Million Reasons
11 Capítulo 11
Notas iniciais
— Merda, merda, merda, mil vezes merda, Emma!! – a loira corria desesperadamente pelo campus, esbarrando em tudo e todo mundo que ficava em sua frente. Estava cerca de meia hora atrasada para a aula, sabia que não era problema, visto que poderia entrar ou sair a hora que quisesse, porém, a pontualidade era algo que ela presava e, bem, não era algo que ela estava praticando no momento. Fora dormir relativamente cedo, ou melhor, deitou-se cedo, mas certa morena teimou em povoar seus pensamentos até tarde da noite e quando se deu conta já se passava das 3h00 da manhã, e ela sabia que teria que estar cedo na aula se quisesse pegar as anotações para a semana de provas que estava chegando.
Entrou no corredor que a levava para sua sala como um foguete, nem se dando conta que na porta estava a mulher cujo ela culpava – indiretamente – por estar atrasada, e o pior, conversando com sua professora na matéria.
— Olha só, quem resolveu dar o ar da graça. Senhorita Swan, por favor, nos agracie com a sua humilde presença entre nós, meros mortais universitários.
— Professora Úrsula, como vai? Me perdoe, acabei perdendo a hora e vim assim que me dei conta do ocorrido. – As bochechas de porcelana estavam avermelhadas como tomate, escutando as risadas abafadas de seus colegas e da própria Regina, que estava a observando atentamente assim que a loira entrou em seu campo de visão. Sem esperar por mais um show, ela entrou na sala e ocupou seu lugar.
— Hei Emma, tá tudo bem? – Perguntou Ruby, preocupada – você não é de se atrasar, pensei que nem viesse hoje.
— Oi lobinha, está tudo bem sim. Mas coisas aconteceram, depois nos reunimos e conto tudo pra você, pode ser? Perdi muita coisa? – Perguntou enquanto ia tirando seus materiais da bolsa.
— Claro, sem problemas! Na verdade, não, a Úrsula estava iniciando os resumos quando a professora Mills chegou e pediu pra conversar com ela. Estão aí entre sussurros já fazem uns 15 minutos.
— Bom, menos mal. Pelo menos pego o início das anotações... – Foi interrompida com a batida da porta, anunciando que a professora voltou para a sala e daria continuidade na aula. Sentiu seu celular vibrar algumas vezes, mas não se importou. O que quer que fosse, não deveria ser mais importante que a sua vida acadêmica. Poderia esperar.
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POV Regina Mills
Acordei no mesmo horário de sempre, isso nunca mudaria, meu relógio biológico nunca me abandonou e era disso que eu precisava no momento. Dormi maravilhosamente bem, como a tempos não acontecia. Sentia os lábios de Swan ainda sobre os meus e esse sorriso bobo insistia em se fazer presente nos mesmos, “não pode ser que no primeiro beijo já esteja parecendo uma adolescente apaixonada, mulher”, ri de meu comentário alto, querendo ou não, era a mais pura verdade, essa menina mexia comigo das mais diversas maneiras e meu coração se aquecia apenas em lembrar seu nome.
Levantei-me e realizei minha rotina matinal, tomei um banho morno enquanto cuidava da minha pele. Se tinha algo que eu nunca abandonaria, seria esse momento íntimo que tenho comigo, de me sentir, me cuidar, me apreciar. Passei por vários altos e baixos até aprender a me aceitar e me cuidar devidamente, e desde então não mudo isso.
Desci as escadas e iniciei meu café da manhã, o mesmo há tanto tempo que nem me recordo de quando comecei. Uma xícara de café com leite, duas colheres de açúcar com creme e um iogurte com grãos. Quanto mais perto chegava a horário de eu me dirigir para a Universidade, mais vezes eu pensava na minha menina. Egoísmo de minha parte a chamar assim, tão cedo, mas não era minha culpa que esses sentimentos estavam aflorando de forma tão ligeira. Confesso que um certo receio estava presente comigo, “e se ela mudou de ideia? E se não me quer mais, ou percebeu que tudo o que passamos ontem foi um erro terrível?” Abandonei tais pensamentos quando lembrei de seu sorriso e de suas palavras doces, não, ela não acharia isso um erro, Emma não é assim, ela é divina, completa e doce, sei que não me faria mal algum.
Olhou em seu relógio e viu que já estava na hora de partir, terminou sem café, pegou suas chaves e sua bolsa e foi até seu carro, dando partida, ligou o som e tomou seu rumo, felizmente a trânsito a essa hora ainda era calmo e começava a dar vestígios de ficar mais atormentado cerca de 10 minutos depois que saía, o que já não era mais um problema, visto que não morava tão longe da Universidade.
Era uma manhã daquelas que a vontade de ficar na cama sempre prevalecia, um clima ameno se formava, o mormaço da noite de ontem estava se esvaindo dando lugar a uma leve brisa e chuviscos calmos que caíam sem pressa, era a famosa chuvarada de verão, daquelas que aparecem do nada e pegam todos desprevenidos. Passou em frente ao apartamento de Emma e viu que as cortinas fechadas e as luzes estavam apagadas, estranhou, pois sabia que a loira não gosta de perder suas aulas. Pensou em parar e averiguar, mas não quis ser evasiva e continuou seu caminho.
Estacionou seu carro na ala dos professores e seguiu para sua sala, no caminho se lembrou que precisava falar com Úrsula e Maleficent sobre algumas notas de alguns alunos que a estavam preocupando, visto que as provas nem haviam começado direito. Entrou na sala e começou a se preparar para o seu dia, separou alguns documentos enquanto esperava seu computador ligar, pegou algumas fichas, fez seu login no sistema e verificou sua agenda. Seria um dia relativamente simples, algumas reuniões rápidas e pouca papelada para organizar, agradeceu aos céus por isso e aproveitaria o máximo para se preparar para a semana de provas que se iniciava. Ficou tão distraída com seus afazeres que nem percebeu a hora passando, quando se deu conta viu onde Úrsula estava dando aula e, para a sua surpresa, era na turma de uma certa menina que povoava seus pensamentos, mal sabia ela que na cabeça da loirinha, uma certa morena insistia em permanecer.
Levantou-se e foi em direção a sala, chegando lá, bateu levemente na porta e esperou a mulher abri-la para que pudessem conversar adequadamente. Ficou surpresa quando escuto uma respiração afobada em suas costas, virando-se encontrou uma certa loira suando frio e com a cara toda vermelha, seus cabelos estavam levemente bagunçados, dando à menina um ar jovial e despojado “ela não poderia estar mais linda do que isso, nem se quisesse”, sorriu levemente quando escutou a provocação de sua colega de trabalho e entendeu o porquê de estar tudo escuro em seu apartamento na hora em que passou, mais cedo. Pensou em dizer algo, mas achou melhor deixar para mais tarde, visto que a situação da menina já não era mais uma das melhores.
— Você não perde uma, não é mesmo? – Disse a morena olhando divertidamente para a mulher em sua frente.
— E por quê diabos eu deixaria essa oportunidade passar? É sempre bom rir da cara de desespero dos calouros.
Ambas as mulheres soltaram risadas sobre o comentário e combinaram de conversarem depois, visto que a professora Úrsula tinha bastante conteúdo para repassar e preparar seus alunos para suas provas. O que Regina não percebeu foi o sorrisinho que apareceu no rosto de sua amiga quando viu professora e aluna se olhando de maneira envergonhada, mas isso seria assunto para mais tarde.
Depois que encontrou Maleficent e marcou a mesma conversa com a outra professora, se dirigiu para sua sala e pegou seus materiais, visto que tinha uma aula para dar após o intervalo. Pegou seu celular e não pode deixar de enviar uma mensagem para alguém especial.
“Que feio Swan, chegando atrasada na aula. Onde está a sua responsabilidade e pontualidade que tanto se gaba todos os dias?”
Guardou o aparelho assim que enviou a mensagem, sabia que a loira estaria concentrada em sua aula e só olharia o celular no intervalo.
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— Me desculpe amiga, mas se puder repetir só mais uma vez, minha cabeça não está raciocinando direito hoje, deve ter sido a quantidade de café que tomei pela manhã.
Já era a quarta vez que Emma repetia para Ruby o motivo de ter se atrasado para a aula.
— Qual é Ruby, você entendeu bem, não me faça repetir.
— Você sabe que estou no direito, visto que beijar a professora Mills não é algo que eu costumo escutar todos os dias. Caramba Emma, me conta essa história direito.
Ambas estavam sentadas em baixo da árvore principal da entrada do campus enquanto comiam no intervalo, sem rodeios a loira foi logo desembuchando para a ruiva, que escutava atentamente, ou pelo menos tentava.
— Essa tensão já existia entre nós, mas se intensificou depois da festa onde eu e Killian nos beijamos – erro esse em que ela adoraria esquecer o mais rápido possível – pois bem, no final de semana que caiu aquele toró, depois que estávamos no parque, acabei pegando uma chuvarada e Regina me deu uma carona. Chegando no meu apartamento começamos a conversar, mas notei algumas coisas qu-
— Que coisas Emma?
— Coisas Ruby, não sei explicar, olhares, gestos, sorrisos, o quanto ela queria ficar perto de mim e eu queria ficar perto dela.
— Entendi, prossiga!
— Continuando, começamos a nos aproximar até que...
— VOCÊ LASCOU UM BEIJO NA BANDIDA?!
— POR DEUS RUBY, pare de gritar, ou quer que a Universidade inteira descubra o que aconteceu antes mesmo de você saber toda a história?
— Me desculpa amiga, fiquei nervosa e acabei explodindo. Por favor, continue.
— Obrigada, bem, CONTINUANDO. Quando estávamos quase nos beijando, o seu José ligou e disse que, adivinha só, Killian estava querendo subir pois precisava “conversar” comigo. Mas no fim ele só queria me incomodar. Regina logo sacou e saiu correndo, tempos depois, quando dispensei Killian depois de dar um tapa na cara dele, dizendo que não queria beijá-lo...
— Minha deusa isso tá melhor que a novela mexicana da velha Granny.
— Nem me fale amiga. Então, recebi uma mensagem da Regina, dizendo que precisávamos conversar e que ela iria ao meu apartamento na noite seguinte. E foi isso, ela apareceu, conversamos, dissemos tudo o que sentíamos e nos beijando. E, meu senhor, que beijo foi esse Ruby?! Estou nas nuvens até agora, por isso me atrasei, não conseguia dormir de tão ansiosa e carregada de sentimentos que estava.
— Uau, apenas, Uau Emma. Eu nem poderia imaginar que isso aconteceria, e logo com a Mills? Você é sortuda pra caramba e só posso ficar pasma com isso, independente de tudo, saiba que estou ao seu lado amiga, para o que precisarem.
— Obrigada lobinha, é sempre bom saber que existem pessoas boas no mundo ainda.
— Meu casal sapatão, nem estou acreditando que sou a confidente. – As duas riram do comentário.
— Calma aí, ninguém falou em casal aqui amiga, nós apenas estamos nos conhecendo, eu acho, nem sei direito o que vai se proceder disso tudo, só posso dizer que eu quero, o que vier, estarei pronta para enfrentar tudo, acho que vale a pena.
— Eu que não estou envolvida nisso tudo também acho a mesma coisa, imagina você então, que é a protagonista, ou coadjuvante, a professora Mills tem mais cara de ser a protagonista.
— Como assim, e por que e não posso ser a protagonista? – Perguntou, cutucando a amiga.
— Ora, vamos Emma. Você não tem a panca, a Regina parece a Rainha Má dos filmes infantis, ela sim tem cara de sempre ter o papel principal.
— Você tem razão, não sei se darei conta de...
— Mas já pensando em sexo, Swan?
— Eu, sinceramente, não sei mais o que faço com você Ruby.
As duas riram e se levantaram quando viram que estava na hora da próxima aula, a loira pegou seu celular e não pode deixar de sorrir quando leu a mensagem que recebeu de Regina, respondendo na mesma hora.
“A culpa não foi minha Senhorita Mills, mas de uma certa morena que ficou povoando meus pensamentos e roubando meu sono durante a madrugada.”
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Emma estava prensada entre a porta e um corpo esbelto que espalhava beijos pelo seu pescoço e arrancava gemidos tímidos da mais nova. Regina a roubara quando vira a mesma indo em direção a saída do campus e a jogou contra a parede de sua sala, não perdendo tempo em atacar a menina.
— Por Deus que só Ele sabe o quanto eu tinha vontade de provar você novamente, Senhorita Swan. – As mãos da mais velha vagavam pelo corpo da menor a sua frente, apalpando cada pedacinho, não deixando nenhum detalhe escapar de seus dedos.
— Sabe o que é engraçado, professora Mills? Que eu carregava essa mesma vontade.
Sem perder tempo, a loira segura na nuca da mais velha e lhe arranca um beijo profundo de seus lábios, suas línguas dançavam uma com a outra, deixando se conhecerem melhor e apreciarem esse momento raro entre elas. Era um beijo digno de novela mexicana, como disse sua amiga, mais cedo.
— Por mais que eu adorasse ficar aqui e provar cada pedaço seu, é muito arriscado minha menina.
A loira não pode deixar de sorrir quando escutou o modo como Regina lhe chamou, escondendo seu rubor na curva do pescoço da mulher.
— Não me diga que te deixei envergonhada? – Regina puxou seu rosto e lhe deu um selinho, finalizando um com beijo terno em sua testa. – Me escute bem, hoje a noite vou te levar até minha casa para jantarmos, o que acha? Assim podemos aproveitar um tempinho juntas, sem esse medo de sermos interrompidas a qualquer momento.
— Eu topo, Regina. Qualquer coisa com você já basta. Me mande o endereço certinho que estarei lá, às 19h? Pode ser?
— Fechado.
Regina puxou Emma para mais um beijo que foi se intensificando, as respirações começaram a pesar e a morena não pode deixar de soltar um gemido quando sentiu as mãos fortes de Emma lhe apertarem seu bumbum, era hora de parar. – Ok, Ok. Por hora chega minha menina. Nos vemos mais tarde.
— Tudo bem! – Fez beicinho – te vejo mais tarde.
Emma deixou a sala da mulher com um sorriso no rosto, nunca teve tanta vontade de acelerar o tempo, como queria fazer naquele instante.
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