Mil Flores de Cerejeira
12 Capítulo 12 - A entrevista
Acordei às 08:32 e quando olhei para trás, Patrick não estava do meu lado. Levantei da cama, e o procurei pela casa. Quando passei pelo corredor, vi ele na cozinha e fui em sua direção, ele estava sem camisa, com um short preto e o avental branco por cima. Abracei-o por trás e disse:
–Ohayo.–Ohayo gosaimasu. — disse ele sorrindo e se virando pra me abraçar, dando-me um beijo.–Tá fazendo o que aí pra comer? –Okonomiyaki. — respondeu Patrick, beijando minha testa.–Patrick... o que vai acontecer quando essa criança nascer? — pergunto, escondendo o rosto em seu peito.–Bom... eu não sei ao certo... mas acho que vamos ter que morar juntos. Fico em silêncio e Patrick se vira, colocando a comida no prato e pondo-as na mesa.–Seus pais ainda não voltaram? — perguntei, me sentando na mesa. –Vou ver se eles me mandaram alguma mensagem. — respondeu ele, tirando o avental e pegando o celular. -Não... nada... mas não nos preocupemos, afinal, isso já aconteceu mas... da última vez me mandaram duas mensagens avisando que estavam no hotel e que estavam chegando.–Ma-mas será que eles estão bem? -Devem estar. O restaurante é um pouco longe daqui, mas é o preferido dos meus pais. — respondeu ele, sempre sorrindo. Começamos a comer em silêncio. Por fora eu apresentava uma reação indiferente, mas por dentro eu estava em pânico. E se seus pais não voltarem? "Acalme-se, Naomi. Está tudo bem." — pensei, dando um leve suspiro. Terminamos de comer e Patrick se levantou da mesa, pegou nossos pratos e talheres, levando-os para a pia. Me ofereci para lavar a louça e ele disse, com aquele sorriso encantador:–Eu lavo e você seca?–Seco e guardo. Patrick agradeceu com um sorriso. Enquanto limpáva-mos e louça, Patrick disse, com os olhos voltados à pia:–A Shaeng nos convidou para ir à organização ontem... Sabia disso pois havia escutado a conversa dos dois ontem quando ia para a casa de Patrick. Mas resolvi não dizer isso a ele.–Ah... e... que dia você quer ir lá? — perguntei, fingindo que não sabia.–Talvez esse final de semana. O que acha?–Por mim tudo bem. — respondi sorridentemente. Patrick olhou em meus olhos e sorriu, beijando-me em seguida. Corei instantaneamente, quase deixando o prato que estava secando cair no chão. Terminamos da limpeza e já eram 10:30h. Fui para o banheiro e tomei um banho, escovei meus dentes e penteei meus cabelos, vesti uma calça jeans, uma blusa de alça vermelha estampada com flores, uma jaqueta preta por cima e tênis. Dei um beijo em Patrick e antes de sair, disse:–Não vou demorar muito. Se cuide.–Vamos te esperar. — respondeu ele, olhando para mim sorrindo e com uma das mãos na barriga. Sorri de volta e fechei a porta. Respirei fundo e pus a bolsa no ombro. Peguei um ônibus até uma rua perto do restaurante e fui andando até o lugar. Quando cheguei em frente ao restaurante, percebi que era um local bem organizado e um tanto... sensual. Havia presença marcante do vermelho lá dentro. Entrei e o lugar estava cheio, pessoas conversando e bebendo. Mas não tinha visto nenhum outro funcionário para servir. As mesas eram de madeira, o local era bem espaçoso, as paredes eram vermelho claro. Notei que o restaurante era temático, só não sabia do quê. Perguntei à uma garota que estava no caixa sobre onde era a sala da gerência, e ela me orientou simpaticamente. A garota bateu na porta da gerencia, se virou para mim e disse, sorridentemente:–A propósito, meu nome é Akatsuki. –Muito prazer. — respondi, não precisei me apresentar, afinal, anteriormente ela havia anotado meu nome quando liguei, marcando a entrevista. Entrei pedindo licença e havia uma mulher sentada em uma mesa de vidro. Ela tinha cabelos loiros curtos estilo channel. Vestia uma blusa de manga curta lilás que destacava seus seios grandes, saia social preta até o joelho e saltos pretos bem altos. Seus lábios eram vermelhos e com os óculos pretos na ponta do nariz, ela levantou o olhar e sorriu para mim de maneira sexy. Estranhei um pouco mas relevei. Aquela mulher transmitia um ar de superioridade, o que me deixava ainda mais nervosa.–Pode se sentar Naomi — disse a mulher, apontando com a caneta para uma cadeira preta em sua frente. Caminhei até lá e sentei na cadeira. –Meu nome é Nerumi, bem-vinda ao nosso Bunny Café. –"B-Bunny Café?!" — pensei, assustada por dentro por ter descoberto o tema do restaurante. Não sabia se havia me saído bem na entrevista, mas procurei responder às perguntas com o máximo de confiança, foi difícil mas fiz meu melhor. Nerumi se levantou da cadeira e disse:–Entraremos em contato com a senhorita em breve. Agradeci e saí do café. Andei apressada pela rua e peguei o ônibus. Enquanto olhava pela janela, pensei se conseguiria aquele emprego, pois só tinha experiência em trabalhar como balconista. E foi há um ano atrás! Desci do ônibus e fui para a casa de Patrick. Abri a porta e ele estava sentado no sofá, lendo um livro. Estava apenas de calça jeans e meias. Ele me ouviu entrando e levantou os olhos, perguntando:
–Como foi a entrevista?–Eles vão entrar em contato em breve. — disse, bufando e jogando a bolsa do lado do sofá. -Fiquei um pouco nervosa. A gerente parecia ser bem rígida. E descobri que era um Bunny Café.–Bunny Café? Hum... parece interessante. Fui para a cozinha, abri a geladeira e peguei um copo d'agua. –Fiz um almoço pra quando você chegasse.–S-sério? — respondi, surpresa. -Caramba eu... não sei como te agradecer... Patrick levantou do sofá colocando o livro em cima do mesmo. Foi em minha direção e olhou nos meus olhos.–Não tem que me agradecer. Você já faz muito por mim. — após dizer isso, ele beijou minha testa. Quando terminei de almoçar, Patrick disse para mim, com um olhar triste:–Naomi, meu pai... veio aqui hoje enquanto você estava fora.
Notas finais
Uhuhuhu segura esse mistério aê!
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