Middle Earth
3 Capítulo 03
Notas iniciais
Os Cavaleiros de Dragões observaram, com variados graus de assombro e maravilha, ao povoado que se desenvolvia no que parecia ser a cratera do vulcão adormecido. Árvores e prados florescidos circundavam belas casas artesanais, que se erguiam por ruas e praças movimentadas até os muros do imponente palácio. Por todos os lados era-se possível observar estátuas de belos e imponentes animais a adornarem a cidade, sendo na sua maioria bustos de grandes felinos. Nas ruas, a população se ocupava com seus afazeres, os adultos com seus trabalhos e as crianças a correrem e se divertirem, uma alegre cantoria ecoando suavemente por todos os lados.
Passeando pelas lojas e feiras em pleno movimento ao ar livre viam-se alguns homens armados com varinhas, espadas, arcos e lanças, que trajavam estranhas túnicas de um fluido tecido avermelhado. O que mais assombrou aos ginetes de dragões foi observar que alguns dos habitantes pareciam possuir estranhas orelhas e caudas de animais, principalmente os mais jovens.
– Fiuuuu! Assim que este é o reino de Gryffin?! – Blaize assoviou, admirado.
– Aquilo são realmente orelhas? – um dos soldados perguntou, mas ninguém soube responder.
– Logo dois guardas estarão aqui para escoltá-los. – instruiu o encapuzado, falando diretamente com Draco, enquanto lentamente desaparecia nas sombras da caverna. – Espero que apreciem a estadia em meu país.
–Obrigado por ser nosso guia. – agradeceu o loiro educadamente. Por um momento seus olhos prateados se encontraram com brilhantes esmeraldas, enquanto o dono destas lhe enviava um pequeno sorriso, e, para Draco, foi como se o tempo tivesse parado.
– Não há de que... Draco Malfoy. – respondeu em um sussurro, desaparecendo nas sombras.
Por um momento o príncipe de Slytherin ficou surpreso por aquele jovem estranho o conhecer, mas foi tirado de seu estado atordoado pelo som de passos leves que se aproximavam. Ante os rostos surpresos dos cavaleiros, dois belos e ferozes felinos surgiram. Um deles era um gigantesco tigre de lustrosa pelagem vermelho alaranjada, enquanto o outro era um puma de pelagem castanha escura, quase chocolate. Ambos os animais pararam a uma distância respeitosa e fizeram inconfundíveis reverências.
– Estes são realmente os tão temíveis guardas deste reino? – zombou entre sussurros um dos ginetes e, em um abrir e fechar de olhos, ele se encontrou pregado ao chão com duas poderosas patas postas em seu peito e afiados caninos perigosamente próximos a sua jugular.
“Espero que este soldado não lhe seja precioso, príncipe de Slyther, pois ele acaba de assinar a sua sentença de morte.” retumbou uma suave, porém poderosa voz, e Draco reconheceu que ela provinha do belo animal que mantinha seu ginete preso ao chão.
– Sei que vocês estão em todo o seu direito de exigir uma repreensão pelo insulto, mas terá que concordar comigo que, nos tempos que se aproximam, toda a ajuda se mostra necessária. – raciocinou o loiro, olhando diretamente para as esferas azuis elétricas do felino. – Peço desculpas pelo comportamento de meu subordinado e agradeceria se o soltasse. Eu mesmo o repreenderei mais tarde.
O animal bufou descontente, mas se afastou, permitindo ao trêmulo homem se por de pé. Sem mais pronunciar os dois estranhos animais conduziram aos ginetes pela rua principal da cidade, atraindo os olhares curiosos da população e de alguns dos guardas, que se tensavam momentaneamente ante a presença dos estranhos, até perceberem as duas feras que os guiavam.
Sem mais contratempos a comitiva atingiu as portas de aço do castelo, onde, após um rugido estrondoso de ambos os animais, foi-lhes permitido entrar. O pátio interno encontrava-se apinhado de soldados em pleno exercício, a maioria se exercitando em duplas, fosse com espadas, arcos e flechas ou a mão nua; e, em uma plataforma mais afastada, realizavam-se intensos combates mágicos. Draco estava impressionado com a organização da guarda daquele reino e entendeu o porquê de eles serem considerados os melhores guerreiros de toda Eternia. Sua atenção se voltou para o puma quando este rosnou o que pareceu uma ordem e logo dois guardas estavam ao seu lado.
“Estes guardas irão indicar onde seus soldados poderão se alojar, príncipe.” A voz do felino pardo retumbou um pouco mais suave e doce que a de seu companheiro avermelhado, mas nem por isso menos poderosa. “O rei James aguarda ao senhor e aos seus comandantes no salão de guerra.”
Com um curto aceno de cabeça Malfoy indicou a seus homens que seguissem os dois guardas, enquanto ele, Blaize e Theo continuavam a acompanhar ambos os animais para o interior do castelo. Passaram por esplendorosos corredores, adornados com finas tapeçarias em vermelho e dourado, e por suntuosos jardins, onde cresciam os mais variados tipos de flores coloridas, algumas delas desconhecidas para o jovem príncipe. Em todo lugar, figuras, pinturas e estátuas de belos animais podiam ser admiradas.
Detiveram-se por fim em frente a uma porta de carvalho onde um brasão de um altivo leão estava incrustado na madeira escura. Após uma pequena batida, um grave e curto “entre” foi escutado e a porta se abriu sem que nada nem ninguém a tocasse. Dentro do aposento, sentado majestosamente em seu trono e tendo a sua frente o mapa de toda Eternia, encontrava-se o orgulhoso rei de Gryffin, James Potter.
Era realmente uma figura impressionante, de porte altivo, corpo atlético, cabelos negros curtos que apontavam em todas as direções e perspicazes olhos avelãs. Trajava uma fina armadura dourada por cima de um fluido tecido avermelhado que acentuava a sua figura musculosa. A seu lado, vestidos com idênticas armaduras prateadas com tecido negro, dois homens de não mais que 30 anos estavam parados em pé, aguardando ordens.
O que se encontrava mais próximo ao rei era alto e forte, de musculatura bem definida, cabelos negros, quase azulados, que lhe chegavam à metade das costas, presos por uma fita simples, e incríveis olhos azulados que emitiam um brilho maroto. O outro homem, a diferença de seu companheiro, possuía uma aparência mais delicada, cabelos curtos e meio grisalhos, apesar da sua idade e belos olhos âmbares, que transpassavam uma intensa tranquilidade. Ao reconhecer os seus convidados o rei se ergueu de sua posição atrás da pilha de mapas e papéis para saudá-los de forma apropriada.
– Seja bem vindo jovem Draco. – cumprimentou afavelmente, estendendo sua mão em um gesto amigável de boas vindas. – Seu pai me avisou de sua vinda e os motivos por trás desta. Estamos honrados em contar com sua ajuda nesses tempos difíceis.
– A honra é toda minha majestade. – Draco murmurou, fazendo uma respeitosa reverência antes de tomar a mão estendida. – Espero que eu e meus homens possamos ser de alguma ajuda.
James gargalhou, dando tapinhas nas costas do jovem loiro enquanto o conduzia a mesa onde os planos estavam sendo feitos.
– Gostei do seu jeito jovem. Vamos, juntem-se a nós e deixe-me pôr-lo a par de nossos planos. – antes de continuar, o soberano voltou-se para as duas feras paradas respeitosamente a entrada do recinto. – Ah! Ronald! Neville! Que bom que vieram! Venham e juntem-se a nós também.
Os dois animais se entreolharam antes de assentirem. Em um piscar de olhos, onde antes estava o belo tigre, encontrava-se agora um esbelto rapaz de pele bronzeada, sedosos cabelos ruivos que lhe chegavam à metade das costas e impressionantes olhos azuis; e, no lugar do ágil puma, via-se um tímido e pequeno rapaz de cabelos castanhos curtos e olhos cor de chocolate.
– Majestade. – os dois murmuraram, fazendo uma respeitosa reverência, e o ruivo não pode evitar um sorriso sarcástico ante as caras assombradas dos visitantes, sorriso este que se desfez ao encarar os indiferentes olhos prateados do príncipe de Slyther.
– Permita-me apresentá-los corretamente, jovem Draco. – continuou o rei com jovialidade. – Estes são Ronald Weasley e Neville Longbottom, subcomandantes da tropa Blackcat, a terceira maior força guerreira de Gryffin, liderada pelo meu filho caçula... Que, afinal, está aonde?
– Meu senhor. – o pequeno de nome Neville se adiantou timidamente, a cabeça baixa em demonstração de respeito. – Harry pediu para avisa-lo de que ele permanecerá com sua mãe até que ela esteja em condições de se levantar... foram essas suas palavras. – terminou em um sussurro, encolhendo-se ante o olhar reprovador do rei.
– Jovem tolo e desobediente. – James resmungou.
– Muito parecido com alguém que nós conhecemos, não é Remus? – comentou o moreno de armadura prateada.
– Certamente Sirius. – respondeu o grisalho chamado Remus, sorrindo placidamente para o companheiro.
James bufou, mas não contestou. Sabia que seus comandantes e amigos tinham razão. Desde que sua rainha, sua adorada Lily havia caído de cama, vitima de uma desconhecida doença, seu único desejo era de estar ao seu lado, velando-a. Mas um rei tem deveres para com seu povo. Era uma sorte para ele que pelo menos sua Lily tinha alguém ao seu lado. Harry não tinha tantos deveres quanto ele ou seu filho mais velho, Adam, de forma que ele dispunha de muito mais tempo para passá-lo com sua mãe, o que, no fim das contas, era uma coisa boa, em vista do rol que ele iria desempenhar no futuro. Com um suspiro, o rei se voltou para seus convidados.
– Peço desculpas pela ausência dele. Minha esposa tem estado indisposta nesses dias e meu filho mais jovem tem passado boa parte do seu tempo ao seu lado. Por hora, permitam-me pôr-os a par dos acontecimentos e planos de guerra.
O rei e seus generais passaram então a explicar todos os pormenores relacionados aos planos de guerra e Draco mais uma vez se encontrou fascinado com o quão poderosa e organizada eram as forças de Gryffin. Pelo que ele entendera, existiam três potências militares: Os Silver Wolfs, a elite, os guerreiros sob o comando do rei James; os Golden Lions, a segunda maior força bélica, que lutava sob as ordens do filho mais velho do rei, Adam Potter; e a Blackcat, liderada pelo jovem príncipe Hadrian Potter. Definitivamente aquele reino era uma força a ser temida e isso deixava ao loiro muito confuso.
– O que os motiva? – ele sussurrou para si mesmo, entretanto sua pergunta foi perfeitamente escutada pelos três homens mais velhos.
– Como assim? – James pediu um pouco confuso com a pergunta sussurrada.
– Eu gostaria de saber quais são os motivos do inimigo para tentarem invadir os Cinco Reinos com tanto afinco? – elaborou o loiro.
– Segundo nossos espiões, parece que Voldemort quer os poderes do ovo de Fawlkor. – Remus esclareceu.
– Mas isso é apenas uma lenda! Uma história criada pelos druidas e cantada pelos bardos para nos entreter! – Blaize exclamou com assombro.
– Nós não sabemos ao certo se Voldemort realmente acredita ou não nessa lenda, mas ele sabe que, se conseguir conquistar Hogwarts e a Torre de Marfim, ele poderá facilmente controlar todos os outros Reinos de Eternia. – esclareceu Sirius com um pequeno grunhido irritado.
– Mas então por que invadir pelo reino de Gryffin? – o Príncipe de Slyther perguntou com exasperação. – Quero dizer... Vocês são os mais poderosos guerreiros de toda Terra Média! Nem mesmo a magia dos Cavaleiros de Dragões se compara com a sua. Teria sido muito mais fácil iniciar a invasão por Raven ou Huffen.
Draco imediatamente percebeu que aquele era um tema muito delicado para os três homens quando viu seus rostos se ensombrecendo e um olhar preocupado sendo trocado entre os dois guerreiros de armadura prateada, antes que estes se voltassem para o seu rei, que havia se afastado para uma das grandes janelas do recinto, sua postura abatida como a de um homem que leva o mundo em suas costas.
– Era para ser um segredo... – James começou, sua voz um sussurro estrangulado. Seus olhos amendoados encaravam sem ver a paisagem a sua frente, perdidos em tempos passados. – Vocês devem entender que, embora nosso reino seja conhecido por nosso incrível poder mágico, não é isso o que nos torna imbatíveis... – aqui o soberano fez uma pausa, inseguro do quanto ele deveria informar aqueles guerreiros praticamente estranhos.
Notando a insegurança do moreno, Draco se adiantou, uma mão posta sobre o seu coração, seus olhos destelhando com confiança.
– Eu, Draconis Alexander Malfoy, juro sobre a minha alma e magia jamais revelar os segredos que James Harold Potter, rei de Gryffin, estiver disposto a compartilhar nesse recinto, enquanto ele assim o quiser. Que assim seja. – o loiro entoou com uma voz poderosa, surpreendendo aos cinco Gryffins. Um sorriso satisfeito surgiu no rosto do jovem Príncipe quando ele escutou o mesmo juramento sendo feito pelos seus subcomandantes.
Ao final o rei de Gryffin suspirou aliviado, enviando um sorriso agradecido aos três guerreiros, e continuou com o seu conto, sua voz mais firme e cheia de confiança.
– Isso que vou revelar para vocês agora é o segredo mais bem guardado pelo meu povo... Pode-se dizer que seja o nosso tesouro... Há milênios, os submissos da Família Real são agraciados pela Mãe de Todos com o dom da clarividência. Nossas riquezas, nosso poderio e nossas realizações são todas baseadas nos prelúdios vistos pelas nossas Rainhas e Reis Consortes.
– Você se refere... A profecias? – Draco pediu com incredulidade. Demorou alguns minutos de silêncio para os três Slythers absorverem a notícia, mas, assim que percebeu as implicações por trás dela, o loiro não pode evitar que seus olhos se arregalassem com assombro. – Então, Voldemort descobriu o seu segredo e agora ele deseja o poder desses videntes para si.
O rei acenou abatido, seus olhos avelãs voltando a se ensombrecer. – Eu tinha um terceiro subcomandante nas minhas tropas... Um companheiro de batalha... Um amigo... Ele nos traiu da forma mais suja e dolorosa possível! Não só ele se juntou aos Setrom, como também revelou ao seu líder o nosso segredo mais bem guardado. É por isso que Voldemort insiste em conquistar Gryffin em primeiro lugar.
– Se é assim, nós devemos proteger imediatamente a todos os videntes do seu reino! Devemos enviá-los a um local seguro. – Blaize indicou e ficou ligeiramente desconcertado com a onda de risadas que seguiu a sua declaração.
– HÁ! Eu gostaria de vê-lo tentar. – Sirius latiu uma gargalhada divertida.
Vendo os rostos desconcertados de seus convidados, Remus teve pena deles e resolveu explicar.
– Atualmente nós possuímos apenas uma vidente e seu aprendiz... E ainda existem apostas sendo feitas entre nós sobre qual dos dois é o mais cabeça dura.
– E eu continuo dizendo que é o nosso pequeno gatinho! – Sirius acrescentou, um sorriso maroto adornando seu belo rosto. – Ainda lembro a birra gigantesca que ele fez quando Jamie aqui se recusou a ensiná-lo a usar uma espada... Se eu não me engano ele o enfeitiçou a dançar tango com qualquer submisso que aparecesse na sua frente por uma semana, não foi Pontas?!
– Nem me lembre, Almofadinhas! – o rei bufou um suspiro indignado. – Meus pés ainda doem. No fim, eu acabei cedendo e permitindo que vocês o ensinassem.
– E hoje ele só perde uma luta para você ou Adam. – Remus acrescentou com ternura ao se lembrar de seu pequeno aprendiz.
– Nãã! Eu já o vi chutando a bunda de Jamie uma ou duas vezes! – Sirius exclamou divertido.
A onda de risadas que se seguiram a sua declaração foi interrompida pelo barulho alto de cornetas e pelos gritos de felicidade que ecoavam a partir do vilarejo.
– A Golden Lion está de volta, Majestade. – o rapaz ruivo anunciou, olhando por uma das janelas do aposento para a procissão de soldados que se aproximava dos portões do palácio.
– Ah, já era tempo! – James aplaudiu, seus olhos perdendo um pouco do brilho de preocupação que o cercava. – Se você me der licença, jovem Draco, eu irei ao encontro de meu filho. Ronald e Neville irão mostrar seus aposentos e uma pequena festa de boas vindas estará sendo realizada mais tarde em honra aos Cavaleiros de Dragões. Espero contar com sua presença.
– É uma grande honra essa que Vossa Majestade nos dá. – o loiro agradeceu com uma profunda reverência. – Ficaremos encantados em participar.
Com um sorriso final em direção aos cinco jovens, o rei saiu apressado do aposento, seguido de perto por Sirius e Remus, que pareciam igualmente animados com a chegada do Príncipe Herdeiro de Gryffin.
– Se vocês, por favor, nos seguirem, nos iremos mostrar-lhes os seus aposentos. – a voz suave do jovem de cabelos castanhos chamou a sua atenção e os Cavaleiros de Dragões logo se viram seguindo aos dois felinos por uma série de suntuosos corredores.
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