Milagre De Natal!

5 Um vislumbre do futuro.


Tudo o que ela queria era chorar e gritar, como podia ter sido tão estúpida a ponto de acreditar que Severus a amava? Fora enganada da maneira mais cruel que poderia se quer imaginar.

“ Válvula de escape”

A palavra que não saía de sua cabeça. Burra! Como pode acreditar nas mentiras que ele contava depois de tantos anos de humilhação em sala de aula? Estava cega na época. Seu verdadeiro amor sempre seria a mãe de Harry.

— Isso acaba hoje. – disse determinada.

A professora lhe disse que com sua resposta poderia ir logo depois das festas de fim de ano. Quanto mais cedo se afastasse daquele lugar melhor, e quanto mais longe mais afastada de toda a dor ficaria.

Respirou fundo e lavou o rosto. Mirou-se na imagem refletida no espelho do banheiro. Onde estava a expressão leve? A menina de sorriso fácil? Morrera. Se foi com a guerra, se foi com o Severus que ela mesma havia criado e alimentado em sua cabeça de adolescente apaixonada. Ele parecia tão verdadeiro, o que havia acontecido afinal...

— Não! Ele mesmo confessou, não sentia nada. Fui nada mais que um brinquedo. – disse à própria imagem.

Olhou para a grande janela do banheiro dos monitores e viu a tempestade de neve que caía lá fora. Viu ali sua raiva refletida, os flocos de neve rodopiavam violentamente como se expressassem toda a loucura que se passava em sua mente. Hermione olhou para fora e pensou em algo que em sã consciência nunca pensaria.

Tão convidativo... As rajadas de vento, a neve, a altura...

— Não faça isso!

Hermione mal teve tempo de se virar e mirar quem a chamava. Não havia percebido que havia escalado até o parapeito da janela, sentia-se febril.

— Você...

E foi tomada pela escuridão e um par de braços que lhe impediram de dar cabo ao sofrimento.

Estava tonto, no auge de sua loucura ouviu alguém gritar seu nome. Estava arrependido do que havia feito, mas agora não havia como voltar atrás, viu na mesa a carta que havia escrito para ela mais cedo naquela noite, do que adiantaria agora? Expulsou da sua vida a única chance que a vida lhe dera de ser feliz. Ela era jovem, cheia de vida e com um futuro promissor. O que ele poderia lhe oferece?

Talvez tenha sido melhor.

— Eu não teria tanta certeza disso...

Severus petrificou, sabia que aquilo estava por vir, sabia que ainda tinha de receber um visitante, mas não contava com esse pequeno detalhe...

— Lily?

— Olá Severus, como você está? – perguntou gentilmente com um sorriso.

Ele por sua vez mal podia acreditar no que seus olhos avistavam. Ali estava ela, sua melhor amiga em vida, aquela a quem tinha devotado quase toda a sua missão, aquela que antes de Hermione aparecer em sua vida era seu motivo de acordar todas as manhãs.

— Já faz um longo tempo não é? – perguntou receosa

— Lily, o que você... –perguntou ainda assustado e suspeitava que estivesse mais pálido do que o normal.

— Estou aqui para não deixar que cometa o mesmo erro Severus, você tomou uma decisão errada uma vez e sofreu com isso, não posso deixar que isso aconteça de novo. Você precisa ser feliz. – Disse olhando profundamente nos olhos do amigo.

Que noite! O maior fantasma de seu passado vinha agora como o último espirito a lhe visitar: o do futuro. Tanta coisa passava por sua cabeça naquela hora, tanta coisa para falar. Queria chorar, queria pedir perdão...

— Não se atreva a me pedir perdão Severus. – levantou a mão interrompendo antes que ele começasse – Todos nós fomos instrumentos nas mãos do destino para um bem maior. –riu – Estou parecendo Dumbledore.

— Eu não entendo... Por que você? – balançou a cabeça em descrença.

— Sei que fui alguém importante no seu passado Sev e vou sempre ser grata pela maneira que cuidou de Harry aqui, apesar de seus métodos questionáveis – levantou a sobrancelha o que fez com que o homem ficasse da cor dos cabelos da ruiva.

— Eu...

— Só me escuta – suplicou – Tudo o que você fez com Hermione, o jeito como a tratou, a maneira como destruiu os sonhos daquela menina. Não podia deixar isso acontecer de braços cruzados, por isso tomei a liberdade de eu mesma fazer a última visita.

— Não acho que ainda exista esperança Lily, fui um idiota até mesmo para os meus padrões. Ela merece alguém melhor... – disse passando as mãos pelo rosto.

—Será mesmo Severus? Você tem esse péssimo hábito de afastar as pessoas de você. Sei que tem medo, mas precisa confiar. – suspirou – Tenho que te mostrar umas coisas.

— Não sei se quero ver o futuro Lily... A última vez que isso aconteceu, bem – disse apontando para ela.

— Já disse para esquecer isso, além do mais o futuro é uma coisa curiosa Severus, ele não nos dá certezas ou verdades, mas sim opções. – Disse com um sorriso tão maroto que deixaria James Potter com inveja.

Queria discutir, mas sabia que não teria uma maneira de fazer com que ela mudasse de ideia. Uma visão do futuro o assustava, tinha medo do que poderia vislumbrar.

— Eu tenho opção? – perguntou num fio de esperança.

Para em troca receber apenas uma sobrancelha levantada como resposta.

— Eu imaginei.

— Ótimo, então vamos lá. – Lily lhe ofereceu a mão e ele aceitou com um fraco sorriso.

Estavam no meio de uma grande sala, o cômodo era confortável e a atmosfera aconchegante. No meio da parede cor de creme havia uma lareira crepitando e na parede perpendicular um pinheiro decorado em vermelho e dourado. Tipicamente grifinório. E Severus sentiu que já havia estado naquele lugar, a ideia o atingiu em cheio.

— Isso não é possível, estamos na sua casa, Godric’s Hollow, é impossível... – olhava incrédulo.

— Não, não é. Espere e verá. – disse divertida.

— Harry querido! Pode me ajudar aqui, por favor?

Severus virou o corpo e viu uma muita grávida e não muito mais velha Ginevra Weasley cruzar a portinhola que separava a cozinha da sala de jantar e um Harry Potter mais maduro vir logo atrás e pegar a travessa pesada em sua mão.

— É a...

— Filha dos Weasley’s, sim. Eles são tão lindos juntos – disse com olhar orgulhoso. –Sinceramente não entendo a fissura que os Potter tem em ruivas. –riu

Severus acompanhava a cena, os dois arrumando a mesa, sorrindo e às vezes trocando beijos rápidos, Harry enfim tinha uma família. Sorriu.

— Papai!

Para sua surpresa, Severus viu uma pequena miniatura do filho de Lily correr em direção ao mesmo e ser apanhado e jogado no ar.

— Ansioso campeão? — Harry perguntava ao garoto

— Sim, quando o Tio Ron chega? Vocês prometeram que contariam a história dessa vez.

— O que o Tio Ron prometeu James? – Gina perguntou levemente desconfiada.

— Tio Ron prometeu que contaria como ele, papai e tia Hemione venceram o cara de cobra!

— Harry! Como você pode ter deixado Ron prometer uma coisa dessas? Ele muito pequeno pra esse tipo de história. – Gina fuzilou o marido com o olhar.

— Não se preocupe querida – sussurrou em seu ouvido – Não vamos contar as piores partes, mas é inevitável você sabe.

— Sim, eu sei... – revirou os olhos.

— Quando seu irmão disse que viria?

— Ele não deve demorar, disse que só ia ajudar os gêmeos e depois viria direto para cá. Ah deve ser ele! – disse quando ouviu a campainha.

Para sua surpresa Ron Weasley chegou acompanhado de duas crianças, um menino ruivo e uma menina loira, ambos não deveria ter mais que cinco anos.

— Olá Rose e Hugo! – Gina cumprimentou as crianças com um abraço – Como vocês cresceram.

— Oi Gina, você está linda! – Ron abraçou a irmã e alisou sua barriga.

— É bom te ver Ron, mas onde está sua esposa?

— Estou aqui Gina

Lilá entrou pela porta carregado uma travessa e sendo ajudada por Harry.

— Como vai Lilá? Espero que não muito cansada, sei como é ter três Weasley em casa. – Gina riu em cumplicidade.

— Não me lembre, hoje é Natal e Ron prometeu que vai dar mais atenção para as crianças no feriado, preciso de um descanso. – disse sentando-se na poltrona da sala.

— Papai! – Rose chamou das escadas onde estava com James e Hugo. – Você vai nos contar a história agora?

Lavender imitando o gesto de Gina olhou para o marido com cara de poucos amigos.

— Ron, já tínhamos conversado sobre isso...

— Querida é impossível para eles não saberem, quer dizer, onde eles vão só perguntam de nós e eles ficam curiosos do porquê. – respondeu cocando atrás da cabeça tentando explicar e pedindo ajuda a Harry com o olhar.

— Queria que Hermione estivesse aqui, ela pelo menos ficaria do nosso lado – Harry disse com ligeira tristeza na voz.

Severus se interessou ainda mais de repente, onde estaria Hermione, certamente passava seus natais com os amigos, eram inseparáveis. A não ser... seria casada? Um namorado? Teria filhos e passavas com eles? Aquilo o deixou tonto, não estava pronto para assistir a tudo.

— Lily vamos embora, não quero pensar no que posso ver aqui. – disse pegando em sua mão.

— Não se atreva Severus Snape! Você precisa ver isso. – respondeu o segurando no mesmo lugar.

— Onde ela está Harry? Tem notícias dela? – Ron perguntou quando o amigo lhe servia uma taça de vinho.

— Eu ia perguntar a mesma coisa pra você. – Harry respondeu em tom baixo. – A ultima vez que falei com ela foi há seis meses quando liguei para dar a noticia da gravidez da Gina, conversamos um pouco, ela mandou parabéns e depois perdemos o contato.

— Seis meses!? Bom, você ainda está melhor do que eu, não falo com ela há mais de um ano. Em que parte do mundo ela está agora? – Ron perguntou tristonho olhando em sua taça.

— Eu não sei Ron, o único lugar que me interessa é justamente onde ela não está. Aqui. –virou o conteúdo do copo de uma vez.

— Ele está mal de novo não é? – Lilá perguntou a Gina enquanto estendia um guardanapo.

— É sempre assim nessa época, você sabe, Hermione é uma irmã pra nós, a falta dela é constante, sempre nos imaginei com nossos filhos juntos, passeios no verão, Natais em família...

— Eu sei como é. Ron também sente o mesmo, mas ele tenta disfarçar. Você sabe. Se fazendo de homem forte, mas eu vejo nos olhos dele que alguma coisa se quebra cada vez que as crianças perguntam da Tia Hermione.

— E Severus? Ron me disse que Harry tentou chama-lo de novo, mas ele se recusa a deixa-lo entrar em contato.

— Às vezes Lilá, eu acho que Hermione e Severus tiveram algo, ainda mais no jeito que ela reagia sempre que o nome dele era tocado em uma conversa, ela ficava mais fria e indiferente, se é que isso é possível.

— Nunca soube o que aconteceu com Hermione – Lilá disse curiosa enquanto continuavam arrumando a mesa da ceia.

— Nunca entendemos direito. Naquele ano quando voltamos do Natal na Toca a professora Minerva nos avisou que Hermione tinha ido para casa na manha seguinte, e que iria começar a faculdade depois do feriado. Foi tudo muito confuso ainda mais depois que soubemos que Snape havia pedido demissão. – Gina explicou com uma expressão de quem se esforçava para lembrar. – Depois disso nós nos encontramos cada vez menos e ela mal explicava o que tinha acontecido.

A campainha tocou de novo.

— Harry está esperando mais alguém? – Gina perguntou.

— Não, quem será? – Harry abriu a porta e se deparou com um funcionário do ministério à sua porta.

—Senhor Potter? Desculpe a intromissão, mas a situação não é das melhores... – disse coma voz cautelosa.

Severus ficou cada vez mais curioso com o rumo que aquilo estava tomando.

— Vamos, temos que ir para outro lugar – Lily disse puxando a mão do amigo e logo apareceram em outro lugar.

Severus olhou em volta, mas tudo o que viu foi uma rua em algum lugar que ele não fazia a menor ideia de onde era. A noite estava clara e a não se via neve em parte alguma, somente algumas poças na redondeza.

— Pra onde viemos e quando agora? – Severus perguntou impaciente.

— Estamos na mesma véspera de Natal Severus, mas dessa vez em outro lugar no mundo. Olha, logo ali.

Severus piscou, de novo e de novo. A figura de estatura média que andava em sua direção usava calcas e uma blusa branca e estava muito diferente do que se lembrava. Os pesados cachos deram lugar a um corte de cabelo curto, rente à cabeça, o rosto de feições leves agora era marcado por uma expressão dura e estava mais magra.

— O que houve com ela? – Severus perguntou enquanto via a mulher que amava passando por si em direção à portaria de um prédio na calcada em que estava.

— Boa noite senhorita e Feliz Natal. – um senhor de sorriso simpático desejou a Hermione numa língua que Severus entendeu como português.

— Boa noite. – respondeu fria sem ao menos olhar.

— Como entendi o que eles disseram? – questionou

— Magia é claro, sem perguntas difíceis Severus olha, ela está indo, vem.

Severus e Lily se apressaram para seguir Hermione até o elevador. Ela estendeu a mão e apertou o botão que indicava o 11° andar. Respirou fundo e apertou a base do nariz. Ouviram uma musica e viram Hermione Procurar algo na bolsa, logo depois puxou um aparelho que Severus reconheceu como um estranho telefone.

— Oi mãe. – respondeu com a voz cansada.

— Olá querida! Como vai meu amor? Você não ligou a semana inteira Hermione, ficamos preocupados. – Severus ouviu a voz dizendo do outro lado.

— Mamãe, por favor, agora não. Acabei de sair de um plantão de 24 horas. – disse cansada.

— É Natal Hermione! Seu pai e eu achamos que você viria para casa esse ano, nos enganamos de novo. – disse magoada.

— Você sabe que tenho trabalhado muito, me desculpe. – respondeu com o olhar vago no elevador.

— Pelo o que havia me dito estava de férias... – a voz dizia num tom recriminatório e ao mesmo tempo preocupado.

— Mamãe chega! Eu não vou ter essa conversa com você de novo, eu preciso ir, estou muito cansada. – e desligou o telefone.

Severus estava atônito, aquela não era Hermione, sua Hermione. Onde estava a menina doce, meiga e carinhosa que conhecera?

Severus acompanhou Hermione abrindo as portas do seu apartamento e jogando a bolsa num canto qualquer, e indo em direção ao banheiro. Viu quando a porta se fechou, resolveu dar uma olhada pelo lugar. Nas paredes via certificados, estava interiormente orgulhoso, nunca pensou que a menina conquistaria tanto em tão pouco tempo. Seu diploma de Hogwarts, da escola de Medicina de Lion, títulos de mestrado, certificados de honra por pesquisas, sua ordem de Merlim... Tudo devidamente emoldurado e pendurado nas paredes. Viu que a sala tinha uma sacada, se dirigiu até lá e quase teve um ataque de pânico, o lugar era alto, muito alto e até onde se lembrava Hermione tinha medo de altura. Observou a paisagem, não estavam na Inglaterra com certeza, olhou em volta no apartamento, uma conta de luz estava na mesinha de centro.

— O que ela faz no Brasil?! – perguntou assustado com a descoberta.

— Não percebe Severus ? Analise tudo o que você viu. Toda a mágoa que essa mulher tem guardada, o jeito como ele tem tratado as pessoas que ela ama, a maneira como ela desaparece sem dar explicação.

— Ela está fugindo... – sussurrou para si mesmo e vendo a menina se aproximar de seu eu invisível e acender um cigarro.

— Ela nunca mais, foi a mesma desde aquela noite Severus. Está vendo – apontou para a pilha de cartões no cesto de lixo que faziam companhia para embalagens vazias de remédios para dormir, vidros de poção e garrafas de bebida – Ela não vive Severus, ela sobrevive. Dia após dia, noite após noite, se afogando e se perdendo num labirinto que ela não sabe escapar. Essa foi a ultima noite que se teve noticias dela.

Olhou mais uma vez para a menina que apesar da expressão fechada no rosto tinha lágrimas nos olhos e nas bochechas.

— O que você quer dizer com isso? – perguntou preocupado

Antes que Lily respondesse ele se viu num lugar que não via há anos. A mansão Prince, herdada por sua mãe e que por direito lhe pertencia, mas sempre evitara aquele lugar sombrio.

— O que fazemos aqui?

— Acho que você mesmo pode responder essa pergunta. – apontou logo a frente.

Severus não reconheceu o cômodo em que estava. Tudo estava destruído como se um furacão tivesse assolado o lugar. Estava escuro, mas estreitou seus olhos, viu na mesa de centro um calendário que marcava 25 de Dezembro, um dia depois, e viu a cena mais deplorável que já havia presenciado. Num canto, com as roupas rasgadas, a barba por fazer e os cabelos sujos, estava ele. Numa versão não mais velha, mas sem duvidas mais miserável. Em uma mão uma garrafa de uísque meio vazia e na outra um jornal.

— Está satisfeita?- seu eu futuro gritou – Porque não fala, porque não vem me implorar amor agora? – gritou de novo para as paredes. – Eu imploro Hermione! Não me importa que me assombre, mas não me deixe! – gritava e chorava como uma criança.

Severus estava assustado com aquilo, nunca pensou que um dia se veria numa situação tão lamentável.

— Vamos Granger! – gritou mais uma vez e dessa vez começou a rir – Não pode não é mesmo? Está morta! – disse amargo e jogou a garrafa contra a parede. Levantou-se e sumiu mansão adentro como um fantasma.

O coração de Severus parou. Morta. O que aquilo queria dizer? Correu até onde seu eu estava e pegou o jornal.

“Bruxa mais inteligente do século é encontrada morta em apartamento no Brasil.

Parentes e amigos de Hermione Jean Granger, dizem que há muito não tinham contato com a jovem que esta constantemente viajando pelo mundo, os medi-bruxos que acompanham o caso suspeitam que a colega de profissão pudesse estar em uma profunda depressão, e uma combinação perigosa de poções e remédios trouxas pode ter sido o motivo da morte, os integrantes do trio de ouro tem se mostrado inconsoláveis, segundo relatos (duvidosos para essa autora) a jovem já havia tentado algo parecido na escola a seis anos atrás concidentemente atrás na mesma data. Seria trauma? Tristeza sem motivo ou um coração partido?... (Vide pág.8)”

— Não! É mentira! Isso não pode ter acontecido, ela é brilhante! Jamais faria algo do tipo de propósito. – disse desesperado andando de um lado para o outro.

— Você melhor do que ninguém viu Severus, ela não tinha ninguém, os amigos cada um com sua família e ela sem amor de verdade, é claro que os pais contam, mas não é a mesma coisa. – Lily colocou a mão em seu ombro. – Eu sinto muito.

— Ela não pode terminar assim... – disse desesperado, foi quando ouviram um baque surdo do piso de cima.

— Vem – Lily o puxou pela mão e subiram pelo ar até atravessarem a parede.

Severus ficou ainda mais assustado com o que viu, sentia a bile vindo em direção a garganta.

Em um canto de um quarto empoeirado, com um revolver trouxa na mão, o poderoso Severus Snape dera fim a sua vida da maneira que sempre fora, covarde...

— Severus eu sinto muito! – Lily embalava o assustado amigo em seus braços já de volta a seus aposentos.

— Ela estava morta! Morta por minha culpa! – gritou

— Severus se acalme! – segurou o rosto em pânico entre suas mãos – Aquilo é futuro, fruto de um erro seu no presente, esse presente! Não percebe? Você ainda pode mudar tudo Severus, tudo! Foi lhe dado mais uma chance. – disse por fim num abraço.

Severus estava ali, no abraço da amiga refletindo sobre tudo o que viu. Hemione nunca amou de novo, simplesmente porque não havia mais ninguém e ele havia a tratado como uma vadia. Estava tão acostumado a ser trocado por algo melhor que não lhe passou pela cabeça que ele sempre seria o melhor para ela. Estúpido! A visão de futuro pode não ter sido exclusivamente dele, mas dela, porque ele já sabia. Sem ela não havia a perspectiva de um. Quando algo repentinamente lhe atingiu.

— Merlim! O jornal!

— Do que está falando Severus? – Lily perguntou

— Ele dizia que ela havia tentado algo, há exatos seis anos atrás. –raciocinou desesperado.

— Então ela... – Lily sussurrou.

Hermione...

Foi o ultimo pensamento racional que teve antes de partir à sua procura.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.