Midnight Memories - Repostada
19 "Ela Deve Pagar"
Notas iniciais
—O que faz você pensar que eu me afastaria só por saber que vocês estão namorando? – Blásio perguntou depois de ouvir toda história de Draco sobre seu namoro com Hermione.
—Fomos criados para odiar nascidos-trouxas. Nós dois fazíamos comentários maldosos. Achei que você iria me chamaria de “traidor de sangue” ou algo do tipo. – Suspirou ao responder.
—Draco. Minha única intenção em xinga-los era me encaixar no grupo e não ser considerado “traidor de sangue” também. – Respondeu – Como você, percebi que isso é desperdício, claro que não só por causa de uma garota. Muitas nascidas-trouxas valem a pena, se é que me entende. – Os dois riram.
—Mas com a Hermione foi diferente de todas as outras. Sei que parece estranho, porque parecia que eu a odiaria pelo resto da vida. Claro que no começo foi estressante, quase tiramos uma nota horrível. Obviamente, Hermione do jeito que é estudiosa, resolveu pacificar as coisas para evitar se dar mal na matéria. Nós começamos a nos dar bem, depois de um tempo, confiar mais um no outro, e daí rolou.
—Ela caiu no seu charme. – Blásio riu
—Na verdade, não foi preciso. – Draco permaneceu sério – Acho que se alguém caiu, foi eu. Ela me beijou primeiro, mas eu já esperava que isso acontecesse a muito tempo. Só que eu fiquei sem reação: geralmente sou eu quem toma iniciativa. – E sorri lembrando do momento.
—E como acabou?
—Pansy.
—Por isso que você criou repulsa, desde o terceiro ano?
—Ficou tão claro assim? – Draco perguntou irônico
—O que ela fez?
—Simplesmente me beijou.
—E...
—Hermione viu. – Draco respondeu impaciente. – Fui atrás dela e minha sorte foi ela ter apenas uma azaração para me empurrar, porque poderia ter feito um grande estrago, com a raiva que sentiu de mim, assim como eu poderia ter me vingado de Pansy, mas apenas me afastei e criei um certo desgosto pela presença dela. A gota d’água foi no dia que você me encontrou no banheiro. Pansy veio me beijar e meus sentidos me enganaram mostrando a Hermione em seu lugar. Quando voltei para mim, eu meio que a empurrei. Já aconteceu outras vezes quando eu bebia ou ficava estressado demais, mas com a Pansy eu senti culpa, como se estivesse traindo Hermione novamente.
—Entendo.
—Eu estava com tanta saudade da Mione, que quando Snape foi grosseiro, acabei explodindo. Claro que ela não acredita que eu tenha mudado, até porque não foi só o beijo de Pansy que a deixou incomodada. Eu resolvi tentar ser mais forte, e como eu odeio o Potter, voltei a enchê-lo, sem ligar para Hermione, mas aquilo me queimava por dentro. Eu estava machucando-a indiretamente, mas o que interessava era transformar a vida do Potter em um inferno.
—Mas você tem um motivo para isso. Seu pai está na cadeia por causa dele.
—Não me importo. Meu pai me usa para conseguir o que quer, pois eu tenho acesso à escola, e graças a ele, estou no meio de um plano suicida. Só fiquei com mais raiva de Potter, pela humilhação que me fez passar. Prefiro meu pai preso, mas fui e ainda sou provocado por isso.
—Mas por que você resolveu se aproximar dela esse ano?
—Pensa Blásio. O Lorde das Trevas quer aniquilar nascidos-trouxas. Hermione já é automaticamente um alvo, além do mais, seria atacada de qualquer jeito por apoiar o Potter. Me aproximo, para tentar protegê-la, e pretendo revelar isso – disse erguendo a manga para mostrar a Marca Negra – para ela, se for preciso, para que ela me ouça quando eu pedir para ela se esconder. – Fizeram uma pausa. – Resolvi me aproximar também, porque ela sabe me confortar.
—E eu não?! – Blásio fingiu estar ofendido de forma sarcástica.
—Sabe sim, mas não há troca de saliva e carinho, não é, seu Trasgo? – Eles riram
—Você não acha perigoso? Você e eu não somos os únicos aqui que temos contato com Comensais ou o no seu caso, o próprio Lorde das Trevas. Se Snape descobrir, pode te dedurar, ou até mesmo receber ordens para se livrar dela.
—Seria a última coisa que ele faria na vida, e eu quero protege-la.
—Mas escute Draco. Ela tem o Potter e o Weasley. Ela tem proteção. Sempre salvaram um ao outro, e eu sei que você vai pensar que talvez eu esteja do lado deles, ou que eu deteste a Hermione, mas eu acho prudente você se afastar. – Draco ia retrucar, mas Blásio o interrompeu. – Você pode levantar suspeitas e mesmo que você mate a pessoa que contar para o sem-nariz, não vai alterar o fato dele saber.
—Eu preciso dela, Blásio. Agora mais do que nunca. Preciso do apoio dela, e preciso que ela me conforte.
—Mas pensa, você realmente ama ela. Pense no choque que você causaria no momento que ela descobrisse o que você se tornou. Eu sei que não foi sua escolha, mas você já a “enganou” uma vez. – Fez aspas com os dedos. – Mesmo que você diga a verdade, quem garante que ela vá acreditar?
Draco ficou em silêncio e pensou. Blásio tinha razão. Ela ficaria arrasada. Ele não podia ser egoísta ao ponto de ser se aproximar, ser confortado por ela, e depois magoá-la, ainda que contra sua vontade. Mas agora que o destino estava a seu favor, com o retorno das aulas de Aritmância, como ele poderia ser capaz de ignorá-la, agora que poderiam finalmente ficar juntos?
—Meu trabalho aqui, acabou por hoje. – Falou desanimado
—Vamos para o Salão Comunal.
—Espero não topar com pessoas indesejáveis.
—Ainda bem que não dividem dormitórios.
—Pois é.
Saíram então da Sala Precisa e seguiram até as masmorras, e ao entrar no Salão Comunal, para seu alívio, não haviam muitos alunos, e muito menos o casal detestável. Resolveram tomar um drink antes de dormir, mas em poucos instantes o casal chegou, e Goyle olhou para Draco estalando os punhos.
—Agora eu pego ele. – Falou para dois garotos e para Pansy, que os acompanhavam, e em seguida se aproximou do Loiro que apenas observava com indiferença. Não queria agir com raiva ou por impulso, apesar de estar completamente estressado pela briga anterior, o armário, e o dilema de falar ou não falar com Hermione. – E aí traidor de sangue.
—Meio sujinho você. – Draco retrucou olhando para as roupas do garoto e de Pansy, que estavam sujas de comida. Blásio começou a rir.
—Vocês não conhecem nem um feitiço de limpeza, como pretende “pegar” ele? – Perguntou Blásio ainda rindo. Draco bebeu todo o drink.
—O único sujo aqui é Draco, se envolvendo com Sangue-Ruins. – Goyle sorriu maleficamente e Draco segurou a taça com força, e começou a andar até o dormitório, tentando demonstrar indiferença. Goyle o segurou pelo braço, e Draco respirou fundo. – Mas imagine quando os Sangues-Ruins forem considerados indesejáveis. Traidores como você sendo presos. Pelo menos não ficará sozinho, pois seu papai ficará esperando.
Neste momento Draco não aguentou: Tacou a taça no chão, espalhando estilhaços de vidro por todo o Salão Comunal, segurou Goyle pelo colarinho da camisa e o jogou na direção do balcão que estava com bebidas e copos, quebrando-os também. Goyle em rebate, correu e segurou Draco pela barriga, mas tanta era a raiva do Loiro, que a força de Goyle não foi suficiente para derrubá-lo. Draco pegou uma taça que ainda estava intacta, e quebrou numa parede próxima, empurrou Goyle na parede e colocou o vidro quebrado em seu pescoço, neste momento todos ficaram assustados, até Blásio, ficou estupefato.
—Draco, larga isso. – Blásio sinalizou com o braço, e se aproximou.
—Você é louco! Socorro! Me solta! – Goyle berrou desesperado. Draco sentiu sua Marca Negra se movimentar, e algo em sua mente, algo ruim dizia para ele acabar com seus inimigos sem hesitar.
—Eu deveria cortar seu pescoço e obrigar todos assistirem o que acontece com quem me provoca. Seria um colírio ver seu sangue espirrar pela sala, mas isso me sujaria, e eu não sou sujo, você é quem é imundo.
—Senhor Malfoy! – Snape chegou na sala. – Largue esse garoto agora. E não me force a fazê-lo soltá-lo. – Draco saiu do transe. Parecia ter sido ordenado a matar, para obter satisfação. Mas como tirar uma vida iria satisfazê-lo?
—Como quiser. – E soltou Goyle, que estava completamente pálido. Recebeu um abraço de Pansy, que estava desesperada.
—Me acompanhe. – Jogou o que restou da taça, nos pés do casal, e acompanhou Snape. – Quero esta sala limpa e que todos estejam em seus devidos dormitórios, quando eu voltar.
Draco achou que iriam para a sala dele, mas Snape só foi até um corredor vazio.
—Eu não sei o que você tem na cabeça! Quer ser expulso e acabar com o plano?! Quer ser preso e se juntar ao seu...
—Não ouse terminar! – Draco segurou um choro e o interrompeu. Snape se acalmou, mas ainda estava com raiva da atitude do garoto.
—O que Goyle fez? – Perguntou
—Se meteu onde não devia. Me xingou de traidor e falou do meu pai.
—Entendo.
—Não vai me torturar como antes? – Perguntou impaciente.
—Eu devo cuidar de você, garoto mimado. Você terá de fingir que está cumprindo detenção, pois havia muitas testemunhas. Você dirá que está cumprindo detenção comigo, mas você continuará com a tarefa em vez disso. – Disse severamente – E não se envolva mais em brigas. – Falou de forma protetora desta vez
—Você realmente daria uma boa babá.
—Não me teste. Agora vá para seu dormitório em silêncio.
E assim o fez. Snape não o seguiu, pois resolveu dar um tempo até os alunos limparem. Draco, ao chegar no Salão Comunal, atraiu olhares sérios para ele, que ignorou. Sacou a varinha e usou Reparo para consertar os vidros quebrados.
—Você limpa as manchas, tenho certeza que sua namorada está disposta a te ajudar depois de ver que você é um fraco. – Goyle fechou os punhos com força. Draco seguiu para seu dormitório, Blásio logo em seguida. Alguns outros alunos que assistiram à cena, retornaram em silêncio para o dormitório.
Draco deitou-se, após trocar de roupa e pensou: “Devo me afastar. Ela não pode ver o monstro que eu me tornei. Não posso colocar sua vida em risco. Não posso falhar com ela, não mais uma vez, não tenho esse direito”. Fechou os olhos, tentou adormecer, mas não conseguiu. Pensou no que havia acontecido a instantes atrás. Quase havia matado uma pessoa, um garoto que foi seu comparsa há muito tempo. Um grande amigo. Se fez isso com seu amigo, imagina o que poderia fazer com sua amada? Tudo por causa de Pansy. Sempre ela. Sua Marca latejou novamente, e um pensamento mesquinho perpassou sua mente: “Ela deve pagar”.
Fale com o autor