MinarFic

15 Feliz Natal, Guarda Oficial


-É NATAL, É NATAL, CHAME DEMERVAL... (8)

Como Thugles não deixava ninguém se esquecer, era Natal. O MinarForest ainda estava vazio e silencioso, mas dentro da Sala de Reuniões, estava uma verdadeira gritaria.

Nuck, Davien e os tutores riam e comemoravam o Natal como se estivessem em um clube de diversões. Não havia peru, porque, sinceramente, era muito seco. O que tinha sobre a mesa era um porco assado recheado de queijo, várias garrafas de azeite e de refrigerante sobre a mesa.

Eles comiam, bebiam e comemoravam como se nada tivesse acontecido. Mas não que eles não estivessem preocupados.

O fórum agora tinha cerca de trezentas metralhadoras fixas, tanto terrestres quanto antiaéreas na fronteira que ficava a dois quilômetros do fórum, graças a uma sacada genial de Vampiritico.

Ele havia contratado cerca de duzentos mecânicos para construir e montar as armas fixas ao redor do fórum, e todos eles eram profissionais e trabalhavam com eficiência e precisão. Também, não era pra menos: os mecânicos eram todos Black Wings.

Era tudo supostamente um plano dele como espião. Ele levou os duzentos mecânicos pro fórum, dizendo que eram de uma empresa oficial afiliada à Nexon. Como Nuck confiava em Vampiritico(além de que ele também sabia do esquema), fingiu acreditar nas identidades falsas.

Os mecânicos construíram tudo impecavelmente, pensando que, quando eles fossem atacar, o MinarForest iria confiar naquelas armas para defendê-los. Porém, Vampiritico as desativaria, afinal, foram os próprios Black Wings quem as construíram, e o rapaz, como tutor Fanart, entendia bastante sobre aquelas máquinas e saberia tudo sobre como controlá-las. Ele não era um engenheiro perfeito, mas entendia completamente todos os processos de uma arma fixa com perfeição.

Mas aí entrava o outro lado da moeda. Os Black Wings, pensando que aquelas armas seriam desativadas quando chegassem, iriam atacar sem hesitar, só que Vampiritico não as desativaria. Ele sempre poderia dizer que Nuck ou algum outro tutor as reativou por segurança quando ele não estava olhando ou alguma coisa assim.

Ele avisou aos Black Wings que não poderia desativá-las naquele dia, ou o fórum suspeitaria. Claro que ele só disse isso pra que eles pudessem aproveitar o Natal em paz.

-Fazia tempo que a gente comemora um Natal assim! — disse Thugles em voz alta, para se fazer ouvir em meio à bagunça.

-A gente nunca comemorou um Natal juntos, Thug — Davien retrucou revirando os olhos. Os outros riram.

-Não sou um thug.

-Sim, você é — Sheddeer ajuntou com veemência, pegando um enorme pedaço de carne cheio de azeite e queijo — Onde foi que você conseguiu esse porco aqui mesmo?

Thugles deu de ombros, engolindo mais um pedaço.

-Bem... aquele fazendeiro de Henesys não reclamou quando eu entrei e peguei sem ele ver do açougue — ele justificou. Nuck hesitou, como se o delicioso pedaço em sua boca tivesse ficado repentinamente seco e sem gosto.

A bebida, comida e brincadeiras duraria a noite toda. Todos estavam muito alegres, mesmo sabendo que teriam um ataque de verdade muito em breve, mas eles não eram de se preocupar antes da hora. Tinham uma filosofia muito simples: "Eles vão atacar hoje? Não? Então pronto!" não se preocupavam com coisas antes da hora, embora Nuck, mesmo em tempos de paz, jamais ficasse completamente despreocupado.

Todos os tutores — e Davien — estavam ali, até mesmo Donnie e Vampiritico. No final, ele havia concordado que era o melhor pra Pizza ficar naquele vidro, dava pra ver só de olhar a felicidade no rosto do rapaz, que quase não parecia estar louco. Embora Vampiritico tivesse o hábito de ficar sentado durante horas olhando o antigo mentor desenhando, rindo e conversando com a grama.

Já Donnie havia se recuperado da magia negra daquele dia. Ele pretendia guardar segredo, mas a Guarda Oficial havia presenciado tudo e não hesitou em contar a Nuck. Depois de matar aqueles nove Black Wings que tentavam voltar pra casa, Donnie não surtou ou desmaiou. Simplesmente olhou para os homens parados à frente dele, sorriu e desapareceu em um lampejo de luz negra.

Ao saber da preocupação dos Guardas, Nuck puxara Donnie para um canto duas horas antes da festa de meia noite.

-Eles me disseram o que você fez — ele havia dito em voz baixa. Donnie deu de ombros.

-Só fiz meu trabalho — ele respondera, mas Nuck ainda o olhava com firmeza.

-Eles me falaram das poses — continuou — Sete magos Black Wings, com aqueles movimentos de cajado... você parou aquela magia sozinho.

Agora Donnie sorriu, sem humor.

-O quê, está achando que eu não dava conta de magia sete magos Black Wings? Sabe que eles não são páreo nem pro Nick.

Nuck nem sequer piscou enquanto encarava os sarcásticos olhos violeta.

-Donnie, aquilo era um Genesis da Escuridão. Você, sozinho, parou uma magia que exige pelo menos cinco magos capacitados para criar. Você...

-Ah, está impressionado? — Donnie o interrompeu — Nick me contou uma história engraçada sobre o líder de um fórum ter derrubado um monte de pilares de luz em uma tropa de inimigos. Que eu sabia, aquilo é um Genesis. Como é mesmo o nome dos seis magos que você chamou pra te ajudar, Nuck?

Ele sorria com sarcasmo enquanto falava. Nuck não se abalou.

-Aquilo é diferente. Eu não tenho dezessete anos, e ao contrário de você, eu tenho a magia sagrada dominando meu corpo e alma.

-Se você veio aqui pra me lembrar disso...

-Não vim. Eu só estou dizendo pra você não se arriscar desse jeito. Quase matou a Guarda Oficial naquele dia. Eu sei que não é sua culpa, mas você deveria usar menos sua magia negra, para evitar esses incidentes!

Donnie sorriu secamente. Então aqueles cinco veteranos não haviam contado que ele quase os matara antes, quando os chamou para lutar contra aqueles cem Black Wings.

-Se eu não a tivesse usado, eles também teriam morrido. Você mesmo disse, era um Genesis da Escuridão. Sabe que eles teriam sido mortos antes que pudessem dar dois passos. Eu era o único que podia fazer alguma coisa.

-Não pense que não sei disso — Nuck disse — Mas você precisa parar de usar essa magia negra como se fosse sua. Você é um clérigo, um mago da luz! Precisa ignorar essa magia, usar somente a sagrada! Você poderia ter usado ela pra defender aquele Genesis da Escuridão!

-Se eu pudesse, eu a teria usado — Donnie retrucou com frieza — Mas por algum motivo, minha magia sagrada está ficando pior a cada dia. Eu esperava que você, como clérigo, me ajudasse, mas...

-Não é porque sou clérigo que eu sei o que está acontecendo com você — ele o interrompeu — Eu só estou preocupado que você acabe matando alguém e se arrependa depois. E isso pode te destruir, também!

Donnie riu.

-Sabe Nuck, se você fosse uma menina, seria muito fofa — ele comentou para o olhar de preocupação no rosto do líder — Mas em vez disso você é um homem que insiste em me dizer o que devo fazer. Eu estou até hoje esperando alguma coisa do Gui, e por falar nele...

Ele olhou para Nuck com um olhar interrogativo, mas o líder balançou a cabeça.

-Eu também não o vejo. Faz mais de uma semana, ele não está no Mercado Livre. Sem mais nem menos, ele sumiu.

-O que não é muito a cara dele — Donnie concordou — Ele sempre me manda pra viagens ou coisas assim quando precisa de alguma coisa.

-É, mas não mude de assunto. Você perdeu o controle mais uma vez, poderia ter matado mais de trinta homens...

A expressão no rosto de Donnie, agora, era de maldade. Sua boca estava torcida em um esgar maldoso.

-Não perdi — afirmou, e Nuck franziu a testa — Depois que me recuperei daquele Genesis da Escuridão e vi aqueles homens fugindo, eu usei a magia negra uma última vez pra me teletransportar e atacá-los. Eu não iria deixá-los fugir com informações sobre nossas tropas, embora eu não possa negar que os teria matado mesmo que não tivessem visto nada.

Aquele era o típico jeito frio e inflexível de Donnie em relação a inimigos.

-Mas quando eu lancei aquela lâmina roxa e separei as cabeças dos corpos deles, não foi culpa da magia. Eu sabia exatamente o que estava fazendo. Eu iria dar a eles uma morte menos indolor, mas não achei que fosse pegar bem a Guarda Oficial me vendo cuidar deles do meu jeito.

Aquilo pôs um fim à conversa, e um Nuck menos preocupado o deixou ir embora. Sempre que tinha pequenos acessos de magia negra — o que não era muito comum -, ele saía sem se lembrar de nada do que havia feito. Mas agora... ele estava dando detalhes claros sobre o que havia acontecido. Matar aqueles Black Wings, mesmo tendo se rendido... havia sido um ato totalmente consciente. E isso, embora fosse um tanto horrível, deixava Nuck um tanto aliviado. Aquilo significava que Donnie talvez estivesse dominando sua magia, afinal.

E mesmo depois desse pequeno atrito, lá estava Donnie, comemorando com seus amigos da Sala de Reuniões. E não eram apenas eles. Na mais nova construção do MinarForest, perto da seção de entretenimento, uma comemoração paralela se instalava.

-E aí, aquele Balrog quase me matou! — contava um veterano barbado, entre um gole de cerveja e outro. Por "Balrog", eles se referem ao Balrog Jr, não ao próprio Balrog em si — Mas no final eu consegui partir uma garra dele, e bloqueei o arranhão do outro braço dele com o escudo. Ele terminou com o peito rasgado pela minha espada, mas por Deus, aquele realmente me deu trabalho.

-Aaaah, Amaco, deixa disso — debochou um outro — Eu matei três Balrogs que me enfrentavam, de uma vez só. O único trabalho que deu foi isso aqui.

Ele arregaçou a manga esquerda, exibindo três cicatrizes estranhamente retas e regulares, que saíam do ombro e iam até quase a articulação do cotovelo.

A festa deles era no bar da Guarda Oficial, uma construção feita exclusivamente para que eles pudessem relaxar e conversar depois de um trabalho longo e difícil. Não era muito grande, e tinha dez mesas quadradas de plástico com cadeiras, mais do que o suficiente para comportar os dezoito guardas que ainda estavam ali na ativa.

Os outros dezessete homens haviam ido comemorar o Natal com suas famílias. Os que estavam ali eram órfãos, não se davam bem ou simplesmente não puderam ir.

Dentre eles, apenas dois dos cinco veteranos de guerra haviam ficado. Um deles era um alto de barba marrom, e o outro, um careca com o rosto cheio de cicatrizes, com um pedaço do nariz faltando, o olho direito coberto por um tapa-olho azul. Como todos os cinco veteranos, usavam espadas curtas e escudos redondos.

Os guerreiros não puderam deixar de rir do barbado que contava vantagem.

-Que isso cara, um Balrog te deu tanto trabalho assim? Olha aquele Davien, por exemplo. Uma vez ele levou dois Balrogs lá pra arena, e matou os dois antes que eles sequer o arranhassem.

Mas o veterano barbudo lhe deu um sorriso cansado.

-Eu matei dezenove Balrogs naquele dia — afirmou — O 20º me pegou. Eu tinha ido lá com um mago de fogo amigo meu pra mostrar a ele a criatura, mas me empolguei e acabei matando mais do que deveria, me esgotei e quase fui morto. Graças a Deus, ele estava lá e me salvou.

Agora os outros o olhavam com certa admiração. Sabiam que ele não estava mentindo — honra era um ideal muito trabalhado em Perion. Várias histórias sobre feitos interessantes e perigosos eram contadas ali, e todos eles tinham alguma aventura pra contar. Mas Ronan, o outro veterano de guerra ali, apenas resmungou impaciente.

-Essas coisas que vocês fazem aí, matar monstros fortes, blábláblá, não é nada. Uma vez minha ex-mulher me disse pra eu não beber nada em um bar. Eu desobedeci.

-CaraIho, temos aqui um verdadeiro exemplo de coragem! — gritou um lanceiro, em meio às risadas incontroláveis que se seguiram.

Lembrem-se que "I" é diferente de "l". Veje: IlIlIlIlIlIlIlIlIlIlIlIlllllllllllIIIIIIIIlllllllll. Que foi? Davien lê isso aqui, preciso pensar em tudo. Na verdade, os guerreiros haviam falado mais de quinze palavrões diferentes na conversa.

A bebedeira continuou até ouvirem os fogos. Assustados, levantaram-se com as armas na mão, mas não havia contra o que lutar. Estavam vendo os fogos lançados pelas magias de Nick, Donnie e Nuck.

-Caramba... é Natal! — Ronan disse de boca aberta — Eu nem percebi!

Eles bateram as canecas em um brinde. Estavam pensando em encomendar um peru ou alguma coisa assim quando dezoito relógios apitaram ao mesmo tempo.

Em menos de cinco segundos, o que restava da Guarda Oficial estava de pé e de armas preparadas, verificando em seus relógios qual era o lugar que a fronteira havia sido transpassada.

-Norte do fórum, perto do litoral — disse Amaco, preparado — Vamos.

Eles apertaram um botão e se teletransportaram quase ao mesmo tempo para a torrinha mais próxima de onde era o problema.

-O quê, mais Tauros? — resmungou um espadachim. Amaco assentiu.

Como se tivessem lido os pensamentos deles, uma fileira de vinte Tauromacis surgiu à frente deles, com o mesmo número de Taurolanças atrás. O litoral estava à esquerda(do ponto de vista dos guardas), e a dez metros à direita, veio outra formação de Tauros idêntica à primeira, totalizando oitenta monstros armados e vestidos para o combate.

Um dos guardas agitou sua lança nervosamente.

-O que está acontecendo? — indagou, olhando em volta do fórum — Por que as armas fixas não estão funcionando?

Ronan e Amaco se entreolharam, pensando a mesma coisa.

-Acho que já aprendemos há muito tempo que não dá pra confiar nessas máquinas — disse o barbudo, em voz baixa.

-Certo — Ronan virou-se para os homens e rapazes ali — Como estamos com pouco pessoal, não podemos nos separar, então, vamos tentar desfazer a formação deles. Atacaremos no espaço entre os dois grupos, costas contra costas, de modo que nove de nós fiquemos virados para um dos grupos, o mesmo com a outra metade.

-Não seria melhor chamarmos os tutores? — sugeriu um rapaz, mas tanto Ronan quanto Amaco balançaram a cabeça com veemência.

-Não dá tempo. Além disso, essa luta é da Guarda.

-De metade dela — Amaco corrigiu.

-Mais da metade — o outro retrucou em resposta — Amaco e eu vamos ficar de costas um para o outro, e teremos quatro guerreiros de cada lado nos imitando. Deixe-me ver, comigo vão... você, você, esse aqui...

Ele escolheu oito guerreiros: dois lanceiros, quatro espadachins e um outro que tinha uma espada larga demais. Os outros oito iriam para o lado de Amaco: um homem com uma polearm, quatro outros espadachins e dois grandalhões negros carecas que se pareciam muito não só na aparência, mas nos imensos escudos retangulares que pareciam duas torres que protegeriam o que quer que estivesse atrás deles, e usavam espadas. O oitavo era o rapaz de lança azul que os tinha salvado no dia que aquele membro da seção Fanfic teve a cabeça devorada pelo Wyvern. A Guarda Oficial do MinarForest tinha guerreiros com diferentes armas para poder formar uma boa estratégia, mas estavam quase sem metade deles. Estavam sem três dos veteranos, dois escudeiros e vários outros lanceiros e espadachins, sem falar na falta de Amos, o rapaz com o machado que havia causado problemas na seleção, e que agora era um dos melhores membros da Guarda.

-Atenção... em formação!

A formação era muito simples: duas linhas de nove guerreiros lado a lado cada uma, cada guerreiro de costas pra outro guerreiro. Cada ponta da linha era composta por um lanceiro, ou no caso da linha de Amaco, o rapaz de lança azul e um outro de polearm. Ele também tinha a vantagem de ter os dois irmãos escudeiros um ao lado do lanceiro e o outro ao lado do homem com a polearm, mas aquela não seria uma luta equilibrada. Nove contra quarenta, dezoito contra oitenta.

Amaco virou a cabeça levemente para o homem às suas costas.

-Tem certeza que consegue aguentar essa? Quer dizer, quantas canecas de cerveja você tomou lá no bar?

-Deixe disso, bode velho — Ronan retrucou, ríspido — Nunca tomo o suficiente pra me impedir de lutar.

Amaco riu com prazer.

-Nenhuma quantidade de cerveja é suficiente pra te impedir de lutar, Ronan.

Os Tauros foram os primeiros a atacar, mas fizeram isso parados a vários metros dos homens. Atrás dos Tauromacis, os Taurolanças bateram as armas no chão uma, duas, três vezes, fazendo cair raios sobre a tropa de Guardas.

Várias descargas elétricas suficientes para matar todos eles choviam sobre o grupo, mas nenhuma delas os atingia. Os Tauros se mostraram ser a principal tropa de ataque dos Black Wings, por isso era evidente que Nuck prepararia algo capaz de proteger contra raios. As ombreiras dos homens tinham pequenos metais mágicos que absorveriam a eletricidade. Combinando isso com dezoito homens, o efeito era ainda maior.

Mas a mesma coisa valia para os raios dos Taurolanças: eram quarenta, disparando várias vezes, o que não era bem uma quantidade que os metais pudessem suportar. Os guerreiros acabavam sentindo um pouquinho do choque a cada golpe.

A estratégia nos monstros era simples: Os Taurolanças disparariam seus raios elétricos e, se isso não fosse o suficiente, os Tauromacis atacariam no corpo a corpo com suas maças eletrificadas, mas não viram necessidade. A tática dos raios parecia estar dando resultado.

-Não dá pra ficar aqui parados! — Ronan gritou para se fazer ouvir em meio à tempestade artificial de raios que parecia não cessar nunca — Eles vão acabar nos fritando antes que possamos atacar. Então, ataquem!

Ronan e Amaco, de costas um para o outro e no centro das tropas, deram o grito de guerra que iniciou a batalha. Eles se jogaram para a frente, gesto imitado pelos Tauromacis. E então, a batalha começou.

A tática era bem simples. Como as duas extreminades de cada linha tinham homens com arma de maior alcance, eles eram os que investiam. Como os Tauromacis usavam as maças para se defender, os espadachins de escudo usavam as espadas para desviar as maças, para que os lanceiros(e o rapaz de polearm) pudessem atingir o peito exposto dos monstros.

Ao lado dos lanceiros, os espadachins defendiam qualquer golpe direcionado a eles. Sem precisar se preocupar com a defesa, os lanceiros e o rapaz de polearm podiam atacar sem piedade. E os dois veteranos, Amaco e Ronan, eram mais do que capazes de evitar as maças com os escudos e golpeá-los com as espadas. Ronan havia escolhido seus oito guerreiros e deixado o resto pra Amaco, mas este era o que estava com mais vantagem. Com os irmãos escudeiros protegendo o lanceiro e o homem de polearm dos cantos, eles reduziam os Tauros a pó em poucos segundos.

-Aha, boa, Neil! Isso aí, Fordman! — Amaco elogiava seus companheiros constantemente a cada golpe que ele achava bem dado, para animá-los. Ronan fazia o mesmo.

-Continue assim, Finn! Isso aí, cara! Não, Lance... afffff, seu viado, usa esse escudo direito!

Em poucos minutos, os Tauromacis estavam eliminados. Restavam apenas os Taurolanças, mas eles recuaram. Ronan deu um rosnado de desagrado.

-O que é isso, não fujam, seus covardes! Lutem como homens!

-Não são homens — comentou um espadachim, com desdém — Mas vamos tratá-los como se fossem, não é?

Todos os dezoito homens, ainda de pé, se viraram para os setenta inimigos, mas eles fizeram algo que os impressionou.

Coordenados, como se estivessem fazendo uma dança, eles giraram as lanças, ergueram-nas para o alto e as bateram no chão com toda a força. Uma parede de eletricidade surgiu à frente deles como uma barreira.

-Mas eles... — Ronan começou incrédulo — Que otários, estão com medo da gente atacar!

-EM DEFESA, TODOS VOCÊS!

O garoto com a lança azul entrou na frente de Ronan, a lança erguida à frente do corpo como se esperasse um ataque. O careca com o rosto arranhado olhou confuso para ele, e apenas mais tarde descobriria que sua vida acabara de ser salva pelo rapaz.

A ordem havia deixado todos em alerta, e se não fosse por isso, todos eles teriam morrido. Da parede elétrica, aparentemente sem sentir nenhum choque, um monte de répteis azuis armados com duas espadas duplas cada um surgiu repentinamente da barreira elétrica.

Graças ao aviso do rapaz, eles puderam se proteger a tempo de evitar serem dilacerados pela massa azul que os golpeava sem piedade, mas não havia sido o suficiente. Um espadachim caiu com um ferimento no peito — mas o Córneo logo foi morto por dois outros espadachins. Outros três foram atingidos no ataque surpresa e precisaram se afastar.

Não tendo mais dois grupos para enfrentar, eles se organizaram em uma linha única de catorze homens, com dois lanceiros nos flancos, naturalmente. Ronan e Amaco ficaram no centro.

-Mas que diabos...

-Que nem uma cortina de fumaça — o rapaz de lança azul contou rapidamente, os olhos fixos nos répteis que se organizavam — A barreira é só pra nos enganar e nos pegar de surpresa. Esses répteis conseguem resistir um pouco à eletricidade, se não ficarem muito tempo nela.

-Fogo é bom para combatê-los — manifestou-se um dos irmãos escudeiros com a voz muito grave. Ronan cuspiu no chão.

-Umas quinze lâminas bem afiadas vão ter que dar resultado... mas nossa, eles são muitos.

Ele não era o único que olhava a cena com apreensão. Os Taurolanças, já recuperados, estavam em formação atrás do que pareciam duas dezenas de Córneos azuis. Todos com suas duas espadas, as pedras na testa, os olhos esverdeados lívidos de fúria e cheios de uma vontade cega de assassinar.

Amaco deu um leve rosnado.

-Sem corpo mole! Todos vocês, vamos lutar até morrer ou até todos eles morrerem! Ninguém vai desistir... ou vocês querem servir de referência para histórias coletivas?

Mas ele não precisava ter dito nada disso. Naquele dia, nenhum dos quinze homens da Guarda Oficial do MinarForest ainda capazes de lutar pensou em desistir. Simplesmente encararam a massa destruidora de répteis assassinos, pensando em quantos deles iriam morrer pelas suas lâminas, em quantas vidas seriam perdidas se eles saíssem dali e desistissem. E esses eram os motivos pelo qual a Guarda Oficial tinha tão poucos membros. Ninguém que desistisse de uma luta ao se ver em desvantagem poderia entrar para este seleto grupo de guerreiros.

O que era uma pena. Se pudesse, talvez eles tivessem uma polearm gigante pra acabar com tudo aquilo em dois tempos.

Os Córneos não eram do tipo que ficavam encarando seus inimigos com olhares cruéis durante vários minutos pra romantizar a cena e depois saltar em cima deles. Assim que estavam todos agrupados, eles pularam pra cima da Guarda.

Podiam ser apenas seis, mas foram os três lanceiros, os negros escudeiros e o homem da polearm quem mais fizeram a diferença naquela luta. Eram eles quem mantinham os inimigos afastados dos homens, e embora fossem poucos, eram mais do que capazes de continuar lutando.

Pode parecer estranho, quinze homens contra duzentos Córneos — e mais um bando de Tauromacis — mas jamais se deve subestimar aqueles guerreiros. Haviam sido, todos eles, treinados em Perion, tendo sido destaques da turma em pelo menos uma ocasião. O treinamento naquela planície era árduo e complicado, com muitas desistências, mas os que saíam de lá, saíam preparados. Eles aprendiam desde cedo a lutar em desvantagem de cinco, seis, e até oito pra um. Também aprendiam que, em grupo, eles seriam praticamente invencíveis.

Os Córneos podiam ser fortes, inteligentes e muito mortais, mas não tinham estratégia. A tática deles era juntar vários da espécie e então atacar todos ao mesmo tempo, mas estavam muito atrás da tropa de homens treinados para lutar tanto individualmente quanto em grupo. Enquanto os répteis atacavam aleatoriamente o primeiro homem que vissem, a Guarda usava os lanceiros para manter as lâminas inimigas afastadas, os escudos redondos para bloqueá-las e as espadas mais curtas para encontrar brechas na defesa inimiga.

-Carai... — Amaco assobiou impressionado, e Ronan ao lado dele se virou para olhar.

Havia um indivíduo um pouco afastado da tropa, atacando quase sozinho um grupo de Córneos. Era um dos lanceiros, moreno, sem barba e de rosto rebelde que o fazia parecer mais jovem, embora já tivessem se passado vários anos desde que ele atingira a idade adulta. Mas, não foi isso o que deixou os dois líderes de boca aberta. Ele lutando parecia uma verdadeira peça de poesia.

Uma estocada pra baixo que acertava um ventre, depois uma rasgada pra cima que atingia quem quer que estivesse atrás. Com um giro, dava um ataque lateral como se a arma fosse uma serra, que decapitava dois ou três de uma vez.

Vendo aquilo, os irmãos escudeiros apressaram-se a ficar um de cada lado do homem, erguendo os escudos para que protegessem os dois lados dele, embora não muito próximos para que ele pudesse se movimentar.

O lanceiro olhou de esguelha para eles.

-Ah, maravilha... — ele sorriu perverso, e se voltou para os monstros.

Tendo as duas torres flanqueando-o, ele não precisava se preocupar em ser atacado pelos lados. Com uma mão na ponta do cabo e a outra quase no meio da lança, ele atacou.

Seus ataques iam de baixo pra cima, como o movimento de uma pá, e eram tão rápidos que parecia impossível de serem feitos por uma lança.

Os Córneos, ao ver que o lanceiro ladeado pelas duas torres praticamente impenetráveis era o maior problema, começaram a se concentrar nele, o que deu a deixa que o resto dos homens precisava para atacá-los. Houve uma súbita virada nos acontecimentos, com quase metade dos inimigos mortos, quando eles recuaram sem aviso.

Como se obedecessem a um comando, a mais de uma centena de Córneos restantes parou de recuar e se afastou alguns passos rapidamente com suas pernas potentes. Assim que chegaram perto dos Taurolanças, ergueram as armas, e raios caíram sobre elas. Em seguida todos podiam ouvir o zumbido que saía das lâminas.

Amaco foi o primeiro a perceber.

-Estão eletrificadas! — advertiu, e os outros recuaram — Parece que esses malditos Taurolanças estavam esperando as armas recarregarem para usar!

Ninguém teve tempo de concordar, pois a tropa de répteis voltou ao ataque. Os guerreiros relutaram, mas Ronan não estava com medo. Defendeu o primeiro golpe com a espada, e o estrondo que se seguiu quase o jogou no chão.

O choque da lâmina da espada de Ronan com a arma eletrificada do Córneo produziu uma pequena explosão de luz e o barulho cinquenta beyblades de faísca que assustou a tropa. Aturdido, ele recuou.

-Não podemos atacar — anunciou, e Amaco deu-lhe um tapa na nuca.

-Ah cara, sério? Não me diga!

Confiantes agora que tinham a vantagem, os Córneos partiram pro ataque com muito mais determinação, e agora eram os lanceiros quem se escondiam atrás da proteção dos que usavam escudos. Impotentes, eles só podiam se defender dos ataques que pareciam explodir contra os escudos de metal, mas, sem contar dos imensos escudos dos irmãos negros, os redondos não eram grandes o bastante para garantir a proteção de todos. Se fossem do tamanho daqueles escudos dos espartanos em 300, seria outra situação.

Um a um, os homens começaram a cair, atingidos pela eletricidade que parecia nunca acabar, seja por um vacilo ou por uma pequena brecha na defesa. Aquela eletricidade era algo completamente diferente das maças dos Tauromacis. Era estranho, mas era mais forte. Apenas um golpe na armadura dos homens era o suficiente. As ombreiras de metal desviavam boa parte da eletricidade de modo que ela não era fatal, mas continuava muito forte. Dois, três, quatro homens incapacitados em menos de um minuto. No outro, metade deles havia caído, sendo afastados da luta por mais três homens. Eles não aguentariam muito tempo mais.

-Pera, eu já sei! — gritou o rapaz da lança azul, mas ninguém teve tempo de olhá-lo. Estavam concentrados demais em salvar as próprias vidas, então só puderam torcer para que ele realmente tivesse tido a idéia brilhante que salvaria todos eles. Ele apenas gritou para que se afastassem, e todos recuaram sem hesitar, deixando-o sozinho contra os monstros.

Eles não viram o que ele fez, apenas registraram com a visão periférica que ele tinha se aproximado do mar. Então, repentinamente, a brilhante idéia revelou-se em colocar metade da lança no mar e movê-la rapidamente para jogar água nos inimigos.

Era um dos truques mais óbvios de todos os tempos, jogar água em uma tropa de monstros com armas elétricas, mas parecia estar funcionando. No mesmo instante, os monstros que estavam mais próximos ficaram eretos, o corpo coberto de choques elétricos e eletricidade estática, fazendo os que estavam atrás recuarem.

Se a tropa estava com medo de atacar os monstros por causa das armas elétricas, agora é que não chegariam nem perto. Os monstros tremiam e se contorciam, guinchando de dor, mas ainda tentavam se manter de pé.

-Mas o que... o que, por Deus, é isso?

Amaco não era o único que olhava tudo muito espantado. Os Córneos não estavam apenas sentindo choques elétricos. Pontos vermelhos surgiam de todas as partes do corpo dos répteis, que já haviam largado as armas e tinham os braços erguidos à frente do corpo para se proteger, ficando com os braços cobertos de arranhões que se se tornavam cada vez mais numerosos.

Os que estavam atrás tentavam contornar os companheiros que se debatiam, mas sempre que chegavam perto da água que o rapaz jogava, recuavam como se tivessem levado um choque.

E ignorando os protestos dos músculos doloridos e fatigados, o rapaz mergulhava a lança azul na água e a jogava repetidas vezes nos monstros, que guinchavam e berravam em agonia.

Outros dois espadachins experimentaram fazer o mesmo com as mãos, para acertar os monstros de trás, mas não fez o mesmo efeito. Os monstros atingidos nem sequer tremiam.

-Por que não está funcionando? — perguntou um homem, desesperado.

-Espera, mas isso...

Um espadachim apertava os olhos para enxergar melhor a chuva milagrosa e ao mesmo tempo mortal que o guerreiro criava. Os Córneos estavam cobertos de eletricidade com a água que caía sobre eles, era verdade, mas...

-Não é água! — ele gritou excitado — É gelo! Ele tá transformando os pingos de água em fagulhas de gelo!

E logo ficou claro por que os monstros sentiam tanto o efeito da água. Todos já suspeitavam que a cor da lança do garoto tivesse algo a ver com gelo, e estavam certos. Quando ele mergulhava a lâmina, não acontecia nada, mas ao jogar a água, as gotas congelavam, e o que caía sobre eles eram milhares de minúsculas fagulhas afiadas de gelo. Eles raspavam e abriam buracos nas escamas, depois derretiam, deixando arranhõezinhos molhados mas eficazes. É como o choque de abrir a torneira de ferro de um chuveiro com um corte no dedo, só que multiplicado várias vezes em função das várias agulhinhas de gelo.

-É nossa chance! Agora!

Apenas os monstros mais próximos eram atingidos, mas era o que Ronan e Amaco precisavam para se reorganizar. Com apenas um grito, fizeram as tropas contornarem a massa de répteis que se contorcia, e atacar os que estavam atrás evitando a chuva gelada. Eles mataram cinco, dez, doze monstros, e então, com a percepção de batalha que lhe avisou o momento certo em que os monstros iam revidar, Amaco deu o grito de retirada que fez eles se esconderem atrás dos escudos e recuarem. Os Córneos, enfurecidos com o novo ataque e com a repentina escapada da presa, correram atrás em desafio — apenas para pararem subitamente, percebendo o erro tarde demais. Em segundos, estavam se contorcendo com o corpo coberto de arranhões.

Os Taurolanças finalmente resolveram que era hora de ajudar, e saíram de trás dos répteis para atacar, mas sem usar a carga elétrica, agora que estava claro que seria má idéia. A Guarda deu combate, mas o garoto com a lança azul achou que era hora de usar o que estava guardando.

-SAIAM DAÍ! — berro, e quando a ordem foi cumprida, ele rugiu e apontou a lança com toda a força para a última centena de monstros.

Um jorro de água grosso como uma coluna grega saiu da água, envolvida por milhares de lâminas de gelo de meio metro de comprimento, passando ao redor do rapaz que segurava a lança com ferocidade, emanando um estranho brilho azulado que, quando cessou, só o que restava eram dez Tauromacis e uma nuvem de poeira azul dissipando-se pelo ar.

Todos aqueles golpes haviam consumido a força do garoto, e ele caiu de joelhos no chão. Os Tauromacis eram muito mais resistentes que os Córneos, mas não foi difícil para o restante da tropa dar cabo dos que sobraram. Quando ficou claro que aqueles eram os últimos, todos se voltaram para o rapaz.

-Belo trabalho — elogicou Amaco, estendendo a mão ao guerreiro que lutava para ficar de pé — Eu sabia que essa sua lança não era azul só por ser sua cor favorita.

-Não é — o rapaz conseguiu dizer, aceitando a mão estendida e pondo-se de pé, usando a lança como apoio.

-Isso aí cara, eu nunca tinha visto nada parecido! — comentou um espadachim, impressionado. Todos olhavam para ele com cara de \"\", até os feridos que pararam de inspecionar os machucados para olhar o incomum ataque de gelo e água. Mas Ronan achou que era hoje de cortar os mimos do rapaz um pouco.

-Ei, vamos guardar os elogios um pouco — sugeriu — Porque ele não foi o único lanceiro a mandar bem hoje... ou vocês estão esquecendo desse carinha aqui, hein?

Ele ergueu o braço do lanceiro moreno, que sorriu, cansado. Até o garoto da lança azul não pôde deixar de olhar pra ele com admiração. Ele era muito veloz com a lança, e aquela não era uma arma conhecia pela rapidez dos golpes — embora a dele fosse bem peculiar.

Agora que prestavam atenção, viram que a lança dele era negra, e a lâmina tinha o formato da ponta de uma seta, cujo centro tinha uma bola vermelha onde a lâmina encontrava o cabo. O homem apenas sorriu, ao ver os olhares curiosos mirando a arma.

-É memo hein cara, que rápido! — o garoto da polearm assentiu, impressionado — Você e o da lança azul, mandaram muito bem.

-Todos vocês mandaram bem — Amaco acrescentou com perspicácia — É por isso que eu sempre digo, vocês não servem só pra reduzir a quantidade de cerveja antes que o Ronan beba tudo e tenha um ataque. E essa sua lança, legal hein cara? — acrescentou, também olhando para a arma.

O homem sorriu e deu de ombros.

-Meu pai fez pra mim — ele explicou com humildade — Mas interessante mesmo é a lança desse manolo aí... como é mesmo seu nome?

-Italo — disse o da lança azul — Bem, minha lança é... normal. Consegui em Perion, sabe, mas ela foi... encantada.

Ele dizia aquilo em um tom que desencorajava perguntas, e ninguém insistiu. Ronan percebeu o desconforto do garoto.

-Então tá, já mostramos aos Black Wings o que acontece quando se interrompe a festa dos bad boys do fórum — ele disse bem alto passando os ombros sobre dois guerreiros aleatórios — Agora, que tal a gente esquecer tudo isso e voltar pra festa? Matar uns monstrinhos é fácil, quero ver quem ganha de mim no concurso de maior bebedor de cerveja.

-É um desafio, Ronan? — Amaco berrou em meio aos gritos de comemoração e felicidade do pessoal — Mas vai ser difícil esquecer o que aconteceu aqui, e temos alguns feridos. Vamos interromper a festa dos tutores pro Nuck dar um jeito. Ae, alguém ajuda a levar essa gente, sim?

Ele ergueu um rapaz desacordado sobre o ombro com facilidade, e como não tinha muitos feridos incapazes de andar, foram necessários apenas mais quatro para carregá-los.

Os dois escudeiros negros eram muito calados e pareciam nunca sorrir. Mas um deles o fez com entusiasmo ao passar por Ronan, carregando um lutador desacordado dos choques.

-Ah, eu quero ver a cara deles quando contarmos o que aconteceu aqui — ele disse. Ronan devolveu o sorriso.

-É, eles vão ficar bem impressionados e provavelmente vamos ter alguma recompensa. Eu vou exigir mais alguns escudeiros pra cá da guarda. Bem que a mãe desses escudeiros podia ter tido mais uns filhos.

-Ela tem oito filhos, contando conosco — agora foi a vez do outro escudeiro rir. Ronan deu de ombros.

-Tanto faz. Mas vou pedir pro Nuck chamar mais alguns escudeiros pra auxiliar a gente.

-E alguns barris de cerveja extras — gritou Amaco lá na frente. Ronan assentiu, animado.

-Ah, é, e cerveja. Um bom lutador nunca fica sem cerveja.

Italo ergueu os olhos para o céu.

-Você quem diz — ele retrucou imediatamente, fazendo uma careta quando a espada embainhada do guerreiro que o ajudava a andar acertou bem na sua canela.