Nunca haja com indiferença quando você se importa, a frieza deve ser guardada para aqueles que não te merecem. Ah, o orgulho, você se sente o mais sinistro, o dono da verdade, mas na real está sendo apenas babaca. Não seja assim, jovem.

Sabe quando você não está num bom dia? Então eu obviamente que não me sentia assim, estava muito bem, obrigado. Estar mal nem passava pela minha cabeça, o fato de ser sem noção faz com que eu enxergue que está tudo bem e assim sou eu, convencido e me sentindo sempre o bonzão.

Eu acordei, sempre lerdão, dei bom dia para Ela, falei que deveríamos sair, e ela havia dito que iria pagar tudo, "se é você quem vai pagar eu tô dentro". Botei aquela música animadaça no celular e tentei me levantar, enquanto do nada, Capitu vem pra cima de mim, me lambendo com um bafo fedorento que logo me fez afastá-la enquanto eu novamente caía na cama (preguiça). Abracei ela e disse que a amo. Capitu é uma cachorra de porte médio meio magra com porte atlético, toda cheia de pintas, parece uma leitoa, porém tem uma marca marrom que se estende do dorso até parte do olho.

O primeiro dia que a Capitu chegou lá em casa (nem tinha escolhido seu nome ainda) e Ela também estava (toda fofa). Morri de ciúmes, tanto de uma quanto de outra, pois Ela não largava a Capitu. Duas fofuras na minha cama, "como eu as amo", pensei olhando igual bobo. Foi um dos dias mais felizes da minha vida e essa cachorra marcou tanto que Ela me deu uma pintura da Capitu no meu último aniversário em que passou comigo.

Obviamente que eu não iria almoçar, queria estar com fome para ficar com Ela. Faltavam dez minutos para a gente se ver, quando ela avisa que iria atrasar. "Que bom", pensei. Eu sempre me atraso. Verifiquei num aplicativo, onde o ônibus estava e vi que ele passaria em vinte minutos, logo eu chegaria lá em até trinta e cinco minutos, podendo vê-la. Botei uma blusa e um chinelo, arrumei a mochila com coisas básicas e saí. Queria estar relaxado.

Resolvi ficar conversando com um dos funcionários do prédio para passar um pouco do tempo e assim foi:
— E aí tudo bem? Quanto tempo não te vejo, poxa! Como vai a faculdade? — Ele perguntou
— Tudo ótimo! — Eu menti, é claro — Hoje está tudo tranquilo por aqui?
—Ah, não dá pra agradar todo mundo, né? — Ele respondeu

Uma verdade. Quando se tenta agradar a todos, não se agrada a ninguém. Eu por exemplo. Papo vai, papo vem, percebi que os vinte minutos haviam se passado e eu poderia, caso perdesse o ônibus, ficar mais de uma hora atrasado em relação a Ela. Tive que escolher a quem agradar mais, obviamente que seria a ela.

Sabe aqueles momentos em que você se vê com uma pessoa que não para de falar e você precisa sair mas fica sem graça de cortar a conversa? Este era um desses momentos. Comecei a me levantar devagarzinho sem que ele notasse e aí quando alguém, finalmente, o chamou, eu aproveitei e me despedi.

A realidade é que naquele mesmo dia, Ela pediria um tempo e eu agiria de uma maneira burra e infantil.

Quando a gente ama, ficar junto pode ser tudo que importa. um abraço longo, um beijo não dado. Tudo importa. Eu não acredito em tempos, mas quando um não quer, dois não fazem.

Eu amo falar. Para mim a fala e a escrita são muito importante e são tudo quando se refere à minha vida. Minha mãe fez faculdade de letras, meu primo fez faculdade de letras e agora Ela faz faculdade de letras também.

Dialogar é preciso e mudar estando unido é sempre possível, quando se ama. E é por isso que eu bato boca, é claro. Porque eu faço muito isso que acabei de dizer, sempre ouço. (Só que não.)

Voltando desse dia terrível, parecia que todos gostariam de pedir informação a mim. Um morador de rua, pediu minha halls (será que foi um assalto? não saberia dizer). Um senhor quis que eu lhe indicasse uma rua e mesmo eu não sabendo, ele insistiu. O motorista errou o caminho e é claro errou de novo e me deixou duas paradas depois. Na minha cabeça aquilo era o karma que vinha para me punir.

E é por isso que não se deve ser indiferente quando se importa, a frieza fica para os motoristas que te fazem andar. Ah, o orgulho, mesmo quando tu é apenas um assaltado no rio e na verdade partilha a halls nossa de todo dia, se sentindo o sinistro, mas na real você depois se lembra do endereço e é apenas um babaca por não ter nem ao menos se esforçado para ajudar o senhorzinho. Esse cara, não seja esse cara.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.