Milleniun - Recomeço
1 Milleniun - Recomeço
—Certo. Ahn... O que eu tenho que fazer? -pergunto, apontando para a câmera.
—Apenas olhe para frente e diga o que deve dizer. — Miriah responde, mexendo no computador e brigando com o cabelo ruivo lhe caindo sobre os olhos.
—E... O que eu devo dizer?
Ela revira os olhos. -Como estamos. — continuo encarando-a. -Em relação à Milênio. E fale de você, os seus netos vão querer saber o que você fez pela galera de Washington.
Respiro fundo e reinicio a gravação. Olho meu reflexo no vidro do monitor. Eu pareço ter passado uma semana em claro e ter sido atacada por ursos na última noite.
—Certo. Estamos em 24 de janeiro de 2232. Em Washington, ou o que resta desse estado. Meu nome é Morganna Reeves e aquela ali é Miriah Fletcher. Eu tenho 22 anos e lidero uma esquadra rebelde contra o governo, denominado Milleniun. Eles se dizem a evolução. Acreditam que, para que o ser humano evolua, todas as distrações devem ser eliminadas.
—Morgie, você é péssima com explicações. — diz Miriah.
—Ah, sinto muito, mas acho que escolhi ser uma assassina de agentes do governo, não professora de história. — grito. Depois me viro de volta para a tela e massageio as têmporas. -Ahn... O Milleniun surgiu há doze anos. Eles tinham uma ideia: a evolução humana ainda não terminou. Eles encheram a cabeça das pessoas com baboseiras e fizeram com que elas jurassem: "Milleniun é a força. Toda a força à Milleniun". E o povo acabou por assinar votos a favor de obedecê-los. Mas ninguém sabia realmente o que estava fazendo. No fim, o governo se apossou dos municípios, estados e pessoas. Tudo para suas pesquisas. Eles matam sem piedade, torturam, fuzilam, destroem casas e seus moradores. Usam homens, mulheres e até crianças para seus experimentos. E as paredes continuaram a desmoronar nas cidades que amamos. — paro para respirar e noto meus pulsos cerrados. -E essa é só a primeira parte da tragédia. Aos que sobrevivem, é negada a arte, música, cultura. Pois, de acordo com o Milleniun, tudo isso só serve para atrapalhar a evolução. São distrações. Mas, como todo governo, sempre existem os opositores. Nesse caso, nós, os rebeldes.
—Ahn... Morgie... — ouço Miriah falar.
—Qual é. Estou um pouco ocupada. — digo.
Ela joga o cabelo para trás e olha para mim. -Acho que vai querer parar o que está fazendo.
Desligo a câmera e vou até o computador onde ela está. Ele mostra todas as câmeras da cidade onde estamos, Seattle, a cidade com o maior número de sobreviventes do país. Nós a tomamos do governo.
Desde os muros à sua volta até os grandes portões. E... Entre um deles, vejo pessoas se espremendo nas grades, tentando entrar. E homens e mulheres de cinza, soldados Milleniun, atirando contra os de roupas distintas e coloridas, nós.
—Acho melhor você ir lá dar uma olhada. — Miriah diz.
—É. -respondo. -Não posso mandar McKellen trazer um carregamento de vítimas que ele dá uma festa no portão. Pegue minha arma, Fletcher. O vídeo vai ter que esperar.
...
—Abram os portões. — digo para os soldados que estão dentro da cidade.
—Mas, general, e os agentes do governo? Eles podem...
—Esqueça os agentes do governo. Aquelas pessoas podem levar um tiro se continuarem ali. E, se morrerem, VOCÊ vai ser um dos meus culpados, Walker.
—Sim, general. — ele responde e começa a mandar ordens.
Devagar, as grades de ferro são abertas pesadamente. As vítimas, que foram resgatadas de um dos experimentos, entram correndo, se atropelando e empurrando. Os agentes atiram e os meus soldados também.
—Recuar! -grito para estes, que rapidamente obedecem.
—O que está planejando, Reeves?- ele pergunta, ao meu lado.
—McKellen, qual é a dificuldade em trazer as vítimas até aqui sem ser notado?- digo, enquanto subo por uma escada presa ao muro até as torres de observação.
Dylan vem logo atrás de mim.
Ele ri. -Você sabe que eu não sou muito de ser discreto. Mas, na boa, acho que recuar não é muito a sua cara.
—Eu tenho um plano, idiota.
—Ahn... Isso sim é a sua cara. — ele responde. Dylan alcança o topo pouco depois de mim e, juntos, observamos a movimentação enquanto ajeito o lançador.
Os rebeldes entraram e estão fechando o portão, os agentes do governo preparam um... Canhão?
—Fala sério! Um canhão? Isso é tão... Segunda Guerra Mundial. -Dylan exclama me passando a bomba.
—Que cor é? -pergunto.
—Verde. — ele responde.
Arrumo-a e posiciono a base da arma. Miro no homem de capacete diferente dos outros, provavelmente o general. 5. 4. 3...
—Rebeldes. -ouço, meu dedo sai do gatilho.
Uma imagem holográfica da altura dos muros aparece a partir de um projetor. Um homem, de barba bem aparada, bigode pequeno e cabelos grisalhos surge nela. Os agentes param de atirar.
—Aqui quem vos fala é o líder de pesquisas do governo Milleniun. Gravei a mensagem para dizer-lhes que desistam. A evolução não pode parar. Aliás, já obtemos alguns avanços. — a imagem muda e uma mulher nova, mais ou menos a minha idade, aparece.
Ela tem a testa sangrando e hematomas pelo corpo. Sua roupa está rasgada e o cabelo liso e castanho cai sobre os olhos. O sangue em seu rosto, a pele pálida e os trapos que veste se destacam em meio à sala branca e perfeita. À sua frente, no chão, há uma bola pequena.
—Use a força agora. — uma voz retumba pelo local.
A mulher treme enquanto vai engatinhando até o objeto. Ela para e fecha os olhos. Seu corpo parece prestes a entrar em convulsão. E então, lentamente...
A bola se move. E a mulher cai no chão, o corpo tendo espasmos, o nariz sangrando. E, de repente, ela se acalma, o olhar longe.
—Eu não sei você, general, mas eu já estou cansado da ladainha. — Dylan fala.
Sua feição revela raiva, os olhos azuis em brasa. Junto com o cabelo loiro bagunçado, os outros soldados costumam zoar ele dizendo que poderia ser modelo de bonecos nas épocas antigas.
Miro novamente. -Certo. Tem razão, McKellen.
Ouço a voz do holograma novamente. -Isso é evolução, general Reeves. Eu o único que vai nos ensinar a manter os votos que fazemos. Queremos que colabore conosco.
Respiro fundo antes de atirar. -E eu quero que você morra.
Dylan me passa um pedaço de pão assado enquanto assistimos a explosão. E eu observo cada centímetro da fumaça colorida que se espalha pelo ar.
—Agora percebe o que acho da sua revolução? — dou um sorriso enquanto a fumaça termina de se espalhar.
—O que vai fazer agora?
—Não é óbvio? Vou conferir o estrago que minha belezinha fez. — o vejo assentir.
Vou em direção ao portão e vejo estilhaços de armas a laser e o que poderia ser um lançador de granadas.
—Eles estavam preparados para pegar pesado. — ri McKellen.
—Pena que eu entendo mais disso.- respondo rodeando os corpos dos agentes enviados.
—É, mas temos que limpar essa sua bagunça.
—Sim e... Ah! Não extrapole com seu ar superior, eu mando aqui.
—Claro, claro. Sim, senhora.
Reparo que tem passos vindos nessa direção, olho e é Miriah.
—Trago notícias sobre os feridos, muitos podem ser tratados com o que temos aqui.
—Tá... Você disse muitos e os outros? — Vou mais para perto dela.
—Precisamos de remédios, aqui a lista. — me entrega e logo percebo.
—São como os outros da outra vez, só tem isso no laboratório deles!
—Sim, se quisermos eles vivos, é necessário isso ai.
—Okay. — me viro para McKellen — Hey, quer fazer mais uma visitinha aos Millenium?
—Por que não? — ele ri.
—Então vamos, vou chamar mais dois para ajudar e você Miriah monitora as coisas daqui. — a vejo assentir e começo a voltar para dentro da base.
Peço para chamar Ammon e Miller, assim que eles chegam aviso o que vamos fazer.
—Precisamos de remédios para os novos integrantes e vocês sabem onde tem. -percebo um sorriso discreto brotar em seus rostos. — E como vocês são corajosos e adoram botar para quebrar, mandei chamá-los. Então, aceitam?
Eles se olham e depois me olham e respondem:
—Mas é claro!
—Ótimo! Partimos em meia hora e não se esqueçam dos silenciadores. Espero vocês no portão.
—Silenciador também não é sua cara. — diz McKellen com um risinho.
—É uma invasão! E eu não disse até quando vamos usá-los...
—Okay, vou ao arsenal pegar uma M4A1...
—Duas! Você vai pegar duas e dois silenciadores. — O interrompo.
—Como quiser.
Ele vai para as escadas em direção ao porão e eu vou até Miriah dar uma olhada nas câmeras e decidir por aonde ir.
—Como tá o movimento ai?
Ela vira e volta a encarar as telas.
—Nada, mais calmo que o normal, estranho...
—Acha que planejam algo? — pergunto entrando na sala.
—Não sei, não dá para saber.
—Bom, vamos descobrir mais cedo ou mais tarde.
—Parece satisfeita, achei que não precisasse lutar para se sentir viva...
—Não preciso Miriah, mas preciso lutar para manter essa gente viva.
—Tome cuidado. — ela me encara séria.
—Tomarei sim. — sorrio — Agora vou indo, nos vemos depois.
Lembro-me de pegar uma mochila e desço para o portão. Quando chego os três já estão me aguardando, McKellen com as duas M4A1, Miller com uma M16 e Ammon com uma P90.
—Boas escolhas!
—Ah, senhora, sempre gostei de armas menores, por isso a P90. — sorri e retribuo.
—Sem muitas formalidades. Bem, isso não importa, vamos.
Pego minha arma com McKellen, confiro os silenciadores e começo a andar.
—Miriah disse que está muito calmo...
—É verdade, vamos dar a volta pelo lado? — pergunta Miller.
—Uma boa ideia, mas acho arriscado, tem uma entrada subterrânea, vamos por lá.
Então continuamos seguindo, mas fazendo alguns desvios para não deixar rastros. Andamos mais um pouco e chegamos à passagem.
—Isso está fácil, é como se estivessem nos esperando...
—E provavelmente estão! — ouço Miriah no walk talk.
—Depois de termos salvado tantas pessoas, é possível mesmo. — concordo com eles.
—Eu disse para tomar cuidado!
—Mas eu es-
—Então desliga esse walk talk, é para emergência, lembra? — ela praticamente grita.
—Okay, mas você gritar não resolve.
—Não importa. Enfim vocês vão ter que começar a ficar atentos. Tem um cabo na sua mochila, conecta em qualquer placa de energia, vou entrar nas câmeras para ajudar vocês.
—Mas disse para eu desligar o walk talk... — dou uma risada baixa.
—Você me entendeu, agora vão, estão perdendo tempo.
—Estamos indo mamãe — agora os outros também riem.
Entro primeiro, dou uma olhada para trás e vejo se me seguem. Vamos andando até ver uma luz, hesito por um instante e vou mais devagar.
—Continue com cautela e vire à direita, tem um painel coloque o cabo lá.
—Que? Quem está falando? E de onde? — olho para os lados procurando alguém.
—Sou eu, né?
—Aaah, Miriah!
—Shiiiiii! Fala baixou e sou eu, coloquei um comunicador na sua orelha antes de sair.
—Você é rápida! — respondo surpresa.
—Sim, agora faça o que eu disse.
Olho mais uma vez para saber se tem alguém e chamo os outros para me acompanharem. Encontro o painel e coloco o cabo doido de Miriah.
—Ótimo, agora para o laboratório, com cuidado.
—Okay, vamos. — aponto para frente com a cabeça e a gente vai.
Dou de frente com um guarda, ele se assusta e então o apago com uma coronhada.
Miller trata de tentar esconder o corpo em algum lugar e logo nos alcança.
—Chegamos ao laboratório e só um guarda... — McKellen resmunga.
—Eles querem que sejamos cautelosos e sem barulho... — pego uma granada e retiro o pino. -Não vou fazer o que querem.
—Mas e o negócio dos silenciadores?
—McKellen, que se dane os silenciadores! Para trás! -nos afastamos e deixo a granada perto da parede.
Espero a fumaça se espalhar, tiro o silenciador e me viro para o buraco. Entramos e nada. Não tem nada.
—Não vou sair daqui de mãos abanando! -grito com raiva.
—Se vocês conseguirem sair vai ser muito, estão cercados!
—Bem, McKellen, agora é hora do seu show! Vamos nos separar, fica com o Ammon pela esquerda e Miller e eu pela direita.
—Vou bater o recorde agora! — diz McKellen animado.
Saímos e percebemos passos, muitos deles. Separamo-nos e Miller se livra do silenciador dele. Aparecem guardas, apertamos o gatilho sem dó.
—Olha, o laboratório é ali!
—Boa Miller! -recuamos para trás de uma parede e tiro a mochila das costas. -Vai, eu te cubro!
Dou uma olhada nos guardas e volto atirar. Miller corre para o laboratório. Continuo atirando, mas são muitos, tenho que recuar para recarregar. Logo acabo com eles e vou atrás de Miller. Entro e vejo Miller morto, mas a sala tá vazia. Corro até seu corpo e vejo sangue escorrendo de sua cabeça. Caio de joelhos, droga, devia ter vindo com ele. Lágrimas começam a correr livres.
—Comandante? Comandante? Morganna cadê você?
Ouço vozes e passos, não identifico nenhuma, não me importo. Miller morreu e a culpa é minha.
—Ah! Você está ai!
É McKellen, mas não respondo. De repente sinto um abraço e ele sussurra no meu ouvido:
—Teve que acontecer, pegue a mochila, ele conseguiu pegar alguns... Ficará feliz se salvar outras pessoas. — continuo chorando mas faço o que ele disse.
—Temos que sair, está prestes a explodir, foi à última coisa que Miriah disse antes de perder o contato. — beija minha testa e começa ir à frente.
—E Ammon?
—Já saiu, está nos esperando lá fora.
Como ele faz isso? Como consegue me acalmar tão fácil? E seu abraço é um bloqueio de coisas ruins como o do meu pai. Eu... Até agora tinha jurado a mim mesma que estava contente com a solidão, mas eu precisava desse abraço. Precisava dele ao meu lado.
Só não sei por que raios só percebo isso agora.
—Não saiam.- ouço no aparelho em minha orelha.
Chamo Dylan e nós nos encostamos atrás de uma parede. Pego o walk-talk. -Miriah? O que está acontecendo?
—Eles sabiam. Sabiam que vocês estavam indo.
—E daí? Estávamos contando com isso. -Ele diz ao meu lado.
Quando ouvimos sua voz novamente, ela está embargada pelo choro. -Devíamos ter nos rendido. Eles tem um plano. Chama-se Milleniun-Recomeço. Os laboratórios... São seguros. Eles... -Ela não termina a frase.
Olho para McKellen. Ele parece tão perdido quanto eu. Mas assente e corre até a sala mais próximo, branca e vazia. Trancamos a porta. E então, de repente, as paredes se transformam em telas.
E em cada uma delas surge o rosto do Líder que vi hoje mais cedo.
—Eu avisei, Comandante Reeves. Eu sou o único que vai nos ensinar a manter os votos que fazemos. Agora, nossos estudos vão tomar um rumo diferente.
A tela muda novamente e eu observo enquanto as bombas são lançadas nas cidades rebeldes.
...
A explosão foi muito forte. No laboratório, sinto o chão tremer e ouço o barulho ensurdecedor. Lembro-me de gritar. Berrar e me debater. Eu acabei caindo e bati minha cabeça com muita força e apaguei.
—Aiii, o que aconteceu?
—Você desmaiou, Comandante.
—Quem é você?
Eu estava com muita dor de cabeça e nem percebi quem estava ali.
—Sou eu, tenente Dylan McKellen.
—Ahn, onde estou?
—Você está numa casa de reabilitação.
—Porque eu estou aqui?
—Comandante, nós somos os únicos sobreviventes da colônia.
—Como assim?
—A explosão deve ter soltado algum tipo de radiação, ela fez todo mundo derreter. Uns agentes vieram aqui há algum tempo. Eles explicaram tudo. Nós agora estamos livres. A Milleniun vai liberar todos nós. Mas, não faz diferença. Eles nos deram essa casa. Provavelmente, só há umas três bilhões de pessoas no país.
—Todos estão mortos?- pergunto, incapaz de assimilar a situação.
Dylan me encara. Depois passa seu braço sobre meus ombros e beija o topo da minha cabeça.
Então penso na agente, minha prima.
—E a Miriah?
—Ela se foi, Comandante.
Enão começo a chorar. Fico brava, furiosa. Bato em McKellen.
—Me desculpa. Eu não quis fazer isso. É que eu não...- recomeço a soluçar.
—Tudo bem Morganna.
Dylan me manda um sorriso. Ele tira algo da sua bolsa, é uma câmera.
—Eu estava com isso. Era da Fletcher, eu acho que isso deveria ficar com você.- ele me passa.
Sorrio. Os vídeos.
—Obrigado.
Dylan me oferece um copo de pinga. Aceito de bom grado.
A casa é pequena. Quatro cômodos. Mas, para onde quer que eu olhe, só vejo as bombas.
Ficamos em silêncio. Por um bom tempo. Sentados no chão e olhando para a parede
—O lado bom, é que ao menos estou com a única pessoa com quem quero estar. Você perdeu sua amiga e seus soldados, mas eu não sabia se teria outra chance.
—Que outra chance?- pergunto.
Dylan fica parado. Mas não pensa duas vezes antes de me beijar. Beija-me com mais força e correspondo. Por que, se o mundo vai recomeçar, eu vou recomeçar também.
Separamo-nos.
—É uma droga de vida.- ele diz.
—É sim. -concordo.
...
Quando acordei, o sol já tinha saído. Eu olhei para o lado, Dylan dormia profundamente. Depositei um beijo em sua bochecha.
Levantei-me e andei até minha mochila, onde me lembro de ter guardado a câmera.
Sento-me na pequena mesa e arrumo o aparelho como Miriah costumava arrumar.
Aperto o botão de gravar.
—Estamos em 25 d de janeiro de 2232. E a Milleniun acabou de matar bilhões de pessoas para suas experiências. Eu e um soldado sobrevivemos pois estávamos dentro da sede do antigo governo. É, antigo. Eles renunciaram o poder, alegando dizer que os estudos não precisam mais de tanta atenção.
Respiro fundo e encaro a câmera.
—Mas isso não pode ficar assim. Aqueles que estão vendo este vídeo, não fiquem calados. Não se escondam. Eles vão pagar. Isso não é uma ameaça. É uma promessa. Eu particularmente vou tomar conta para que nenhum dos Milleniun saia ileso. Aqueles que estão comigo, mandem suas coordenadas.
—O governo não pode nos sufocar.
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