Notas iniciais
Uniforme, cabelo, anel e colar da Selene: http://www.polyvore.com/cgi/set?.locale=pt-br&id=192507834

Sabe aquelas lendas de terror sobre a quais contamos ou escutamos em volta de fogueiras em um acampamento, ou simplesmente para se divertir assustando um amigo? Queria que fossem apenas lendas, e durante minha infância eu realmente acreditei que fossem, mas então, quando completei quinze anos eu descobri toda a verdade. Tudo o que eu acreditava ser apenas contos de terror, como, vampiros, lobisomens, demônios, feiticeiros e coisas do tipo, todos eles eram reais e estavam mais perto do que qualquer um poderia imaginar.

Mas pela sorte da humanidade existem os caçadores. Minha mãe, Elisa Collins era uma deles, uma das melhores até, matava monstros até de olhos fechados, matou todos os que chegaram perto dela. Todos menos um. Meu pai, Jonathan Collins, durante uma caçada ele foi mordido por um vampiro e mandando para matar minha mãe. Ela não conseguiu lutar com ele e ele a matou na minha frente bebendo até seu último gole de sangue. Acontece que vampiros são leais aos seus criadores, nada para eles é mais forte do que uma ordem de seu criador. Depois que eu o matei, os caçadores chegaram e me levaram para um instituto de treinamento que ficava na cidade, fui treinada e agora era considerada tão boa quanto um dia minha mãe foi.

Todos os caçadores tinham um parceiro de caça, a minha é Samanta, ela tem a mesma idade que eu, dezenove. Fomos criadas juntas, ela é o mais próximo de uma família que eu já tive desde a morte de meus pais. Samanta era o que podíamos chamar de patricinha, ela tinha os cabelos loiros, olhos verdes e amava coisas fofinhas demais e amava uma festa. Apesar de nosso uniforme se preto ou vermelho, ela sempre dava um jeito de incrementar o dela com algo colorido. Apesar deste seu lado, ela era uma ótima lutadora e atirava perfeitamente bem, sabia se virar muito bem sozinha se fosse preciso, o que nunca foi, pois eu nunca a deixei na mão. Cada um tinha sua arma preferida, Sam prefere armas, já eu prefiro espadas e adagas, pois são mais silenciosas e discretas. Bem, não que uma espada seja discreta, apenas as acho mais fáceis.

Samanta e eu estávamos em uma missão esta noite, estávamos procurando por um vampiro que estava matando garotas. A cidade estava bem silenciosa, o que era estranho, normalmente Port Angeles ficava cheia durante a noite, mas os anúncios de que teria um assassino na cidade afastou bastante as pessoas das ruas. Tirando os caçadores, é claro. Às vezes eu odiava meu emprego, eu poderia estar em casa agora, debaixo das cobertas vendo algum filme como uma adolescente normal, mas eu não era uma adolescente normal não é mesmo? Amarrei meu cabelo no alto da minha cabeça com objeto de me livrar dos chicoteio que ele dava em meu rosto causado pelo vento frio. Não entendo como neste frio, Samanta conseguia andar por ai de saia, eu estava de calça e ainda sentia frio. Revirei os olhos e guardei minha espada no suporte atrás de minhas costas. Estava claro que o maldito vampiro estava se escondendo.

—Acho que não vamos encontrar nada aqui. –eu disse bufando enquanto olhava o parque onde a ultima menina tina sido morta.

—Claro que não. Que vampiro chegaria perto de uma garota que anda por ai com uma espada na mão Selene? –perguntou Samanta revirando os olhos

—Um que seja corajoso e goste de uma boa briga. –eu respondi dando de ombros

—Brigar é bom, morrer nem tanto. –ela respondeu olhando em volta

—As garotas que ele matou que o digam. Vamos para casa. Estou com frio e com fome. –eu disse me virando para ir embora

—Espera. Acho que escutei alguma coisa. –disse Samanta

Peguei minha espada e me virei olhando em volta, o parque estava escuro e sem sinal de ninguém além do cachorro do outro lado da rua que nos observava.

—Muito bem, encontrou um cachorro que nem ao menos é um lobo. Vamos embora Sam. –eu disse andando

Samanta bufou e se apressou vindo atrás de mim. Pode parecer chatice a minha, mas depois de um dia e uma noite inteira caçando você fica cansada. Tudo que eu desejava agora era chegar a nossa casa, tomar um banho e deitar na cama. Andamos em silêncio até o apartamento e entramos, Sam correu para seu quarto dizendo que queria ir a alguma festa essa noite, espero que ela não insista para eu ir com ela, estou cansada demais para isso. Fui para meu quarto trancando a porta e jogando minhas coisas na cama, entrei no banheiro e tomei um banho demorado, tirando os resquícios de sangue do lobisomem que matei esta tarde e que ainda estava em meu braço. Lobisomens na maioria das vezes eram difíceis de matar, eles corriam rápido demais e na maioria das vezes eles acabavam fugindo. Por sorte esse preferia lutar, mas desta vez ele não ganhou.

Coloquei um short e uma blusa de mangas compridas, em casa estava bem mais quente por causa do aquecedor, soltei meu cabelo e fui até o espelho para lavar o rosto. Olhei o reflexo e sorri me lembrando do dia que eu tinha resolvido pintar meu cabelo de cinza. O resultado ficou ótimo, apesar de meu cabelo estar um pouco abaixo de minha cintura e apesar disso me incomodar, eu não conseguia corta-lo. As coisas que minha mãe mais gostava em mim era o cumprimento de meu cabelo e meus olhos, eram cor de mel, assim como os de minha avó. Toquei no meu colar me lembrando de minha mãe.

Sai do banheiro e tentei afastar aqueles pensamentos me deitando na cama. Pensar nela me fazia eu me sentir triste e fraca, como se precisasse de proteção. Não gosto me sentir assim, não sou fraca e muito menos preciso da proteção de alguém. Meu recorde de mortes era a prova viva disto. Levantei-me e fui até a cozinha para pegar algo, na geladeira tinha um bilhete de Sam, dizendo que tinha ido a uma festa com Lucius, seu namorado e que dormiria na casa dele esta noite. Amassei o bilhete e o joguei no lixo pegando um pedaço de pizza fria na geladeira e colocando no micro-ondas.

Apoiei-me na bancada esperando a pizza ficar pronta enquanto observava a TV que Samanta sempre deixava ligada antes de sair. Senti uma dor na cintura e observei a pequena marca de nascença em forma de meia lua que eu tinha desde criança, ela estava vermelha e ardia um pouco. Peguei um pouco de água gelada e passei esperando que ela parasse de dor. Funcionou. Ela nunca tinha doído antes, por que doer agora? Fui tirada de meus pensamentos pelo apito do micro-ondas dizendo que minha comida estava pronta. Peguei o prato e fui para meu quarto desligando a TV em seguida. Coloquei o prato na mesa me sentindo incomodada, como se eu estivesse sendo observada. Peguei minha adaga na minha cintura e me virei olhando em volta. Não tinha ninguém, se tivesse o alarme teria disparado. Olhei pela janela e observei a figura do homem que estava do outro lado da rua. Ele me observava com a mesma intensidade. Focalizei melhor minha visão e ele sorriu mostrando os dentes pontiagudos e então joguei minha adaga em sua direção e ele levantou seu braço a pegando antes de atingi-lo. Peguei minha espada e corri para a rua atrás dele. Quando cheguei lá ele já tinha ido embora, atravessei a rua ficando onde antes ele estava o olhei para o chão pegando o anel que ele tinha deixado cair, era pesado, provavelmente de ouro branco com uma pedra preta no meio, eu não entendia de joias, mas me parecia ser bem caro. Olhei em volta novamente e coloquei o anel em meu dedo voltando para casa. Quem era ele e como ele tinha encontrado minha casa? Olhei novamente para o anel e peguei meu telefone ligando para Lucius.

—Selene? O que foi? Você nunca me liga quando estou em uma festa. —ele disse confuso

—Preciso de sua ajuda em uma coisa e tem que ser agora. Eu vou te mandar uma foto e preciso que me diga se é conhecido. –eu disse observando o anel

—Tudo bem. Manda ai. —ele disse

Tirei uma foto e mandei para ele, coloquei o celular de volta no ouvido e esperei.

—Selene? Onde você achou isso? —ele perguntou preocupado

—Ao que parece você sabe quem é o dono. –eu disse

—Claro que sei, é meu trabalho saber. Esse anel pertence a Dylan Vladescu. —ele disse

—Vladescu? Isso é impossível, eles estão mortos a mais de mil anos Luke. –eu disse surpresa

—Isso é o que eles querem que nos pensássemos. Mas me diz, onde achou isso?

Fiquei em silêncio e ele bufou.

—Selene, se foi ele que deixou esse anel, você está em sérios problemas. Ele é o vampiro mais letal já existente desde o próprio Drácula!

—E eu a caçadora mais letal. –eu disse bufando

—Você não está entendendo. Ele é o descendente do Drácula, o conde em pessoa o nomeou o rei depois que ele morresse. Sabe o que isso quer dizer?

—Que ele me encontrou e agora estou ferrada? –eu disse baixo olhando pela janela

—Samanta e eu estamos indo para ai. Pegue todas as armas possíveis e não saia desse apartamento. –ele disse desligando o telefone.