Michael
14 Turritopsis
A cidade de Rio de janeiro era uma metrópole vibrante já no século XX, agora seus problemas são elevados a nona potência. Os engarrafamentos foram resolvidos, mas a violência no trânsito parece ainda algo insolúvel. Sem falar nos ocasionais atentados terroristas e no crime organizado, infelizmente sempre tão enraizado na sociedade brasileira.
– Então... — Bruna tomou um pouco do suco de acerola — o que aconteceu para me fazer abandonar a minha faxina de fim de semana?
A lanchonete era simples e silenciosa, uma verdadeira ilha de conforto e sossego para os cariocas apressados. Os dois ocuparam uma mesa que dava para a entrada da cozinha.
– Lembra da Turritopsis? – ele sussurrou.
– Acho que sim, não é a tal companhia que é fabricante de armas?
Juan enxugou os lábios e se apoiou os cotovelos na mesa: — Analisei os dados que tiramos do Deep, achei um plano, pelo menos era isso que ele pensava ser. Um plano para limpar as potenciais ameaças aos interesses da empresa
– Como assim?
– Além da problemática envolvendo a venda de material bélico para os dois lados.
– A Guerra Civil brasileira? – ela voltou a beber do suco.
– Isso! Agora a questão... – Juan foi interrompido por uma mulher que bateu com a bolsa na cabeça dele.
Também! Anda com essa bolsa do tamanho de um carro...
– Oh! Meu filho, mil desculpas! – a mulher tocou no cabelo dele.
Juan soltou um rosnado e voltou a ajeitar o panteado.
– Não desmanche! – gemeu ele.
A mulher foi embora com uma expressão que fez Bruna sorrir.
– Não sei qual é a graça? – ele fez beicinho.
A mercenária revirou os olhos – Eu hein...
– Voltando ao assunto... – ele continuou – A Turritopsis também investia em pesquisas envolvendo em pesquisas genéticas voltadas para a saúde animal.
– Que meigo da parte deles! – falou a amiga dele. Que voltava sua atenção para detrás de Juan.
Ela nem está prestando atenção em mim...
Antes de brigar, ele olhou para trás de si.
– Dá um tempo Bruna! – Juan agitou os braços – Mantenha o foco!
– Ah... Desculpe...
– Desculpe... – ele zombou – Parece até que nunca viu homem! Olha! Temos que ir para Dubai, a droga da empresa desenvolvia experiências com material genético humano e nós temos que encontrar Michael!
– Calma... Não se preocupe não. Vamos encontrar sua namoradinha loira... Aliás! Esse é meu trabalho e faço isso muito bem, não é? — dizendo isso, Bruna se levantou e pagou a conta e se dirigiu para a saída. Enquanto Juan ficou xingando ela.
– Para onde vamos mesmo? – ela perguntou.
– Dubai!
– Peraí! — ela voltou para a lanchonete.
Depois de um tempo a mercenária retornou: — Agora podemos ir!
– O que você foi fazer?
– Ora, comprei um lanchinho para a viagem — respondeu Bruna sacudindo um pacote de bolachas.
Começou a chover.
Fale com o autor