Million Reasons
9 Capítulo 9
Notas iniciais
19H30 – Apartamento de Emma
Fazia, mais ou menos, uma hora que Emma estava sentada em um banco de frente para seu closet. Sabia que seria algo mais casual e que, provavelmente, iriam até a casa da morena para conversarem em paz e sem interrupções. Olhou para o relógio e viu que precisava se apressar se não quisesse atrasar o encontro. “Encontro? Por Deus Emma, vocês irão apenas conversar”, escolheu uma calça jeans escura, uma regata branca e sua inseparável jaqueta vermelha, visto que fazia um vento frio de noite. Olhou para sua roupa e constatou que estava simples, mas confortável. Prendeu seus cabelos em um rabo de cavalo alto e passou uma maquiagem de leve, ressaltando seus olhos verdes. Passou um perfume de leve, pegou sua bolsa e assim que desceu o pequeno vão de escadas sentiu o celular vibrar em sua mãe, era uma mensagem de Regina.
“Estou aqui em baixo.
— Mills.”
Averiguou se estava tudo fechado, deu uma última olhada no espelho e se dirigiu para fora do prédio. Avistou o carro da morena e seguiu em direção ao mesmo, quando entrou nele foi recebida por uma Regina sorridente.
— Oi! – Ela disse.
— Olá, tudo bem? – Perguntou Regina.
— Tudo certo, e você? – Devolveu a loira.
— Melhor agora, Senhorita Swan – falou a morena, dando ênfase a maneira que a loira pediu que chamasse. A loira sorriu envergonhada.
— E por que a Senhorita estaria melhor agora? – Ambas se aproximaram aos poucos, era possível sentir a respiração delas se misturando. O cheiro inebriante de Regina invadiu as narinas de Emma, esta fechou os olhos e respirou fundo.
— Você acha mesmo que não sabe a resposta?
— Acho que eu sei sim, e fico feliz por isso – responde.
— Fica? – Os olhos de Regina criaram um brilho que logo fora percebido pela loira.
— Fico! – Sussurrou de volta. – Vamos? Ou quer conversar dentro do seu carro?
Ambas riram e decidiram seguir viagem, demoraram cerca de 10 minutos para chegar à casa de Regina, e que casa! Era enorme e linda como a dona. Swan não conseguiu segurar o espanto que saiu de seus lábios, fazendo Regina dar um sorriso de canto que passou despercebido pela loira.
Regina estacionou o carro na garagem e abriu a porta para Emma.
— Bem-vinda Emma – as duas foram recepcionadas por um Boris animado e enérgico – Oh claro, Senhorita Swan conheça o Boris, o cão destruidor.
A loira logo se abaixou para fazer carinho no cão, que o aceitou prontamente. Regina estranhou, era raro o animal gostar de alguém assim de primeira. “Pelo jeito os encantos de Emma não recaem apenas sobre seres humanos”, sorriu do seu pensamento e a convidou para entrar. Regina levou a loira para conhecer cada cômodo, a Emma ficava maravilhada com cada detalhe da casa da morena. Ficou sabendo de como aderira aquele imóvel e como adotara o Boris. O tour terminou na sala de jantar, onde a mesa estava posta e onde iriam jantar.
— Poderia ter me falado do jantar, eu ajudaria ou traria algo – comentou Emma enquanto sentava-se em seu lugar.
— Não se preocupe, eu convidei, eu faço – Sorriu a morena.
O prato da noite era lasanha e a sobremesa panquecas com mel e calda e frutas vermelhas.
— Me acompanha num vinho? – Perguntou Regina.
— Está querendo me embebedar Professora Mills?
— Me plano irá funcionar? – Ambas riem do comentário. Emma aceita o vinho e resolvem sentar-se na varanda dos fundos, enquanto se acomodava e esperava a professora buscar o vinho, a loira se pôs a pensar sobre tudo o que estava acontecendo. Mesmo não sabendo direito o que se procederia até ali, estava com uma sensação boa. Não podia negar que estava sentindo coisas pela sua professora, mas também sabia que eram correspondidas, achou melhor resolver todas essas pendências naquela noite. Não suportaria mais olhar todos os dias para aquela mulher e quase explodir e tantas sensações que ela lhe proporcionava, mesmo nunca terem passado de meras provocações. Sabia que Regina sentia algo, não exatamente o que, mas sabia.
— Um beijo por seus pensamentos – Levou um susto quando ouviu a voz que ocupava seus pensamentos, ao seu lado.
— Apenas um?
— Por enquanto sim! – Respondeu Regina, entregando uma taça de vinho para Emma – O que está acontecendo Swan?
— Esperava que você me dissesse Mills – sussurrou de volta. Regina respirou fundo, deixou sua taça em cima de uma pequena mesinha ao lado das poltronas externas e virou-se para Emma, segurando duas mãos.
— Olha Emma, é difícil para mim tudo isso, essa aproximação repentina, esse encantamento que tenho por você e essa vontade louca que eu tenho de te agarrar toda vez que te vejo – ambas esboçam um sorriso envergonhado – eu não vou olhar nos seus olhos e dizer exatamente o que eu sinto, porque nem eu sei direito o que entender desse tanto de sentimentos que atormentam minha cabeça. A única coisa da qual eu tenho certeza é que eu sinto algo, e algo forte. Não aguento mais olhar para você e não poder te tocar, não aguento mais você povoando minha cabeça e meus sonhos. Se você soubesse loirinha – diz acariciando a lateral do rosto de Emma – o quanto esse seu sorriso me desmonta, o quanto esse seu coração enorme e essa jovialidade me faz bem e alegra minha alma. Eu sei o que deve estar pensando, eu sou sua professora, sua coordenadora e trabalho na Universidade onde você estuda e, obviamente, sou bem mais velha que você. Eu vou entender perfeitamente se quiser me esmurrar, me xingar, me chamar de louca e sair correndo por aquela porta. Mas eu preciso Senhorita Swan, preciso que saiba o quanto eu gosto de você.
Emma estava sem palavras, achava que Regina falaria alguma coisa, mas não tudo isso. Ela estava calada, ainda absorvendo todas as palavras doces que a professora lhe proferira. Na realidade era bom demais para ser verdade, amou ouvir todas aquelas coisas e com certeza sentia o mesmo pela mulher. Mas não estava conseguindo formular nada no momento. Deixando Regina mais nervosa ainda.
— Bem – ela retira a mão do rosto de Emma, que imediatamente sente falta do toque da morena – pela sua reação é perceptível o que você acha dessa baboseira toda.
— Baboseira? – A loira devolve, estranhando. – Você tem noção Regina, que isso que você falou é a coisa mais linda que eu já ouvi na minha vida? – Agora era a loira quem segurava o rosto da mais velha entre suas mãos. – Posso não ser tão boa com as palavras quanto você, mas o que eu posso lhe dizer é que a recíproca é verdadeira. Eu gosto de você tanto quanto você gosta de mim, professora Mills. E finalmente eu posso soltar isso de dentro de mim, esse amargo que eu sentia de ter medo de liberar meus sentimentos e se rejeitada, tachada de louca. Você me enlouquece Regina, não só para o lado sexual, mas para o lado sentimental e espiritual. Parece que meu corpo e minha energia se renovam quando você está por perto. Eu não sei como ou o que vamos fazer daqui para a frente, mas quero viver isso.
— Oh Emma, — nessa hora ambas já estavam com os olhos marejados por conta da emoção – você não sabe como eu fico feliz de ouvir essas coisas.
— Te fazer feliz será uma de minhas funções de hoje em diante, professora Mills.- Os rostos vão se aproximando revelando um momento que a tempos ambas esperam acontecer. As respirações entrecortadas e as mãos tremendo revelam o nervosismo que corria pelas veias de Emma, Regina não estava diferente, fazia tempo que não sentia uma sensação tão boa invadir seu corpo. Os lábios se roçaram de leve no começo, apenas para se conhecerem e provarem o saber de cada um. Aos poucos, Regina foi pedindo passagem para a boca da mais nova, que foi concedida e retribuída na mesma intensidade. As línguas dançavam em um ritmo ensaiado, as bocas se encaixavam dando a impressão que se conheciam a anos. Regina passou seus braços por volta do pescoço de Emma, que puxou a morena pela cintura, trazendo-a mais perto de si. Aos poucos foram parando os beijos, com leves selinhos. No final do ato, tanto Emma quanto Regina esboçavam um sorriso no rosto, demonstrando toda a felicidade que estavam sentindo.
— Você é espetacular Miss Swan – fala Regina dando um leve beijo nos lábios de Emma.
— Você não passa longe disso Regina.
Passaram o resto das horas que tinham assim, aproveitando o momento entre beijos e carícias. Não passando dos limites, queriam ir no tempo delas, sem pressa. Perto da meia noite, Regina levou Emma de volta para casa e se despediram com mais um beijo apaixonado.
Swan entrou em se apartamento com um sorriso de canto a canto, sem acreditar no que havia acontecido. Não poderia estar mais feliz.
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