Midas

10 Capítulo 10


Capítulo 10

O silêncio imperava dentro do carro, e pelo canto do olho Edward podia ver como Bella contorcer nervosamente suas mãos no seu colo, e que algumas vezes ela o olhava como se quisesse dizer algo, mas parecia que no último instante desistia e acabava mordendo seus lábios. Ele nunca esteve tão grato de estar dirigindo naquela noite, pois somente isso o estava impedindo de toma-la em seus braços e reclamar para si aqueles lábios. Edward estava parecendo um adolescente pervertido cheio de tesão, que mal conseguia controlar seu corpo e seus desejos pela mulher que estava sentada ao seu lado. Sua cabeça sabia que aquele não era o momento para isso, desde momento em que ouviu Carlisle falar sobre o estado de Emmett que uma genuína preocupação o tomou, era difícil ligar a imagem do pequeno menino alegre e sorridente aquela maldita doença. Realmente queria ajudar, ser útil de qualquer forma para aquele menino, mas o cheiro levemente adocicado misturado a flores que ela exalava e o calor do seu corpo tão próximo e ao seu o estava levando a loucura, fazendo o travar a uma luta interna. Era como estar em um desenho animado, onde em de um lado do seu ombro estava um anjo lembrando de que ele estava ali apenas para ajudar uma criança e do outro lado estava uma capeta lhe dizendo que as malditas pernas de Bella estavam ali ao alcance de suas mãos, e tudo que ele precisa fazer era estender as mãos para pegar o que ele queria.

O que ele nem podia adivinhar era que Bella também estava travando sua própria luta, seu lado lógico, dizia para que ela não se deixasse levar por aquele ato do empresário, pois com certeza deveria ser apenas mais uma das suas artimanhas. Porém estava muito difícil ignorar o que sentiu ao ouvi-lo se oferecer para leva-la até o hospital, Bella viu refletido no seu olhar uma honesta vontade de ajudar, reconheceu nele a mesma insegurança e fragilidade que ele tinha demonstrado quando visitaram Emmett. Aquele homem era complexo e cheio de facetas, que a leva do ódio a um sentimento forte que ainda não tinha conseguido denomina-lo, sem instantes.

Os dois ainda estavam mergulhados em seus conflitos internos quando finalmente chegaram ao hospital. Foi engraçado como eles suspiraram ao mesmo tempo, pelo alívio daquela tortura ter acabado.

— Obrigada por ter me trazido Edward – começou Bella a agradecer, mesmo sem saber o que dizer. – Desculpe por ter estragado sua noite...

— Eu vou com você – ele a interrompeu, aquilo não era um pedido ou uma sugestão. Edward não queria que a noite acabasse ali, não sem ver Emmett, saber como ela chegaria a sua casa, ou talvez ele apenas não estava pronto para deixa-la se afastar dele.

— Obrigada, mas não precisa Edward, você já fez muito me trazendo até aqui. Tenho certeza que tem algo melhor pra fazer do que gastar uma noite de sábado em um hospital – afirmou Bella já abrindo a porta do carro.

— Não, eu não tenho – pela primeira vez Edward sentiu o peso da solidão de suas palavras. Não tinha ninguém esperando por ele, não existia outro lugar pra ir onde realmente quisesse estar do que ali com ela. Talvez por estar segurando em seu braço, para impedi-la de deixa-lo, ou por seus rostos estarem tão próximos que ele podia sentir sua respiração contra sua pele, as palavras saíram da sua boca – Isabella, tudo o que eu quero no momento é estar aqui com você e ver Emmett.

A força e a segurança com que ele disse aquelas palavras deixaram Bella sem ação. Seu coração batia forte, sua pele estava queimando pelo toque possessivo que recebia, sua respiração ficou mais pesada e sua voz sumiu com a forma com que seu olhar preso ao seu, era como ele quisesse afirmar de todas as formas possíveis que suas palavras eram verdadeiras.

— Vamos. – foi tudo o que ela conseguiu dizer.

Eles atravessaram rapidamente o hospital, chegando à ala infantil, onde os corredores extremamente limpos estavam vazios pelo horário, com apenas alguns funcionários transitando. Toda aquela tranquilidade e silêncio eram quebrados pelo choro de Emmett.

Diferente do que Edward imaginava Bella não entrou correndo no quarto. Ele há viu parar enfrente a porta, fechar os olhos e respirar fundo, ela deixou algumas lágrimas deslizarem pelo seu rosto que estampava uma óbvia dor, enquanto ouvia o choro sofrido que vinha de lá de dentro. Bella ficou, alguns segundos, para ali, que mais pareciam horas, ele não entedia o porquê da hesitação por parte dela, logo agora que Emmett estava tão perto.

Ele só entendeu o que estava acontecendo quando viu Bella mudar drasticamente seu rosto sofrido em um lindo sorriso, mesmo que esse não fizesse seus olhos brilharem, como os outros, antes de levantar a cabeça, enxugar às lágrimas e entrar no quarto. Edward tinha presenciado um pequeno momento onde ela tinha se permitido ser frágil, para depois se transformar na leoa feroz e corajosa que mostrava a todos.

— Boa noite! – comprimento Bella entrando no quarto, se posicionando ao lado da cama próxima a dona Marie que a olhou com ternura, em um agradecimento silencioso por ela estar ali por seu neto. A cena era a mesma, que infelizmente, vinha presenciando ultimamente depois de cada maldita sessão de quimioterapia. Emmett mais pálido e fraco, do que se costume, sendo segurado por sua avó enquanto vomitava violentamente uma água verde. – Vim visitar meu menino especial.

— Bella? – Emmett perguntou com a voz rouca, levantando seu rosto vermelho pela força que vazia e pelo choro, por estar sentindo tantas dores por tido o seu pequeno corpo, vendo olha-lo olhou com seu sorriso encorajador – Veio vê eu?

Apesar de ter ouvido as mesmas palavras que Emmett ousou para cumprimentar Bella, Edward viu claramente as mudanças, naquele mesmo menino que o tinha recebido tão alegremente há alguns dias atrás com seu chapéu de cowboy. O cansaço e a dor estavam bem aparentes em seu rosto abatido e suado, o olhar baixo, como se ele estivesse fazendo muita força para mantê-los.

— Sim, fiquei com muita saudade de você, então resolvi vir passar aqui para ficarmos juntos – disse Bella enxugando suas lágrimas. Eles tinham o olhar preso um no outro, era como se não tivesse ninguém mais naquele quarto. – Podemos colorir ou montar aquele quebra-cabeça legal que tio Carlisle deu pra você, o que acha?

— Ma...mmas não tô me sentindo bem, minha barriguinha dói muito – disse Emmett voltando a chorar, abraçando o corpo de Bella com toda a força que lhe restava.

— Shhh Emm, não chore, por favor. Sei que está doendo muito, e estou aqui para lhe ajudar a melhorar tá. Faremos o que você quiser, podemos ler um livro de aventuras, ou ver um filme, sei que isso vai fazer essa dor passar mais rápido – disse carinhosamente, quando subia na cama do hospital, enrolando seu corpo ao do pequeno menino, como se aquele ato pudesse protegê-lo daquela doença – Eu te amo muito Emmett, você sabe que é meu menino especial.

— S...ssim, mas e...eeu tô cholando, não tô conseguindo se colajoso e fote, tá doendo muito – afirmou enquanto recebia pequenos beijo por sua cabeça. – Bella, você ainda vai, mas gosta deu?

— Emmett, olhe para mim. Você é e sempre será o menino mais corajoso e forte que eu já conheci, e sempre será meu menino especial, nada vai mudar isso sabe por quê? – perguntou Bella o vendo negar com a cabeça – Porque amo você do jeitinho que é, e sempre vou amar. Não me importo se você chorar, se ter medo, ou se sua pele ficar roxa com bolinhas laranja.

— Eu também te amo – respondeu o Emmett deitando sua cabeça sobre o peito de Bella, enquanto recebia um delicado carinho em suas costas – Então você acha que quando eu quecer, posso ser um cowboy de vedade como o Woddy?

— Claro que é meu pequeno cowboy, você será o melhor cowboy do mundo – confirmou sorrindo. Bella o abraçou e seu corpinho relaxar contra o seu – Emmett, estou cansada, o quê acha de tirar um pequeno cochilo comigo?

— Tá bem, você vai ficar aqui comigo? – perguntou com medo de que ela fosse embora.

— Sim, vou ficar a noite toda com você – confirmou beijando sua testa.

— Bella, já sei o que quero fazer. Vamos canta a nossa música favolita, pô favô?

— Claro, Emm. – aceitando seu pedido. Bella respirando fundo, e começou a cantar sendo acompanhada por ele, mas rapidamente o dueto passou para um solo. Ela continuou a cantar tentando controlar tudo o que estava sentindo, para ninar seu lindo cowboy.

Amigo estou aqui

Amigo estou aqui

Se a fase é ruim

E são tantos problemas que não tem fim

Não se esqueça que ouviu de mim

Amigo estou aqui

Amigo estou aqui

Amigo estou aqui

Amigo estou aqui

Os seus problemas são meus também

E isso eu faço por você e mais ninguém

O que eu quero é ver o seu bem

Amigo estou aqui

Amigo estou aqui

Os outros podem ser até bem melhores do que eu

Bons brinquedos são

Porém, amigo seu é coisa séria

Pois é opção do coração (viu?)

O tempo vai passar

Os anos vão confirmar

Às três palavras que eu proferi

Amigo estou aqui

Amigo estou aqui

Amigo estou aqui

— Acho que será melhor nos sairmos, será mais fácil para que ele durma um pouco. – disse dona Marie tocando delicadamente seu braço.

Com apenas um aceno com a cabeça Edward seguiu a gentil senhora para o corredor do hospital. Do lado de fora ele pode ver que como o rosto daquela senhora, estava molhado pelas lágrimas que ainda derramava.

— Há algo que eu possa fazer pela senhora? Pode pedir qualquer coisa. Posso ir buscar um café, ou algo para comer? – perguntou Edward exacerbado, sentando ao lado da avó de Emmett. Queria fazer alguma coisa, ser útil, ele realizaria qualquer que fosse o pedido daquela senhora naquele momento. Acordaria o melhor chef da cidade para lhe fazer a melhor sopa que ela tinha comido, se esse fosse o seu desejo.

Tudo que ele queria era acabar com aquela inútil inercia que ele se encontrava. Depois Edward te assistido tudo no canto daquele quarto infantil, totalmente impotente, sentia seu corpo receber descargas de raiva, pois não havia nada que ele posse fazer ou comprar, tão pouco ou ninguém que pudesse ordenar para que tudo aquilo fosse resolvido imediatamente. Seu poder não valia nada, ele não faria o maldito câncer para de torturar aquele menino, seu dinheiro não traria paz para dona Marie, e suas brilhantes palavras não serviam para tirar aquela tristeza de Bella, ele não tinha conseguido dizer nenhuma palavra durante o tempo que ficou lá dentro, pois sua garganta doía como se algo extremamente doloroso estivesse preso ali, que ficava até mesmo difícil de respirar.

— Não meu filho, eu não quero nada, obrigada – agradeceu Marie, suspirando cansada – Sabe quando perdi minha filha, pensei que tinha sentido a pior dor que o ser humano poderia sentir, mas todas as vezes que vejo Emmett passar por isso, é como se a perdesse de novo. Sendo que agora é pior, porque ele é só uma criança.

Edward ainda estava atordoado pelo que viu e sentiu naquele quarto, e ouvir aquelas palavras tão dolorosas daquela senhora fazia aquela experiência ser a mais intensa que já tinha vivenciado. Era quase incompreensível como que ao mesmo tempo, que havia uma dor tão forte que ele quase pode sentir fisicamente em seu corpo, por outro lado existia claramente algo tão lindo e poderoso que ele nunca achou que fosse capaz de existir em outro lugar que não fosse os romances idealizados dos livros e filmes. Como o daquela avó sofrendo por seu neto, ou o amor que unia aquelas duas pessoas fortemente abraçadas naquela cama de hospital era para ele irreal, visto que nunca tinha presenciado alguém proteger e confortar como Bella fazia agora com Emmett, o beijando e abraçando tão carinhosamente, sem qualquer outra intensão que não fosse ama-lo.

Ao entender o que tudo o que aquela doce senhora queria dele era um pouco de consolo ou esperança, para que a dor que sentia diminuísse, ele se viu sem saber como agir, uma vez que isso era exatamente o que ele não sabia fazer. Desajeitadamente, Edward estendeu seu braço, ao redor dos ombros dela, lhe dando um abraço sem jeito e meio estranho. Não tardou a sentir sua cara camisa molhar, com certeza pelas lágrimas do choro dela que tinha se intensificado.

— Não faço a menor ideia do tamanho da sua dor dona Marie, e acredite se fosse possível faria qualquer coisa para que não precisasse mais passar por isso. Só posso lhe garantir eu quero ajudar no que for necessário, que infelizmente é muito pouco, mas farei tudo para que tanto a senhora como seu neto, se sintam seguros e o mais confortáveis, tendo que se preocupar apenas com a recuperação dele – disse olhando diretamente em seus olhos – Eu lhe prometo isso.

Estavam tão envolvidos pela conversa deles, que não perceberam que eram observados atentamente. Bella que tinha saído do quarto a procura deles, para dizer a Edward que dormiria com Emmett essa noite, ofegou ao ouvir aquelas palavras. Ela nunca imaginou ouvir nada disso vindo dele, e que muito menos fosse conseguir acreditar na veracidade daqui, como ela acreditava agora.

Notas finais
Oi lindinhas... Sofri muito escrevendo esse capítulo, mas era necessário, para a virada da histórias do nosso casal. Espero que vcs gostem Bjossss