Meu sonho
15 Hey, vamos dançar?
Notas iniciais
Eu e Thomas fomos para pista de dança. Pisquei os olhos e vi meus pais ao nosso lado, era como se eles estivessem nos vigiando. Fala sério! Se eu quisesse mesmo agarrar o Thomas, tinha feito isso há muito tempo, não ia fazer isso em um lugar que tem gente pra burro e na cara dos meus pais. Eles estão pensando o que? Só porque eu ando com a Rosa, não significa que sou ousada igual a ela.
Olhei para mamãe e cruzei os braços. Ela percebeu o que eu quis dizer, então ela puxou o papai pra bem longe. Soltei um suspiro e levei as mãos ao rosto, ajeitei as sobrancelhas e joguei meu cabelo para trás. Thomas começou a rir.
– Está tão nervosa assim? – falou ele colocando as mãos por cima dos lábios para não rir alto.
– HAHAHA, muito engraçadinho. Sou o poço da tranquilidade, meu querido!
– Só quero mesmo ver.
– Não me desafie! – apontei o indicador em seu rosto.
Ele deu um sorriso, pegou em minha mão e disse:
– Desafio aceito!
– O que? Eu não te desafiei em nada e... Quer saber? Vamos acabar com essa brincadeira logo.
Por que eu tenho uma grande boca? Depois que eu disse aquilo, começou a passar música lenta. E em toda música lenta tem aquelas frescuras: olho no olho, os braços da dama em volta do pescoço do cavalheiro, as mãos do cavalheiro perto da cintura da dama, etc e etc. Eu até gosto dessa frescura, mas não sei se eu e o Thomas estamos nesse clima...
– Olívia... Está mesmo à vontade para fazer isso? – Thomas perguntou coçando a cabeça. Estava na cara que ele também estava com vergonha.
– É – olhei para o chão. – Estou... – olhei para ele.
– Tá, tudo bem... É que sou um pouco tímido...
– Thomas... – falei olhando no fundo dos seus olhos – É que... Eu...
– Sim, Olívia?
– Eu... – estava prestes a dizer o que pra mim era loucura. – Eu gost...
– THOMAS!! – falou Lucas, como sempre, me interrompendo.
– Diga, Lucas.
– Meu amigo me chamou para ir em uma partida de futebol amanhã... Eu posso? – ele fez uma cara de cachorrinho sem dono.
Caramba velho, o menino me corta para falar de um jogo? Que ele vá com Jesus!
– Deixo você ir, mas você tem que pedir a permissão da Marjorie e do Gustavo, se eles deixarem, está tranquilo. – Thomas passou a mão nos cabelos no irmão.
Lucas assentiu e foi procurar meus pais. Eu deveria ter ficado irritada com ele, mas eu estou irritada. Pelo menos ele está feliz por ter um amiguinho novo, eu sou mesmo uma tonta.
– O que você dizia, Olívia?
– Ah, não era nada. Acho que eu ia dizer que gosto de morango – que desculpa esfarrapada. – Então...
– Vamos dançar!
Ele colocou as mãos um pouco acima da minha cintura e eu coloquei meus braços em volta do pescoço dele, como manda o script. Era como se nós já estivéssemos feito aquilo outras vezes. Ele não pisou no meu pé e nem eu no dele, estava tocando When You Believe, essa música fazia nossos olhos se encontrarem muitas vezes, por mais que eu olhava em outra direção. A gente ficou se encarando e entrando no clima da música. Quando a música acabou, continuamos sob o encanto. Percebi que eu estava a um fio de beijar Thomas, me afastei depressa.
– Foi legal dançar com você... Acho que está na hora de voltarmos para a mesa, isso me deu um pouco de tontura – uma mentira tão deslavada, não estava com tontura, só não queria ficar ali pra ver o que ia rolar. – O-obrigado.
– Foi bom dançar com você também, e não precisa agradecer – ele olhou para cima e fez uma cara de pensativo. – Sabe, na verdade pode sim. Não é todo dia que alguém tem esse prazer de dançar comigo.
Levantei uma das sobrancelhas e falei:
– Abaixa essa bola, convencido! Deu sorte, hoje eu estou tão tranquila que nem liguei do fato de estar dançando com outro cara que não seja meu marido.
– Que marido? Ah, tá, o Iago Arranje-me-o-mel.
– É Iago Rangel, para sua informação. Não sabia que você era do tipo que gostava de pimenta.
– O que você quer dizer com isso?
– Aquela sua namoradinha tem um fogo danado!!!
– Está com ciúmes?
– NÃO ESTOU! POR MIM QUE VOCÊS SE CASEM, VÃO PARA A TAILÂNDIA E TENHAM QUATRO FILHOS!
Estava explícito meu nível de ciúmes, portanto, eu fui em direção a mesa e deixei ele lá com a boca aberta, só avisei pra fechar, vai que entra algum mosquito, nunca se sabe.
Ficamos calados um bom tempo. Não consigo tirar da cabeça a imagem daquele lindo rosto quase colado com o meu. Que ponto eu cheguei? Não quero gostar do Thomas, não estou preparada para isso. Queria poder fugir, ir para um lugar onde todos iam me entender, entender o motivo... Não sei nem se estou mais apaixonada pelo Iago, ou se estou por esse loiro que está na minha frente me olhando e se perguntando: “O que será que ela está pensando?”, então eu penso em dizer: “Em você, meu filho!”. Vou tomar mais refri.... Vou ver se afasto esses pensamentos.
Meus pais chegaram e pediram a conta. Dentro do carro, até que foi divertido, pois meu pai contava umas piadas e fazia alguns comentários que eu rolava de rir. Em meio a sorrisos, eu me pegava olhando para Thomas e quando ele olhava de volta, eu virava o rosto.
Ao chegar em casa, eu tinha um papo sério pra trocar com minha cama. Meus olhos estavam inchados, era como se tivesse bebido todas, e realmente bebi todas... Todas as taças de refrigerante que eu consegui. Thomas estava feliz, dava para perceber, tanto que me puxou pra dançar ali no quarto mesmo e começou a cantar Pose (música dos Engenheiros do Hawaii). Não resisti e comecei a cantar também, é uma das minhas músicas preferidas... Caramba, Thomas, como acertou essa?
Depois de cantar e dançar, nós dois caímos na cama (literalmente), começamos a rir e cantar outras músicas como Anna Júlia, Me adora e Vilarejo. A noite estava espetacular, até que...
– Vocês dois, parem de cantar! Eu, Lucas e o pai da Olívia queremos dormir. Amanhã vocês fazem um dueto, montam uma banda e sei lá, vão dormir! – disse minha mãe com os bobs na cabeça.
Balançamos a cabeça e cada um foi deitar em sua cama. Minha mãe desligou o interruptor e deixou a porta aberta.
– Boa noite, dona cantora! – Thomas falou baixinho.
– Boa noite, cantor de chuveiro!
Fim do capítulo 15.
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