Meus Tempos De Criança
1 Meus tempos de criança
O avô estava na sala vendo televisão
O pai estava na sala lendo seu jornal dominical
O filho estava na sala se divertindo com seu autorama
O avô viu a criança brincando e um sorriso surgiu
Lembrou-se dos velhos tempos
Tempos em que era um menino
Tempos em que corria pelo matagal fingindo estar perdido numa floresta
Tempos em que se juntava aos amigos
Para que então, ao entardecer
Fossem ao rio pescar e todo o resto esquecer
E logo após se cansar
Desistir de tudo e no rio pular
E então a noite vinha
E já sabia que estava na hora de espiar
Corriam para detrás da moita
Para as meninas que tomavam banho poderem vigiar
O tempo era bom...
Depois de um cansativo dia
Era hora de para casa retornar
Fazer suas obrigações diárias e depois jantar
Com a única preocupação de pensar o que fazer amanhã
Naquele tempo que era tão bom
Retornou a si e observando a criança pensou
“Pobre garoto,
Nunca terá uma infância tão boa quanto a minha.”
O pai viu o filho brincando e um sorriso surgiu
Lembrou-se dos velhos tempos
Tempos em que era um menino
Tempos em que brincava na rua o tempo todo
Tempos em que roubava tangerina na horta do avô
Roubava para ele e para os amigos
Pouco antes de irem para o campo jogar futebol
E quando chovia
Era aquela alegria
A hora do racha chegava
E a bola pela lama rolava
Mas antes de iniciar o jogo
Vinha sua obrigação
Corria para casa
E em baixo da goteira colocava o galão
Para encher e então ter agua
Para avó lavar e fazer as comidas do povão
E sem parar para descansar
Para o jogo corria para voltar
Com a lama tomando conta
Mas nada importava, pois era criança
Retornou a si e observando o filho pensou
“Pobre garoto,
Nunca terá uma infância tão boa quanto a minha.”
O filho se divertia com o seu autorama
Sem reparar em nada ao redor
Só preocupado em não perder a hora
De ver a corrida do Senna, seu até então ídolo mor
Infelizmente era domingo
Não tinha muito que fazer
Só esperar a segunda
E imaginar o que iria acontecer
Acordar bem cedo e ir para escola
Encontrar com os amigos e conversar
Voltar pra casa meio dia
Para o macarrão da vovó almoçar
E então jogar vídeo game
Parar um pouco para estudar
Dentro em pouco ir para rua brincar
E esperar um pouco até sua mãe chegar
Ia pra casa ver o Jiraya salvando o mundo
Esperar o pai e então numa jornada nas estrelas embarcar
E com o Zorro a Califórnia salvar
E depois de um dia animado ir para cama refletir
Finalmente era a hora de dormir
Pensava no que iria ser quando crescer
O que queria mesmo era se tornar uma tartaruga mutante ninja
Mas sabia que era impossível
Pois nunca conseguiria se tornar um ninja
Definiu então três profissões
Primeiro tentaria explorar o espaço
Como o capitão Kirk e seu companheiro Spok
Se não conseguisse não se importaria de ser um arqueólogo
Do mesmo modo que o Indiana Jones era
E por fim, se nada disse desse certo
Poderia dar aulas de matemática
Ou quem sabe até mesmo fazer um pouco de mágica
Na realidade não se importava
O tempo passou
E um novo domingo chegou
O avô havia falecido
Mas tudo que havia ensinado ainda estava na memória
O pai envelheceu
E até hoje seus conselhos eram importantes para se chegar à vitória
O filho cresceu
E acabou virando professor realmente
E foi capaz de pensar e criar suas próprias teorias
“Para tudo se dá um jeito.”
“Não leve a vida tão a sério.”
Entre outros
E quando vê uma criança pensa
“Pobre garoto,
Nunca terá uma infância tão boa quanto a minha.”
E logo completa
“Tão boa quanto a minha não terá,
Mas quem sabe melhor?”
Fale com o autor