Midnight Memories
1 Memorias da Meia-Noite
Notas iniciais
Eu só quero dizer que: acho que exagerei no açúcar, sério. Fiquei diabética só de ler e-e
Eu juro que não sei o que é que me deu, eu só saí escrevendo... E bum! Saiu um romance super meloso no capricho.
Essa é pra você, fã coisas melosas, todo seu ahuahauha x-x
Qualquer erro, pode avisar, ok?
Ela estava no seu quarto, desenhando. Já passava da meia-noite e ela estava sentada em sua cama fazendo rabiscos em seu caderno. Ela nem parecia notar a hora, nem parecia notar a noite estrelada do lado de fora de sua janela. Nem sequer percebeu que a lua cheia daquela noite merecia ser guardada numa fotografia, para depois servir de musa em uma pintura. Não, ela só tinha olhos para o desenho no seu caderno.
Ela, obviamente, não me percebeu aqui.
Estou a uns dez minutos observando-a, sem que ela nem me note. Talvez, se ela levantasse o olhar daquele maldito caderno... Mas não o fez até agora. Também estava ouvindo músicas nos fones de ouvido. Eu queria saber qual música é. Às vezes ela canta a música que está ouvindo, mas só um verso ou outro. Não conheço nenhum fragmento das que ela cantou.
Eu sei que ela trabalha em uma revista, fazendo as artes. Eu tenho vários recortes dos desenhos que ela faz para a revista — Young Lady, o nome — colados numa parede. Eu sei que ela vai dormir bastante tarde, por ficar desenhando, assim como agora. Eu sei que ela nunca se apressa demais para fazer os seus lindos desenhos, mas também nunca pareceu se atrasar com nada. Sei também que ela toma café com creme e açúcar toda manhã, com um bolinho ou uma rosquinha de chocolate com limão, dependendo do seu humor.
Eu sei que não deveria saber/fazer esse tipo de coisa (eu era um tipo de superstalker), mas essa garota me laçou sem nem perceber, sem nem me notar. O meu coração é dela e eu queria que ela soubesse disso, porque aí ela pararia de sair com o namorado idiota e daria seu coração para mim também.
Eu me lembro como a conheci. Ela estava linda, como sempre. Eu estava vagando pelas ruas, quando a vi. Usava um vestido de verão, sem mangas, amarelo e sapatilhas brancas; seu cabelo estava preso num rabo de cavalo meio atrapalhado. Ela corria como doida, atropelando um tanto de gente. Então, ela esbarrou numa mesa, e deixou uma pasta cheia de projetos e papeis no chão.
Eu, como um bom cavaleiro, ajudei-a a coletar os papéis do chão. Ela franziu as sobrancelhas, e olhou para o seu relógio. Seus olhos ficaram arregalados, ela levantou-se rápido e saiu correndo.
Naquele momento meu coração parou. Ela não disse nada, nem me olhou diretamente, mas eu senti como se estivesse morrendo de novo, de novo e de novo. Eu senti uma coisa que nunca tinha sentido antes, bem no meu coração. Soube que era ela, a garota com quem eu nunca nem falei, era ela que seria dona do meu coração.
Com a lembrança daquele dia, eu, sem querer e perceber, sorri.
Ela agora estava recostada na parede, com os joelhos levantados e o caderno de couro marrom — seu melhor amigo — estava apoiado neles. Usava uma blusa cinza com o desenho de uma pizza de óculos escuros e chapéu, e um shorts curto preto. Os cabelos castanhos longos estavam presos em um rabo de cavalo de lado. Eu estava no oposto do quarto, perto da janela, sentado no chão, com as pernas cruzadas.
Tão bonita... Mas nem sabe. O namorado dela diz que a acha bonita, linda, mas do jeito errado. Ele acha o exterior bonito. A embalagem, a capa, não o conteúdo. Eu a acho definitivamente maravilhosa, por fora e por dentro. Sei que ela não se acha bonita, por que a vejo quase todos os dias se analisando no espelho com ares de quem desaprova uma pintura.
“Olhos muito grandes”, já a ouvi murmurar para si mesma. “Que cor é essa? Parece vômito, a cor dos meus olhos” e “Que testa enorme” ou até “Aposto que ninguém beijaria essa boca feia aqui...”.
Mal sabe ela que eu acho a cor dos olhos dela exótica e incrível. Que adoraria colar minha própria testa na dela. Mal sabe ela que eu daria tudo para beijá-la. Mal sabe ela que eu morro de novo a cada dia que passo sem poder tocá-la.
Mal sabe ela que eu existo.
Eu ainda tenho esperança, apesar de tudo. Quem sabe um dia ela me nota? Quando ela finalmente tirar os fones e olhar em volta... Eu vou ser o cara mais feliz no mundo.
Ela, então, se moveu. Tirou o caderno do colo e esticou as pernas, tudo isso com meus olhos grudados em cada movimento seu. Ela levantou os braços bem alto, espreguiçando-se, eu pude ouvir seus ossos estalando. Lentamente, abaixou-as de novo e tirou um dos fones. Depois pausou a música. E tirou o outro.
Em todo o tempo em que a observei, nunca a vi fazer tal coisa. Nunca. Em nenhuma ocasião.
Ela olhou pela janela, sem sair de cima da cama.
— Uh-oh, parece que eu fiquei acordada até tarde de novo, não é? — eu a mirava, cético. Ela não tinha murmurado isso e sim dito em alto e bom som, como se houvesse alguém no quarto além dela mesma. Como se ela soubesse que eu estava lá. Eu a observei mais atentamente, curioso e desconfiado. Meu olhar seguiu a curva do seu corpo até chegar a sua mão, que segurava o caderno.
Ela levantou-se e caminhou até a janela e a abriu. Imediatamente, uma brisa fresca entrou pela abertura, levando alguns fios do cabelo dela. Ela estava bem do meu lado agora, sua coxa perto do meu nariz.
Tão perto...
Ela finalmente sentou-se de volta na cama, mas, dessa vez, na beirada. Seus olhos ainda estavam na janela, mirando a lua cheia. Então, eles desceram, até pararem onde os meus estavam. Não, não, corrigindo: onde, atrás da minha cabeça, estava uma rachadura. Ela estava séria, olhando como se realmente me visse. Então, falou.
— Você quer ver?
Meu coração parou e eu quase tive um ataque, quase, se eu já não estivesse morto.
Só três palavras, pronunciadas diretamente para mim. Não exatamente as três que eu queria ouvir, mas, por enquanto, essas serviam. Eu engasguei muito antes de poder usar minha voz.
— Eu, eu, eu... Eu... — sim, eu sou um idiota. Depois disso, a única coisa que eu consegui fazer sair foi: — Você consegue me ver.
Foi uma afirmação perguntada. Eu não conseguia parar de encará-la, de achar que era um sonho. Ela riu um pouco e revirou seus olhos.
— Claro que sim, bobo. — disse. Eu abri o sorriso mais idiota na face da Terra. Eu sentia que iria explodir e queria correr e pular e abraçá-la. — Quem não veria? Você acha que eu sou algum tipo de garota desligada e que não vê nada?
Eu corei violentamente. Eu, de certo modo, pensava que sim. Achei que ela nunca me via, que eu era invisível para ela assim como era para as outras pessoas. Ela deu uma risada, que eu reconheci como a eu sei que sou assim, concordo com você. Era simplesmente demais. Eu estava fazendo-a rir.
Eu vou morrer, de novo.
— Mas, hum, você quer ver o meu desenho? — ela parecia um pouco constrangida. Talvez por mostrar um desenho do caderno de couro. Ela nunca deixava ninguém tocá-lo, à não ser ela mesma. Eu também não o tocava.
Eu simplesmente anui com a cabeça. Estava me sentindo honrado em ser o primeiro que veria o seu precioso caderno. Levantei-me devagar e sentei ao seu lado, mas não muito perto. Ela estendeu o caderno já aberto para mim e eu o segurei com cuidado, quase como se fosse uma relíquia bastante preciosa. De certa forma, era.
Era eu.
O desenho que ela tinha no caderno era eu. Meu eu do desenho estava sentado numa varanda, de perfil, olhando a lua. Era um lugar aberto e, atrás de ‘mim’, podia se ver montanhas. As sombras eram tão perfeitas, que, se não fosse preto e branco, podia ser uma foto.
— Eu não sou tão bonito assim, sou? — ela riu, estava corada e mordia o lábio nervosamente.
— Provavelmente. Não sei. Talvez. — eu sorri pela sua resposta. Eu sorriria se ela me dissesse que não, não era nem um pouco bonito e que o cara do desenho era uma invenção da sua cabeça. Ela estava falando comigo, caramba!
— Posso...? — segurei a página entre os dedos, pedindo inseguramente se poderia virar. Ela anuiu com a cabeça timidamente e não me olhou nos olhos, continuou com o olhar fixo no caderno. Passei a página.
Era eu, de novo. Dessa vez, todo molhado de chuva. Apesar disso, eu sorria e carregava um buquê de rosas na mão esquerda e na direita, uma caixa de bombons meio amassada. Eu senti que as minhas orelhas estavam ficando mais quentes. Passei de novo e de novo as páginas, só para descobrir que só tinha eu ali.
Engoli em seco. Se ela sabia sobre mim há tanto tempo, porque não disse nada? Droga, e eu pensando que era invisível para ela!
— Eu não... Eu não sei o que dizer. — olhei-a nos olhos, com a testa franzida. — Acho que... Por quê? Você podia ter me contado.
— Eu, eu só... Bem, no começo, eu pensei que se te ignorasse, você iria embora. Mas isso não funcionou. Eu percebi que você não me fazia mal, nem me olhava pelada. — ela deu uma risada nasalada ao dizer isso. — Eu não me sentia mal com você por perto, entende? Não sentia que você era uma pessoa ruim... Então, eu... Sei lá.
Ela olhava para suas mãos ao dizer tudo isso. Eu me sentia mal por não ter tentado falar com ela antes. Foi bem covarde da minha parte. Resgatei, então, uma parte corajosa minha. Não sei quem disse, mas tem uma frase que eu gosto, mas que nunca apliquei de verdade: Você só precisa ser realmente corajoso por 15 segundos. Foi esse o pensamento que me fez levantar a mão, segurar o queixo dela e puxar seu rosto para perto.
— Não tem problema. Eu devia ter falado com você também. — disse eu a olhava nos olhos e ela também. Meu olhar pulou para a boca dela involuntariamente e, de repente, nossos rostos estavam a milímetros de distância. Ela não se afastou, então eu juntei nossos lábios.
Finalmente, era tudo que eu pensava. A boca dela na minha, finalmente.
Tudo o que eu queria. Finalmente.
Notas finais
Juro que não foi minha intenção. No começo, bem no comecinho mesmo, eu pensei em fazer uma história com um demônio e uma humana, depois pensei em um casal em que o cara é meio rejeitado. Aí, eu pensei, ah, que se dane, vai ser um fantasma e ponto. e-e
Eu achei que o final ficou meio fim-do-começo, mas eu acho que tá valendo. Afinal, é uma one-shot, né?
Agora... Quem foi que ficou diabético aí?
o//o/o/o/o/o/o/o/
- Tia, eu também, mas eu não tô conseguindo levantar os braços, por causa da gordura...!
AHUHAUHAUHAHAUAH -q parei, sério.
Dê sua opinião, honey, ela é importantíssima para a minha pessoa!
Até mais ver, meu velho!
xx
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