Meu Único Amor
1 01 - Aniversário
Notas iniciais
- Você precisa ficar bonita. Vamos Lex, você precisa se animar. – A Carinna falava anotando algo em sua prancheta.
— Como se adiantasse, eu não sou bonita. – Disse e ela negou.
— Pare já com isso, vou mandar a Tinna vim aqui. – Ela disse e saiu cantarolando algo.
Me chamo Alexia de Andrade, tenho 17 anos, moro em Bradford e tenho leucemia desde o ano passado. De família restou apenas meu irmão mais velho, o Diogo de 22 anos, que mal para em casa, esta sempre estudando e trabalhando para me ajudar. A Carinna é uma grande amiga e grande médica que sempre vem me analisar, ver meus batimentos cardíacos, minha preção e essas coisas de médica. E Tinna é a enfermeira que também é minha melhor amiga, ela tem 22 anos e toda louca.
- A Cari me disse que você não quer se arrumar. Levanta essa bunda daí agora. – Ela disse entrando com uma pequena mala.
— Para que essa mala? – Perguntei sentando na cama e me inclinando um pouco para frente.
— Tem umas roupas para você, seu irmão mandou. – Ela disse e eu sorri, ela abriu a mala em cima da cama e logo me entregou uma roupa. – Veste essa e depois vem aqui para eu te maquiar. – Peguei a roupa e me vesti no banheiro perto da recepção, era uma blusa de mangas compridas e tecido mole cinza com um lacinho vermelho na altura do seio esquerdo e uma calça jeans azul justa, voltei para o quarto e haviam várias sombras e batons jogados em minha cama.
— Você vai enfiar isso na minha cara, serio, eu não suporto maquiagem pesada. – Disse sentando na poltrona que havia na sala para visitantes.
— Não, quer dizer, eu iria fazer uma super maquiagem, hiper, mega, ultra bonita mais você não quer então esta bem. – Ela disse e eu sorri abafado.
— Obrigada mesmo Tinna, mais eu prefiro um glos e tudo bem. – Disse e ela sorriu, peguei um lápis de olhos e contornei meu olhos d’água bem de leve, passei de leve um blush alaranjado e um glos com brilho. – Estou pronta! – Falei e ela me olhou.
— Esta linda. – Agradeci e fui com ela para o Jardim do Hospital.
Estamos comemorando o aniversário do Liam que esta fazendo 10 anos hoje, ele tem paralisia cerebral e é um doce de criança. Tocava algo calmo, nada de música eletrônica, nem rock, serviam comidas saldáveis, sucos de frutas e legumes.
Sentei em um pequeno muro perto de um arbusto de flores, olhei ao redor e vi alguém desconhecido, usava uma regata branca, uma calça jeans surrada com uma perna rasgada por conta da bota de gesso que usava, tinha um cilindro azul com dois pontos brancos e um sorriso vermelho. Eu olhei para seus olhos azuis que vieram de encontro ao meu me deixando vermelha e me obrigando a desviar para a Tinna que falava algo para o Liam que sorria. Ela deu um beijo em seu rosto e veio na minha direção.
- Olha só que você estaria perdendo. – Ela disse e sentou ao meu lado.
— Pois é. – Disse e olhei novamente para o garoto que olhava seu dedo contornar a boca do copo de suco de morango. Eu acho que era de morango.
— Ele se chama Sam Muller, tem 20 anos e tem Tumor Maligno. – Ela disse e eu franzi o cenho.
— De quem você esta falando? – Perguntei disfarçando e olhando para uma formiga no meu sapato.
— Haha, a mim você não engana, sei que você estava olhando para o Sam. – Ela falou e cutucou meu braço com o cotovelo. Senti meu rosto esquentar e sorri tímida. Ele tinha cabelos escuros, um topete jogado para o lado esquerdo e um sorriso de ficar excitada. Ele respirou fundo e puxou o cilindro para mais perto dele. – Ele chegou aqui ontem, veio transferido do hospital de Londres. – Ela disse e eu dei um gole no suco de laranja.
— Estou ficando com sono, vou indo dormir. – Disse e desci no pequeno muro.
— Tudo bem, só para lembrar amanhã é sexta e chegarei um pouco tarde. Minha substituta será a Yasmin, pega leve com ela por favor. – Ela disse e eu revirei os olhos.
— Tanto faz. – Acenei e fui pelos corredores silenciosos e calmos do hospital, quando cheguei no meu quarto, tirei meu tênis e me deitei.
Nunca se esqueça, estarei com você sempre que precisar, basta pensar em mim e fechar bem forte os olhos. Imagine um jardim com milhares de flores e eu e você abraçadas.
Era isso que eu pensava, no que minha mãe disse quando estava morrendo, eu tinha 10 anos. Invadiram nossa casa, roubaram tudo, minha mãe estava parada sem reação na cozinha, ela falou algo que não escutei e atiraram nela. Uma lágrima caiu dos meus olhos e uma dor na cabeça, fechei os olhos, imaginei minha mãe e cair no sono.
Fale com o autor