Mil Flores de Cerejeira

16 Capítulo 16 - Amigos para tudo


*3 meses depois*

A barriga de Patrick está linda, porém ele tem feito de tudo para escondê-la, pois nossos amigos nem ninguém da escola ou seus outros parentes sabem de sua gravidez. Comprou uma camiseta do uniforme mais larga, às vezes esconde com a mochila, usa casacos mais soltos...
Não sei se posso contar isso à Mitsuki, ela é uma grande amiga minha, preciso do apoio dela nessa situação. Mas ainda acho que não é a melhor coisa a se fazer, afinal, Patrick me pediu que não contasse a ninguém sobre isso antes dele.

(***)

Quarta-feira, Patrick me mandou uma mensagem dizendo que faltaria à aula hoje porque não estava se sentindo bem. Nada fora do normal. Respondi que após a escola eu iria visitá-lo. E na cara de pau ainda disse:
—Traz comida? Não fiz compras essa semana, minha mãe tem ficado uns dias fora a trabalho e meu pai mal olha na minha cara.
Eu nem sabia o que responder. Aliás, nunca consigo ter alguma reação quando Patrick fala sobre problemas familiares. Apenas assenti e fui para o colégio.
Como de costume, cheguei 10 minutos antes da aula começar, e Kyoko, Takashi e Mistuki também já estavam lá. Cumprimentei-os como de costume e Takashi entrou num assunto desconfortável para mim:
—Vocês sabem do Patrick? Ele vem agindo bem estranho ultimamente.
—E-estranho? Como assim? — disfarcei.
—Ele tem usado roupas enormes, evita falar conosco e às vezes, depois que ele come, ele treme de um jeito como se tivesse levado um soco — respondeu Mitsuki.
Comecei a me afastar vagarosamente, mas quando virei de costas para eles, crendo estar livre, Kyoko me pergunta:
—Sabe o que está acontecendo, Naomi?
Encolhi os lábios e franzi as pálpebras. Virei novamente para eles e comecei a falar nervosamente rápido:
—Ah... e-eu... deve ser apenas coincidência, ou problemas pessoais dele não é? A gente não tem nada a ver com isso, vamos ser felizes, viver nossa vida, tchau gente, tô indo, vejo vocês na sala, tchau!
Saí quase correndo em uma direção totalmente aleatória e acabei parando no banheiro. Entrei nele e peguei o celular. Disquei o número de Patrick e liguei.
—Alô.
—Patrick...
—Naomi? O que foi?
—Tá todo mundo perguntando de você, eu não sei mais o que inventar pra sair disso.
—...
—Não acha melhor contar logo a verdade a eles?— prossegui
—...faremos o seguinte então...

(***)

12h, horário do almoço. Eu estava na portaria da escola esperando Patrick. Após 5 minutos ele chega de uniforme, e dessa vez sem moletom, roupa larga ou qualquer coisa por cima que esconda a barriga. Estava apenas com o blazer do uniforme para ajudar a disfarçar. Não funcionou. Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo baixo, deixando alguns fios escaparem e a franja bagunçada espalhada pela testa. Pelo visto ele se arrumara na pressa.
Meu coração acelerou repentinamente, comecei a apertar o tecido de minha saia devido ao nervosismo.
Patrick passa pela porta e se aproxima de mim, beija minha bochecha e diz:
—Pronta?
—Sinceramente, não. — olho para baixo.
—Como não? — ele questiona — Não vai ser difícil, eles já devem ter suas suspeitas.
—Mas... e se eles se afastarem de nós? — argumentei coloquei a mão no peito olhando para ele.
—É um risco que temos que correr, alguma hora eles tem que saber mesmo. — respondeu ele, ajeitando a mochila em um dos ombros.
—...
—Ora... até meses atrás você que queria contar à eles e eu que hesitei. — prosseguiu Patrick.
—É mas... é diferente — falei — Chegar na hora e falar me deixa nervosa.
Meu rosto começou a corar e Patrick olha para mim, sorri e me beija novamente mas na outra bochecha. Retribui o beijo e o abracei na cintura, ele põe a mão em minha cabeça e diz:
—Vamos acabar logo com isso.
Suspirei e o soltei. Caminhamos lado a lado até o pátio e olhamos em volta. Kyoko, Takashi e Mitsuki estavam sentados nos bancos. Havia alguém conversando com eles, estava de costas e não pude ver seu rosto. Quando Takashi nos viu, acenou levantando alto seu braço. A pessoa virou-se para ver a quem Takashi estava acenando e vi... ele voltou.
Parei subitamente ao vê-lo, arregalando os olhos.
—"Demônio!" — pensei, cerrando os dentes.
—Shinobu! — exclamou Patrick, sorrindo e indo na direção deles. Ele abraça Shinobu e diz alegremente:
—Senti sua falta! O que aconteceu?
—Eu... estava doente. — respondeu aquele desgraçado.
Fiquei ali parada, ainda chocada. Shinobu olhou para mim e sorriu inocentemente.
—O que houve, Naomi? — perguntou Kyoko.
—N-nada... — falei e andei calmamente até eles.
Cumprimentei cada um deles e Shinobu se despediu, se afastando. Respirei aliviada de não ter que falar com ele depois do que aconteceu. Impossível uma pessoa que quase morreu surgir das profundezas do inferno pra vir me arrastar.
O pátio estava vazio, pois a maioria dos alunos estava almoçando no refeitório. O pessoal estava perguntando o porquê de Patrick ter faltado alguns dias e o que estava acontecendo.
—E... o que aconteceu com você? — perguntou Mitsuki por último, apontando discretamente para a barriga dele.
—Bem, temos que contar uma coisa à vocês — começou Patrick e ele olha para mim -Na verdade, nós dois temos que contar uma coisa à vocês.
Todos olharam para mim rapidamente com curiosidade e eu tomei a iniciativa:
—Posso contar? — olhei para Patrick.
—...pode. — respondeu ele.
O silêncio tomou conta da situação e respirei fundo.
—Andem logo! Tô curiosa! — exclamou Kyoko.
—Patrick está grávido. — falei rápido e suspirei.
—Nossa — murmurou Patrick — Também não precisava falar assim, tão fria.
—Não tinha outro jeito, ou eu falava assim ou falava com drama, e não tem necessidade. — cruzei os braços e fiz bico.
—Não quero nem ver o modo dramático. — Patrick sorriu e levantou uma das sobrancelhas.
—Nem queira ver.
Durante esse diálogo entre eu e Patrick, Takashi, Kyoko e Mitsuki permanciam perplexos, com os olhos arregalados e a boca meio aberta.
—O-o que? — exclamou Kyoko.
—Ah é, temos que explicar a eles — eu disse — Sua vez.
—Ok, er — iniciou Patrick, me abraçando de lado — Então, eu e Naomi teremos um filho!
Patrick pôs a mão em sua barriga e continuou:
—Era por isso que usava roupas largas e evitava falar com vocês.
—Isso explica muito mais. — comentei
—E o fato de você tremer depois que come? — perguntou Takashi
—Chutes. — respondeu Patrick, sorrindo — Toda vez que termino de comer, o bebê chuta.
—Então, todos aqueles dias que você faltava... — questionou Takashi.
—Dores na coluna e estômago.
Patrick explicou a eles sobre como aconteceu e logo eles se acalmaram.
—Isso... é tão bonitinho! — exclamou Takashi, em seguida abraçando Patrick.
Kyoko e Mitsuki deram um sincero sorriso e nos abraçaram. Patrick olhou para mim como se dissesse : "Viu? Eu disse que daria certo"
Detesto dar razão às pessoas. Mas fico feliz de tudo ter dado certo. Por enquanto. Meio dramático? Talvez.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.