Meu querido sonâmbulo 2
16 Meu querido foragido
Notas iniciais
Enquanto se despedia dos pais já no portão de casa, Namjoon tentava dar as melhores respostas possíveis para as suas preocupadas perguntas, ainda mais depois da visita tão repentina do filho; porque exatamente tinha vindo depois de tantos anos afastado, por qual motivo estava indo embora tão rapidamente e, o mais importante, quem era a tal médica que viera atrás do seu filho mais velho. Já era noite e o casal Kim chegou a insistir para que Namjoon e a sua terapeuta ficassem pelo menos por aquela noite, já que seria perigoso pegar a longa estrada que tinham pela frente tão tarde, mas o filho do casal tinha pressa em, literalmente, resolver a sua própria vida, então apenas respondeu que não poderia ficar pois tinha trabalho já na manhã seguinte. Ainda levemente inconformada, a Sra. Kim entregou alguns biscoitos caseiros para o filho para que, ao menos, não sentisse fome no meio do caminho — ele parecia decidido e apressado demais para que ela continuasse tentando convencê-lo a ficar.
Da varanda da velha casa da família, Kim Namkyu observava a cena da partida do irmão em silêncio, porém, palavras não eram necessárias para que qualquer um pudesse notar como a garota estava se sentindo. As unhas compridas arranhavam as palmas das próprias mãos, ansiosas, e os ombros estavam tensos. Seus olhos, antigamente tão cheios de vida e curiosidade, agora estavam preocupados e levemente marejados, e até a pele mais morena da adolescente parecia pálida naquele momento. Respirou fundo. Não tinha se despedido do irmão e nem pretendia ir até ele fazê-lo, pois não tinha a menor ideia de como reagiria se precisasse viver aquela cena de novo. Da primeira vez que Namjoon fora embora, a irmã tinha se fechado e mudado completamente o seu comportamento.
Agora, na segunda, tinha tudo para ser ainda pior.
— Eu não vou deixar ninguém o machucar de novo. — a voz feminina surgiu ao lado de Namkyu de repente, mas a garota não se assustou. — Prometo.
Shinhye tinha ficado para trás enquanto a família se despedia com a desculpa de que precisava ir ao banheiro antes de encarar a estrada novamente. Na verdade, ela queria mesmo era dar um pouco mais de privacidade para os Kim e, principalmente e no fundo do seu coração, detestava ver famílias tendo que se separar por qualquer que fosse o motivo. Não tivera a chance de se despedir nem da sua mãe e nem do seu pai, contudo, preferia assim — na sua cabeça, seus pais poderiam estar felizes em algum outro lugar distante e tranquilo, ainda que seu pai em específico não fosse tão merecedor daquilo. Além disso, sabia que havia uma pequena, porém igualmente dolorosa, chance de Namjoon não retornar nem tão cedo para os braços tão calorosos da mãe e o sorriso largo do pai. Sabendo disso, Shinhye se sentia ainda pior ao vê-los dizer adeus ao filho mais velho enquanto esperava de espreita na sala de estar.
E ela teria permanecido lá até o final, se a figura fincada com firmeza na varanda da casa não tivesse lhe chamado atenção. Mesmo que Namkyu estivesse de costas para si, a terapeuta automaticamente entendeu o que se passava na cabeça da mais nova e resolveu se aproximar, parando apenas com o ombro já paralelo ao dela.
— Você tem certeza de que pode prometer isso? — a Kim mais nova questionou, por fim, e seus olhos ainda estavam fixos na figura alta e sorridente do irmão. — Meu irmão nunca vai estar totalmente seguro, pelo menos não enquanto ninguém enxergar culpa naqueles três.
Shinhye respirou fundo, hesitante.
Mas a garota merecia saber daquilo. Pelo menos ela.
— Kim Seokjin e Jung Hoseok nunca mais encostarão um dedo sequer no Namjoon. — Shinhye afirmou. — Eles estão mortos.
Pela primeira vez, Namkyu se chocou o suficiente com o que ouvira para se virar bruscamente na direção da mais velha. A adolescente tinha os olhos arregalados e demorou alguns longos segundos para processar aquela informação.
E por mais difícil e confuso que pudesse ser para uma garota tão nova absorver tudo aquilo, Shinhye sentia a necessidade de lhe contar a verdade. Sabia que Namkyu guardaria aquilo para si e o simples ato de ter aquilo trancafiado dentro de si começaria, em algum momento, a trazer de volta para a superfície a adolescente alegre e despreocupada que ela ainda deveria ser; os culpados pela interrupção brusca na vida de Namjoon jamais voltariam a machucar o seu irmão e era apenas isso que lhe importava.
Afinal de contas, as duas figuras paradas na varanda eram mais parecidas do que qualquer um teria notado.
— E o Yoongi? — foi o único questionamento de Namkyu, tão intenso quanto o seu olhar.
Coincidência ou não, Shinhye já esperava aquela pergunta.
— Nada aconteceu a ele, por enquanto. — a mais velha afirmou. — Mas isso não deve continuar assim por muito tempo.
Aquela frase poderia ser interpretada como quem a ouvisse bem quisesse, porém, a certeza de Shinhye vinha do fato da sua forte intuição de que Yoongi tinha alguma ligação com os assassinatos ou, no mínimo, com os apagões de Namjoon. E, se aquilo viesse a se concretizar como verdade, o Min teria que arcar legalmente com as consequências dos seus atos.
— Isso é bom. — Namkyu respondeu e, mesmo que não deixasse transparecer tanto, estava respirando mais aliviada pela primeira vez em todos aqueles anos após o atropelamento do irmão. — Eu acho que posso acreditar na sua promessa.
Porque para Namkyu, não interessava quem Kim Shinhye fosse, de onde tinha vindo ou quais eram as suas verdadeiras intenções com Namjoon — tudo isso seria irrelevante se a terapeuta apenas cumprisse com a sua promessa. E, sendo honesta, pouco lhe importava também como Seokjin e Hoseok tinham partido, contanto que nunca mais voltassem para destruir a vida de mais ninguém.
Ao ouvir a garota, Shinhye deixou escapar uma espécie de riso orgulhoso baixo e nasalado. Acenou com a cabeça e, em silêncio, começou a se dirigir na direção do restante da família Kim, que já havia acabado com as suas despedidas. Seu carro estava parado logo ao lado das três pessoas e a terapeuta mal podia esperar para entrar no mesmo e, assim, retornar para o verdadeiro caos que lhe esperava em Seul.
Porém, de repente, seus passos foram interrompidos pelo toque sutil do seu celular vindo do bolso traseiro da sua calça. A Kim parou de caminhar com a intenção de ignorar a chamada, porém, ao ver o nome do irmão mais novo estampado no visor do celular, resolveu de imediato não o fazer.
— Taehyung? — atendeu com o cenho franzido e um questionamento, afinal, tinham se tornado raras as situações nas quais os irmãos se falavam mais do que duas vezes no mesmo dia.
Como já haviam se encontrado no cemitério mais cedo, Shinhye estava curiosa para saber qual assunto o mais novo ainda tinha para tratar com ela. E preocupada, também.
— Eu preciso falar com você, mas tem que ser pessoalmente. — disse com a voz firme. — Estou na porta do seu apartamento.
— No meu apartamento? — a terapeuta repetiu por ter sido pega de surpresa. — Bem, eu estou em Daegu agora, então ainda vou demorar um pouco para chegar em casa. Se você quiser passar aí outro dia, eu posso...
— Daegu?! — o mais novo interrompeu. — Por favor, não me diga que você também foi atrás desse tal de Kim Namjoon...
Taehyung falava com um certo tom de súplica extremamente destoante do seu habitual tom sério e firme, mas esse não foi o ponto que mais chamou a atenção de Shinhye.
— Como você sabe que... — a Kim iniciou, perplexa, mas sacudiu a cabeça quando resolveu mudar a própria pergunta. — Por que você está dizendo isso? Tem alguém procurando por ele?
— Tem, noona. — Taehyung respondeu e a irmã pode ouvi-lo respirando fundo do outro lado da linha. — Todos os meus colegas de trabalho estão atrás dele, mais especificamente.
Shinhye arregalou os olhos, em choque.
— A polícia?!
***
Não sabendo exatamente qual o cenário que estava prestes a encontrar quando colocasse os pés de volta em Seul, Shinhye se sentia como se estivesse tendo uma morte lenta e agonizante, porém, ao mesmo tempo, ansiosa ao ponto de não conseguir conter os olhos que varriam as ruas da capital coreana diante de si de forma tão frenética e ansiosa. Taehyung tinha se recusado a dar mais detalhes por telefone sobre o porquê de Namjoon estar sendo procurado pela polícia e, sinceramente, Shinhye sabia que ele estava fazendo a coisa certa; ainda que o nervosismo que corria em suas veias naquele momento a fizesse querer bater em seu irmão por tê-la deixado daquele jeito, sem maiores explicações.
Ao encerrar a chamada com Taehyung, a Kim rapidamente se dirigiu até Namjoon e, num sussurro, afirmou com precisavam ir embora com urgência. O Kim não entendeu o porquê daquela sua mudança brusca de comportamento, porém, automaticamente já antecipou que a terapeuta deveria ter os seus motivos para tal — por isso, deu um último aceno apressado para os pais e entrou no lado do passageiro do carro de Shinhye, só percebendo depois que acabara não se despedindo da própria irmã.
— Aconteceu alguma coisa? — o Kim perguntou enquanto via pelo espelho interior do carro sua casa ficando cada vez menor e mais distante.
— Aconteceu. — Shinhye respondeu de forma curta e firme. — Mas nós só vamos descobrir o que quando chegarmos em Seul.
E assim se seguiu a viagem dos dois, silenciosa e tensa. Shinhye tinha um milhão de possibilidades correndo junto das suas sinapses nervosas, talvez até na mesma velocidade que as mesmas, e além disso a terapeuta ainda precisava focar na estrada para não acabar causando um acidente. Já Namjoon, por outro lado, optou por permanecer em silêncio para não piorar ainda mais o nítido estado de alerta no qual a condutora do veículo se encontrava. Ele não fazia a menor ideia do que estava acontecendo, mas sabia que de nada adiantaria insistir em perguntar, então apenas exerceu o dom da paciência que lhe fora dado desde nascido e simplesmente esperou, quase imóvel.
E, então, eles chegaram.
— O que nós estamos fazendo no seu prédio? — foi a primeira coisa que o Kim perguntou depois da longa e silenciosa viagem.
Por pura curiosidade e instinto, Namjoon desembarcou do carro logo atrás de Shinhye e continuou a seguindo. A mulher andava com pressa e firmeza, fazendo com que os seus saltos produzissem um barulho oco conforme batiam de encontro ao chão do hall de entrada do prédio. Como de costume, o porteiro não estava presente no andar térreo, mas pela primeira vez Shinhye foi grata por aquilo — quanto menos pessoas presenciassem a circulação de Namjoon naquele momento tão delicado, melhor. Os dois entraram no elevador e pararam lado a lado, ombros paralelos um ao outro.
— A partir de agora, eu não sei o que vai acontecer. Não sei o que nos espera atrás dessas portas. — a Kim afirmou conforme o elevador se aproximava do seu andar, pegando Namjoon de surpresa. — Mas eu prometi que iria ajudar você e o farei. Além disso, eu fiz uma promessa a uma outra pessoa e também pretendo cumpri-la.
Dito isso, Shinhye finalmente fitou o rapaz ao seu lado. Tentava transmitir o máximo de segurança possível através do seu olhar, ainda que estivesse aterrorizada com o que Taehyung poderia ter para lhe dizer. Namjoon também não estava muito diferente, porém, mesmo que estivesse assustado, ele acenou positivamente com a cabeça enquanto fitava de volta a terapeuta.
— Obrigado. — foi a única coisa que ele disse. — De verdade.
As portas do elevador se abriram e a conversa dos dois, tão curta e, ao mesmo tempo, igualmente significativa, se encerrou no mesmo instante. Shinhye saiu na frente e Namjoon a seguiu a poucos passos de distância, ambos automaticamente diminuindo a velocidade de suas passadas conforme se aproximavam do apartamento da Kim, repentinamente mais inseguros. Poucos segundos depois, Shinhye conseguiu avistar o irmão mais novo recostado na sua porta de madeira com uma das expressões mais preocupadas e sisudas que a Kim já tinha visto estampada em seu rosto. Taehyung usava calça e jaqueta pretas, além da blusa azul-marinho sem nenhum tipo de estampa — se estivesse no meio da rua, provavelmente passaria despercebido em meio à escuridão daquela espécie de prémadrugada.
Quando Taehyung notou a presença dos dois, automaticamente se desencostou da porta — estivera ali por mais de duas horas e a sua coluna fez questão de o lembrar disso quando finalmente foi esticada — e fitou diretamente a figura que vinha caminhando atrás da irmã, que no mesmo instante interrompeu sua caminhada. A mandíbula do policial estava rígida e os olhos semicerrados, como se conseguisse ver através de Namjoon e da sua aflição mal disfarçada.
— Então o seu paciente Kim Namjoon é o meu Kim Namjoon atualmente foragido da polícia. — foi a primeira coisa que Taehyung disse, fazendo questão de verbalizar aquela constatação. De repente, seus olhos caíram sobre a irmã, cujo cenho estava franzido num misto de espanto e confusão. — Infelizmente, as minhas suspeitas estavam certas. Só me resta saber agora se ele é mesmo só seu paciente.
Controlando o seu nervosismo, Shinhye apenas deu um par de passos na direção do irmão e o encarou de volta, sustentando o seu olhar naturalmente acusador.
— Você quer fazer isso aqui mesmo, no corredor? — questionou. — Vamos entrar.
Dito isso, a Kim passou por Taehyung praticamente o obrigando a abrir passagem para a mesma, digitou a senha no painel eletrônico da porta e a abriu. Fitou o irmão e fez um gesto com a mão para que o mais novo entrasse primeiro, pois jamais daria as costas para os dois e os deixaria sozinhos naquela situação; e o Kim, mesmo a contra gosto, acabou cedendo e entrando primeiro no apartamento. Shinhye fitou Namjoon, que ainda estava travado em seu lugar tentando processar a ideia de que um até então desconhecido tinha lhe informado que agora era considerado um foragido da polícia. Caminhou até ele e, gentilmente, segurou a mão fria e trêmula do sonâmbulo.
— Vamos. — ela disse lhe transmitindo a calmaria que sequer tinha dentro de si mesma naquele momento. — O que quer que seja, nós podemos cuidar disso. Juntos.
Demorou um par de segundos, mas o Kim finalmente a encarou de volta e acenou positivamente com a cabeça, ainda que hesitante. Os dois entraram de mãos dadas no apartamento e Shinhye só o soltou quando encontrou o irmão de pé no meio da sua sala de estar, sendo a primeira a se sentar. Taehyung acabou fazendo o mesmo, porém na poltrona oposta ao sofá, e Namjoon acabou ficando ao lado da terapeuta.
— O que diabos está acontecendo? — a Kim perguntou, por fim. —Por que você disse que o Namjoon está sendo procurado pela polícia?
Mesmo sendo o único e verdadeiro policial presente no ambiente, Taehyung sabia que teria que responder às perguntas da irmã primeiro se quisesse fazer as suas próprias. Por isso, ele respirou fundo e se inclinou para frente, apoiando os cotovelos nas pernas.
— Um corpo de um homem foi encontrado na última madrugada em uma área nobre da cidade. Estava caído no meio da rua, todo esfaqueado e sem identidade. — o Kim iniciou e, automaticamente, Namjoon sentiu seu estômago se revirar em repulsa. — A polícia só conseguiu identificá-lo através das suas digitais, mas havia mais digitais do que o esperado no corpo de Jung Hoseok.
Taehyung pausou quando viu a irmã fechar os olhos durante um longo segundo, gélida.
Aquilo não podia estar acontecendo.
— Havia algumas outras digitais pelo corpo, todas ensanguentadas e pertencentes a uma mesma pessoa. Alguém tinha tocado os braços, cabeça e até o tórax de Hoseok depois de morto, como se estivesse fazendo algum tipo de checagem. — Taehyung continuou e seus olhos se voltaram raivosos para Namjoon. — E o dono dessas digitais está, nesse exato momento, sentado no sofá da casa da minha irmã.
Uma longa pausa foi dada e Namjoon encarou Shinhye, desesperado. Ele não tinha ideia do que tinha feito na madrugada passada, mas a história que a terapeuta havia lhe contado batia perfeitamente com o que o seu irmão dizia naquele momento.
A Kim abaixou a cabeça por um momento e, em seguida, voltou a fitar o irmão.
— Você tem certeza disso? — perguntou em um fio de voz, mesmo sabendo que Taehyung jamais se enganaria sobre algo tão grave.
— Não só tenho, como a história não acaba aí. — o mais novo respondeu, firme. — A polícia, então, cruzou os dados do Hoseok e com os do suspeito e descobriu que o problema deles não é de hoje, certo?
Suspeito.
Taehyung se dirigia diretamente a Namjoon enquanto falava, mas o rapaz estava chocado demais para se sentir intimidado ou algo do tipo.
— Ele não sabe de nada disso. — Shinhye interrompeu a iniciativa acusadora do irmão. — A polícia deve ter checado o histórico médico dele também, não?
— Amnésia temporária não significa que ele já não tenha se lembrado de tudo ou, no mínimo, que ninguém tenha lhe contado sobre o seu próprio passado. — Taehyung foi rápido em rebater. — Você deveria se lembrar como a polícia deve agir, noona.
— A história é bem mais complexa do que parece, Taehyung. — a mais velha continuou a argumentar, ignorando a irritação que a última provocação do irmão tinha causado em si.
— E é justamente por isso que a polícia tentou encontrá-lo: para poder ouvir a sua versão da história. Mas como é possível ouvir alguém que ninguém sequer viu nas últimas vinte e quatro horas? — o Kim respondeu, ainda soando acusador. Pausou e fitou a irmã com maior intensidade, se questionando como ela podia estar cogitando defender aquele tipo de gente. — E quanto a Kim Seokjin? Alguém o ouviu antes de ser morto aqui na porta do seu prédio?
Não era como se Shinhye já não esperasse que, depois de ligar Namjoon a Hoseok, automaticamente os ligariam também ao assassinato de Seokjin sem maiores dificuldades. Se ela mesma tinha tido acessos àquelas informações, qualquer investigador naquela altura do campeonato já teria ligado uma coisa à outra e, automaticamente, apontado a culpa pelos dois crimes diretamente em Namjoon.
Mas, mesmo assim, a Kim ainda se sentia pega completamente de surpresa e desprevenida.
— Kim Seokjin? — Namjoon murmurou para si mesmo, nitidamente perdido em seus próprios pensamentos. De repente, lembrou de algo e automaticamente fitou Shinhye. — Aquele velório que nós fomos...
Ele não conseguiu terminar sua fala tamanha era a sua confusão mental, mas Shinhye não precisava daquilo para saber o que deveria responder.
A verdade.
— Sim, era dele. — a Kim afirmou sem fitá-lo diretamente, pois não tinha coragem suficiente para encará-lo enquanto admitia aquilo. — Eu precisava ter certeza de que você realmente não se lembrava de nada e que não sabia o que estava acontecendo, então eu o levei até o velório do Seokjin e observei as suas reações...
Silêncio. Namjoon não conseguia acreditar em absolutamente nada do que estivera ouvindo até então ou, talvez, só estivesse imerso em um profundo estado de negação.
— Então você sabia de tudo o tempo todo? — o Kim questionou, por fim, enquanto deixava escapar que se sentia um tanto traído naquele momento. — Você sabia de tudo e nunca cogitou me contar nada?
— Foi por isso que você me pediu a ficha dele? — Taehyung insistiu, colocando a irmã contra a parede. — Você realmente sabia que estava lidando com um possível assassino e não fez nada?
— Eu não sou um assassino. — pela primeira vez, Namjoon respondeu ao Kim mais novo diretamente. Sua voz estava cheia de confiança, mas que, sob o olhar tão penetrante e acusador de Taehyung, foi se desfazendo aos poucos. — Não posso ser...
— Então por que havia digitais suas em um cadáver? — o policial questionou. — E por que diabos você fugiu?
— Eu não fugi!
— Já chega! — Shinhye interrompeu a discussão com uma exclamação exausta e irritada. Os ânimos estavam aflorados na sala, mas os dela já não aguentavam mais nada daquilo. — Você. — virou-se primeiro para o irmão, apontando na sua direção. — Não ouse me tratar como uma maldita criminosa ou uma adolescente inconsequente. O mínimo que eu exijo de você, Kim Taehyung, é que você me respeite até que consiga realmente provar o que acabou de insinuar. — despejou as palavras de modo firme e o Kim mais novo não ousou rebater. Em seguida, virou-se para Namjoon. — E você... — respirou fundo. — Já passou da maldita hora de você saber toda a verdade, Kim Namjoon.
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