Middle Gods

3 Potes de tinta, Pernas de bode e Acampamento Meio Sangue


Notas iniciais
Aiai, essa Katarine só se ferra viu.

— Filha, filha— Acordei com a minha mãe — Você esta apagada desde ontem, fiquei preocupada. Nem fui trabalhar hoje de manha.

— O que aconteceu?

— Presumo que você dormiu lá pelas 09h, antes mesmo que eu ou sua vó chegássemos em casa.

Enquanto ela dizia isso me lembrei do dia de ontem.

Como eu fui parar na cama? A sim, eu tinha (meio que) acordado enquanto meu gato me puxava pela gola da camisa para o meu quarto, e quando ele chegou lá, virou um leão de novo, me pegou pelo local aonde se coloca o cinto e me jogou na cama. Mas isso tudo estava muito vago. Como se tivesse sido um sonho:

— Eu acordei você para saber se você esta se sentindo bem. E que você tem aula à tarde hoje. E que em meia hora você vai ter que começar a se arrumar. — Ela me deu um beijo na testa. — Mas agora nos vamos almoçar.

Levantei, almocei, escovei os dentes, o cabelo e coloquei uma blusa regata preta, um short jeans de cintura alta, meia calça arrastão, meu AL star de cano longo (o que bate ate o joelho) e minha companheira inseparável jaqueta preta de couro (falso). Tudo muito rápido queria logo ir para escola para me distrair, e excluir o dia de ontem.

Quando passei pelo quintal, tive um pouco de medo de deparar com o Mike, mas quando ele me viu começou a se esfregar na minha perna como sempre fazia. Afinal não tinha porque eu ter medo dele, eu realmente não sei o motivo dele para destruiu meu celular. Mas ontem ele tinha matado um morcego gigante que queria me matar e mais tarde me colocou na cama. Certo?

Desci as escadas, minha mãe já estava me esperando no carro. Ele estava no estacionamento da padaria, então eu não tive que descer o morro ate a garagem:

— Katarine, eu estou muito decepcionada com você, eu encontrei seu celular estraçalhado embaixo da roseira da sua vó. Você não ficou nem um dia todo com ele. Você realmente não dá valor nas coisas que eu compro para você!

Eu realmente queria me defender, mas o que eu falaria? “Mãe não fui eu, foi meu gato/leão/alado que não gosta que eu converse no facebook enquanto olho ele comer”.

Acho que eu não a convenceria:

— Desculpa mãe. — Disse apenas

— Katarine, eu não sei o que esta acontecendo com você. Mas parece que você esta passando por um momento difícil na sua vida. Eu quero que você saiba que eu sempre estarei aqui. Eu te amo.

Por isso e por outras coisas que eu amo minha mãe! Ela sempre me entende sem eu ter que falar nada:

— Eu também te amo mamãe.

Ela deu partida no carro e nos fomos para escola.

***

Quando eu cheguei a Ali veio me cumprimentar com um grande sorriso no rosto:

—Oi Kat! Você chegou só um pouquinho atrasada.

— Qual e o motiva da sua felicidade?

— Nossa... TPM e?

TPM o cú dela... E realmente acho que eu estou um pouquinho sem paciência hoje.

Eu queria ver o Uke, ele era minha confirmação de que tudo que rolou ontem realmente aconteceu.

— Ok desculpa. Cadê o Uke?

—Está almoçando na cantina.

Ele estava sentado na mesa, junto com outras três pessoas. Ele estava com a mesma toca de ontem e novamente com uma calça jeans. Ele estava comendo um prato gigante de comida. Parece que Ali também reparou na quantidade e ela fez um comentário tipo: “Para a onde será que vai tudo isso”, mas eu não estava prestando atenção, estava mais assustada com a confirmação do que tinha acontecido ontem.

Eu sabia que o Uke sabia de alguma coisa. E eu realmente precisava descobrir o que era:

—Vamos fazer companhia pra ele? — Perguntei a Ali.

Ela concordou. Então nos sentamos com ele e eu fiz o melhor papel de “BFF do Uke desde fevereiro”.

O sino tocou. Hoje a tarde vai ter aula de artes (artes cênicas (teatro), arte corporal (dança), artes musicais (musica) e artes plásticas (arte). O terceiro ciclo era dividido em quatro grupos, e em cada horário um grupo ia para uma das artes). Antes do intervalo eu faria teatro e artes e depois musica e dança.

No grupo que eu estava não tinha ninguém que eu era próxima. Andre, um menino (que devia estar no ensino médio mais tinha tomado uma seis bombas) que vivia dando encima de mim, era a única pessoa que eu tinha um relacionamento mai profundo (já tinha ficado com ele, mas logo depois ele disse que eu era nova demais (18 e 14 tem lá a suas diferenças), porem no outro dia voltou a dar encima de mim. Mais doido que eu esse ai!).

A aula de teatro foi tranquila, eu estava interpretando uma mulher do interior que chifrava o marido com metade da cidade.

Sino tocou.

Aula de artes. Hoje nos aprenderíamos uma arte japonesa chamada de Kaigai. Minha professora Abi (Abigail) estava nos ensinando como fazer um bambu com a tinta preta feita de carvão e óleo de peixe:

— Podem pegar uma blusa e comecem a trabalhar.

Peguei uma velha blusa branca que batia ate o joelho (para proteger minha roupa de pingos indesejados). Quando olhei para traz o Andre estava me olhando:

— Já disse que você fica muito gotosa com essa combinação: Meia calça arrastão blusa branca e AL star.

— Babaca— Peguei a tinta preta e fui pintar do lado de fora.

E ele gritou uma coisa aras de mim do tipo “Fala serio você só usa esses shorts para me provocar”. Eu me virei bem de vagar. Eu estava puta com ele “Como eu pude ficar com essa merda”:

— Claro Andre, eu ate cago penando em você.— Mostrei o dedo do meio pra ele e sai andando.

Prendi o cabelo em um coque mal feito, sentei em uma mesa do lado de fora, e quando fui pintar o bambu não tinha os pinceis necessários. Levantei e fui ate minha professora:

— Abi, não tem pincel pra mim.

— Katarinezinha meu bem, — Disse ela me entregando uma chave — lá na despensa tem um tanto. Aproveita e traz tudo pra cá.

Concordei com a cabeça, a dispensa ficava no corredor do infantil.

Subi as escadas de pressa, quando eu já estava no corredor comecei a escutar passos atrás de mim. Olhei rápido para traz, era o Andre. Merda. Comecei a andar mais rápido, então o escutei correndo. E ai e realmente pensei as coisas que ele podia fazer comigo em um corredor vazio. Corri também. Cheguei à dispensa, destranquei a porta de pressa, hora da maçaneta, minhas mãos estavam suadas minha tentativa de abri lá não deu certo “Maçaneta... por favorzinho abre. Pelo amor de deus.” finalmente ela girou e abriu, mas era tarde de mais.

Andre me empurrou para dentro da dispensa com força e eu cai no chão, ele fechou a porta com a chave do lado de fora. Pegou meus pulsos e me puxou para cima depois os prensou em uma das paredes que não tinham prateleiras, e enfiou a língua nojenta dele na minha boca. Minhas pernas chutavam o ar do lado para o outro:

— Você e muito sexy, mais e muito má criada. Você precisa aprender uma lição. — Disse ele com uma mão na minha boca (para que eu não gritasse) e a outra nos meus pulsos. — Ele deu algumas chupadas no meu pescoço e depois voltou a beijar a minha boca.

Lagrimas quente estavam escorrendo dos meus olhos, ate que os fechei e parei de lutar.

Comecei a pensar na situação. Avia milhares e milhares de potes de tinta nas prateleiras laterais, me foquei nelas como se já tivesse feito isso muitas vezes, e de repente senti a tinta balançando, abri os olhos no tempo em que a todas as tintas dês lacraram o seus potes e explodiram fazendo cascatas de varias cores que caíram direto (e só) na cabeça dele. Ele me soltou por causa do susto.

Eu abria a merda da maçaneta e sai correndo pelo corredor, minha visão estava embaçada por causa das lagrimas que corriam desesperadamente pelos meus olhos:

— Filha da puta, volta que sua vadia de merda. — Gritou ele ficando para trás.

Cada vez eu corria mais rápido, desci as escadas jogando a velha blusa branca no chão. Peguei minha jaqueta e comecei a andar desorientada pela escola. “O que eu faria agora? Contaria para o diretor? Como eu fui tão inútil de não perceber ate aonde aquele babaca iria para me conseguir, e o mais estranho e menos importante como eu explodi as latas de tintas e sai sem nem um pingo de lá?”

***

Subi as escadas do ensino fundamental, o corredor estava vazio, só um batuque de tambor ecoava por ele, aula de musica que coincidentemente era onde o grupo da Ali estava “Isso, a Ali vai me confortar”. Escutei passos na escada “merda de novo não” comecei a correr novamente:

— Kat calma.

— Me deixa em paz Andre. — O batuque cessou, mas não só o batuque era como se eu tivesse ficado surda. Virei para traz e vi Uke, que no pulso tinha uma ampulheta.

— Mais sou eu o Uke.

— O que você fez?

— Parei o tempo. Eu sei que você não esta entendendo nada, mas pra resumi a historia, você e filha de uma deusa. Julgando pelo colar, Afrodite. Você tem que e pra casa agora.

— Como assim você me diz que eu sou filha de uma deusa e me manda ir para casa. Olha só ate antes de te conhecer minha vida era parcialmente normal, mais ai você aparece em UM dia da minha vida, e a torna uma merda, com bichos que querem me matar, um leão gigante e um quase estupro. Quem e você? — Eu comecei a chorar de novo, e ele me olhou com piedade.

—A pergunta correta e: “o que você e?”— Ele tirou as calças revelando duas pernas de bode. — E a resposta e: Um sátiro.

—Um o que?

— Nos não temos tempo para explicações. Temos exatamente... — Ele olhou no relógio/ampulheta— Dezessete minutos para pegarmos Ali, e descermos para sairmos dessa escola antes que o tempo volte a correr.

Eu não estava entendendo merda nenhuma, mas ele tinha pernas de bodes e tinha parado o tempo. Eu tinha que obedecer ele.

Quando abrimos a porta a Ali estava cutucando a bochecha do professor (imóvel) com uma baqueta:

— Graças a deus vocês não congelaram, pensei que eu era a ultima a... — Ela parou de falar e deu um grito quando viu as pernas do Uke. — Você tem pernas de bode? —Ele tirou a toca e dois chifres estavam lá. — E chifres também? Meu deus ele e o capeta.

— Não Ali, ele e um Sátiro.

— A tá.

— Já perdemos tempo de mais, vamos descer.

Ele foi correndo na nossa frente, ou melhor, saltitando:

— Kat o que e um sátiro?

Como eu também não sabia, eu apensa puxei a mão dela e sai correndo atrás dele. Descemos a escadas ate a secretaria. E minha mãe estava lá. O que ela estava fazendo aqui?

— Vamos para o carro. — Ela disse.

Não pedi explicação (raridade) e eu entrei no carro, o tempo voltou a correr.

— Olha só Katarine, tem um jovem ciclope a menos de uma quadra daqui rastreando seu cheiro. O que e raro para uma filha de Afrodite.

— Eu não estou entendendo nada, mais uma coisa que eu tenho certeza e que minha mãe e essa que esta dirigindo o carro.

— Eu tentei dizer isso pra ele filha só que eu comecei a acreditar que você estava correndo perigo quando ele tirou as calças.

— Tem certeza que ela e sua filha? Você não engravidou com doador de sêmen ou a trocaram na maternidade?

— Eu tenho certeza que eu engravidei de forma convencional e que a Katarine saiu da minha vagina!!!

Minha mãe estava estressada.

— Ok, muito comovente, — disse Ali — mais porque eu estou aqui.

—Porque você e filha de um deus ou uma deusa. Só não sei qual.

Eu realmente não estava levando a serio, pensava que era só um sonho, as ruas estavam parcialmente vazias e o Ka vermelho corria o máximo que podia. Quando estávamos chegando a casa o chão começou a tremer. Olhei para trás e vi um ser com um olho só na cara que corria com a maior velocidade que a banha deixava, era grande, devia ser um pouco maior que o Mike versão gato/leão/alado.

Minha mãe acelerou o carro. Descemos o morro e paramos na garagem. O objetivo era abrir ela e subirmos ate a minha casa por dentro. Mas o ciclope não gostou da ideia, ele deu uma tapa no carro e ele desceu girando pelo morro. Graças a deus o carro parou em pé e ninguém se feriu muito. E quando eu vi que a cabeça da minha mãe estava sangrando e que eu levei a serio o que estava acontecendo:

—Mãe você ta bem?!

— E só caco de vidro.

O sangue estava vazando rápido:

— Uke, você e a Alicia distraiam o ciclope. — A claro. Se eu não tivesse ajudando a minha mãe eu realmente mudaria o fato que iriamos morrer. Hora de testar o meu leão protetor— MIKKKEEEE!!!

Cinco minutos se passaram e ele apareceu voando, chamei-o para perto:

— Esse e o Mike? — Perguntou a minha mãe. — Acho que estou tendo alucinações.

— Garotão leve ela para casa, e volte aqui mais rápido que puder.

Coloquei minha mãe nas costas dele. E ele se foi.

Olhei para o ciclope, ele estava tentando pisar no Uke e na Ali:

— Ei... Grandão — Chamei. O grande olho dele brilho quando me viu. Virei de costas e sai correndo “Bom plano Katarina, chame o monstro e saia correndo”.

Entrei em um parquinho que tinha perto da minha casa. Tinha alguns brinquedos de madeira, duas quadras, e um córrego fedido que passava pelo meio alem de varias flores e arvores. Claro que ele me alcançou. Com uma mão facilmente pegou todo o meu corpo e começou a apertar:

— Já estou sentindo o gosto doce da sua carne — A voz dele não era humana, não era esganiçada como a do morcego. Era grossa e pesada como uma pedra. — E depois pegarei seu sangue para usar de perfume.

Dizendo isso ele me apertou mais e o ar se foi dos meus pulmões. O que deixou tudo vago e embaçado. Eu escutei a Alicia falando: “Solta ela seu escroto”.

Ele me soltou de uma hora para outra, pude respirar de novo. Meu problema agora era outro, eu estava caindo de uma distância que poderia quebrar todos os meus ossos. Bati em uma coisa mais macia do que o chão “Mike salva o dia de novo”.

Olhei em volta para ver o que estava acontecendo, Ali de algum jeito fizera uma planta trepa trepa prender os pés e braços do ciclope fazendo ele ficar preso no chão.

Mas a plantinha não ia segurar ele por muito tempo, então o Mike chegou bem perto dele e deu a típica patada na garganta. E o monstro se converteu em pó.

Mike pousou perto do Uke que estava impressionado com Ali:

— Como você fez isso?

Ali estava cansada:

— Não sei. — Disse ela encostando-se ao Mike.

— Eu estou preocupada com a minha mãe. Podemos ir para minha casa, e tipo aqui do lado?

—Se você tiver força o suficiente para lutar com outro monstro, sim.

Isso era a coisa que eu menos tinha naquele momento.

— Para aonde vamos?

—Acampamento meio sangue, em Nova Iorque.

— Com que dinheiro vamos pagar um avião para Nova Iorque?

— Quem disse que vamos de avião? Podemos ir de Mike — Sugeri

Ele colocou o focinho na minha barriga e me jogou para cima. Estava montada nele de novo. Uma coisa esta escondida em sua juba: Uma mochila bege escura com um bilhete: “Não se preocupe comigo, sei que você talvez não volte para casa hoje. Mas entre em contato assim que puder. Bjs mamãe”. Um alivio invadiu meu coração. Abri um sorriso:

— Vamos para o acampamento meio sangue!

Os outros subiram. Começamos a voar no céu, que pelo por do sol, estava com a coloração alaranjada.

Notas finais
Eu achei legal. Você achou legal? Sim? Comente. E a única forma que eu vou saber sua opinião!!!