MinarFic
5 Uma Seleção, um Vencedor
-Albus Wexiwak Beuan Synvlwsiew!
-Rabimbocas dignus Fidwera!
Foram as palavras de quase uma dezena de candidatos, antes de serem eliminados da seleção. É estranho como a maioria dos novatos sempre acha que dizer palavras estranhas enquanto conjuram suas magias faz parecer que eles tem mais capacidade. Seja lá o lugar onde isso deu certo, certamente não era ali no MinarForest.
Vários candidatos a Tutor Magician foram eliminados, a maioria deles por causa do tempo que gastavam proferindo "palavras mágicas". Dentre os quatro que sobraram, um menino que não podia ter mais do que quinze anos destacava-se entre os demais.
Todos, incluindo pessoas mais velhas e até mesmo os eliminados, paravam para olhar Nick, enquanto executava uma sequência particularmente difícil de magia em alvos atacantes. Bolas de fogo, gelo, eletricidade, água, pedra, tudo era jogado contra o garoto(mas havia uma magia do Nuck dentro da sala, se modo que, se o candidato fosse lento, não sofreria nenhum dano real), e ele precisava usar um tipo diferente de magia para desviá-los. Se errasse e usasse raio pra defender de uma bola de fogo, por exemplo, ela poderia explodir, acabando com suas chances na seleção. A arena era feita de areia, e esse era um dos testes básicos: transformar vários grãos de areia, comprimidos, em uma pedra sólida. Depois, bater ela na cabeça dos outros.
Mas ele executava uma magia atrás da outra, o suor brotando na testa, os grandes olhos claros franzidos de concentração. Usava apenas roupas comuns e uma pequena varinha, mas já dava cabo de muito mais coisas do que os outros. Finalmente, depois desse e de mais vários outros testes, sobraram apenas três candidatos.
Um deles era um homem de uns cinquenta e poucos anos, alto, carregando um imenso cajado de madeira cheio de entalhes complicados, com uma pedra laranja incrustada na ponta. Calvo, sem barba e de rosto carrancudo, olhava severamente para Nick, ao seu lado.
A outra era uma menina, pequena, tinha longos cabelos ruivos longos, parecia um pouco mais velha que Nick e parecia ser especialista em magias de fogo. Conjurara um pilar que levou mais de dez minutos pra se apagado, mesmo assim Nuck teve que intervir. Seria uma vantagem para Nick, que sabia usar bem as magias de gelo.
A menina, muito animada, logo puxou conversa com Nick.
-Você manda bem — elogiou — Ei, qual o seu nome?
-Nick — respondeu o garoto, com um sorriso fraco. Não costumava conversar muito com quem não conhecia, especialmente uma menina que poderia estar tentando distraí-lo para obter alguma vantagem sobre ele na seleção. Mas isso nem passara pela cabeça do garoto — e você?
-Milena — apresentou-se ela — Eu não estava mentindo quando disse que você mandou bem. Você não fica com raiva se eu disser que pensei que você não passaria da primeira rodada, não é?
-Não — respondeu Nick, sorrindo fracamente — Na verdade nem eu achei que ia passar. Tá, achei sim.
Milena riu.
-Nem eu, depois de ver todos aqueles candidatos mais velhos e tudo mais. Mas sabe, Nick... — continuou, direta — eu queria mesmo te propor uma coisa. Um trato, na verdade.
-Que tipo de trato?
-Bem... — começou Milena, abaixando a voz. — Sabe esse homem que quer ser tutor, também? — continuou, olhando de esguelha para o velho, que os observava — Não confio muito nele.
Nick olhou longamente para o homem antes de responder.
-Eu também não — concordou — Mas mesmo assim... o que você sugere?
-Que a gente faça uma trégua temporária, pra derrubar ele, depois, lutamos entre a gente.
-Lutar? — repetiu Nick, olhando para a garota abismado — Quem disse que nós vamos precisar lutar?
-Ué, o Nuck disse isso, logo no começo, você não lembra? — respondeu Milena — Os candidatos que sobrarem, no final, serão decididos em uma luta. Foi a primeira coisa que ele nos disse, logo depois das provas de conhecimentos gerais!
-Eu... bem, eu perdi essa parte. Estava machucado, entende.
Na verdade, Nick naquele momento estava desacordado, porque Davien só conseguiu encontrar o Nuck depois que a seleção de Tutor Magician já havia começado. O experiente mago o curou rapidamente, retirando até o inchaço no olho, mas ainda assim Nick perdera as instruções iniciais. Como ele ainda estava um pouco tonto quando acordou, Nuck o liberara da parte de conhecimentos gerais, já que o rapaz havia respondido absolutamente todas as perguntas sobre o mundo Maple corretamente, na seleção anterior.
Assim que ficou bom, decidiu ir direto para a arena passar pelos exames, e Nuck acabou esquecendo de lhe falar sobre as provas, e nenhum dos outros candidatos achou algum motivo para dar essas informações ao Nick. Mas, mesmo se ele estivesse preparado, a perspectiva de enfrentar um mago quase meio século mais velho do que ele não o agradava muito.
-Mas não sei se vou conseguir enfrentar alguém como ele — falou Nick, preocupado.
A menina deu uma batida não muito delicada na cabeça dele.
-É exatamente por isso que eu estou querendo me juntar a você pra acabar com ele — respondeu.
Nick olhou para ela, pensativo. Não parecia ser uma estratégia para tirá-lo da jogada — ela, pelo visto, tinha certeza de que não conseguiria derrotar o homem, mas talvez pudesse derrotar um garoto com uma varinha. Nick percebeu que ela também usava uma, emboa a dela fosse um pouco maior e com uma pedra lilás na ponta.
-E depois disso? — quis saber Nick — Quer dizer, depois que derrotarmos ele, se é que conseguiremos, o que vamos fazer?
Milena olhou para ele, pensativa.
-Depois que ele cair, a gente se volta um contra o outro, e se enfrenta como se fôssemos inimigos desde o momento que pisamos os pés nessa arena.
Nick deu uma risadinha.
-E por que você não se alia com ele? Iriam conseguir acabar comigo facilmente.
-Mas ele acabaria comigo facilmente depois disso — Milena explicou, como se a coisa fosse óbvia. Nick riu.
-Parece um bom plano pra mim — concordou. Milena sorriu. — Bem, então, o que sabemos sobre ele? — perguntou, e a menina repentinamente ficou séria.
-Ele se chama Iskander — contou, tomando o cuidado de falar bem baixo — Veio de Ellinia, os pais deles eram magos ou coisa assim. Dizem que ele destruiu cinco navios de guerra com um único raio, uma vez.
Excelente. Um especialista em raios, exatamente como ele queria ser.
-E o que você pensou em fazer? — perguntou, enquanto pensava em um plano.
-Então — respondeu Milena, jogando os cabelos para trás — Ele provavelmente vai atacar você primeiro, já que você foi praticamente o melhor de nós dois, nas magias. Não negue! — acrescentou, quando Nick abriu a boca para protestar — Todos os outros ficaram te olhando enquanto você fazia aquelas pedras de gelo e depois lançava raios nela, era incrível. Enfim, ele vai querer te eliminar primeiro, portanto, você já se prepara para desviar qualquer ataque dele, e aí, enquanti isso, eu pensei em fazer um pilar de fogo como aquele, e jogar em cima dele. Ele vai ter que desviar o pilar de algum jeito, provavelmente vai usar raios, já que eu nunca o vi usando outra coisa para atacar. Mas isso ia criar muita fumaça, o que ia obscurecer a visão dele por alguns instantes. Então, eu atravessaria a cortina de fumaça repentinamente, e ele ia me atacar por reflexo. É quando você lança alguma magia de gelo nele — continuou, como se a coisa toda fosse muito fácil — Só que não sei, ele pode saber descongelar, com certeza sabe, mas então... não sei...
Nick refletiu sobre isso por alguns instantes.
-Espera. Como você sabe que ele vai me atacar primeiro? Quer dizer, ele viu a gente conversando, deve saber que estamos armando uma contra ele.
Milena pareceu um pouco preocupada. Realmente, o homem estava olhando para eles naquele exato instante.
-Você pode fazer assim, você finge que está preparada pra me atacar, mas então, você vai e ataca ele.
O rosto dela se iluminou.
-Isso, e eu poderia te dar algum sinal, por exemplo, sorrir pra você, pra ele pensar que eu quero fazer você pensar que estou do seu lado, mas aí, quando você não estiver olhando, eu me viro pra você e me preparo pra te fritar — sugeriu, animada.
Nick assentiu, mas antes que pudesse fazer mais algum comentário sobre algumas coisas que poderiam melhorar a estratégia, Nuck apareceu no meio da arena.
-Atenção, candidatos! — a voz dele estava magicamente amplificada, e ele sorria — Meus parabéns...
-Ah, já vai começar! — falou a menina, nervosa. — Mas você entendeu o plano, não é?
-Hã... entendi, mas sabe, não sei se vai dar certo, acho que eu poderia jogar uma magia de raio nele logo depois, e aí depois disso você entra, e então... eu jogo gelo nele, ah... — apressou Nick. Sabia que tinham pouco tempo antes de a batalha começar. Nuck logo descera ao chão, e desenhou três círculos brancos, cada um cabendo uma pessoa, os três vários metros distantes um do outro.
-As regras são muito simples — explicou Nuck — Vocês podem usar tudo o que souberem, exceto magia negra. Se eu ver algum de vocês usando esse tipo de magia por aqui, eu o banirei pessoalmente deste fórum. Não se preocupem em usar magias fortes, porque vocês estão protegidos por um campo de força da arena, ou seja, qualquer ataque que receberem não vai causar danos a vocês, apenas cansá-los um pouco. Por isso, podem atacar com o que quiserem, menos magia negra. Vou contar até três, e vocês poderão começar. Lembrem-se: fiquem dentro do círculo, saiam apenas quando eu disser "três". Preparem-se, e boa sorte! — desejou, saindo da arena.
Iskander estava parado pacientemente em seu círculo branco, esperando, apoiado em seu cajado. Nick olhou para Milena, que lhe lançou um olhar penetrante, e mexeu os lábios. "Lembra do plano" Nick leu, claramente.
-Preparem-se! — avisou Nuck, de algum lugar invisível. Milena olhou para Nick, e as mãos dela estavam cobertas por chamas. Luvas de Fogo, era o nome daquilo. Ela deu uma piscadela, depois sorriu para o garoto, para depois virar-se para Iskander.
E foi aí que aconteceu a coisa mais estranha daquele dia. Nick teve uma sensação esquisita, algo ruim, que jamais sentira antes, e imediatamente também olhou para Iskander. O homem estava parado no círculo, com o cajado estranhamente fincado no chão, e olhava diretamente para ele, mas ele sentia algo muito estranho... ele não conseguia entender o que era....
Nuck contou até três, e foi naquele momento que tudo deu errado.
Nick conjurou um escudo de gelo, com raios passando entre ele, mas ele não foi necessário. O raio de Iskander passou vários metros à sua direita, e o homem já nem sequer olhava para o garoto. Ouviu-se um grito, e Milena foi jogada vários metros pra longe do círculo, caindo no chão.
Ela ainda estava acordada, mas Iskander não ia esperar para se certificar. Olhou para Nick — e mesmo daquela distância, ele sabia que o que o homem iria fazer. O garoto fortificou ainda mais a bola de gelo carregada de eletricidade, mas o impacto do raio seguinte quase o jogou no chão, e abrira um rombo imenso na bola de gelo.
Nick jogou uma tempestade de lanças de gelo, mas Iskander os desviou com facilidade. Bateu o cajado no chão, e um poderoso raio metálico saiu, errando Nick por centímetros. Ele rebateu com outro raio, mas era muito mais fraco que o do oponente. Iskander simplesmente ergueu o cajado em frente ao corpo, absorvendo todo o impacto.
O homem preparou-se, jogando mais um raio na direção de Nick, que conseguira desviar por pouco. Nick correu para trás, ficando mais longe do mago, mas ele ergueu a mão para cima, e uma nuvem surgiu acima de Nick, e um raio saiu dela. Acertou o chão a poucos centímetros do garoto, mas fora o suficiente para derrubá-lo no chão.
Ele se levantou rapidamente, cuspindo areia, pensando em uma saída. "Tem que haver alguma coisa" pensou, obrigando-se a manter a calma. "Preciso ver onde ele é mais fraco... vejamos, o que posso usar contra raio...?"
Nick tentou fogo, mas o raio de Iskander desintegrou a bola de calor vários metros antes de ela chegar até ele. Desesperado, tentou água, até pedras, mas nada parecia capaz de vencer a resistência de Iskander. Seus raios pareciam ter o poder de cem raios comuns, e Nick ia cansando cada vez mais, a cada raio que atingia o chão perto dele.
Mas o garoto começou a perceber que os raios o erravam por cada vez mais centímetros. Entãos e deu conta de que era porque Iskander simplesmente estava ali parado, ainda nem saíra do círculo. Mas quando o fizesse, quando decidisse começar a andar e chegar cada vez mais perto do garoto...
Nick pisara em alguma coisa e, assustado, viu que era o pé de Milena. Ele olhou para ela, e ela abriu os olhos, assustada.
-Nick — sussurrou, sua expressão suavizando-se ao ver que se tratava de Nick, não de Iskander. Ele percebeu que ela estava tentando não chamar a atenção, fingindo que estava desmaiada. Nick recuperou-se e se voltou para Iskander, mas os ouvidos atentos para a garota atrás dele — O plano. Vamos, você distrai ele e eu o ataco com aquele fogo.
-Não sei se vou aguentar até lá — devolveu, cansado. Sua energia estava se esgotando. Ele sabia que devia estar bem ferido, não fosse a magia geral de proteção da arena, mas estava ficando cansado. Cada ataque parecia drenar sua energia da mesma forma que um ataque real, só que sem os danos físicos ao corpo, apenas o cansaço era o mesmo. — E quando ele cansar e vier atrás de mim...
-Ele não vai — interrompeu Milena, ansiosa — Aquilo é uma Torre Temporária, Nick!
Abismado, Nick olhou para o círculo branco que Nuck desenhara com novos olhos. Uma Torre Temporária era um círculo que um mago conjurava, e enquanto ficasse dentro dele, ele lhe daria um poder extra sobre a magia de que era feita. Por exemplo, a Torre de Iskander, no caso, era elétrica, por isso ela aumentava várias vezes a facilidade e o poder de usar magias elementais elétricas. O homem estava vários metros longe dos dois garotos, mas um bom mago como Nick conseguia enxergar vagamente que o círculo de Iskander, desenhado pelo Nuck, agora tinha uma leve cor metálica.
"Claro!" — pensou Nick, desviando-se de mais um raio — "Era por isso que ele estava ali parado daquele jeito no círculo, estava fazendo a torre esse tempo todo... deve ser por isso que eu tive aquela sensação! Conjurar uma torre dessas leva tempo, e ele a disfarçou, desenhando o círculo por cima do círculo branco que o Nuck havia desenhado!" — deduziu, impressionado com a simplicidade do plano.
Ainda que simples, era uma sacada genial, e ele logo sentiu uma onda de admiração pelo mago. Milena não confiava nele por causa da aparência carrancuda, e talvez porque ele não falava muito, mas realmente, se ele acabasse como Tutor Magician, o fórum estaria em boas mãos, pelo menos na área de magos.
Mas Nick ainda queria ser tutor. Não ia desistir. Acabara de descobrir a fraqueza de Iskander: ele não poderia sair da torre, sem perder grande parte da força que seus raios tinham.
Nuck sabia conjurar uma torre de fogo, mas duvidava muito que Iskander fosse deixá-lo fazer isso. Para provar, jogara um raio que quase o atingiu enquanto pensava no assunto, mas acertou o chão perto do Nick, o impacto drenando parte de seus já esgotadas energias.
Iskander jogou uma tempestade de pontas de pedra, que Nick desviou com dificuldade. No momento em que o homem levantou o mão pra fazer sabe-se lá o quê, Nick ouviu um barulho ao lado.
Milena levantara-se com rapidez, decidindo que aquele era o momento de agir. Não estava tão fraca quando parecia. Ela murmurou um encantamento, então, com um rugido nada feminino, jogou um laser branco na direção do homem parado na torre.
Nick reconheceu aquilo como um laser de calor, só que tinha o diâmetro de um duto de ventilação. Mesmo com toda sua habilidade, sabia que jamais seria capaz de criar algo parecido com aquilo, pelo menos não feito de fogo. Iskander só teve tempo de se defender, quando o raio atingiu o círculo.
Era, realmente, uma Torre Elétrica Temporária, porque explodiu quando o laser a atingiu, com Iskander dentro. Mas o homem, agachado e com o cajado erguido, conseguira evitar a maior parte do dano, mas a torre fora destruída, e ele também sentiu um pouco do impacto.
Milena preparou uma bola de gelo, mas Iskandar jogou um raio nela, que a destruiu.
-Ora, muito bem — disse o homem, sorrindo friamente. Era a primeira vez que ele falava, e sua voz era grave e marcante — Descobriram minha arma secreta, eh? Bem, nada mais justo do que eu responder à altura — acrescentou, virando a palma da mão direita para os dois garotos, esticando bem o braço e abrindo a mão o máximo que conseguia.
Ele estava olhando para Milena, que criou um escudo, mas no instante seguinte Iskander se desviou e atacou Nick.
O garoto ergueu a mão e jogou outro raio, rapidamente. Ambos se chocaram** , e Nick precisou segurar seu braço com a outra mão. O raio de Iskander, sem o poder adicional da torre, era como o de um mago comum, mas mesmo assim era muito poderoso. Nick ia arrastando os pés para trás, cada vez mais, até que chegou em seu círculo branco. Aquilo ia cansando-o cada vez mais.
Enquanto isso, o homem mantinha a mão direita erguida, a esquerda segurando o cajado. Ele sorria, sentindo a vitória. Enquanto Nick lutava para se manter em pé e manter seu raio, ele olhou para a menina. Não seria pego por nenhum truque dela uma segunda vez.
Milena olhou para Nick, preocupada. Não sabia o que fazer, mas então, seus olhos se encontraram, e Nick murmurou alguma coisa. "O plano" ele parecia dizer. Então olhou para a varinha, e a menina compreendeu o que ele tinha em mente.
Nick usou toda a sua força para continuar mantendo seu raio, o que fez Iskander soltar o cajado e segurar o braço que lançava o raio com a outra mão, para dar mais força. Então, com um grito, girou seu corpo pra longe, desfazendo seu raio. O raio de Iskander passou direto à sua direita, fazendo o homem se desequilibrar e quase tombar pra frente. Milena jogou uma bola de fogo na direção dele, e Nick, aproveitando o giro, apontou a varinha e jogou o raio mais poderoso que suas forças permitiam.
Claro que magias podem ser guiadas pela mente como "mísseis teleguiados". Senão, nunca que a bola de fogo de Milena e o raio de Nick iriam se encontrar ao mesmo tempo, a poucos centímetros do peito de Iskander, por pura coincidência. O homem, sem seu cajado, jogara um raio pra se defender por reflexo, o que foi um erro. A bola de fogo e o raio do Nick explodiram, e o raio do homem fez com que ele ficasse coberto por eletricidade e calor***. Iskander, somado com a fraqueza que ele já estava devido á explosão da Torre Temporária, desabou no chão.
Milena não estava convencida, e jogou mais dois raios nele, e finalmente se deu conta de que ele estava realmente fora de combate. Virou-se para Nick.
-Conseguimos, Nick, conseguimos! — disse, radiante, começando a andar na direção dele, mas parou ao vê-lo caído de joelhos no círculo branco, agora quase invisível por causa da areia que voara sobre ele. Nick ofegava, quase sem forças.
-Para trás — alertou, erguendo a varinha, mas logo baixando-a novamente. Parecia que iria desmaiar a qualquer momento. Então Milena se lembrou. Ainda tinham que resolver quem seria o vencedor.
E a resposta estava clara para ambos.
-Bela jogada, aquela do raio — elogiou Milena, aproximando-se um pouco mais. — Eu disse que você mandava bem.
Nick ofegou mais algumas vezes antes de responder.
-Você também — conseguiu dizer — Mas... eu quero saber, como você... como você ainda tem forças, depois daquele raio que te atingiu em cheio? — perguntou, tentando se levantar, mas voltando a cair pesadamente na areia. O combinado era ela ter criado um pilar de fogo, e jogado em Iskander. Se tivesse feito isso, o raio teria atingido o pilar, e criado uma explosão bem pior, e ela estaria desacordada até agora.
Milena coçou a cabeça.
-Eu ia usar aquele pilar de fogo, como a gente combinou — confessou — Mas logo depois de eu incendiar minhas mãos, eu percebi que aquilo era uma Torre Temporária, e não quis arriscar. E se ele me atacasse primeiro, e eu estivesse com um pilar cheio de fogo nas mãos? Não, em vez disso, eu fiz um escudo com a areia, assim recebi só uma parte do impacto. Então, fiquei pensando em um plano, e eu ia ver se você conseguia, sei lá, distrair ele, derrotar ele, enfim, eu ia planejar alguma coisa. Aí você pisou no meu pé e eu achei que fosse ele, e me assustei, e não pude continuar fingindo... ah, quê isso — disse, quando Nick, ajoelhado, pareceu que ia desmaiar — Você não pode estar tão fraco assim! Vamos, levante!
-Você... não sabe... o que são... aqueles raios — ofegou, cada vez mais cansado.
-Pior que sei, senti um deles antes de você, e fiquei metade fora de batalha por causa dele, caso você não tenha notado.
-Era... mentira...
-Bem, era — concordou Milena — Mas mesmo assim, eu estava fingindo, mas você não pode estar tão fraco a ponto de não conseguir levantar.
Nick permitiu-se sorrir.
-Achei que fôssemos... lutar, um contra o outro... não que eu fosse cair assim tão fácil.
A garota riu, jogando a cabeça para cima.
-É, nem eu — concordou ela, voltando a olhar para Nick — Mas sabe, você se saiu muito bem, sério mesmo. Não quero que pense mal de mim nem nada — disse, sorrindo levemente. Ela parecia sincera.
Ela disse isso porque as regras diziam que a luta só acabava quando só tivesse uma pessoa de pé(Nick tecnicamente não estava em pé, mas ainda não estava fora de combate) ou quando os outros se rendessem. E Nick não ia se render, jamais.
-Não, claro que não... mas é assim que funciona, não é? Alguém... tem que perder... mas sabe, você também se saiu muito bem, mesmo.... mesmo com seu plano tendo falhado — Nick parecia que ia cair a qualquer momento, mesmo sem ajuda.
-Eu tenho meus truques — sorriu Milena — mesmo quando o meu plano falha, eu geralmente improviso outra coisa — aquilo era exatamente o que Nick sempre fazia... o comentário fez ele sentir aquela sensação horrível de novo, mas ele se preparava para o golpe.
Milena olhou bem para ele, e teve uma idéia.
-Sabe, já que estou prestes a te tirar da competição... quer escolher como vai cair? — perguntou, sorrindo maliciosamente.
-Que diferença vai fazer? — falou Nick, ofegante. Ele não iria sentir dor, então, que diferença fazia? Como a menina ainda olhava pra ele, ele continuou: — Tudo bem, então, eu quero que você me dê um soco, com aquelas luvas de fogo que você tinha feito.
Milena sorriu perversamente. De repente, suas mãos ficaram cobertas de fogo, exatamente como antes da batalha.
-Por mim tudo bem — disse apenas. Então, mirou um soco bem forte, bem na cara de Nick...
...e no momento seguinte ele ergueu a varinha, encostando-a no punho flamejante da garota. Milena arqueou as costas, os olhos e a boca bem abertos, enquanto a eletricidade e o calor percorriam seu corpo. Não fosse a magia da arena, ela estaria morta. Em vez disso, simplesmente caiu na areia, sem sentidos.
Nick sorriu, o círculo a sua volta voltando a ficar branco à medida que a sua Torre Elétrica Temporária se apagava, lentamente.
-Eu também tenho os meus truques — disse o vencedor, o sorriso ainda em seu rosto.
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Cinco homens, todos entre vinte e vinte e oito anos, andavam pela floresta, cautelosos. Usavam casacos verdes e trajavam equipamentos de caça, e formavam um círculo, todos de costas um para o outro, os arcos e bestas preparados. Prontos para disparar, a qualquer momento...
Um zunido, um pio alto e um pássaro cai no chão, imóvel.
-Devagar, Ney — sussurrou um balestreiro, mas sua própria voz estava nervosa e ansiosa.
-Quem pode culpá-lo? — retrucou um outro homem de chapéu azul, carregando uma balestra — Eles fazem tanto barulho quanto um pássaro numa árvore. Menos, até.
-Estamos ficando muito nervosos — disse um outros — Qualquer coisinha está nos deixando em...
-Psiu, falem baixo — pediu um arqueiro, erguendo a mão — Acho que ouvi alguma coisa...
Todos fazem silêncio, e ficam imóveis, esperando.
Eram todos candidatos a Tutor Archer, e estavam em pleno teste de seleção. Nuck fizera algumas provas na arena e, depois, levara os que passaram para a Floresta Minar, e dividira os restantes em três grupos de oito pessoas cada um.
Então, Nuck soltou-os na floresta, cada um em um lugar, e delimitou uma área de dois quilômetros quadrados para eles circularem. O objetivo era simples: lutar até que dois dos grupos estejam fora de combate.
Mas para isso, todos haviam ganho flechas especiais, cuja ponta era de borracha, mas cobertas de uma magia que enfraquecia a parte do corpo atingida, temporariamente. Se a pessoa fosse atingida em algum ponto vital, como a cabeça ou o coração, caía imediatamente desacordada.
Já haviam se passado três horas desde o começo dessa prova. A maioria estava bem esgotada, já que haviam feito várias outras provas, tido vinte minutos de descanso e então entrado na floresta. Um dos grupos, o azul, já estava praticamente acabado.
Um dos arqueiros do grupo verde, que agora só tinha cinco pessoas, finalmente rompeu o silêncio.
-Deve ser outro pássaro. Vamos continuar, devagar...
-Quem garante? — falou um balestreiro — Eles são sete, Lance, sete! Só perderam um membro dentre essas três horas, e nós estamos aqui, encalhados, sem saber se eles estão aqui, nos cercando, ou lá do outro lado, se sentindo exatamente como nós estamos!
-O que temos de fazer é continuar em silêncio — falou baixinho um outro homem, sensato — E não perder a calma...
De repente ouviu-se um baque e o homem caiu no chão, desacordado. Uma flecha de besta estava caída ao lado dele.
-São eles! — disparou o de chapéu azul, apontando a balestra pra todos os lados, em pânico.
-Fiquem calmos! É justamente isso que vai nos dei...
Outro baque, e ele também caíra no chão. Um dos três homens restantes, um arqueiro franzino quase do tamanho do próprio arco, avistara um olho entre as árvores mais próximas. Atirou, e uma menina caiu, imóvel no chão, quebrando o próprio arco na queda.
O atirador rapidamente se escondeu atrás de uma árvore, e bem em tempo, pois outras três flechas passaram pelo local onde ele estava segundos antes. Um grito de surpresa, uma pancada surda, indicavam que outro do grupo verde agora jazia caído no chão. Menos de um segundo depois, o pequeno arqueiro também caíra.
Restava somente um membro da equipe verde, um arqueiro, contra seis da equipe amarela. "Ah, maravilha" — pensou, ao se dar conta do fato. Então virou-se ao ouvir um barulho bem ao lado de onde ele estava, de costas para uma alta proteção de rochas. Ele conseguiu não soltar a flecha bem a tempo, ao ver que era somente mais um corpo caído, inconsciente. Ele olhou por um momento sem entender, mas quando seus nervos se acalmaram, reparou que o homem usava um casaco azul. "Então vocês ainda não estavam acabados" — pensou, encostando-se na rocha.
O homem avaliou suas chances. Estava sozinho, as costas e os lados protegidos por um muro de pedras que formavam um "U", sozinho contra seis pessoas que entendiam alguma coisa sobre camuflagem na floresta. À sua frente, haviam muitas árvores, mas ele poderia escutar facilmente alguém se aproximando pelas folhas. Ele se agachou, parado, e fingiu estar amarrando a bota. Com o canto dos olhos, vislumbrou um vulto, remoto demais para ser real, mas foi o suficiente. O arqueiro se ergueu, a flecha já a meio caminho do alvo. O homem de casaco amarelo caíra no chão sem saber o que o atingiu.
Cinco. Não era muito, mas aumentava um pouco suas chances. Além de que certamente ia causar alguma insegurança aos adversários. Ele balançou a cabeça. Seus companheiros foram bobos em ser pegos naquela armadilha, ele sabia disso. De deixar os nervos descontrolados, perder a calma, era exatamente como uma presa ficava, e quase sempre era capturada. Mas não aquele homem. Viera de Henesys, aprendera a arte da caça anos atrás com a própria Athena Pierce, e se especializara muito nisso desde então. Já havia enfrentado sozinho uma dezena de inimigos, mas nenhum deles era experiente nesse tipo de coisa, como ele era.
O homem ouvira mais dois ruídos, e atirara mais três vezes, mas logo percebeu que eram apenas distrações. Finalmente, ele tomou uma decisão.
Atirou uma flecha nas árvores à sua frente, e pulou o muro de pedras, sem nem ao menos se virar. Então, escorregou, pois caíra bem em cima do homem franzino, de casaco verde. Ele tropeçou, quase batendo a cabeça nas pedras, mas se ergueu bem a tempo de derrubar mais um rapaz de casaco amarelo, mas no momento seguinte sua perna esquerda foi atingido. O arqueiro não sentiu dor por causa da flecha de "borracha mágica", apenas uma leve dormência, mas perdera parte do controle da perna. Não conseguiria se levantar.
O balestreiro de casaco amarelo que o acertara estava a poucos metros, e já carregava uma outra flecha. Por um momento, o homem de casaco verde simplesmente o encarou, enquanto ele carregava a besta, esperando pela morte. Então lembrou-se de que a flecha não o mataria, mas por um momento compreendera o que a pessoa sentia ao estar indefesa, cara a cara com a morte, enquanto ela recarregava rapidamente a arma que lhe daria um golpe certeiro, acabando com tudo...
Balestras eram mais potentes que arcos, mas eram mais pesadas e gastavam alguns segundos a mais para carregar. E isso provavelmente foi o que salvou o arqueiro de ser desclassificado, pois um vulto materializara-se do nada, colocara uma flecha no arco e disparara. Bem no peito. O balestreiro caiu no chão, e a besta, já carregada e pronta para atirar, disparou. Por pura sorte, a seta atingiu um outro homem da equipe amarela, na canela. Que foi rapidamente silenciado por uma flecha certeira do pequeno arqueiro, logo em seguida acertando outro da equipe amarela.
-Você? — perguntou o homem caído no chão, com a perna dormente — Mas você... pensei que estivesse atingido...!
-Uma das técnicas mais tradicionais do mundo — respondeu o homem simplesmente, com uma voz áspera, estendendo a mão — Fingir-se de morto. Agora vamos, levante-se, antes...
Mas o que eles poderiam jamais foi dito, porque o pequeno homem se virou de repente, preparando uma flecha, mas tarde demais. Uma outra flecha atingira-o na cabeça, derrubando-o.
Não havia fingimento desta vez. O pequeno arqueiro havia caído, deixando seu companheiro sozinho no chão. Ele tentou se arrastar e pegar seu arco, mas alguém o chutou para longe. O arqueiro encostou-se nas pedras, e olhou.
Os dois últimos integrantes da equipe amarela eram rapazes, ambos arqueiros. Um deles usava um chapéu verde, o outro tinha cabelos castanhos desgrenhados. Os dois sorriram para o homem à frente deles.
-Acho que estamos prestes a encerrar três horas de cansativa caça na floresta — disse o de chapéu — Não é, Shed?
-Finalmente — respondeu Sheddeer — Já não aguentava mais aqueles cinco fugindo toda hora, despistando a gente. Mas no fim, conseguimos encurralá-los. A propósito, tirando a parte que um de vocês atirou naquele pássaro, que gritou e estragou o esconderijo de vocês, vocês foram muito bem — acrescentou, franzindo os lábios — Foram os cinco mais difíceis que já cacei na minha vida.
O homem caído no chão permitiu-se dar um sorriso.
-Obrigado — falou, simplesmente — Eu disse a eles pra não perder a calma, mas não adiantou nada. Entraram em pânico. Mas pelo menos eu consegui derrubar alguns — completou.
-E agora chegou a vez de você ser derrubado — riu o de chapéu — Só não sei se acertar ele vai dar pontos ou coisa e tal. O que você acha? — perguntou, olhando para Sheddeer.
-Vamos juntos. Que nem nos filmes — disse. O homem viu ambos apontaram suas flechas e soltarem, uma de cada lado do peito. Depois, a escuridão.
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