Middle Earth
2 Capítulo 2
Passos apressados podiam ser ouvidos retumbando pelos corredores desertos do castelo de Gryffin naquela manhã de início de primavera. O dono destes, um belo rapaz moreno de não mais que 16 anos, caminhava aflito em direção ao seu destino, os aposentos da rainha de Gryffin, sua mãe.
Harry James Potter, segundo príncipe do reino de Gryffin, estava extremamente preocupado. Tivera um perturbador sonho naquela noite, um que poderia significar uma guerra iminente, e a única que poderia lhe ajudar naquele momento era sua mãe. Ela, assim como todos os submissos de sua família, possuía o dom da clarividência, dom este que o próprio Harry havia herdado, sendo ele também um submisso, um Doncel, alguém do sexo masculino capaz de conceber uma criança. Por isso sua estatura era tão pequena e delicada, e suas feições afeminadas.
Ele se dirigia a passos apressados, nem mesmo parando para cumprimentar um eventual serviçal que cruzasse seu caminho. Deteve-se por um momento às portas do quarto de sua mãe, batendo ligeiramente e entrando quando lhe foi permitido. Soltou um suspiro aliviado ao não encontrar nem seu pai, nem seu irmão mais velho no recinto, apenas a sua mãe deitada na imensa cama king size. Aquele assunto era extremamente particular para ser discutido com outras pessoas que não fossem sua mãe.
- Ah, meu pequeno Príncipe! Estou tão feliz em vê-lo. – a mulher na cama sorriu levemente, iluminando seus belos olhos esmeraldas, como duas belas jóias. – o que o traz aqui?
Harry sorriu amorosamente para a mulher na cama, seus olhos esmeraldas, exatamente iguais aos delas, refletiam todo o amor que sentia. O rapaz caminhou devagar pelo quarto e se sentou levemente na borda da cama ao lado de sua mãe, admirando-a por alguns instantes. Harry adorava principalmente o cabelo dela. Suaves mechas cor de fogo que caiam-lhe fluidamente até metade das costas. Ele desejou poder ter herdado aquela coloração tão intensa, mas seus cabelos acabaram sendo da cor do ébano como os do seu pai, embora ele desse graças aos deuses que o seu cabelo, que caia-lhe até o final das costas em cachos suaves, não tinha herdado o mesmo caráter indomável.
O moreno foi tirado de sua contemplação por uma suave risada. Erguendo o olhar, ele se encontrou com a expressão divertida de sua mãe.
- Sei que, por mais interessante que uma mulher acamada possa ser, você não veio até aqui apenas para me observar, não é meu filho? – ela comentou divertida, mas sua expressão ficou preocupada ao observar o cenho do moreno se franzir. – O que houve filho?
- Eu... Eu tive um sonho, minha mãe. – Harry começou inseguro. – Nele, eu me via com uma estranha armadura branca com detalhes dourados, em cima de uma elevação. Atrás de mim, os estandartes de todos os cinco reinos, reunidos acima de um gigantesco exército. A minha frente e um pouco mais abaixo, um campo coberto de corpos e sangue, e, mais a frente, outro exército todo coberto de negro e vermelho, sendo guiados por um estandarte de uma serpente negra com presas de sangue... Tenho medo mãe... – grossas lágrimas caiam pela face morena, enquanto o rapaz se aconchegava nos braços receptivos da mulher. – Tenho medo de perder aqueles que eu amo... a sra., o papai, Adam, tio Sírius, tio Remus... Tenho medo de nunca mais vê-los.
As lágrimas continuaram a cair e, por todo o tempo, sua mãe o abraçou, confortando-o e falando palavras de consolo. Quando ele já estava um pouco mais calmo, ela levantou levemente seu rosto, forçando-o a encará-la.
- Isso não é tudo, não é mesmo, Harry? Há algo mais.
- Co-como a Sra. soube?! – Harry se engasgou levemente em espanto, seu rosto completamente corado ao perceber que talvez sua mãe pudesse ter tido o mesmo sonho. Ao ver o sorriso maroto estampado em sua face, ele teve certeza. Com um suspiro exasperado, ele a contragosto contou, seu rosto em brasas. — No meu sonho havia alguém ao meu lado... Eu não consegui ver-lhe o rosto, mas eu sei que era um rapaz... Não, um homem. Ele era alto e musculoso, com belos cabelos loiros platinados... Vestia uma armadura negra com um dragão prateado entalhado no peito e um de seus braços estava em volta da minha cintura. O estranho... O estranho foi que eu me senti seguro... Me senti amado ao seu lado. – ao final do relato, Harry percebeu que sua mãe sorria descaradamente.
- Creio que ele seria seu companheiro, meu filho. – ela disse como se fosse a coisa mais simples do mundo.
- Meu companheiro... – ele sussurrou pensativo. De repente, seus olhos entraram e saíram de foco por alguns segundos. – Pai irá receber visitas em breve. – ele comentou, olhando para sua mãe, cujos olhos esmeraldas também haviam saído ligeiramente de foco.
- Os visitantes são esperados. – ela disse-lhe, sorrindo levemente. – Você deve ir encontrá-los a entrada do labirinto, Harry. Deve guiá-los até os portões principais.
O rapaz moreno assentiu já acostumado a não indagar as ordens de sua mãe e se levantou, deixando-a para ir atender aos convidados.
Ele passou pelo quarto e pegou uma de suas capas pretas, pois não queria ser reconhecido. Estava para sair por uma das portas laterais do castelo, quando foi interceptado por dois de seus amigos, integrantes da sua guarda pessoal.
- Harry!!! – um rapaz de intensos cabelos ruivos e belos olhos azulados, um pouco mais alto que ele, gritou a plenos pulmões.
- Meu príncipe, onde você está indo? – outro rapaz, de curtos cabelos chocolates e belos olhos amêndoas corria mais atrás do rapaz ruivo.
- Ron, pelo amor dos deuses, não grite! E Nev, eu já disse que, entre nós, você deve me chamar pelo meu nome. – Harry brigou e os dois tiveram a decência de olharem envergonhados. – Meu pai estará recebendo convidados em breve e minha mãe me enviou para escolta-los pelo labirinto.
- Mas majes... Harry... – o rapaz de cabelos chocolates, Neville, se interrompeu ante o olhar penetrante do moreno. – O labirinto foi feito para testar aos visitantes, para que eles possam se provar dignos de entrar em nosso reino... Você não deveria...
- Eu estou cumprindo ordens diretas de minha mãe. – Harry disse, aborrecido. Seus olhos saíram e entraram de foco novamente, ao que seus companheiros contiveram o alento, sabendo que seu amigo estava tendo uma de suas visões. – Devo ir... Vocês devem esperar em frente aos portões principais e depois devem guiá-los até o palácio.
- Sim, senhor – os dois rapazes suspiraram derrotados, sabendo que era impossível argumentar com seu príncipe.
Harry sorriu suavemente para seus dois melhores amigos e se voltou para sair, jogando a comprida capa preta sobre seus ombros e puxando o capuz para que cobrisse completamente seu rosto. Ele saiu do palácio para um grande e belo jardim lateral, que terminava justamente em uma das encostas do vulcão onde sua cidade se encontrava abrigada. Chegando a parede de pedra vermelha, ele procurou por uma abertura entre as pedras, escondida estrategicamente atrás de algumas plantas. Sorriu maroto. Apenas ele conhecia aquela passagem que levava para fora dos domínios do vulcão. Nunca contou a ninguém sobre a sua descoberta, pois algo lhe dizia que seu segredo um dia lhe salvaria a vida e a de seu povo.
Caminhando pelos corredores formados no amago do vulcão, Harry logo chegou ao ponto onde os visitantes costumavam entrar e encostou-se às sombras para esperar. Não teve que se manter naquela posição por muito tempo, pois logo um barulho ensurdecedor de asas gigantes batendo chamou sua atenção, antes que a besta mais magnifica que ele já tinha visto surgisse a sua frente, passando pela cachoeira. O imenso dragão de escamas prateadas pousou elegantemente no chão do lugar, sendo logo seguido por outros de sua espécie. Harry riu levemente ao escutar os resmungos de um rapaz de cabelos esbranquiçados e resolveu que era hora de se mostrar. Dando um passo a frente, ele liberou uma parcela de sua magia para fazer com que as tochas se ascendessem, e teve que conter o riso quando viu aos guerreiros saltarem e puxarem suas espadas em alerta.
- Acho que aquele será nosso guia. – a voz profunda o tirou do seu estado divertido, um arrepio de prazer passando por sua espinha e, quando ele se voltou para encarar ao dono da voz, foi como se todo o chão tivesse sumido de seus pés. Caminhando em sua direção vinha o ser mais belo que ele já tinha visto. De porte altivo e aristocrático, o loiro irradiava poder, e seus olhos... Harry se viu hipnotizado pelas duas esferas prateadas. Espere! Alto, forte, cabelos loiros platinados! Acaso seria ele....?!
Tão logo eles se aproximaram, Harry se voltou para a entrada do labirinto, não querendo que o loiro percebesse o seu estado alterado. Foi impedido de continuar pela voz raivosa de um dos soldados, que exigiu que ele demonstrasse respeito ente seu príncipe. Harry, de início, se revoltou com a forma do soldado tratá-lo, mas conseguiu se controlar, não querendo estragar seu disfarce.
- Por favor, queiram me seguir. Os caminhos pelo interior de Goddric são, por vezes, enganosos. Seria uma pena perder algum guerreiro no momento que mais necessitamos. – ele conseguiu dizer, embora sua voz tivesse uma pitada de sarcasmo, se voltando e continuando a caminhar.
Eles deram voltas e mais voltas, enquanto Harry os guiava em meio às armadilhas do labirinto. Logo, eles atingiram os dois imponentes portões dourados da entrada da cidade, que eram adornados por duas estátuas de leões. Harry então tirou um pequeno apito, que apenas os membros da guarda real possuíam e soprou-o levemente. O barulho não era escutado por seres humanoides normais, mas seu povo, por serem animorfos, possuíam os sentidos sensíveis dos animais nos quais se transformavam, de forma que apenas eles poderiam escutar o ligeiro silvo. Quando o barulho de dobradiças começou a ser escutado, Harry se voltou para seus convidados.
— Bem vindos ao reino de Gryffin.
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