Mil Flores de Cerejeira
4 Capítulo 4 - Amigo ou Inimigo?
O sujeito se dirigiu a mim e disse :
–Meu nome é Shang, Shang Araya.
– Naomi Nagasawa. — Eu disse, séria.
–Pelo visto também eis uma ECM. — Disse ela sorrindo com um dos lados da boca.
–Sim, e pelo visto você também é.
– Eu disse com um pequeno sorriso, com os olhos meioabertos, e sobrancelha levantada.
–É isso aí, e pelo que parece, viemos atrás do mesmo monstro. — Disse Shang, sorrindo, com os olhos meioabertos.
–Pois é.
–Você usa uma barra de ferro para os combates?
–Ah, é que eu eu estava passando por aqui e não estava com minhas katanas na bolsa, aí tive que improvisar.
–Ah sim, mas você mandou bem.
–Mais ou menos, mas obrigada. E você mandou muito bem com a bazuca.
–Haha, aquilo não foi nada demais, apenas faço o meu trabalho, mas obrigada.- Disse Shang, sorrindo. — Bem, é melhor eu arrumar essa bagunça.-Disse ela, olhando para o monstro caído no chão, sangrando.
–Deixe comigo, eu dou um jeito. — Eu disse tentando ajudar.
–Não, eu insisto, você está toda arrumada, vai acabar se sujando toda.
–Na verdade eu já estou suja. — Eu disse, rindo.
–Mas é sério deixe comigo — Insistiu Shang.
Eu agradeci e fui para casa. Chegando lá, meu pai estava sentado no sofá vendo TV. Eu abri a porta de madeira detalhada bem vagarosamente, mas a porta rangia muito. Ele me olhou, eu fechei a porta, virei-me e disse:
–Tadaima.
–Okaeri — Respondeu meu pai, com uma cara de desconfiado.
–Vou pro meu quarto. — Eu disse, subindo as escadas.
–...tá bem
Meu pai ficou com um cara tão estranha que eu achei que ele ia me dar um de seus sermões por eu ter demorado para chegar em casa.
Tomei banho, troquei de roupa e fui dormir.
Eram 6h da manhã, levantei e fui ao banheiro lavar o rosto e escovar os dentes. Coloquei o uniforme, fui para a cozinha tomar café e fui para a escola.Chegando lá, vi Patrick sentado num banco perto da quadra, lendo um livro sobre maternidade de capa rosa bebê com letras brancas, que ele provavelmente pegou na biblioteca, estava com os cabelos soltos desta vez, o que é novidade, pois sempre o vejo na escola com os cabelos presos. Fui em sua direção, mas quando estava na metade do caminho, Shinobu, um menino da minha classe; que tem cabelos loiros e curtos, com uma franja de lado cobrindo sua testa; me parou, abraçou-me e disse:
–Oi Naomi-chan!
–Shinobu! — Eu disse, sorrindo.
–Eu preciso de um pequeno favor seu.
–E qual seria?
–Que criatura é essa? — Disse ele, me mostrando uma fotografia de uma fada das sombras, a mesma criatura que atacou Patrick.
–Uma Fada das Sombras. — Eu respondi, olhando para a fotografia.
–Uma delas me atacou... — Ele disse, abaixando a cabeça.
"Ai caramba, será que ele também está..." — Eu pensei, disfarçando meu susto por fora.
–Só que eu não consigo me lembrar onde a fada me atingiu.
–Qual feitiço ela te lançou?
–Feitiço de Ativação, eu acho.
Desta vez não consegui disfarçar minha ansiedade, coloquei minhas mãos na boca e arregalei meus olhos.
–E eu queria saber se você não poderia descobrir o que eu tenho, claro, depois da aula.
–Tudo bem, eu passo na sua casa. — Eu disse, sorrindo.
–Ok, obrigada Naomi-chan! — Gritou Shinobu, correndo em direção ao seu grupo de amigos.
Fui correndo em direção a Patrick ele viu-me e sorriu, sentei-me ao seu lado e disse:
–Oi. — Eu disse, com voz baixa.
–Ei, para com esse baixo astral, você é minha amiga, passe a agir como tal! -Ele brincou, levantamo-nos e nos abraçamos.
É horrível quando você sabe que está na friendzone e a pessoa ainda fica te chamando de amigo sem nem desconfiar do que você sente. É tipo jogar na sua cara sem intenção.
–Não estou de baixo astral, é preguiça mesmo. — Eu brinquei.
Ele riu e nos sentamos novamente no rústico banco velho de madeira escura.
–Já tá até se preparando né. — Eu comentei, apontando para o livro.
–Pois é, já tenho que estar ciente do que eu vou...receber, eu acho.- Disse ele, fechando o livro.
–Mas me diga, você está com dezessete anos não é? E estamos em setembro, provavelmente a criança nascerá no meio do ano que vem, e será o ano de nossa formatura, não vai ficar complicado para você? — Eu perguntei, curiosa.
–Bem, eu espero que não. — Disse Patrick, sorrindo. — Eu e meus pais já estamos preparando as coisas para o bebê.
–Você tá feliz mesmo com isso né. — Eu comentei, sorrindo.
– Tô até animado, e assustado, e ansioso ao mesmo tempo.- Disse ele, levantando o punho em gesto de comemoração. — Foi realmente muito inesperado, mas eu... até que estou gostando, sabe, ter um filho por mim mesmo deve ser grandioso.
–As dores também são grandiosas! — Eu brinquei. — Mas que bom que você aceita isso bem, por que outras pessoas, se estivessem no seu lugar, logo iriam pensar em aborto.
–Sei que foi um acidente, mas não posso culpar o bebê por isso.
–Tem razão. — Eu disse, concordando com ele.
O sinal do início da aula tocou, 4 minutos antes do horário normal, fomos juntos para a sala. Desta vez sentamos em carteiras lado a lado. Era aula de português, com a Sensei Takashima, uma sensei realmente muito exigente, mas que não sei o porquê, mas não gosta de Patrick, ela é bem estranha, mas algo aconteceu para ela não gostar dele, até que seria interessante descobrir o motivo desse desgosto.
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