Meu sonho
24 Estarei com você nas horas boas e ruins
Notas iniciais

Eu estava não muito longe de Olívia e Iago. Estava sozinho, afinal, Thalia estava com Marcelo e se eu ficasse entre os dois, ia atrapalhar novamente. Rosa estava na biblioteca lendo seu livro, eu iria ser apenas um peso morto para ela, pois ela não me daria atenção. Maria Cecília havia faltado, e eu não havia digerido sobre o que acontecera conosco ontem.
Enquanto tomava meu achocolatado, observava Olívia com Iago. Não sabia muito bem o que estava se passando, mas não parecia algo muito bom. Meu corpo estava se contorcendo para ir lá, minha mente já dizia para eu ficar na minha, já causei muitos problemas e Olívia iria ficar muito chateada comigo se eu intrometesse na conversa alheia. Portanto, passava apenas o olho algumas vezes.
– Uma aposta? V-Você está comigo por causa de uma aposta? – ouvi Olívia gritar. Então era isso. Iago estava apenas usando ela.
Ao ouvir aquilo, senti vontade de dar na cara daquele canalha. Entretanto, nem precisei, dei um sorriso de canto quando vi Olívia dando um tapa na cara dele, o estalo foi uma música para meus ouvidos.
Será que agora eu poderia entrar no meio? Deveria esperar? Pensei um pouco e quis que Olívia tomasse as rédeas.
Não conseguia escutar perfeitamente o que eles estavam dizendo, a conversa foi dada por encerrada quando vi Olívia virando as costas e saindo. Esperei ela sumir de vista para tomar minha atitude.
– Iago? – falei quando cheguei perto dele.
– O que foi?
Dei um soco na cara dele, o mesmo caiu no chão, parecia não aguentar mais nada.
– Se você chegar perto da Olívia de novo – eu falei apontando um dedo para cara dele. Meu sangue estava fervendo. — Eu...
– Você não faz nada! Acha que eu tenho medo de você? – disse Iago ainda no chão.
– Você está certo, não irei fazer nada, não vale a pena gastar esforço físico diante de um cara sem caráter. Merece todo o desgosto que a Olívia vai ter por você. Você era o herói dela, o cara que ela mais admirava. Você destruiu o coração dela!
– Cai na real, cara! Não vem dar uma de apaixonado. Eu vou tentar de tudo para reconquistar a Olívia, e sabe por que? Porque eu gosto dela, e não quero você no meu caminho.
– Não estou aqui para competir com você, as escolhas são dela.
– E acha que ela vai escolher quem? Um vizinho que ela conhece a poucas semanas ou um garoto que ela gostou por 1 ano?
– Um cara que ama até os defeitos dela. Alguém que não irá fazer ela de objeto.
Dei as costas e fui procurar ela. Corri igual um louco atrás dela, sabia que nesse momento ela estava na beira do sofrimento. Ela podia não gostar tanto dele como antes, mas seria difícil esquecer ele o que ele fizera.
Passeei por toda escola. Coloquei minha cabeça para funcionar. Onde estaria uma garota em lágrimas? Sim, em um local isolado. Mas onde ficaria esse local?
– Mais tarde vamos comigo na secretaria? – disse uma menina a outra enquanto eu estava passando.
Bingo! Não conhecia bem a escola, mas sabia que ela estava naquele corredor. Fui o mais rápido que podia, cada segundo era um tempo desperdiçado.
Pisei os pés no corredor e lá estava ela, encolhida. Cheguei mais perto e passei a mão em seus cabelos. Ela levantou a cabeça, seus olhos estavam um pouco inchados, seu rosto estava molhado, certamente passara esses minutos chorando. Quando ela me viu, seus olhos encheram de lágrimas.
– Thomaas!!! – ela se levantou e me abraçou. Abracei ela colocando as mãos apoiadas em sua cabeça, e acariciando seus cabelos.
Eu sentia o cheiro doce que vinha de seu cabelo. Senti raiva e inveja de Iago por já ter sentido aquele aroma, um aroma só da Olívia.
– Calma, eu estou aqui – falei no seu ouvido.
– E-Ele – ela tentou falar. Estava soluçando.
– Não, não diga nada...
Encostei ela no peito e nos encostamos na parede, ela continuava me abraçando.
O sinal para o fim do intervalo soou. Olívia já não chorava mais. Ela me olhou e eu enxuguei as últimas lágrimas que caía de seu rosto. Me lembrei que agora seria aula de Educação Física.
– Vamos ficar aqui até o próximo horário, você nunca faz nada na Educação Física... – falei.
Ela deu um sorriso, aqueles olhinhos fundos...
Nos sentamos ali mesmo, não tinha ninguém pois, a secretaria só ia abrir no último horário.
– Thomas... – balbuciou Olívia.
– Hm?
– O-Obrigado...
– Obrigado? – estranhei.
– Sim... Eu não te ouvi, fui teimosa. Você esteve ao meu lado todo esse tempo e o que fiz foi passar por cima de você.
Olívia está reconhecendo seus erros, não a culpo por nada. Também já havia passado por cima da palavra de um amigo, e esse amigo era meu irmão.
Flash Back:
– Thomas, não entende que ela não quer nada com você? – disse Lucas.
– Lucas, você é muito novo para falar coisas desse tipo comigo...
– Eu vi... Thomas, você é meu irmão, eu não iria mentir algo assim para você...
– Gabriela já terminou com aquele cara! Eu entendo que você não gosta dela, mas inventar uma mentira dessas?
Naquele dia, não queria acreditar em meu irmão. Gabriela havia me traído. Quem ia desconfiar de uma menina doce como ela? Porém eu também fui culpado, fiquei com ela sabendo do seu ex-namorado e o quanto ela amava ele. Eu gostava dela, gostava muito, não cheguei a amar mas sentia algo por ela. Por isso, no dia que eu estava jogando com as amigas da Olívia, não quis contar isso, fingi que foi a distância que tinha nos separado, apesar que ela também foi um dos fatores. Me lembro disso e me dá um nó na garganta. Relacionei isso com o acontecido da Olívia pois ambos fomos enganados, entendo o que ela sofre.
– Não se culpe... Você gosta muito dele – falei.
– Thomas... Deixei de gostar do Iago com o passar dos dias...
– Mas – eu ainda não entendia. – Por que estava com ele?
– Porque – ela ficou vermelha. – Senti que estava a ponto de perder você para Maria.
Eu estava ficando surdo ou quê? Olívia estava com ciúmes...
– Mesmo que Iago tenha queimado todos os meus sonhos, eles estavam no passado. Nem eu sabia o real motivo de estar com ele. Chorei por raiva, por 1 ano perdido. Eu ficaria mais feliz se ele tivesse me ignorado do que...
– Do que está no meio de uma aposta.
– Então você já sabe – ela falou triste.
Abracei ela novamente e falei:
– Sei porque você grita muito...
Ela me deu um soco e eu dei um sorriso.
– Mas isso tem uma parte boa – disse ela.
– Qual? – indaguei.
– Posso falar o que eu queria te falar no dia que você me viu beijando ele. O que eu queria te falar ontem e hoje, mas fui uma covarde.
Ela se soltou dos meus braços e olhou me olhou diretamente.
– Eu amo você, Thomas.
Fim do capítulo 24.
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