Meu Único Amor
3 03 - Nostalgia
Notas iniciais
Minha visão avia fechado, minha cabeça girava e eu tentava respirar fundo, achava que iria desmaiar ali, no meio da rua, senti meu corpo se inclinar porém me apoiei no pé direito e respirei mais um vez fundo. A Amber estava com os olhos vermelhos na minha frente, me encarando e com seu rosto mais pálido que o normal.
- Você esta bem? – Ela perguntou apoiando as mãos sobre os meus ombros.
— Como assim a Tia Rosa morreu? – Perguntei e senti uma enorme falta de ar.
— Vamos voltar pra casa, é melhor. Você esta pálida. – Passei meus braços sobre os ombros dela e voltei para casa. Assim que cheguei fui direto para cozinha.
- O que aconteceu? – O Diogo perguntou me olhando. Passou a mão na minha testa e a Amber me deu um copo d’água com açúcar.
— Tia Rosa Di, ela morreu. – Disse a apertei meus olhos deixando lágrimas caírem. Ele olhou para a Amber que fitava o mármore cinza do balcão.
— Amber, porque você não... – Ele disse e foi em direção dela, a abraçou. A Amber aconchegou a cabeça no peito do Diogo e começou a chorar, ela soluçava de tanto chorar. O Silêncio predominava a cozinha, a Yasmin tinha ido embora antes de chegarmos então estávamos todos em família.
- Como foi isso? – O Diogo perguntou fungando. Seus olhos estavam vermelhos, ele também havia chorado.
— Meu padrasto, ele á matou. Eu tinha acabado de chegar da casa do meu noivo e encontrei o corpo da minha mãe jogado no canto do quarto. – Ela murmurou em meio aos soluços compulsivos.
— Meu Deus Amber, isso é muito grave. E o que aconteceu com ele? – perguntei preocupada.
— Está preso, dei queixa dele na polícia junto com meu noivo e na noite seguinte ele foi preso. – ela disse e bebeu um pouco de água.
— Tem algum problema se você dormir aqui hoje? – murmurei inspirando pesado.
— Não, vou só avisar para o Bradon. – ela disse se referindo ao noivo.
O Diogo preparou o jantar enquanto tomávamos banho, eu vesti aqueles pijamas bobinhos e um gorro de gatinho, a Amber vestiu um short de ceda, uma regata branca e um gorro de urso. Descemos e o cheiro da lasanha do Diogo estava por toda a casa, como ela aprendeu isso eu não sei. Sentamos à mesa e começamos a comer.
- Humm, Amber, me conta mais sobre o Bradon. – disse enquanto mastigava a lasanha. Sou muito educada.
— Ele vem de uma família de classe média, o pai tem uma oficina em alguns estados da Inglaterra e ele trabalha na de Bournemouth, aonde a gente se conheceu. A mãe dele é a sogra que eu sempre pedi a Deus. Ela é simpática, linda e muito carinhosa com o Brandon, a Patrice e o Kendal. – vi os olhos dela brilharem e um sorriso bobo se formar nos lábios retos e rosados.
— Humm, ele parece ser legal. Quero que me apresente ele alguma dia desses. – argumentei e ela sorriu novamente.
— Quando vai sair o casório? – o Diogo perguntou e ela deu um gole do café.
— Estamos noivos a seis meses, acho que vai demorar um pouco. Não queremos acelerar nada. – ela murmurou. Logo quando terminamos de jantar resolvemos assistir à um filme de terror, o Diogo fez pipoca e comprou refrigerante, sentamos no sofá. Dividi um cobertor com a Amber que acabou derrubando refrigerante dele me fazendo troca-lo, levamos susto e gritamos juntas, gargalhamos de algumas cenas e dormimos uma abraçada com a outra.
Eu simplesmente vive minha infância novamente, eu sempre assistia filme com a Amber e dividíamos cobertores e dormíamos juntas. Eu estava realmente sentindo a falta daquela garota. Quando acordei cocei a cabeça e bocejei, olhei a Amber que ainda dormia e balancei seu ombro.
- Que horas são? – ela perguntou e logo bocejou.
— Nove e trina. – respondi me levantando do sofá. No chão tinha algumas pipocas e latinhas de refrigerante vazia. Comecei a recolher enquanto a Amber arrumava o sofá.
— Vai sair para algum lugar hoje? – ela disse dobrando o lençol.
— Nã... Na verdade vou sim, quer dizer, vai depender do hospital. É que tem uma garoto que conheci por lá que vai me levar para um piquenique, isso só se ele receber alta. – disse e ela soltou um ‘Uhul’. – Palhaça. – conclui.
Terminamos de arrumar tudo e tomamos café, fiz panquecas, que ficaram um pouco queimadas, e bebemos chocolate quente na xícara do bigode.
- Senhor Andrade, poderia por favor me passar o mel? – a Amber disse com a voz grossa e com a xicara na boca. O bigode nela estava engraçado.
— Claro que sim, Senhor Johnson. – rebate com a voz grossa. Gargalhamos logo depois e o telefone tocou quebrando as risadas e deixando apenas o toque do telefone fazer barulho. Me levantei e caminhei até ele.
- Alô? – disse assim que atendi. – Ah, oi, claro. De que horas? – perguntei. – Esta ótimo, até mais tarde então. Beijos. – disse e desliguei o telefone.
— Quem era? – ela perguntou com a boca cheia de panqueca.
— O Sam. – respondi sorrindo.
— Sam? – ela perguntou franzindo o cenho.
— O garoto que conheci no hospital. Ele tem tumor maligno, tem 20 anos. – respondi e comi meu último pedaço de panqueca.
— Hum, me apresente. – ela disse e eu levei as minhas mãos até a cintura.
— Ele vai passar aqui para me pegar as duas, vai estar aqui? – perguntei.
— O Brandon vai entender. – ela disse e eu balancei a cabeça negativamente.
Depois de tomarmos café, a Amber inventou de escolhermos o “vestido certo” para esse encontro, que era para eu estar maravilhosa para esse dia ser inesquecível. Ela não é nada exagerada. Mas ainda amo-a.
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