Meus Últimos Dias
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Quando abri novamente os olhos havia uma luz branca forte bem em frente ao meus olhos. Não, não era nenhum anjo me chamando pro outro lado. Era só a enfermeira da escola, Sra. Benson, fazendo um teste de reflexo nas minhas pupilas, ou sei lá o quê.
A Sra. Benson agitava uma lanterna na minha frente. Ela afastou a lanterna quando percebeu que eu havia acordado, então se afastou. Eu estava deitada na única maca da pequena enfermaria. Amber e Alex estavam lá comigo, além de um menino primeiranista sentado em uma cadeira no canto segurando um balde de onde vinha um odor nada agradável.
— Você está bem? — perguntou Alex, chegando mais perto.
Tentei levantar, mas senti uma enxaqueca terrível.
— aai...ai..
— Chloe?
— Uh… Dor de cabeça – disse. Mas dizer que eu estava com dor de cabeça era um eufemismo. Parecia que alguém tinha aberto minha cabeça com um machado cego, retirado meu cérebro e substituído por um com o dobro do tamanho, que não cabia e tentava pular pra fora a qualquer custo.
— Talvez você tenha batido a cabeça quando caiu – explicou a enfermeira. — Você precisa ir ao hospital, sua mãe veio te buscar.
— Certo. — Tentei descer da cama novamente enquanto sentia minha cabeça latejar. — Aih…
— Vem Chloe, eu te levo – disse Alex, e antes que eu pudesse protestar (se bem que eu nunca teria a intenção de fazer isso), Alex pôs uma mão nas minhas costas e a outra atrás dos meus joelhos, me pegando nos braços.
Eu gostaria de estar completamente consciente pra aproveitar aquele momento, porém a dor parecia cada vez mais forte, enevoando meus pensamentos.
Me aninhei ao peito de Alex tentando não me mexer muito, mas a cada passo que ele dava sentia como se um gongo japonês ressoasse ao pé do meu ouvido. Alex me levou até o carro de mamãe, que estava parado bem em frente a escola. Mamãe abriu a porta preocupada.
— Coloque-a no banco de trás – disse ela. — Vamos ao hospital agora mesmo.
— Posso ir junto? — perguntou Alex.
— É melhor vocês voltarem pra aula – disse mamãe. — Não se preocupem, eu vou cuidar dela — disse. Eu queria protestar mas não tinha forças, quase não conseguia me concentrar no que eles falavam. Alex concordou e me colocou no banco de trás com cuidado.
— Você vai ficar bem Chloe… — disse, e deu um beijo suave na minha testa. — Tem que ficar...
Em seguida a porta do carro foi fechada e rapidamente este pôs-se em movimento. A cada lombada pela rua eu sentia a dor aumentar, sentia o sangue pulsando em meus ouvidos. A cada minuto mamãe dava uma rápida olhada em minha direção, podia ver em seus olhos que estava assustada mas tentava manter a calma.
Quase podia ver estrelas flutuando sobre minha cabeça, como sempre acontece em desenhos animados, talvez tivesse algum fundamento, pois era assim que eu me sentia. Em algum momento do caminho eu adormeci, pois quando abri os olhos estava novamente em uma maca branca. A dor havia passado e tinham tubos ligados a agulhas nos meus braços por onde caíam gotas contínuas de um líquido incolor.
— Mãe? — chamei.
Mamãe levantou rapidamente. Ela estava sentada em uma poltrona na extremidade do pequeno quarto.
— Como se sente? — perguntou enquanto vinha em minha direção, ficando de pé ao lado da cama. Tentei levar a mão à cabeça, mas fui impedida pelo fio.
— Melhor. O que disseram?
— Você terá que fazer alguns exames, depois podemos ir pra casa.
— Que tipo de exames? — perguntei.
— Não sei quais, exatamente…
Nesse momento o Dr. Noel Leagher, velho amigo do meu pai, passou pela porta trazendo consigo uma prancheta, provavelmente com a minha ficha.
— Boa tarde Marta! — disse. — Chloe, como está se sentindo?
— Estou bem. Mamãe disse que tenho que fazer exames, mas eu acho que não precisa, já estou me sentindo bem melhor… — tentei dizer.
— Bem, na verdade os analgésicos melhoraram a dor, mas ainda não sabemos o que a causou. Você não tem nenhum sinal de traumatismo, precisamos investigar isso – explicou. — Achamos que o estresse da situação pala qual você passou deve ter interferido em algum distúrbio que você já tinha, Chloe. Você não tem histórico de nenhuma doença?
— Chloe sempre teve ótima imunidade, não costuma pegar nem resfriado! — assegurou mamãe.
— Então, você acha que eu tenho alguma coisa grave? Mas eu estou bem, foi só uma dor de cabeça…
— Detesto ter que te dizer isso, mas não foi só uma dor de cabeça, Chloe. Você desmaiou duas vezes, e quando chegou aqui estava tendo convulsões…
— Convulções? Eu não lembro de nada...
— Você estava desacordada. Creio que a melhor medida é fazer todos os exames necessários, para ter certeza que está tudo bem. Seu primeiro exame será em alguns minutos.
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