Miguel
3 A Amiga do Herói - Parte 2
A transição da tarde para a noite foi tranqüila na Floresta da Manopla. Diferente de uma noite normal, não havia cabras berrando, nem sapos coaxando ou crianças gritando. Provavelmente pelo medo imposto na região por uma garota de vestido azul brigando com outra garota, de manto vermelho, enquanto derrubava árvores, pois o estado atual de ódio que carregava consigo aumentavam a sua percepção e ela arrancava todos os troncos que “ficam aparecendo bem na minha frente quando estou com pressa”. A única coisa que quebrava o silêncio e a monotonia da noite, além de Bela berrando era um estranho corvo, que ocasionalmente grasnava.
O som da derrubada das árvores às vezes era intercalado com um “Por que você está fazendo essa cara, Júnior?” em algum momento epifânico raro onde ela parecia se lembrar do modo como alguém deve se comportar na frente de outros seres humanos. A jovem de manto vermelho, por sua parte, não dizia nada, mas era dedutível que ele estava pensando “Por que essa mulher é tão louca?”, enquanto corriam quase alegremente pela Floresta da Manopla.
Há cem metros de distância do castelo, sobre a segunda maior montanha da região havia a terceira maior montanha, cujo topo estava cheio de árvores derrubadas ao lado de Bela e Júnior, que contemplavam a paisagem, ou procuravam alguma coisa, ou pelo menos faziam algo que parecia ser parecido com isso.
— Acho que é aquele o lugar. — concluiu Júnior.
— Não pode ser aquele lugar. — disse Bela fazendo bico.
— Bate totalmente com a descrição do maguinho. Falta só tochas iluminando um letreiro escrito “Castelo do Mal do Cara Com a Mão Muito Grande” pra ser mais bem indicado.
— Mas exatamente por isso é estranho. Você acha que ele ia entregar seus aliados?
— Tipo, Bela...
— Sim?
— Eu não sou o tipo de pessoa que se importa muito com os outros. Mas você machucou muito ele...
—...
— Eu até estou brincando menos depois daquilo... — Júnior faz uma pequena pausa enquanto respira fundo e continua dizendo — Aquela coisinha pequena, alegre e… pequena, nunca mais será a mesma.
Júnior olhou da forma mais profunda que sabia olhar sem revelar que era, no fundo, uma pessoa extremamente séria e sensível.
Bela evitou olhar de Júnior virando-se para as estrelas. Quando ela virou-se novamente para a sua companheira, seu olhar embora não fosse sereno,era calmo o bastante para inspirar alguma chance de vitória na batalha que viria a seguir.
— Me desculpe por tudo. Você vem comigo? — pediu Bela.
— Claro. Isso vai ser louquíssimo! – respondeu Júnior animada.
Miguel acordou em um lugar diferente do qual havia dormido, o que o deixou um pouco irritado, afinal de contas, já era a terceira vez que isso acontecia só nesta semana.
Miguel primeiro pensou em procurar algum jeito violento, baseado em força bruta, que o livrasse das correntes que o prendiam à parede de pedra. Alguns segundos mais tarde ele pensou se não seriam essas atitudes violentas que o colocavam nesse tipo de situação. Seguindo esse raciocínio ele resolveu aguardar alguém chegar e conversar com ele. “Talvez haja algum modo de negociar”, pensou.
Miguel sabia que poderia demorar até que alguém aparecesse e resolveu encostar a cabeça na parede gelada onde já estavam completamente presas as suas costas. Era uma parede de pedras e, quando percebeu isso, seus olhos brilharam. A tentação era demais para ele.
— Eu acho que a gente devia apagar os soldados, derrubar o portão e lutar contra todo mundo que estiver lá dentro. — disse Bela, enquanto analisava com cuidado a frente do castelo.
— Você é novata, não é?!. É óbvio que a gente vai arrumar briga com mais gente se nós formos por cima do castelo. O terraço é mais aberto e dá pra reunir mais capangas pra lutar contra a gente lá.
— Mas mesmo assim, de nenhum dos dois modos a gente vai lutar com todos, a não ser que a gente fique enrolando.
— Já sei! A gente podia dividir. Assim, mesmo que o Miguel esteja no terraço, ou no subsolo um de nós dois vai brigar com muita gente.
— Hum...
— Filha, não vai me dizer que você quer brigar com cem homens em dupla e não tem coragem de lutar contra sozinha contra os dez, que você vai encontrar aqui embaixo.
— Mas é aqui embaixo que eles estão.
— Então...
— Fechado.
Bela foi primeiro, correndo em direção ao portão principal enquanto esperava que os guardas a cercassem. Assim que ela estava no meio deles, Bela inverteu a bainha da espada na mão direita e desembainhou as duas ao mesmo tempo e girou o corpo no próprio eixo em alta velocidade, criando um pequeno tornado úmido, com as gotículas de água criadas inconscientemente por ela e que aderiam ao corpo dos guardas, que iam sendo atraídos pela zona de baixa pressão e iam sendo pegos pelas lâminas de Bela, que giravam no sentido anti-horário, até que ficassem perpendiculares uma à outra e o pequeno fenômeno climático atingisse seu ápice e ficasse vermelho por causa do sangue girando em volta dele.
Quando Bela parou de girar, todos os oito guardas que já estavam no chão e ela pôde entrar pelo portão aberto calmamente, com as espadas embainhadas e balançando a cabeça para tentar secar o cabelo encharcado. “Eu nem uso essa droga de água no ataque”, pensou a garota, revoltada com a sua inabilidade nata de controlar a magia que emanava naturalmente.
Logo após o incidente no portão principal do castelo, Júnior correu para os fundos, lançou sua corrente numa pedra, de modo que ficasse presa, e subiu rapidamente enquanto pensava “Não é possível, será que todo guerreiro é retardado e fica querendo brigar pra provar que é macho? Até a Bela tem essa merda de idéia e ela é mulher. Não é muito melhor montar uma estratégia, chegar no inimigo por trás e acabar com tudo rápido pra poder ir pra casa comer chocolate amargo?”
Assim que chegou ao topo, Júnior se viu atrás de um boneco de madeira e ouviu um sonoro “Atirem”, seguido por uma chuva de flechas no peito do alvo. Logo após isso, ela percebeu a existência de quinze arqueiros, quinze espadachins e dez lanceiros acertando alvos imóveis. Os quarenta guerreiros também perceberam a presença dela.
— É o fim do treinamento de toda a guarda efetiva do castelo! Matem esse intruso e depois chamem aqueles oito recrutas fracotes que estavam no portão para o treinamento deles! — gritou o General, um homem de armadura branca, dois metros de altura, segurando um machado de dois metros e possuia uma voz que o fazia parecer ainda maior.
Flechas voavam e homens com armas pontiagudas corriam na direção de Júnior, que franziu as sobrancelhas enquanto dizia:
— É praga, só pode…
Dentro do castelo, andavam juntos dois homens, um infeliz, com o rosto deformado e um cavanhaque extremamente úmido, conhecido como “Burdof, o feio” e outro, de dois metros e dez centímetros de altura, bombado, com mãos imensas, trajando uma malha azul clara sobreposta por uma armadura azul escura, espessa e espaçada, que cobria apenas seus ombros, peito, antebraços, pernas e região pubiana, chamado de “Manopla, o Bonitão”.
— Aqui está. — falou Burdof entregando um saco com ouro para o homem ao seu lado.
— Obrigado. — agradeceu Manopla, que guardou o saco sem olhar o conteúdo. Não que confiasse muito em Burdof, mas suas duas mãos imensas o impediam de fazer muitas coisas sem passar vergonha.
— Você vai terminar o serviço agora? — perguntou Burdof, lambendo seu áspero cavanhaque.
— Vou. Agora mesmo. — respondeu Manopla, que para de andar e aponta para a parede.
Após Burdof parar de lamber o cavanhaque, Manopla percebeu que, como já esperava, o homem ao seu lado não havia entendido o que ele queria fazer, dando-lhe a chance dizer:
— Do outro lado da parede está o calabouço. Através da minha poderosa aura guerreira eu sou capaz de sentir exatamente onde ele está e por isso sei que se eu der um soco aqui eu estraçalharei aquele garoto do outro lado da parede.
— Mas isso tem uns vinte centímetros de rocha. — estranhou Burdof.
— Sim, e por isso apenas um guerreiro que já derrotou sozinho mais de mil homens é capaz de fazê-lo. — falou Manopla, preparando-se para dar um soco.
Assim que Manopla terminou seu discurso, uma cabeça atravessou a parede, que logo se quebrou de cima a baixo, indo ao chão junto com Miguel, que ficou totalmente coberto por pedras por alguns segundos, apenas o tempo de redescobrir pra que lado fica “pra cima”.
Depois de se sentar, Miguel olhou para o lado e reconheceu Burdof da noite anterior, lembrando perfeitamente de tudo o que ele disse e fez. Ele chegou a quase se surpreender com a sua incrível memória. Quase. Depois ele disse:
— Acho que eu te conhecia de algum lugar.
— Conhecia? — indagou Burdof, antes que uma pedra arremessada por Miguel esmagasse a seu rosto.
Manopla, irado, disparou o soco que havia preparado em Miguel, que defendeu com o braço esquerdo, agachado, e foi arremessado para trás, surpreso com a força daquele golpe, que quase quebrou seu braço.
Miguel se levantou e fez uma expressão de desafio, esperando fazer com que seu inimigo ficasse intimidado, o que funcionou. Intimidado, Manopla se desesperou e começou a dar socos sem parar na direção de Miguel, que não tinha outra coisa a fazer além de recuar e esquivar, enquanto procurava qualquer coisa no calabouço que pudesse usar como arma. Não encontrando nada, decidiu fugir. Tomou uma distância de um metro e meio em um pulo para trás e fazendo isso mais vezes, viu que seu oponente não conseguia acompanhá-lo.
Manopla, em pouco tempo, parou de correr atrás de Miguel (que parou de pular também), e, irado, disse:
— Você se acha muito esperto, não é? Você se acha muito bom, não acha? Pois saiba que eu conheço minha única fraqueza bem melhor que você e já encontrei um jeito muito bom de me livrar de gente igual você!
Manopla jogou seu braço para trás, como se fosse ganhar impulso para dar um grande golpe e quando lançou seu punho à frente, fazendo surgir o que pareciam ser cinco mini-socos, movendo-se juntos e rapidamente para frente. Três das cinco partes do ataque atingiram Miguel, que caiu no chão e se levantou rapidamente, a tempo de ver Manopla puxar mais uma vez o seu braço para trás.
Sem saída, Miguel apenas colocou o braço esquerdo na frente do rosto, fechou os olhos e jogou a mão para frente, como em um sinal de “Pare” enquanto esperava o golpe chegar.
Após se passarem alguns segundos, Miguel, estranhando não ter recebido o ataque, tirou o braço esquerdo da frente do rosto, abriu os olhos e viu o inimigo tentando tirar uma corrente que estava atravessada em seu antebraço.
Ao seguir o caminho da corrente com os olhos para descobrir de onde ela saiu, Miguel percebeu que ela do seu pulso. Se pudesse se vir no espelho, perceberia que a íris dos seus dois olhos estavam agora castanhos avermelhados, quase vermelhos.
Miguel poderia facilmente perder um semana pensando na razão para aquilo ter acontecido, se Manopla não tivesse gritado de dor ao tirar a corrente do braço e preparado um novo ataque a distância, com o outro braço.
Miguel ergueu então seu braço esquerdo e lançou três correntes seguidas, das quais Manopla teve de se defender colocando sua imensa mão revestida de armadura na frente.
Percebendo que não teria tempo para preparar um ataque à distância, Manopla começou a correr na direção do inimigo, que não poderia pular para longe com correntes presas a ele. Miguel puxou as correntes de volta e lançou apenas uma, do seu braço direito, voando em espiral, de modo que enroscasse do braço direito de seu oponente, e foi correndo em direção a ele também, sempre recuando a corrente para o braço, afim de que ficasse justa.
Quando ficou perto o bastante, Manopla deu um soco, com o seu imenso braço esquerdo em Miguel, que deu ao mesmo tempo outro soco com sua mão esquerda. O punho do Miguel não atingiu Manopla, entretanto,uma nova corrente saiu de sua manga e atravessou parte do rosto do seu inimigo.
Manopla se desesperou e bateu várias vezes as mãos no próprio rosto para tentar tirar a corrente da sua face. Assim que Miguel recuperou o equilíbrio, deu um forte puxão para trás, levando seu desesperado e desatento inimigo a cair de frente, no chão.
Miguel, então, se jogou sobre o inimigo, agarrou-o pelo cabelo e socou a parte de trás da sua cabeça até que ele parasse de se mexer. Seus olhos brilharam e ele desmaiou mais uma vez.
No topo do castelo, Júnior estava cercada e via morte pra todos os lados, das maneiras mais variadas que podia imaginar.
Após deixar para lá a revolta com a sua sorte e a falta dela, Júnior pensou no que iria matá-la primeiro. A resposta é: flechas. Depois dessa conclusão, liberou um metro de corrente de cada lado da manga e gira as duas, de modo que batessem em todas as flechas que vinham em sua direção.
A vinda de dez lanceiros em sua direção despertou-a para o que iria matá-la em seguida: lanças. Para escapar delas Júnior colocou debaixo da manga uma das correntes e se abaixou, ateando fogo na outra e girando-a acima da sua cabeça, impedindo os inimigos de se aproximar.
O que o mataria em seguida seriam as espadas, seguidas de uma nova chuva de flechas, mas Júnior perdeu a paciência com aquilo tudo e resolveu acabar com a baderna com uma técnica sua: a “Chuva de Fogo”.
Girando ainda mais rápido a corrente, que tinha uma ponta extremamente densa na extremidade, Júnior fez com que ela subisse até criar o que parecia um pequeno furacão de seis metros de altura, que lançava fogo para todos os lados, atacando e derrotando todos os inimigos de uma só vez.
Enquanto todos fugiam daquele incêndio generalizado, o General correu na direção de Júnior, que se limitou a desfazer a chuva de fogo e lançar uma corrente, que se atrelou no braço dele, sem machucá-lo.
Pouco depois o General se aproximou, lançou seu machado sobre Júnior, que se esquivou na lâmina, mas foi pega pelo poderoso braço do inimigo. Enquanto a corrente se enroscava gentilmente sobre o corpo do General, este ia falando:
— Você até que é uma maga boa, mas não tem como uma lançadora de magia vencer alguém como eu sem desenvolver “algum músculos”!
Assim que o General acabou de falar, Júnior ergueu o dedo com ar de deboche disse:
— Você até que é um guerreiro mais ou menos, mas não têm como um animal com machado me vencer sem desenvolver “alguns cérebro”.
A corrente que estava sobre o peito e o abdômen do General o aperta com força e logo depois o queima.
Enquanto o guerreiro ainda agoniza, Júnior o solta, corre em direção às escadas e segue a presença mágica mais poderosa dentro do castelo, trombando com Bela logo no primeiro andar abaixo.
— O Miguel não está ai em cima? — pergunta Bela.
— Este é o maldito último andar e não, ele não está. — responde Júnior, cansada.
— Você estava até agora lá em cima?
— Tive contratempos no caminho.
— Ah, é. Você estava certa. Só lutei com dez caras fracos lá embaixo e a única pessoa que encontrei no caminho disse que havia mais de quarenta guerreiros no castelo. Nem imagino onde possam estar.
— Eu não preciso imaginar, mas enfim, vamos resgatar o Miguel!
— Você sabe onde ele está?
— Sei onde está a presença mágica mais forte do castelo, me acompanhe. — disse Júnior, apontando para um corredor no andar abaixo.
As duas correram pelo corredor até verem um familiar buraco na parede ao lado de Burdof — missão cumprida — pensa Bela.
Após passar pelo buraco, Miguel e Bela vêem, pasmos, Miguel, desacordado sobre um homem de armadura azul, acorrentado pelo braço.
Bela olhou para Miguel, depois olhou para Júnior, depois olha para cima, depois olhou para o Miguel de novo e pergunta:
— Por que ele tem uma corrente saindo do braço dele?
Com o som da voz de Bela, Manopla despertou e, calmamente, abriu os olhos, até ver Júnior, com correntes como as que saíram dos braços de Miguel, saindo de suas mangas. Algo terrível passa por sua cabeça e ele, ignorando seu rosto esburacado, seus cortes e traumatismos cranianos, se levantou, erguendo Miguel pela cabeça com sua imensa mão. Nesse momento, as correntes que saiam de seus braços desapareceram, magicamente.
— Vocês que são os amigos dele, não é?! Vou fazer um favor para vocês! Talvez não tenham se dado conta ainda, mas esse cara é um atlante e só tem duas razões para algum deles estar por aqui. Ou ele está aqui para se infiltrar entre os humanos e ajudar a nos matar, ou ele é tão perigoso que resolveram exilá-lo aqui. Seja qual for a razão, eu não vou esperar para descobrir, eu vou matá-lo e um dia, vocês vão me agrade…
— bradou Manopla, interrompido por uma corrente atravessando seu peito.
Sem forças para segurá-lo, Manopla soltou Miguel, que foi pego por Bela antes de cair no chão e, enquanto ainda estava consciente, ouviu Júnior dizer num tom incrível sério, porém delicado:
— Quando você tenta matar qualquer pessoa, você tem que saber que está arriscando a sua vida também. Não é hora de abaixar a guarda e fazer discursos! Esse é um ótimo conselho. Uma pena que você jamais poderá usar.
Ao terminar a frase, Júnior conduziu fogo na corrente até atingir o peito do Manopla, que se queimou rapidamente. As labaredas chegam ao teto que tinha suportes de madeira, que começaram a queimar também.
Bela, assustada, colocou Miguel sobre o ombro esquerdo e Júnior disse:
— Vamos dar o fora daqui! Eu lancei fogo sobre toda a parte de cima do castelo. Daqui a pouco esse lugar vai virar um inferno.
Bela e Júnior atravessam a saída dos fundos do castelo e continuaram correndo até que ficassem a uma distância segura do castelo, que tinha fogo saindo pelas janelas. Após uma pequena pausa, elas começaram a caminhar calmamente pela floresta, num silêncio mortal, quebrado pela garota de roupa azul, que após refletir muito, pergunta:
— Aquela coisa que o Manopla disse, do Miguel ser atlante, é verdade?
— E você acha mesmo que eu sei? — respondeu Júnior, sorrindo.
— Eu já sei que você é muito mais sábia e poderosa que tenta parecer.
Após pensar um pouco, Júnior adotou novamente uma expressão séria e continuou:
— Pelo que eu vi, esse garoto não é apenas um atlante, como corre em suas veias o sangue dos titãs. O Manopla está falando a verdade. Esse garoto caiu do céu, sem memória. Não imagino qual seja a razão para que alguém capaz de derrotar três gigantes e mereça receber um selo de nível cinco de um Soldado Divino, como a Andressa, seja descartado por eles, mas você pode ter certeza: agindo apenas como um cara bom e sem memória, ele é isca pra todo o tipo de caçador de recompensas, extremista, humano ou atlante. É sem dúvida um perigo ficar perto dele…
Depois de terminar a última frase, Júnior viu Bela franzir as sobrancelhas num sinal de preocupação. Pensando que havia falado o que não devia, ela olha para Miguel, sorri e fala:
— Mas, se você pensar bem, é um risco relativamente pequeno para ser amiga de um herói.
Júnior deu um tapa na cabeça do Miguel e tirou uma barra de chocolate amargo do bolso. Estavam agora mais perto da próxima cidade a leste que de Primor. Como não possuíam um destino específico, é pra lá mesmo que iriam. Chegariam no próximo dia a Gyn City.
Do topo da montanha mais alta região, um homem com algumas penas pretas pelo corpo e cercado por uma dezena de corvos, observava o que acontecia, intrigado. Antes que os três que derrotaram o Manopla e destruíssem seu castelo entrassem na floresta, ele enviou um de seus corvos para olhar mais de perto o garoto desmaiado e seus dois companheiros. Assim que teve a chance de confirmar sua suspeita, enviou outros dois de seus pássaros para diferentes lugares. Um para Gyn City e outro para a Torre do Começo e do Fim. Algo muito estranho estava acontecendo e seu mestre precisava saber disso.
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