Michokamos: em busca de vingança
1 Capitulo 1
Notas iniciais
Calma, vai dar tudo certo. Estarei sempre ao seu lado.
Nesse exato momento eu penso novamente que essas palavras foram às palavras mais reconfortantes que eu já ouvi em toda a minha existência. Eu te amo e pra sempre te amarei! Onde você estiver eu sei que sabes disso.
Com carinho, Camille Martins.
I- Um louco diz que eu não sou humana... Devo ficar feliz?!
Não quis acreditar em você porque de inicio me pareceu loucura. Com o seu sorriso você fez tudo parecer tão fácil. Agradeço-lhe por tudo meu amigo.
Antigamente eu pensava não ter um propósito de vida nesse mundo, não fazia nada apenas ficava vendo o tempo passar, esperando por algum dia... Um dia em que tudo mudasse e que eu fizesse algo importante para esse mundo.
Está bem, vocês podem achar que eu estava exagerando ou coisa do tipo, mas eu queria ter uma razão pra viver. Meu nome é Camille Martins, tenho 17 anos e sim ainda não tinha um propósito de vida! E se agora eu tenho? Podemos dizer que sim.
***
Eu não gostava muito da escola, mas tinha que me arrumar pra ir até ela. Sinceramente eu não sei o que fazer na lá, você fica vendo a cara do professor, e o vê falando um monte de coisas que realmente pra não fazem sentido, pelo menos pra mim não. Tudo bem que tem gente que gosta de ir à escola, mas eu não gosto, até por que a escola é um modo de dividir cada pessoa em uma classe social, mais tarde eu explico isso, estou atrasada.
– Oi mãe, “tô” indo pra escola. — disse me levantando da mesa
– Não demora. – ela falou penteando o cabelo
– Por que, o que foi? – peguei minha mochila e pus um biscoito dentro.
– O Richard vem aqui hoje! — ela falou sorrindo
Minha mãe insistia em arranjar namorados. Sinceramente ela tem um péssimo gosto pra namorados, ainda mais quando eles são jovens e idiotas...
Espero apenas que esse tal Richard não seja igual ao ultimo namorado dela. Ela o pegou no banheiro de casa com outra. Ela pensa que eu não sei desse fato, mas eu sei, descobri ao ouvir eles brigando.
– Tudo bem mãe, eu venho pra conhecer seu namorado! – disse saindo de casa.
– Vá com Deus filha. – ela disse se arrumando para o trabalho.
Peguei minhas coisas e fui embora. Eu até pensei em parar no local onde vende mangá e CD’s de musicas asiáticas, mas resolvi ir pra escola, por favor, não sigam meu exemplo. Caminhei normalmente pela rua onde eu sempre passava para ir à escola, vi as mesmas pessoas de sempre e quando eu cheguei à entrada, pensei mais uma vez em dar meia volta e não entrar, porem novamente hesitei, e entrei. Caminhei direto para sala e dei de cara com o Senhor Freud, um senhor de cinqüenta e poucos anos, careca e barrigudo. Ele me dava medo, pois é estrábico e eu não sabia pra onde ele olhava o que me deixava desconfortável toda vez que falava com ele.
– Olá Camille, esta atrasada, vá se sentar! – seu olho fez um movimento estranho enquanto falava comigo.
– Desculpe o atraso Sr. Freud. Como ‘anda’ sua adorável esposa? — disse me sentando
– Bem melhor depois de a senhorita ter acertado um bastão de beisebol na cara dela!
– Ah Sr Freud aquilo foi um acidente...
– Vá se sentar! — ele prdenou
– Sim!
No verão passado eu inventei de jogar basebol pra impressionar o jogador mais lindo do time, Diego, mas não deu muito certo e o meu bastão foi parar na cabeça da senhora Freud.
Fui me sentar, procurei um lugar mais próximo da janela caso eu quisesse fugir dali ou apenas me matar, de repente notei que o Sr. Freud estava com um garoto ao seu lado, o garoto parecia desconfortável com aquela situação, ele me olhava e sorria, eu simplesmente virava o rosto. Então o Sr. Freud disse:
– Crianças atenção! Quero lhes apresentar o novo aluno Yebigin Micho. – o garoto sorriu e falou seu nome pra todos da classe
Era um garoto Chinês, ou de algum país asiático, tinha o cabelo pintado de vermelho e olhos pretos e era branco feito papel, vestia uma camiseta lisa branca com apenas um colete militar por cima e calça jeans surradas de tão usadas e uma sandália de couro muito bonita, ele resplendia um a ar misterioso e era charmoso. Ele sorriu novamente para mim e eu novamente virei o rosto o ignorando, porem ele veio na minha direção e eu pensei: “não senta aqui, não senta aqui”, mas meus pensamentos não foram concretizados, ele parou do meu lado e de repente senti meu coração acelerar. Ele sorriu novamente para mim e disse:
– Por favor, posso sentar aqui? — Ele me disse sentando ao meu lado.
– Eu vou ser sincera, na verdade não. Mas como você já tomou a liberdade de sentar ao meu lado... – falei séria.
– Gostei do seu colar, significa equilíbrio, mas olhe o meu. — Ele disse tirando um cristal azul pendurado em seu pescoço detrás da camisa – É um cristal que está na minha família há anos,.. – Ele me disse com um leve sorriso.
– Não é querendo ser grosseira, mas o que eu tenho a ver com isso? – O que esse garoto queria?
Ele então guardou o colar, pareceu respirar fundo e disse:
– Seu colar e o meu são de vidas passadas, pertencem aos nossos a ancestrais os Michokamos! – ele se virou e ficou olhando pra janela oposta da nossa.
– Garoto você é louco, ou algo do tipo? Esse colar é meu e não de um ancestral Micho... Micho... Sei lá o que! E outra, nem chinesa eu sou! Não te conheço! E já que eu vim pra essa merda aqui, me deixa pelo menos aprender algo! – Falei quase gritando.
– Eu só queria dizer que precisamos de...
O Sr. Freud o interrompeu e falou nos olhando:
– Senhor Mochi e Senhorita Camile, poderiam parar de conversar!- O Sr. Freud falou levantando a sobrancelha, como sempre fazia quando estava bravo.
Micho se levantou e disse:
– Sr. Freud eu só queria lhe dizer que eu e a Camille estamos tendo uma conversa muito importante, e se não fosse por ela, nem aqui eu estaria, afinal eu não preciso ir a uma escola.
– Como você sabe meu nome? E Sr. Freud eu nem conheço esse louco, não posso ir pra diretoria, senhor sabe que vou ser suspensa se for... – Eu olhei com raiva pro Micho.
– Então vocês são namorados? – Disse o Sr. Freud, fazendo a sala toda zombar de mim.
– Não o senhor está louco? Eu e esse...
– O quê? Você me chamou de louco? Mochi e Camille fora da minha sala! – Ele disse abrindo a porta da sala.
– Meu nome é Micho! – ele gritou, pegando suas coisas
Eu saí inconformada, peguei minhas coisas e o Micho fez o mesmo, ouvia risinhos na sala e resolvi sair da escola sem que a diretora me visse e ele me seguia, eu virei pra ele e disse:
– Viu o que você fez?
– Camille calma.- ele parou e sorriu — Primeiro dia de aula legal. – ele pegou no meu ombro e eu recuei.
– Saí de perto de mim. Você é louco! – Eu saí quase correndo.
– Espere-me Camille, temos que salvar o mundo do Fiuho. – ele me seguia. Como ele andava tão rápido?
– O.K. Agora você pirou de vez né?
– Então me explica você conheceu seu pai?
Eu parei de correr o encarei e gritei, já estávamos na rua:
– Você é um idiota! Meu pai... Ele morreu e isso não é da sua conta!
– Ah Camille, nós não somos humanos, viemos pra terra em uma missão de proteger a humanidade. Impedir que o Fiuho faça o mesmo que ele fez em Michokamo, nossa terra. O seu colar, ele significa que você herdou o dom dos Quilnos, que é a sua ordem. Os Quilnos são o equilíbrio, você tem o dom de se tele transportar, dom da hipnose, ler mentes e pode absorver a energia de alguém e jogar contra ele. – ele aparentava um ar sério.
– Olha por favor, me deixa em paz. – eu voltei a correr, agora estava fora da escola.
– Eu sou da ordem dos Meridians, somos a concentração. Tenho o dom de me tele transportar, posso me transformar no que quiser, posso também ler sua mente, não só a sua, claro. Ah, eu tenho o dom de poder levitar matérias
– Você é realmente doido, na verdade, mais doida sou eu que ainda fico aqui te ouvindo.
Ele me ignorou e continuou falando, me seguindo.
– Eu ainda não dominei o dom da transformação, mais posso ler sua mente, me tele transportar e o de levitar as coisas. Quer ver meu teletransporte?
– Não!
Ele então ficou parado na minha frente e a rua estava deserta, eu deveria ter saído correndo, mas não fiz isso. Então ele sorriu pra mim, e sumiu da minha frente, eu o procurei ele falou:
– Atrás de você! – ele disse sorrindo.
Eu me virei e lá estava ele, atrás de mim, como ele havia feito isso? Eu fiquei paralisada encarando aquele garoto, me recompus e falei:
– Bom, vamos supor que o que você me disse seja verdade então, quem eu sou e de que mundo eu venho?
Ele olhou para o lado e depois ficou me olhando fixamente nos olhos, me deixando um pouco constrangida.
– Há alguns anos atrás existia um planeta chamado Michokamo.
– Seu nome num é... Micho?
– Sim meu nome é parecido, mas na verdade me chamo mesmo Yebigin Micho. Seu nome Michokamo é Zen Kamo.
– Hm, como você sabe que esse é meu nome? E porque meu nome complementa o seu e forma o nome do mundo de onde supostamente nós viemos? – falei pensando que se eu o distraísse podia sair correndo dali.
– Você é muito desconfiada. O seu nome ta escrito no colar pode olhar.
Eu olhei o colar e realmente percebi que tinha um nome igual lá.
– E nossos nomes se complementam porque os Quilnos e os Meridians se complementam. Mas continuando, nossos ancestrais lutaram contra um cara do mal chamado Fiuho. Ele era amigo do rei de Michokamo, senhor Felix. O rei dominava todas as ordens, os Meridians, Quilnos, e outras duas ordens: os Mochis e os Foxis. Em cada 100 anos em cada ordem nasce um integrante com poderes mágicos, esse é o nosso caso.
– Então quer dizer que ainda existe dois de nós?
– Sim, vamos encontrá-los e matar Fiuho. – ele disse com convicção.
– Se ele matou o rei que era poderoso, como nós adolescentes vamos matá-lo?
– Fiuho se rebelou contra o rei Felix, o traindo. Roubando o colar quartanário, que junta o poder de todas as ordens. Com esse poder imensurável, Fiuho mandou matar todos os Michokamos, com medo de que os escolhidos, nós, futuramente o matasse. Porém, o rei Felix mandou cada família com os bebes escolhidos para Terra. Mas ele descobriu e veio pra cá nos matar.
– Mas... Como ninguém conseguia ver nosso planeta? Pois um planeta é algo grande. – ele dizia enquanto me acompanhava até em casa.
– Boa pergunta. Nós tínhamos uma tela de proteção que deixava o nosso mundo invisível. Você acredita em mim agora? – ele parou na minha frente me olhando seriamente.
– Não sei, é muita loucura e quem são meus pais, minha mãe é mesmo minha mãe?
– Não sei. Você terá que descobrir sozinha Zen
Ficamos conversando por horas, toda vez que ele tocava em mim, quase que instantaneamente meu coração acelerava. Ele me disse que isso ocorria porque tínhamos uma conexão. Uma conexão... Eu tentava absorver tudo o que estava ocorrendo. Desisti de fugir. Ou eu acredito muito fácil nas pessoas ou sou uma completa idiota. Aquele garoto misterioso falando que eu não era uma humana, nada fazia sentido. E meu pai, meu pai morreu por causa desse tal Fiuho, se essa historia é realmente verdadeira eu tinha de qualquer forma matar Fiuho. Por questão de honra.
– Então Zen... – ele começou
– Chame-me de Camille, eu ainda me chamo Camille. — pensei um pouco e perhuntei: — Que horas são? – disse o interrompendo.
– Umas uma hora da tarde, eu acho.
– Ta tarde tenho que ir pra casa
– Posso ir com você?
– Eu não sei, ta tudo tão confuso pra mim...
– A gente vai conversando no caminho e eu te explico tudo!
– O.K.
Depois dessa conversa ele me acompanhou até em casa, fiquei pensando em tudo e às vezes ele me olhava parecendo ler minha mente e quando eu o olhava ele virava pro lado e assoviava.
– Então... essa é a minha casa.
– Bonita sua casa, sabe Camille temos que partir em missão, temos que ficar juntos e encontrar os outros dois escolhidos. — ele me olhou com pena
– Me dá um tempo Micho.
– O.K.
Eu entrei em casa e dei de cara com a minha mãe sentada no sofá da sala. Pra completar meu dia ela estava com raiva.
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