Meu verdadeiro Mundo
2 Capítulo 1: Meu colégio sortudo
Notas iniciais
Capítulo 1: Meu colégio sortudo
Como eu tinha dito, era semana de prova, meu irmão iria hoje e eu estava louca para vê-lo, ele tinha pego dengue, aposto que foi no mato que tem perto de nossa sala, com uma goiabeira de frutos podres pouco antes da porta dupla esverdeada (imaginem onde eu me sento?), ficou uma semana e dois dias sem ir, meu peito se inflamou quando o carro estacionou na esquina da rua sem saída e saímos, Nádia, minha amiga magrela, baixinha e loira; Karen, antipática que alisava os cabelos que um dia foram cacheados; e Diego, moreno e poucos centímetros mais alto que eu (e olha que tenho 1,61 de altura e me orgulho disso).
Tinha tentando estar um pouco mais bonitinha que o normal, passando batom matte e rímel, ficando com os cílios “embonecados”. Descemos a rua sem saída, olhando para a cerca de arame no final desta, que impedia todo aquele matagal de vir em nossa direção. Nádia e eu andávamos de mãos dadas, com ela pouco menor do que eu, talvez com 1,54 animada e sorridente, com as borrachinhas de seu aparelho ortodôntico fixo de metal azuis, sua pele pálida, leitosa e macia corada na parte superior das maçãs do rosto. O dia estava um pouco frio, eu usava uma blusa de mangas xadrez por conta do meu irmão e Nana também tinha entrado nessa onda, não me deixando sozinha por ai com a blusa considerada modinha.
— Arthur! – ela exclamou baixinho ao vê-lo sentado no meio fio, meu coração se inflamou, senti o rubor subir formigando dos meus dedos até as bochechas, eu queria desesperadamente abraçá-lo e me aquecer junto ao corpo dele. (Espera! De onde eu tirei uma ideia imbecil dessas? Afe). Eu subi na calçada e olhei para Nana dando um sorriso forçado, parei nas costas dele e apertei seus ombros não fazendo esforço para me abaixar, ele levantou o rosto e sorriu. (Ah, como eu senti falta disso).
— Cadê o meu abraço? – (ele está aqui ó! Vem pegar) Revirei os olhos e ele se levantou com seus 1,75 de altura bronzeado, me envolveu com os braços longos, passando-os por debaixo da minha mochila e pude sentir seu calor através da fina blusa xadrez e o uniforme de algodão. Fechei os olhos, mas a sensação durou pouco, ele se afastou e reparei em seu rosto afetado pelo frio, com o nariz arrebitado descascando, os lábios rosados ressecados, ele ainda sorria, aquele sorriso de criança que acaba de desfazer a carranca (não me julguem, ele era amável depois que se conhecia, não era nada que sua cara marrenta e biquinho nervoso GRITAVAM ser). Me desviei dele e continuei descendo passando pelos dois degraus que faziam a rampa da garagem dos professores e subi mais adiante a escada que dava acesso ao pátio e aos corredores do colégio, lá estava eu, na Escola Estadual Presidente Dutra.
Localizava-se Avenida José Candido da Silveira, número 2000 e eu estava esperando com uma paciência renovada para que abrissem o portão da prisão para que nos deixassem entrar, estava com uma energia que não sabia de onde vinha (talvez eu soubesse, mas não queria admitir), Nana e eu nos sentamos no chão de granito branco dallas já cheio de fissuras, parecia estar virando pó e tínhamos que tomar cuidado para nos sentar e não nos levantarmos com o traseiro branco. Olhamos para o jardim, com grades verdes novinhas em folha, recém colocadas em volta de duas árvores altas e esguias, quase fechando o caminho que ia a dois bancos de concreto e um tipo de altar com talvez um metro e noventa de altura, com vários nomes e datas pinchados com corretivo, eu mesma já tinha escrito meu nome e o de Nana lá (por que somos rebeldes!).
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