animado entra no refeitório, e toma a amiga nos braços. Ele a faz rodopiar, e ela cai nos braços de Daryl.
– Parece que alguém acordou de bom humor. — Daryl ajuda Helena a retomar seu equilíbrio. Ela leva a mão à cabeça.
– Obrigada. — Ela sorri para Daryl. Em seguida olha para John ainda sorrindo, mas com seu habitual olhar sarcástico. — Que ideia foi essa? Já basta você de tonto.
– Essas pessoas que não sabem brincar... — Ele revira os olhos. — Desculpa. Mas é que é hoje!
– Seria bom você não anunciar. — Sussurra Daryl, olhando ao redor. — Já que vai sair escondido.
– Já que vamos sair escondidos. — Corrige Helena. — Eu é que não vou perder isso. E preciso de um acompanhante...
Helena lança um olhar sugestivo para Daryl, que cora e desvia de seu olhar. Mas por fim parece ceder.
– Tudo bem. — Ele bufa, olhando para Helena. — O que eu não faço por você...s. — Ele rapidamente se corrige, e tenta mudar o assunto. — Você tem o que vestir, não tem John?
– Na verdade... — Ele coça a cabeça, pensativo.
– Jonathan Crane Frost. — Helena pressiona a ponte do nariz com uma mão. — Vai me dizer que não lembrou do smoking?
– Céus, vocês são muito indiscretos. — Diz Magik, aparecendo subitamente. — E é porque um de vocês é telepata...
– Bom dia para você também, Illyana. — Diz John. — Temos treino hoje?
– Devido às mais recentes circunstâncias... Não. — Eles respiram aliviados. — Vocês têm muito o que fazer em pouquíssimo tempo. Esperarei vocês no meu quarto, às seis em ponto.
– Estaremos lá. — Ela adentra o refeitório, enquanto eles saem do mesmo.
– Eu tenho que ir. — Diz Helena. — Cabelo, maquiagem, vestido, sapatos... E como Illyana disse, nós temos pouquíssimo tempo. É bom vocês estarem apresentáveis às seis. Senão eu vou matar os dois.
– Fofa como sempre... — Sussurra Daryl para John, enquanto Helena já estava longe nos corredores.
– Fazer o quê, essa é a Helena... — John cruza os braços e franze o cenho. — Você tem ideia de onde podemos alugar um smoking? — Daryl esfrega o rosto, perplexo.
– Estou com um pressentimento de que isso não vai prestar...
***
– John, você tem certeza disso? — Pergunta Daryl para John, em uma conversa telepática.
– Eu tenho certeza de que as coisas do meu pai estão no quarto da minha mãe. — Responde ele.
– Eu vejo muitas possibilidades para isso, mas quase nenhuma positiva. — Os dois entram no quarto de Emma, que estava vazio.
– Exemplos?
– Sua mãe pode nos detectar telepaticamente e põe fim ao seu plano. Alguém pode entrar e nos ver, nos denunciando e novamente pondo fim ao plano. — Eles começam à procurar no guarda-roupa. — Preciso continuar?
– Qual é a opção de maior probabilidade? — John abre a porta do closet.
– A primeira. — Responde Daryl.
– Bingo! — John pega o smoking pelo cabide e fecha a porta do closet. — Você dizia?
– Foi uma porcentagem de quarenta por cento. — Daryl dá de ombros. — Não muito confiável. Vamos sair logo daqui.
– Estou logo atrás de você.
***
– Como eu estou? — Pergunta John, terminando de abotoar o smoking.
– Parece um garçom de um restaurante cinco estrelas dos anos 20. — Rebate Daryl. — Quantos anos isso tem?
– Não sei. — John arregaça as mangas. — Meu pai usava uma roupa desse tipo nas missões.
– Percebi pelo enorme logotipo da S.H.I.E.L.D. na parte de dentro. — Comenta Daryl, amarrando os cadarços.
– Longe dos olhos, longe do coração. — Ele se olha no espelho. — Agora, o que eu faço com meu cabelo?
– Faz um permanente, fofa. Super combina com você. — Ironiza Daryl.
– Isso foi muito gay.
– Foda-se. — Ele sorri, indiferente. — Só não passa gel. O seu cabelo fica parecendo um bloco de cimento quando você usa.
– Bem lembrado. — Daryl joga o pente para John, que penteia o cabelo do melhor jeito que pôde. — Quanto tempo temos?
– Na verdade, estamos dez minutos atrasados. — Diz Daryl, olhando para o relógio em seu pulso.
– Há! Fodeu. — John passa rapidamente um perfume. — Lena vai nos matar.
– Se ela estiver lá. — Completa Daryl. — Talvez tenhamos alguma chance se sairmos agora.
***
– Quinze minutos! Vocês me fizeram esperar quinze minutos! — Grita Helena, revoltada. Seu longo cabelo castanho-ruivo estava cuidadosamente trançado. Pequenas flores o enfeitavam. Seu comprido vestido verde esvoaçava com a mais suave brisa.
– Desculpa, é que houve alguns imprevistos. Não foi Daryl? — Pergunta John.
– Sim. Hã... — Daryl parecia estar hipnotizado por Helena. — Muitos problemas.
– Apenas... Vamos logo. — Ela anda a frente deles, o barulho do bater dos saltos no chão ecoava pelo corredor deserto. Ela bate na porta do quarto de Illyana, e espera.
Segundos depois, a porta se abre. Ela olha espantada para os três e os manda entrar.
– Qual foi a parte de "Estejam no meu quarto às seis." que vocês não entenderam? — Ela revira os olhos. — Mas devo dar meus parabéns para vocês. Vocês até que estão pegáveis.
– Sério? — Ri John.
– Com uma ou duas doses de vodka, talvez. — Ironiza ela, logo depois franzindo o cenho para a roupa de John. — Esse é...
– Sim.
– Isso me traz lembranças. — Diz ela, sorrindo. — Já lutei literalmente ao lado de seu pai enquanto ele usava essa roupa, mas... — Ela retoma o foco. — Não estão aqui para ouvir uma de minhas histórias. Está na hora de levá-los ao baile.
***
Mais quatro silhuetas surgiram à luz do luar em Chamberlain. Depois de alguns conselhos e advertências, a quarta pessoa desaparece. Deixando os três jovens naquela fria, porém não inquieta noite. Música e movimentação podia ser ouvida do outro lado da rua. Onde estudantes chegavam em carros e limusines. Ninguém percebeu os três se juntando à multidão. Discretamente, eles entraram pelo salão belamente decorado. Jonathan liberou ondas telepáticas para que todos aqueles ali presentes achassem que os conheciam. Foram cumprimentados por algumas pessoas. Rostos familiares para John. Retribuiu o aceno de Miss Desjardin e até mesmo de alguns dos jogadores e líderes de torcida. Sentaram-se em uma mesa isolada.
– Alguém te reconheceu? — Pergunta Daryl.
– Eles só sabem o que eu quis que eles soubessem. — Responde John.
– E está vendo Carrie? — Pergunta Helena.
– Ainda não. — Ele respira fundo. — Eu nem sei se ela vem.
– É bom manter o pensamento positivo, nunca se sabe quando... — As palavras de Helena deixaram de atordoar os ouvidos de John quando ele viu Carrie entrar, ela estava linda. E radiante. Mas não pode deixar de notar que Tommy Ross a acompanhava. Sentiu uma pitada de ciúmes e se perguntou o porquê de ele não ter vindo com Sue. Já que os dois eram um casal de longa data. Escaneia sua mente telepaticamente e descobre sobre tudo. O incidente do banheiro, o vídeo, Sue ter se arrependido e ter pedido ao namorado perfeito para levar Carrie ao baile como um meio de se desculpar. E ficou satisfeito ao saber que Chris não vinha ao baile pelo que havia feito, mas ficou muito mais arrependido depois de ver o que ela havia passado. De tê-la forçado à continuar sem seu apoio. — John? John!
– Sim... — Ele olha para Helena, percebendo que estivera claramente distraído. Helena e Daryl olham para Carrie, e entendem imediatamente.
– Ela é bem mais bonita do que você nos falou. — Diz Daryl.
– E quem é o boy magia? — John e Daryl se entreolham, rindo. — O que foi? Uma garota não pode perguntar?
– O nome dele é Tommy Ross. Atleta. — Responde John, claramente enciumado. — Mas tem namorada.
– Então porque ele veio com ela? — Pergunta Daryl.
– Pelo que pude ver em seus pensamentos, é uma longa história.
– Magik estava certa com relação a uma coisa. — Diz Helena. — Não sabemos mesmo ser discretos. Falar abertamente de nossas mutações não é o que eu chamaria de ser discreto.
– Touché. — Daryl ri baixo. — E você? Vai falar com ela ou não?
– Ela parece ocupada. — Ele a observa à distância. Ela e Tommy estavam rindo.
– É agora ou nunca, garanhão. — Ironiza Helena. — Não fugimos do Instituto para você desistir agora.
– Mas tire o cara dali primeiro. — Sugere Daryl. — Um simples mimetismo sereiano deve bastar.
– O telepata aqui sou eu. — Ele fecha os olhos brevemente, e logo Tommy saiu de perto de Carrie. — E o nome correto é "Controle Mental".
– Qual a diferença? — Pergunta Daryl, John se levanta e pode escutar Helena dando uma aula para Daryl.
– Mimetismo sereiano só funciona com pessoas do sexo oposto, já o... — Ele se aproxima de Carrie, e senta-se na cadeira onde Tommy a pouco estivera.
– Está ocupado? — Ele pergunta.
– Na verdade meu acompanhante está sentado aí. — Responde ela educadamente, sem olhar diretamente para seu rosto.
– Ele deve ser muito burro para querer se afastar de você. — Ele sorri tristemente, recebendo a indireta feita a si mesmo. Carrie enrubesce, e olha diretamente nos olhos de John.
– Eu te conheço... — Diz ela. John sente as palmas das mãos suarem. O rosto dela repentinamente se ilumina. — Você é o garoto que tropeçou em mim na igreja!
– Você me pegou. — John suspira. Em parte aliviado.
– E o que faz aqui? Você certamente não é da minha escola.
– Eu... Vim de acompanhante. — Ele se esforça para inventar uma desculpa.
– E quem é a sortuda?
– Infelizmente não pode vir.
– Você é um péssimo mentiroso. — Os dois riem baixo.
– Eu compenso com meu carisma. — Ele sorri. Era como falar com a verdadeira Carrie de novo. Mas ela não o conhecia verdadeiramente. Não como conhecera.
– E qual é seu nome, senhor carismático? — Ele reluta por um segundo, e encara seus belos olhos castanhos.
– Jonathan Crane. Mas pode me chamar de John. — Ele espera por alguma reação inesperada, como se ela fosse explodir ou entrar em coma cerebral. Mas ela simplesmente lhe estende a mão.
– Carrietta White. — Ele aperta sua mão delicadamente. — Mas pode me chamar de Carrie.
– É um prazer. — A música muda repentinamente para um tom mais devagar. — Quer dançar?
– Eu não danço. — Ela faz que não com a cabeça.
– Vamos lá... Uma dança nunca matou ninguém, e é seu baile!
– Eu deveria dançar com Tommy... Se eu fosse dançar. — Completa.
– Tommy não está aqui, certo? Guarde a próxima para ele. — Ele se apóia em um dos joelhos e lhe estende a mão. — Me daria a honra?
– Só para você parar de agir como um louco. — Ela se levanta, e eles deslizam suavemente pela pista de dança. — Desculpe. — Diz Carrie, após acidentalmente pisar no pé de John.
– Sem problema. — Ele a faz girar.
– Vai com calma, pé de valsa. — Ironiza, retomando a posição inicial. Ela apóia a cabeça em seu ombro. John pôde ver Daryl e Helena do outro lado do salão, e não se sabia qual dos dois estava conduzindo. Ele ri, internamente. A música acaba depois de alguns minutos.
– Você dança muito bem. — Elogia ele, enquanto todos voltavam para suas mesas.
– Obrigada.
– Quer se sentar com meus amigos e eu? — Ele pergunta.
– Claro, enquanto Tommy não aparece.
– Por acaso seria um cara alto de cabelos castanhos, musculoso?
– Sim...
– O vi no banheiro, estava no telefone. — Inventa John. A verdade era que John já o havia mandado para casa há tempos. — Problemas com a família. Saiu correndo.
– Deus... — Ela leva uma das mãos à boca. — Espero que esteja tudo bem.
– É o que eu diga. — Ele puxa a cadeira para Carrie se sentar e senta-se logo em seguida. — Pessoal essa é a Carrie. Carrie, esses são Daryl e Helena.
– Olá. — Cumprimenta Helena, com um aceno de mãos. Daryl acena com a cabeça. — Adorei seu vestido, onde comprou?
– Na verdade, eu que o fiz.
– Sério? — Ela acena positivamente com a cabeça. — Você está deslumbrante!
– Obrigada. — Responde, timidamente. — Você também está maravilhosa.
– Obrigada. — Helena dirige seu olhar para o palco. — Parece que vão anunciar o rei e a rainha.
– Odeio essa parte. — Ri Daryl.
– Atenção alunos. — O diretor Gale bate no microfone. — Está na hora de anunciar o rei e a rainha do baile! — Ele pega o envelope selado. — A nossa rainha é... Carrie White!
– Nossa... — Ela se levanta feliz e surpresa. E caminha até o palco, acompanhada de uma salva de palmas.
– Argh... — Daryl apóia a cabeça sobre a mesa, com dor.
– Tudo bem, Daryl? — Pergunta John.
– Estou com um péssimo pressentimento sobre isso John.
– O que você viu? — Pergunta Helena, mas Daryl a ignora e olha fixamente para John.
– Chame Magik, e peça para ela trazer reforço. — Ele leva a mão à cabeça. — Selene está aqui, e esse é o menor de nossos problemas.
– E o rei do baile é... Jonathan Crane!
– Não tenho nada a ver com isso. — Ele se levanta lentamente. — Rápido, me diz o que você viu.
– Cuidado com o que vem de cima. — John se levanta. Olhares atravessaram-no enquanto ia até o palco. Mas um em especial parecia deleitar-se com sua presença. Seria muito mais fácil matá-lo do que Selene havia imaginado.
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