Meu sonho
27 Amor, bolinhos e pizza
Notas iniciais
Peguei Thomas pelo braço e fiquei na frente de Thalia enquanto ela beijava o Marcelinho.
– Já pararam com essa pouca vergonha? – falei com os braços cruzados.
Thalia ficou vermelha e o Marcelo constrangido. Só lamento!
– Não precisam ficar com vergonha... Queria só encher a paciência de vocês!! – dei uma piscadela.
– Cadê a Rosa? – perguntou Thalia.
– Encontrou um boy magia e sumiu pelo shopping. Aquela lá, não dorme no ponto.
– O que você disse, Olívia? – Rosa apareceu no meio do nada e falou aquilo. Menina ninja!
– N-Nada, Rosa... – gaguejei e fui para perto de Thomas. – N-Não vai apresentar seu amigo??
Rosa semicerrou os olhos e empurrou o garoto.
– Ele tem boca – ela apontou para a boca de Rafael. – Meu filho, está esperando um convite formal para se apresentar?? Não tenho o tempo todo – ela arqueou as sobrancelhas.
Rafael tinha pele clara, mas não tão clara igual da Thalia. Seu cabelo era preto e bem cortado, seus olhos também eram negros. Ele tinha um aspecto de sedutor e durão.
– Calma, você é muito apressada – ele deu batidas leves na cabeça dela, a mesma tirou sua mão. – Sou o Rafael. Encontrei com Rosa no fliperama aqui do shopping e ela me deve quatro fichas – ele fez a quantidade de fichas com a mão direita. – E quem são vocês?
Lancei um olhar malicioso para Rosa que me retribuiu com um dedo do meio. Tão ousada essa garota.
Estiquei a mão para cumprimentar o novo integrante do bonde.
– Me chamo Olívia – puxei Thomas para perto. – E esse é...
– Thomas – Thomas havia me cortado.
– Odeio quando você faz isso – dei um sorriso falso.
– Eu me chamo Thalia – ela apertou a mão de Rafael.
– Rafael? – disse Marcelo. O que? Como assim? Marcelo conhece Rafael? – Rafael, você está tão...
– Diferente? – Rafael sorriu. – Há muito tempo que eu não te vejo, Marcelo.
Todos fizeram um grande “O” com a boca, inclusive eu. Eu não creio que esse viciado em jogos conhece o cara mais culto.
– Vocês se conhecem? – Thalia falou em disparada.
– É... Ele era do meu curso – falou Marcelo.
– Perdemos o contato assim que tive que sair do país por um tempo – o menino além de conhecer o Marcelo, já foi em outros países. Rosa, vai fundo, ele é rico.
Marcelo deu um sorriso e abraçou o antigo companheiro de classe. Eles ficaram conversando sobre a viagem que Rafael fez até a Inglaterra e sobre as coisas do curso. Bom, eu, Thomas e minhas amigas estavam boiando, até que eles caíram na real.
– Mas – começou Rafael. – Você está namorando? – ele perguntou para Marcelo.
– Quase – ele sorriu para Thalia. Ela virou o rosto de vergonha.
– Você está aqui sozinho? – perguntou Thomas.
– Ah, eu estava com meu primo mas...
– Mas eu mandei ele ir pastar e ele ficou com raiva. Esses riquinhos são frescos! – Rosa falou.
– O que você fez com o garoto, menina? – perguntei. Deve ter ameaçado o garoto com o estilete.
– Apenas falei que ele era um cagão por não querer competir comigo – ela cruzou os braços.
Rafael deu um sorriso e confirmou que o menino era mesmo um cagão.
Falei com o pessoal que não aguentava ficar em pé e parada no meio da praça de alimentação, então sugeri que déssemos uma volta, só de zoa.
Marcelo entrelaçou sua mão com a de Thalia, Rafael e Rosa começaram a conversar sobre o maldito joguinho online que Rosa jogava, o qual ela conheceu o Breno. Eu e Thomas... Bem...
– Sabe quando sua mãe faz pão de queijo mas você só pode comer um? – eu disse e Thomas assentiu. – Então, quando ela não estiver vendo, você esconde eles dentro de uma vasilha e coloca no seu quarto. Qualquer coisa, culpe o cachorro!!
– Nossa, que fora da lei você, heim?! Vamos andar juntos no recreio? – ele gargalhou.
– Claro, parceiro – fiz dois positivos com cada mão.
– Coitado do Dandi... Já deve ter apanhado por sua culpa – ele bagunçou meu cabelo. Regra número 2 sobre mim: não bagunce meu cabelo quando ele estiver cacheado. Baguncei o dele também, mas não teve muita graça pois é liso.
– Não, ué. Falei que foi o gato do nosso vizinho.
– Que vizinho? – Thomas fingiu armar um soco.
– Não, eu digo do bichano sabe? – dei uma risada e um beijo na bochecha dele.
Ficamos andando para lá e para cá. Pisando nossos pezinhos em cada parte daquele shopping, até que decidimos ir para o 3º piso; o piso mais caro daquele shopping. A única pessoa que tinha condições para ficar naquele local era o Rafael, mas ele insistiu em comprar um cupcake.
Entramos na loja e meus olhos até doíam de tão colorido que aquele lugar era. Corri igual uma menininha que amava o colorido. Chamei Thomas para ir comigo mas ele se recusou friamente e ficou me observando. Eu olhava cada bolinho me imaginava trancada lá dentro... Um sonho não realizado, infelizmente.
– Olá! Desejam algum dos nossos bolinhos? – disse um cara lindo.
Rosa se aproximou de mim e disse baixinho:
– Você é meu desejo, gatão!
Dei uma risadinha e falei que ela era louca.
Rafael chegou perto da bancada e os dois bateram as mãos como dois manos.
– Galera, esse aqui é o Miguel, meu irmão mais novo – cara, em cada pedaço desse shopping o Rafael tem um parente. – Então, hoje os pedidos são por minha conta.
Miguel e Rafael, parece dupla sertaneja. Fico impressionada com a criatividade dessas mães; Lucas e Thomas, Miguel e Rafael. Não merece meu mérito. Quando eu tiver filhos, não vou fazer essa bobagem de colocar essa combinação.
Voltando aos bolinhos. Eu saí percorrendo a lojinha à procura de um que em agradasse.
– Baunilha, chocolate ou doce de leite? – falei alto enquanto olhava para alguns pedacinhos de paraíso.
– Quer ajuda? – Miguel deu me deu um sorriso.
– Até que enfim alguém que entende do assunto – olhei com cara feia para Thomas. Ora, ele deveria estar escolhendo comigo.
– Esse aqui é de chocolate com morango – ele me mostrava.
– Qual sua preferência? – perguntei.
– Este ali – ele apontou o dedo para um e foi pegá-lo. – Ele é de doce de leite com chantilly – Miguel tirou uma parte da capinha que envolvia o bolinho e falou para eu abrir a boca.
Quando eu abri a boca, Thomas chegou na hora.
– Obrigada, Miguel, mas se encarregue de atender os outros, dela cuido eu – falou Thomas.
Que idiota. Ele não vem me ajudar mas recusa que os outros me ajudem.
– Thomas Ferreira – cruzei os braços. Quando alguém chama você por segundo nome, se prepara que é surra. – Que teatrinho foi aquele bem na minha frente? Ganhamos bolinhos de graça e você trata mal o dono da loja?
– Você viu como ele foi oferecido?
– Dã! Mas é claro, ele é o dono!!! O que ele fez de tão errado além de querer me dar um bolinho?
– Ele ia colocar o cupcake na sua boca!
– Nossa, que isso heim fera! Depois disso ele ia me beijar, casar comigo e ter 4 filhos. Caí na real, Thomas! Você já tem idade suficiente para não ter ciúmes de coisas desse tipo.
Thalia colocou a mão no meu ombro.
– Deixem a briga para mais tarde – ela lançou um olhar sério para Thomas. – Vamos comer Olívia, é de graça! – ela me acompanhou até o balcão. – À propósito, Thomas – Thalia se virou. – Fique de olhos bem abertos com essa mocinha, se deixar, ela come todos os doces que ver na frente.
– Thalia!!! Está de qual lado? – falei olhando para ela sem entender.
– Nenhum! Apenas quero comer o bolinho, então vocês dois parem com essa briguinha ridícula porque hoje eu estou sensível.
Digamos que não tem nada a ver ela está sensível com a nossa “briguinha”, mas vamos relevar a situação da minha amiguinha.
Fiquei olhando para os bolinhos e estava pintando um clima entre nós, quando eu já sabia qual iria escolher, Thomas chegou ao meu lado.
– Já saiu desse estresse pós-ciúmes? – continuei olhando para meus amorzinhos.
Ele fechou os olhos e suspirou.
– Estou tranquilo – chegou mais perto de mim. – Já escolheu o seu. – assenti. – E qual é?
– Chocolate com esse recheio tipo brigadeiro e esse chantilly por cima. E você escolheu o seu?
– Ali diz que é de baunilha com morango. Não sei se é bom mas será esse mesmo.
Pedi para Miguel pegar o meu cupcake e o de Thomas. Nós sentamos em uma mesinha fofinha que tinha nessa loja. Logo em seguida, as meninas e os meninos sentaram-se conosco.
– Nossa, Marcelo, seu amigo é demais... Valeu mesmo por esses pedaços de sonhos, Rafael– falei com a boca cheia.
– Concordo. Você tem bom coração – Thalia falou.
– Parem de puxar o saco do menino pois ele não vai dar mais nenhum bolinho grátis!!! – Rosa falou.
– Menos, querida, Menos! – eu disse.
Quando Thomas comeu o seu bolinho, ele sujou uma parte da sua bochecha com um pouco de recheio de baunilha. Eu, como uma ótima menina e ótima vizinha, peguei o guardanapo e limpei.
As meninas ficaram observando.
– Ai, que fofo! – disse Thalia.
– Fofo nada, isso é muito meloso! Por favor, parem! – Rosa sendo Rosa.
– Uai, posso nem limpar meu benzinho? – falei brincando. Obviamente eu não ia chamar ele de benzinho.
Marcelo colocou um pouco de chantilly no nariz de Thalia, ela começou a rir e fez o mesmo.
Rafael se sujou de propósito.
– Rosa – ela olhou para ele. – Poderia limpar? – ele já estava com o guardanapo na mão.
– Eu não! Você tem duas mãos. Não ache que sou sua empregada, acabamos de nos conhecer. – Rosa sendo Rosa, parte 2.
Quando acabamos de comer, nos despedimos de Miguel e seguimos em direção ao ponto de ônibus. Dessa vez, Thomas pegou minha mão, e Rafael conseguiu domar Rosa... Talvez por enquanto.
Senti meu celular vibrando no meu bolso, era minha mãe. Retornei a ligação.
– Oi, mamãe... – eu disse.
– Menina, sabe que horas são? – ela respondeu do outro lado da linha.
– Hora de aventura!!!
– Olívia, eu não estou brincando! Mais uma piadinha e eu corto sua mesada!
– Mas mamãe, eu não ganho mesada...
– Vai ganhar uma na cabeça se não me disser onde está!
– Calma! Estou com o Thomas e umas amigas no shopping... Acho que eu esqueci de te falar. Enfim, por que está tão preocupada? Estar com Thomas não é a mesma coisa que estar com Deus, na sua opinião?
– Eu sei mas... E se algo acontecer com esse menino? O que eu vou dizer para a mãe dele? Estar com você é a mesma coisa que pular de um avião só que sem paraquedas.
Dei um suspiro e olhei para Thomas.
– Mamãe, você está exagerando. Thomas está bem, quer ver?
Passei o celular para Thomas e ele começou a conversar com minha mãe.
– Está tudo bem, Marjorie – ele dizia. – Tudo Bem. Ok. Tá. Sim. Beijos – ele me devolveu o celular.
– O que ela disse? – perguntei.
– Perguntou se eu estava bem e ficou fazendo a mesma pergunta várias vezes – ele sorriu.
– A minha mãe deve estar preocupada comigo... Estou de uniforme e com uma mochila muito pesada e são quase 16:00 horas – Thalia desabafou.
– Vocês querem que eu chame um táxi? – perguntou Rafael. Querido, táxi ia sair muito caro.
– Está tudo bem, vamos pegar o bus mesmo – Thalia respondeu.
– Você poderia levar nós de carro – disse Rosa. Nós conhecemos o garoto hoje, por mais que ele é um antigo amigo de Marcelo, não devemos aproveitar dele, e nem sabemos se ele tem carteira de motorista ou um carro.
– Haha – ele riu. Tadinho, Rosa deixa ele envergonhado. – Tenho 17 anos ainda, ou seja...
– Mas que droga! Se eu fosse você, já tinha descolado uma carteira falsa – ela sorriu.
Conversa vai e conversa vem até que o ônibus que Thalia pega chegou. Ela ia ir sem dar uns beijinhos no Marcelo, porém ele foi mais esperto, puxou ela e lascou um beijo daqueles.
Rosa também poderia pegar aquele ônibus. Acho que ela queria ficar mais um pouco e não deixar aquele peixe que ela pescou no fliperama escapar.
– Por que você não estuda onde estudamos, Rafael? – perguntou Marcelo.
– Por enquanto estou gostando da minha escola, mas depende como as coisas irão fluir... – ele olhou para Rosa.
Meu ônibus e de Thomas havia chegado. Despedimos do povo e entramos nele.
Dessa vez, Thomas sentou perto da janela.
– Você não é nada cavalheiro!!
– E você não é nenhuma dama.
Tirei meu celular e o fone da mochila. Coloquei um fone no ouvido e Thomas pegou o outro. Ficamos só ouvindo músicas até chegarmos em casa.
Quando chegamos, mamãe tinha comparado pães. Lucas me abraçou como sempre e fio conversar com Thomas.
Quando a noite caiu, me lembrei que tinha filmes no quarto dos meus pais. Peguei os alguns e pedi para Lucas escolhesse um. Ele escolheu cinco. Decidi fazer uma maratona de filmes, Thomas até entrou no embalo. Fomos dormir por volta de meia-noite.
No outro dia- Escola; 7:02 –
– Bom dia, meninas! – falei morrendo de sono.
– Que animação, Olívia... O que houve? – perguntou Thalia.
– Inventei de ver filme com o irmão do Thomas e me dei mal.
Rosa estava sentada na escada olhando para o nada. Eu e Thalia fomos até ela.
– Rosa, ele volta... – Thalia falou.
– Que mané voltar, foi só um lance.
– Ah, é! Me conta o que aconteceu entre você e o fulaninho depois que eu fui embora – perguntou Thalia.
– Muitas coisas... principalmente quando só ficamos eu ele no ponto.
– Conta, mulher!!! – eu estava me contorcendo de curiosidade.
– Ok – ela suspirou. – Ele me beijou, eu me soltei e dei um tapa nele, mas depois voltei a beijar ele.
A Rosa ama dar tapas em seus pretendentes.
– AAAAH QUE FOFO!!! – eu gritei.
– Está louca, mulher? Se controle!!! – Rosa disse.
– Ah, Rosa, que bonitinho!!! Eu sabia que você ia dar um beijo nele a qualquer momento, estava escrito na sua cara.
– No começo eu banquei a difícil, mas depois eu cedi. Nossas línguas lutavam por espaço, nos soltamos pela falta de ar!! – Rosa deu os detalhes eu eu acho completamente desnecessário.
– E ele percorreu todo canto da sua boca? – Thalia caiu na risada e eu também.
– Mas você passou seu número para ele? – perguntei.
– Não, vai que ele é um golpista? Ele me só adicionou no Facebook e sabe onde estudamos por causa do Marcelo.
– Rosa, eu conversei com o Marcelo e ele me disse que ele é gente boa, já até foi na casa dele. Acho que quanto a isso, você não deveria ficar preocupada – disse Thalia.
– É, a Thalia tem razão! Se o namoradinho dela falou, está falado! Você sempre quis um cara rico que te sustentasse...
Entramos para sala e fomos assistir a aula.
No intervalo, fomos surpreendidas com uma coisa: Rafael havia levado pizza para nós. Claro que ele não entrou na escola, ele entregou para Marcelo na porta da escola, sem contar que a pizza é uma das melhores da região.
Eu, Thomas, Marcelo e as meninas nos sentamos em um lugar isolado e fomos saborear aquela pizza. Amo meu cunhado.
Fim do capítulo 27.
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