Meu querido sonâmbulo 2

27 Minha querida mentira


Notas iniciais
Cheguei (e até que nem demorei tanto, né?) com um capítulo que simplesmente GRITA o clichê "o começo do fim". Porque o fim de alguém está próximo, mas de quem será rssss? Boa leitura!

Obviamente, apesar de um plano minimamente calculado por Taehyung, o policial e Namjoon não puderam permanecer por muito tempo naquela clareira. Taehyung apenas disse o que achava que precisava ser dito em voz alta para o fugitivo que havia ajudado e, em seguida, os dois partiram mata adiante antes que alguém pudesse encontrá-los. Caminharam um pouco menos do que aquilo que já haviam percorrido para chegar na tal clareira e, durante todo o percurso, Namjoon não sentiu em nenhum momento a necessidade de questionar para aonde os dois estavam indo — afinal, apesar dos pesares, confiava em Taehyung e na sua palavra de que estava fazendo tudo aquilo pela irmã. Minutos depois, os dois tinham atravessado a mata até uma outra rodovia, onde os carros percorriam o sentido oposto àquela pela qual o Kim mais novo tinha fugido com o furgão da polícia. Já na beira da estrada, Namjoon finalmente franziu os cenhos e resolveu se pronunciar.

— Nós vamos voltar? — perguntou, confuso.

— Óbvio. — o policial respondeu e começou a remexer nos bolsos dianteiros da sua calça. — Até alguém finalmente considerar a possibilidade de que nós poderíamos ter feito o caminho de volta ao invés de fugir em linha reta ou nos escondermos, nós já estaremos bem longe daqui.

Os irmãos Kim nunca paravam de surpreender Namjoon. Era como se os dois fossem personagens heroicos de algum livro de ação, daqueles que sempre pensavam em tudo e estavam a, no mínimo, três passos na frente do restante do elenco. Pelo o que o Kim tinha entendido, Shinhye havia previsto que tanto o Juiz Song quanto o Promotor Lee não eram nem um pouco confiáveis e, por isso, havia pensado em todo aquele plano de fuga. Depois disso, Taehyung o esquematizara com aparente perfeição e, até então, não havia sequer sinal de alguém os procurando ou perseguindo.

Pensando nisso, quando fez a próxima pergunta para o Kim mais novo, Namjoon não esperava menos do que uma resposta certeira e já pronta na ponta da língua do outro.

— E como nós vamos fazer isso? — ele questionou se referindo a todo aquele trajeto de volta que tinham para percorrer.

Ao mesmo tempo em que a pergunta foi feita, Taehyung conseguiu encontrar no bolso direito o que tanto procurava: chaves. Sacou do mesmo uma chave de um veículo acompanhada de uma caixinha de alarme e, quando ergueu a mesma e apertou um botão, um rápido barulho de um carro se destrancando se fez presente. Pego de surpresa, Namjoon olhou para trás, na direção de onde parecia ter vindo o som, e em poucos metros atrás de si encontrou um carro preto de uma linha popular.

Taehyung havia mesmo pensado em tudo.

Sem mais questionamentos, o Kim mais velho apenas seguiu o policial até o veículo, embarcando do lado do passageiro. O carro possuía janelas bem escuras e, por isso, quem os visse de fora enxergaria no máximo dois vultos, nada mais nítido ou específico do que aquilo. Taehyung apertou o cinto de segurança e pediu para que Namjoon fizesse o mesmo, afinal, eles não sabiam o que os esperava dali em diante.

Acelerou.

— Você tem alguma ideia de onde Min Yoongi possa estar? — Taehyung indagou quando já estavam na estrada. Andava colado ao limite de velocidade permitida naquela rodovia, mas era justamente aquilo que o camuflava tão bem no meio dos outros carros. — Eu estive no apartamento de vocês hoje de manhã e ninguém soube me dizer nada sobre ele, apenas uma moradora do outro lado da rua que disse que achava que ele não tinha voltado para casa na noite passada. Tudo indica que ele se escondeu depois do atentado ao juiz.

Namjoon se forçou a pensar em algo, mas nada certo parecia surgir em sua mente. Ainda que fossem amigos de longa data e morassem juntos, ele e Yoongi tinham vidas bastante reservadas e muito raramente sabiam sobre a rotina no geral um do outro — ou pelo menos era o que Namjoon achava, claro, considerando que o Min Yoongi com quem tinha convivido todo aquele tempo não existia realmente. Na verdade, Namjoon sequer conhecia a pessoa com quem dividia o teto.

— Pode ser um palpite meio estúpido, mas... — o Kim mais velho iniciou, ainda pensativo. — Você tentou no trabalho dele?

— Se ele nem em casa apareceu, por que iria trabalhar? — Taehyung rebateu, precisando se segurar para não concordar verbalmente com Namjoon sobre o quanto aquilo soava estúpido.

— É difícil de explicar, mas o Yoongi tem essa relação bem peculiar com o emprego dele no geral. — o mais velho respondeu. — Eu lembro que ele vivia reclamando sobre o quão tirano o chefe dele era e que, se não precisasse de dinheiro, já teria pedido demissão há muito tempo. Mas, ao mesmo tempo, eu nunca o vi procurando trabalho em nenhum outro lugar.

— Você está querendo dizer que ele gosta de ser tratado feito um capacho? — Taehyung questionou e ergueu uma sobrancelha.

— Talvez. Ou talvez ele tenha algum tipo de apego com esse emprego, eu não sei. — Namjoon respondeu um tanto frustrado, já que aquela era a única possibilidade na qual ele tinha sido capaz de pensar. — Eu só sei que essas ideias meio distorcidas parecem ter a ver com ele, não?

Taehyung pensou naquilo em silêncio por um breve momento.

— Um psicopata e ideias distorcidas? — o mais novo disse em voz alta, porém, parecia estar falando mais consigo mesmo do que com o próprio Namjoon. — Bem, vale a pena tentar.

Assim, ainda que aquele fosse um belo exemplo de um tiro no escuro, os dois seguiram caminho de volta para Seul — afinal, era o único tiro que eles tinham para dar até então. O caminho fora consideravelmente silencioso, além de pacífico devido ao fato de que ainda não havia dezenas de viaturas policiais os perseguindo. Dado um certo momento, porém, quando os dois já percorriam as ruas da agitada capital em direção ao trabalho de Yoongi, o celular de Taehyung tocou e exibiu o nome do Promotor Lee na tela.

O Kim mais novo bufou.

— Descobriram sobre a gente. — anunciou sem muito ânimo e, logo em seguida, atendeu à chamada. Ao seu lado, Namjoon arregalou os olhos sentindo toda a apreensão que o próprio Taehyung deveria estar sentindo naquele momento. — Sim, Promotor Lee.

— Onde está Kim Namjoon? — o homem foi curto e grosso ao questionar do outro lado da linha.

Instintivamente, Taehyung ergueu o canto da boca num mínimo sorriso irônico e vitorioso. Detestava aquele homem tanto quanto Shinhye, então, ficava extremamente satisfeito ao ouvi-lo tão irritado.

— Na delegacia, oras. — o mais novo respondeu, simples. — Era esse o acordo, não era?

Uma respiração profunda foi ouvida, provavelmente Jihoon na sua tentativa de não demonstrar para quem quer que estivesse ao seu redor o nítido fato de que ele não tinha mais o menor controle daquela situação.

— Eu sei que você e a sua irmã estão envolvidos nisso. — rosnou. — Se eu colocar as minhas mãos em vocês, eu juro que...

— Eu não colocaria as mãos na minha irmã se eu fosse você, Lee Jihoon. — Taehyung o interrompeu e, de repente, a sua voz estava alguns bons tons mais séria. Parou em um sinal vermelho. — Se você o fizer, além de ter que lidar comigo, vai ter que lidar também com ela mesma... E você já percebeu do que nós dois somos capazes quando agimos juntos, não é mesmo?

Alguns segundos de silêncio. Do outro lado da linha, Lee Jihoon via o seu próprio plano se desmanchando nas suas mãos enquanto as mesmas estavam ridiculamente atadas.

— Eu quero você de volta na delegacia. Agora. — o promotor ordenou. — Caso contrário, eu mandarei todas as viaturas desse lugar atrás de você.

E o que, exatamente, essas viaturas rastreariam?

Taehyung quis questioná-lo verbalmente, mas achou que já havia passado da hora de encerrar aquela ligação.

— Não precisar se dar a esse trabalho todo, eu já estou voltando. — respondeu e, logo em seguida, encerrou a chamada sem nenhum tipo de despedida desnecessária. Quando o sinal finalmente abriu, ele desligou o seu aparelho celular e o lançou no banco de trás do veículo. — Boa sorte em rastrear isso, Lee Jihoon.

— O promotor já sabe que eu escapei? — Namjoon questionou, aflito. Tinha prendido a respiração durante toda a duração daquela ligação, como se Jihoon fosse capaz de ouvi-lo do outro lado da linha. — Ele sabe que foi você quem me ajudou?

— Ele pode ser um ser humano desprezível, mas não é idiota. Ele sabe. — Taehyung respondeu e continuou seguindo as instruções do GPS. De acordo com o aparelho, eles já estavam na quadra certa. — Só vai precisar trabalhar dobrado se quiser provar que eu realmente tive alguma coisa a ver com a sua fuga.

Aquilo não acalmava muito o Kim mais velho, porém, quando os dois se depararam com a imensa faixada envidraçada do Laboratório Holdings, o foco da conversa mudou completamente. Taehyung estacionou o veículo preto do outro lado da rua e a alguns bons metros de distância da entrada do local e virou a chave, desligando o motor.

— Nós devemos ter pouco mais de meia hora até que o Jihoon acione todas as viaturas dessa cidade atrás de nós dois, então eu realmente espero que Min Yoongi seja louco o suficiente para ter vindo trabalhar como se nada tivesse acontecido ontem à noite. — o Kim mais novo comentou e soltou o seu cinto de segurança. Virou-se para Namjoon. — Você fica aqui enquanto eu vou lá perguntar por ele.

— Eu não acho que isso vai ser necessário. — Namjoon comentou e ergueu o indicador na direção do prédio do laboratório.

Da porta principal do mesmo, saía um Min Yoongi coberto por roupas pretas e que olhava para trás a cada dois segundos, como se estivesse preocupado em estar sendo seguido ou algo do tipo. Pela primeira vez em um bom tempo, Taehyung arregalou os olhos em surpresa.

— Ele é louco. — o policial comentou em voz alta, seguindo o Min com os olhos.

— O que eu faço agora? — Namjoon logo questionou, afinal, eles não tinham muito tempo a perder naquele momento.

Em um movimento rápido, Taehyung abriu o porta-luvas do veículo e, de dentro do mesmo, tirou um aparelho celular aparentemente antigo, um boné e óculos escuros, além de uma camisa xadrez daquelas que os mais jovens costumavam usar por cima de outras blusas lisas.

— Vista isso, isso e isso. — disse e entregou as três vestimentas para Namjoon. O mais velho não pensou duas vezes antes de colocar os óculos, o boné e, por fim, a camisa xadrez que disfarçaria o péssimo estado das roupas que já usava há dois dias; afinal, nenhuma peça havia lhe sido entregue na delegacia, o que fazia com que ele estivesse apenas com a sua roupa do corpo durante aquele tempo todo. — O celular é pré-pago, então não pode ser rastreado. Mesmo assim, o mantenha desligado o máximo de tempo possível por causa da bateria, só ligue quando realmente precisar falar comigo. O meu número e o da Shinhye são os únicos salvos na lista de contatos, mas você sabe para quem deve ligar, não é mesmo?

Bem, ele sabia para quem não deveria ligar. Esperava que Shinhye estivesse descansando e cuidando de si mesma naquele momento, por isso, jamais voltaria a trazer problemas para a mesma.

— Eu vou reportar qualquer passo que o Yoongi der. — Namjoon afirmou, sério.

— O foco é a próxima vítima dele. — Taehyung reforçou. — Você precisa descobrir quem ele pretende atacar dessa vez, pois essa é a nossa única chance de prendê-lo em flagrante.

Com um balançar firme de cabeça, Namjoon concordou com o policial. Soltou o cinto de segurança e se apressou para sair do carro, afinal, logo perderia Yoongi de vista. Olhou para o interior do veículo uma última vez, antes de bater a porta do mesmo, e recebeu o mesmo balanço positivo de cabeça de Taehyung.

Aquele plano tinha que dar certo.

Namjoon encheu o pulmão de ar, ajeitou o boné e abaixou a cabeça, começando a caminhar com passos apressados em meio a trabalhadores tão apressados quanto ele por causa do horário de almoço. Mesmo que fosse mais alto do que a média normal coreana, era fácil para o Kim se disfarçar e passar despercebido no meio de todos aqueles pedestres, afinal, ser invisível e um tanto inativo vinha sendo a sua especialidade já há algum bom tempo.

Mas não mais.

***

Maldita hora na qual Min Yoongi começara a depender daquele emprego humilhante para ter, ao menos, acesso liberado a todas as drogas das quais precisava para se vingar daqueles que mereciam uma vingança dolorosa e muito bem calculada — e que teria sido ainda mais bem sucedida se não fosse pela variável Kim Shinhye se intrometendo de forma tão irritantemente constante nos seus cálculos.

Começar a eliminar o topo da sua lista de inimigos a facadas não tinha sido a melhor das ideias e, agora, Yoongi reconhecia isso. O sangue que os golpes faziam jorrar deixava tudo uma bagunça e, ainda por cima, tratava-se de algo rastreável — não era por nada que ele sempre precisava se livrar das roupas que usava no dia do crime, isso depois de lavá-las cuidadosamente para que ninguém que pudesse achá-las depois encontrasse nenhum rastro de sangue. Além disso, precisava ser extremamente preciso em sua mira com a faca, caso contrário, momentos como aquele no qual Jung Hoseok gritou no meio da rua ao receber a primeira perfuração continuariam se repetindo continuamente.

Mas pessoas envenenadas não gritavam.

Venenos em si, ou o coquetel de drogas que fosse, não eram rastreáveis, pois havia dezenas de lugares nos quais se poderia comprá-los legalmente, quem dirá as opções no mercado ilegal. Em seguida, depois de adquirido, tudo o que era necessário era chegar perto o suficiente da vítima para injetá-lo através de uma pequena e quase imperceptível perfuração. Pronto, trabalho feito. Se Shinhye não tivesse o atrapalhado, àquela altura do campeonato o seu plano teria sido colocado em prática de modo muito mais fácil e discreto — e Song Donghae estaria morto, obviamente.

Contudo, aquilo não tinha acontecido e, agora, Yoongi precisava correr todo aquele risco de se expor apenas para aparecer para trabalhar no dia seguinte a ter atentado contra a vida de um político famoso. Se alguém além de Shinhye tinha o visto no momento do ataque ao juiz ele não sabia dizer, porém, ao menos, ninguém havia o procurado até então. O Min tinha, até mesmo, evitado de retornar para casa, passando a madrugada na rua com medo de ser encontrado pela polícia, mas não conseguia evitar o trabalho daquele mesmo jeito; afinal, precisava voltar ao laboratório. O seu fornecedor de cianeto havia se irritado pelo modo com o qual Yoongi tinha exigido que ele providenciasse outra seringa com o veneno às pressas na noite anterior e, por isso, tinha declarado com firmeza que não voltaria a vender mais nada para o Min, o que o colocou de frente para um estoque completamente zerado de venenos — mas que, nas doses certas, poderia ser facilmente reposto com todos aqueles componentes químicos que ele tinha à sua disposição no laboratório de manipulação onde trabalhava.

O Laboratório Holdings era o maior do país no quesito de manipulação de remédios, possuindo filiais em mais quatro outras cidades além da sua sede em Seul. Ali eram fabricados, por dia, milhares de todos os tipos possíveis de remédios, o que resultava em um fluxo gigantesco de entrada de ingredientes para fabricá-los — tão intenso e agitado que era impossível de ser completamente controlado e fiscalizado, e era desse momento que Yoongi mais se aproveitava. Tinha fabricado as pílulas do sono de Namjoon assim, surrupiando componentes químicos dia após dia em quantidades imperceptíveis, até que, finalmente, conseguisse fabricar mais de meia dúzia de embalagens idênticas as do sonífero original, porém com os miligramas que lhe eram de interesse. Assim, com esse pensamento em mente e com o fornecimento de cianeto cortado, Yoongi decidiu que poderia simplesmente fabricar o próprio veneno, ainda que aquilo lhe obrigasse a voltar ao trabalho que tanto detestava. Mesmo que fosse apenas um técnico em manipulação, ele tinha estudado bastante sobre o assunto e, focando no que lhe interessava, não foi muito difícil para o Min desenvolver a fórmula ideal para prosseguir com a sua vingança.

Feito isso, ele pretendia sair naquele horário de almoço para nunca mais voltar naquele inferno.

E foi o que fez. Com a mochila cheia de componentes químicos roubados do estoque do Holdings e vestindo os seus trajes habitualmente pretos, ele deixou o prédio pela porta da frente enquanto olhava em todas as direções daquela rua movimentada — afinal, alguma espécie de sexto sentido dentro de si cismara que estava sendo seguido. Apressou o passo, o suficiente para caminhar mais rápido do que a grande maioria dos pedestres que passavam pelo local, contudo, acabou sendo alcançado do mesmo jeito assim que pôs os pés em uma rua mais deserta.

— Hyung. — a voz grave e baixa o chamou de forma firme ao mesmo tempo que uma mão puxou o seu braço esquerdo.

Num reflexo surpreso, Yoongi tentou se desvencilhar do aperto antes mesmo de conferir de quem se tratava, o que não deu muito certo. Ao tentar puxar o braço de volta e olhar para trás, o Min se deparou com a figura de Namjoon que, mesmo disfarçado por um boné preto e óculos escuros, era completamente conhecível para si.

— Namjoon? — o mais velho indagou completamente perplexo e, só então, desistiu de soltar a mão do Kim do seu braço. Estava tão surpreso em vê-lo ali que tinha até se esquecido dos objetos roubados que carregava consigo em sua mochila. — Como você chegou aqui? Você não estava preso?

Felizmente, graças aos óculos escuros que o mais novo usava, Yoongi não conseguia ver o rancor estampado nos seus olhos castanhos e pequenos.

Namjoon respirou fundo. Precisava fazer aquilo dar certo.

— Eu preciso da sua ajuda, hyung. — o Kim disse e, para até mesmo a sua própria surpresa, a sua voz saiu frágil e cansada, exatamente como ele planejava. — Eu fugi. Eles tentaram me transferir para um presídio e eu acabei encontrando uma brecha para fugir no meio disso tudo. Mas eu explico tudo depois, prometo. Por agora, eu só preciso da sua ajuda para me esconder, por favor.

O estômago de Namjoon revirava enquanto ele anunciava todas aquelas palavras — ao contrário de Yoongi, o cinismo nunca fora o seu ponto forte — mas o Kim conseguia, incrivelmente, transmitir com maestria a imagem perdida e abalada a qual planejava usar para convencer o Min do seu desespero e desamparo. Apertou com um pouco mais de força o braço do mais velho, que franziu o cenho. Conhecendo Namjoon, a possibilidade de que um dia o Kim fosse ser capaz de escapar da polícia jamais havia passado pela sua mente, mas...

Ele não tinha porque mentir.

Yoongi fitou o Kim, sério. Em todos aqueles anos de amizade, Namjoon jamais havia mentido para o Min, já que não o conseguia fazer bem nem mesmo se aquela fosse a sua intenção. Além disso, Yoongi já tinha visto em todos os jornais as manchetes sobre Namjoon e sobre como a população no geral parecia querer apedrejá-lo se o encontrasse nas ruas, o que ele julgava ter tornado infinitas vezes mais difícil o caminho do Kim até ali. Na verdade, ele não fazia ideia de como o mais novo havia chegado até o laboratório, mas sabia que ele estava falando a verdade — afinal de contas, Namjoon não era o tipo de pessoa que conseguia mentir tão bem.

Porque Kim Namjoon era o tipo de pessoa que não conseguia sequer erguer uma faca na direção das pessoas que haviam destruído o seu brilhante futuro. Que, ao invés de perfurá-las, havia tentado salvá-las.

Mesmo estando completamente dopado.

— Eu tenho um lugar para aonde podemos ir. — Yoongi afirmou, sério, e segurou a mão do Kim que ainda prendia o seu braço. — Mantenha a cabeça abaixada e me siga. Eu vou nos tirar dessa.

Notas finais
E então, o que acharam? Eu que sou a própria autora da história estou aqui torcendo para o Namjoon, o nosso mais novo herói cínico, desmascarar o Yoongi, então imagina vocês kkkkkk. Prestaram bastante atenção no finalzinho do capítulo? Temos ali informações importantes sobre o que realmente aconteceu nas noites dos assassinatos rssss. Joguei o spoiler na própria história e corri, é isso. Até breve!