Meus bons amigos

3 Sim! Você é meu melhor amigo e eu te amo...


No outro dia, a Malu foi cedo para a casa do Lucas, ela me ligou e disse que teve uma loonga conversa com ele, não me deu detalhes, mas pelo jeito ela quase ficou "viúva" (é que o Lucas e ela brincam que são casados). Ela foi na casa dele para tentar entender aquela situação e olhar bem no olho dele, para ver se ele estava falando a verdade. Ela não quis que eu fosse, para ter mais privacidade e resolver isso tudo, tipo, fiquei com medo disso... Devo ter mesmo medo (porque ele ainda não sabe que eu gosto dele), espero que a Maluzinha não diga nada, se não o Lucas que ficará "viúvo"...

Eram umas 14hs quando a Malu chegou em casa bem séria... O que será que aconteceu?

– Oh, vou te mandar a real... Ele não quer nada com você e muito menos com a Bia, ELE ME AMA. OK? — Malu rindo.

Eu olho para ela com uma cara de: "é tonta, é?”.

– Agora, falando sério. Meu, eu quase quebrei todo aquele rosto lindo dele por causa de ontem, mas ele disse que agiu por impulso, viu que ela estava meio interessada nele e PIMBA! Mas ele só a considera como amiga... Eu falei pra ele se ligar, porque estava magoando duas meninas: eu e você! – Malu.

– O QUE VOCÊ DISSE? TÁ LOUCA?! VOU MORRER! — Eu como sempre dramática.

– Ah, nem vem que não tem! (rindo). Você gosta dele, então eu mandei a real. E também falei que EU que tenho de escolher a mina dele, ou seja, ele nunca vai casar porque já tem a minha pessoa e não precisa de ninguém! – Malu palhaça como sempre.

– Ah tá... E o que mais? O que ele falou sobre eu gostar dele? – Eu curiosa e preocupada.

– Ah, tipo, nem ligou! (rindo)... Mas vai saber, né? Sabe como são esses meninos. Super indecisos, principalmente o Lucas. Enfim, vou embora para você chorar suas pitangas! — Malu.

– Nossa... Você vai me abandonar? — Eu já toda chorosa.

– Ai caramba! Peraí... — Malu foi ao meu guarda roupa e tirou uma capa de chuva e colocou — Pronto pode chorar!

– Babaca! — Eu disse isso e abracei ela.

Agora que eu sei que o Lucas não sabe o que quer e que é só amigo da Bia, tenho que agir naturalmente, mas se a Malu pensa que eu vou desistir dele, ela tá muito enganada, vou conquistá-lo aos poucos, ou não. Vai saber o que se passa na cabeça daquele menino. Então tudo é uma questão de tempo... E de MUITA ATITUDE!

Uma semana depois:

Por falar em atitude, acreditam que a minha professora da faculdade me ‘desafiou’ a contar para o Lucas tudo o que eu sinto e ainda indicou o filme “Ele não está tão afim de você” para eu assistir? Pois é, tudo porque no fim da aula ela me ouviu falando com a Jéssica sobre ele e aí surgiu o assunto.

Eu pensei a semana toda e hoje eu acordei pronta para tomar essa decisão... Vou falar com o Lucas (também né, não foi só minha professora que ficou me enchendo, mas minhas amigas também, então finalmente tomei coragem). Não sei como, nem que hora, só sei que será hoje. Já dei uma adiantada falando para ele que estava nervosa (se bem que nem posso chamar isso de "uma adiantada"). Enfim, hoje eu vou para o ensaio normalmente, quando acabar eu vejo o que faço.

Mais tarde:

Depois da ensaio, estávamos indo embora juntos: eu, o Lucas, o Tomás (irmão do Lucas), a Pri e a Yasmin.

– Lucas, você vai fazer o que hoje à tarde? – Eu.

– Vou ficar o dia todo fazendo trabalho. — Lucas.

– (falando baixo) Tá vendo? Vou ter que falar com ele só mais tarde... – Eu falando com a Priscila.

– (falando baixo) Vivi... Você vai, agora... — Priscila.

Fomos conversando e rindo como sempre até o prédio dele, onde nós paramos para dar tchau. Eu e as meninas já estávamos indo embora, mas a Pri me parou e disse:

– Você vai voltar lá e falar com ele – Priscila.

– Ah não, ele tá ocupado hoje, depois eu venho... – Eu.

– Você disse que ia hoje, aí você acaba não indo e depois fica se lamentando — Priscila.

– Ok, ok Pri. Você venceu... Eu vou. – Eu.

– Isso aê, garota!! Yasmin, você tem alguma lição de casa pra fazer? – Priscila.

– Não, por quê? – Yasmin.

– Tô com uma vontade de ensinar hoje... – Priscila.

– Aah sim... – Yasmin não entendendo nada para variar.

– Vamos lá pra sua casa, aí eu faço uma revisão de matemática com você. — Priscila.

Então elas foram para minha casa e eu fui para o prédio do Lucas.

Com o coração quase saindo pela boca, entrei no prédio e peguei o elevador, quando eu cheguei ao andar que mora e estava saindo...

– Lucas... – Eu encontro ele no corredor

– Oi, por que você voltou? – Lucas entrando no elevador com uma bola de futebol na mão.

– Preciso falar com você — Eu nessa hora já estava morrendo...

– Tá, quando a gente subir de volta conversamos, agora eu vou levar essa bola de futebol pro meu amigo que está esperando lá embaixo. — Lucas.

No elevador, na hora que estávamos subindo...

– Então, o que você quer falar comigo? — Lucas.

– É... Sobre... O... – Eu travei... Cadê as palavras?!

No apartamento:

– Então? — Lucas.

– Calma, eu já falo... – Eu sentando no sofá.

Nesse momento eu tremia, meu coração estava super acelerado, nem olhar pra ele eu conseguia. O Lucas ficou parado olhando pra mim, esperando eu falar.

– Senta aí, vai ficar em pé, é? – Eu enrolando.

Ele sentou e continuou olhando fixamente para mim.

– Mas não fica olhando pra mim – Eu tonta, morrendo de vergonha.

– Tá – Lucas olhando para o outro lado.

– Sabe quando eu te disse que estava nervosa? — Eu

– Sei — Lucas.

– Então... Eu tô nervosa, mas não é nervosa de brava. Tô nervosa por causa de você – Eu olhando para baixo.

– Mas por quê? Não tô entendendo nada – Lucas burro!

– Calma, vou explicar — Eu respirei fundo e comecei a mexer no meu celular, não conseguia olhar para ele.

– Fala logo! – Lucas levantando do sofá.

– Calma, eu já falo — Eu.

– Quer um café, um jornal? Sei lá, vai tomar uma água... – Lucas sem saber o que fazer.

– Vai lá ligando o computador pra você fazer seu trabalho, que eu já falo — Eu.

O Lucas foi para o quarto dele e eu fiquei na sala escrevendo no celular o que eu queria falar, não iria conseguir dizer mesmo, aí eu escrevi.

– Mas o que você tem pra me falar é tão sério assim?! – Lucas lá do quarto dele.

– Não... É... Quer dizer... Depende! — Eu me enrolava cada vez mais.

No quarto do Lucas:

Entrei lá e ele estava sentado em uma cadeira em frente ao computador.

– Lê — Eu entreguei meu celular para o Lucas e fui olhar a janela, porque eu estava morrendo de vergonha.

No celular estava escrito assim: “Estou nervosa porque resolvi te dizer tudo. Tudo o que eu já quis dizer pra você há muito tempo e não tive coragem, era um medo besta de você se afastar de mim. Desde quando éramos pequenos você é importante pra mim, mas de um ano pra cá, mais ou menos, eu fui vendo que você realmente é meu melhor amigo e agora isso se intensificou ainda mais: nossa amizade e também o que eu sinto por você! Já imaginei esse momento, que eu te contava tudo, vááriaas vezes na minha cabeça. Mas eu não quero uma resposta, não quero um não, um sim ou um talvez, eu só quero te contar com minhas próprias palavras, o que você já ouviu aos poucos de todo mundo que a gente conhece, só isso, pois eu já estava me sentindo sufocada. Você sabe que eu gosto de você, né? Era pra eu falar pessoalmente, mas como pode ver eu travei e não saiu nada...”

O Lucas acabou de ler e continuou olhando para o meu celular. E eu lá na janela:

– Viviane, chega aí... — Lucas.

Eu sentei na cama dele e ele virou a cadeira de frente pra cama.

– Eu sei que você gosta de mim — Lucas.

– Eu sei que você sabe – Eu.

Tirei um peso das costas. Contei para ele toda a história desde quando eu comecei a desconfiar que gostava dele e a relembrar momentos desde nossa infância, rimos muito.

O Lucas foi super fofo e super sincero. E como no texto que mostrei pra ele, não foi um SIM, também não foi um NÃO e nem um TALVEZ.

– Viviane, eu já magoei muitas meninas e jamais eu te magoaria. No momento não estou gostando e nem quero ficar com ninguém. – Lucas.

– Fiquei sabendo – Eu.

– Mas acima de qualquer coisa você é uma das minhas melhores amigas e eu não iria me afastar de você, porque eu não sou idiota – Lucas sorrindo.

Conversamos por mais um tempinho e o irmão dele chegou.

– Agora eu tenho que ir, você tem que terminar seu trabalho. – Eu.

– Tá bom, oh sempre que você precisar me contar alguma coisa eu estarei aqui para te ouvir. – Lucas me levando até a porta.

E o Tomás olhando e coçando a cabeça sem entender nada.

– Só que vão ter algumas amigas minhas que vão falar para eu te esquecer... – Eu.

– Não liga pra isso, faz o que o seu coração mandar. – Lucas foofo — Agora me dá um abraço.

E o Tomás ainda sem entender nada.

Fui para casa muuuito mais leve. Depois dessa conversa tive certeza que amo o Lucas de verdade. Diria que fiquei até mais apaixonada!

Dois meses se passaram desde que eu contei para o Lucas que gostava dele. E ele está bem mais próximo de mim!

Ah e eu dei um colar de Best Friends para ele. É, eu sei, não quero que ele seja apenas meu melhor amigo para sempre. Mas como ele mesmo disse: acima de qualquer coisa nós sempre seremos melhores amigos. Ele gostou bastante, agradeceu e foi bem fofo, disse que não vai usar porque ficaria meio estranho, então o colar fica pendurado perto da cama dele...

Só sei que pelo menos a nossa amizade vai de vento em popa e se der tudo certo, a coisa toda pode virar algo mais.

Outro dia eu e o Lucas fomos dar uma volta pela Av. Paulista (meu lugar preferido em SP), rimos, tomamos sorvete e andamos um pouco por lá. Até que tive uma ideia:

– Lucas, posso te pedir uma coisa? – Eu parando na frente dele.

– Diga – Lucas.

– Um selinho não faria mal a ninguém, não é? – Eu (tá... sei lá como e onde eu arranjei coragem para isso).

– Oi? – Lucas meio sem entender minha pergunta.

Então fui mais direta:

– É... Me dá um selinho? Você é meu melhor amigo, acho que isso não teria nada demais – Eu falando com a cabeça baixa.

O Lucas ficou olhando para mim, eu não sabia dizer se ele ficou bravo, surpreso ou se gostou.

– Aí eu... – Eu.

– Tá bom – Lucas fala isso e me dá um selinho.

Fiquei parada. Uia e não é que ele levou na boa?

– Obrigada, eu acho... – Eu rindo envergonhada.

– É Viviane, você não é naada normal! – Lucas me abraçando.

Voltamos de metrô conversando normalmente, quando chegamos à estação perto de casa...

– Lucas... – Eu.

– Fala – Lucas.

– Você ficou quieto do nada... Tá tudo bem? – Eu.

– É que eu estava aqui pensando – Lucas coçando a cabeça – Mas deixa pra lá...

– Tá bom... – Eu.

Huum... Acho que esse selinho bobo mexeu com ele e o deixou pensativo!

Pois é, ultimamente o Lucas está cada vez mais estranhamente fofo comigo (apesar de às vezes ele mudar de humor do nada e ficar meio distante). O Gui me contou que o Lucas andou comentando com ele que eu mudei (mas eu acho que ainda tenho muito a melhorar) e isso fez com que ele começasse a enxergar quem eu sou realmente, por isso se aproximou de mim. Algo me diz que vem coisa boa por aí...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.